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terça-feira

Sem pressa, a mesma promessa!

Num dia desses, realizo meu sonho de ver de perto o mundo...
Ver através dos seus olhos, superfície e mares profundos!
Um dia...realizo meu sonho sem necessidade de dormir e torno-me deveras, um vagabundo;
Compromisso é com os sentidos somente...do cinza, de coisas que cortam na realidade feito o cinzel; se encarrega o mundo!
Um dia qualquer, serei o homem que sou, que posso ser... serei quiçá, até mesmo perfeito pra ser mulher;
Melhor do que o imperfeito do passado, melhor que aquilo que se encerra cansado de ser conjugado, subjugado...
Posso até mesmo pedir carona numa espaçonave ou no seu carro, pois sou indigente a procura de identidade... também quero ser carregado!
Pois, confesso que estou cansado...sem necessidade de pároco ou confessionário...
Aqui mesmo faço, neste mesmo lugar ando pagando um preço superfaturado por meus pecados!
Num dia desses, o mudo irá falar...
A multidão ensandecida, há de se calar;
Algum olho irá abrir, antes que um par...para sempre, insista em se fechar!
Descer do muro se sentindo seguro...
Se não der, peço por uma mão...pois, já ofertei até mesmo meus braços e confesso que estou em apuros!
Nada será como antes, como depois...tudo será como deveria ser agora;
Se é sol que espero, não verei problemas em me deliciar com a chuva que cai lá fora!
Por ora, espero...quase que sem me cansar;
Por ora, tento...ascender em degraus imaginários e um céu por mim sonhado, alcançar!
Se o mundo não muda como espero, nesse globo ao alcance de minhas mãos, faço ele ao contrário girar;
No meu compasso, ao amigo que verei refletido no espelho, mandarei um beijo e um abraço...
Contudo, confesso que ando meio parado... paradoxo!
Confia a mim teu regaço para um breve descanso e te prometo apenas, que esse pequeno mundo...um dia, será inteiramente nosso.




segunda-feira

Para sempre, "estive aqui"


Posso te mostrar o melhor que dá pra ser, enquanto ela não passa?
Enquanto ela ainda não pode, não me arrebenta, não me arrebata?
Posso... dê-me essa chance de dizer, aquilo que não posso quando entristece meu olhar imerso na escuridão...emudece minha fala?
Sem pensar no amanhã de incertezas, apenas me abraça...
Pois, sei das noite que virão feito furacão, quando secam sozinhas e com ares de gelo, sequer tocam o chão minhas lágrimas;
Melhor há de ser reviver quiçá, um drama...
A tecer teias, destilar veneno em palavras, tramar em perfeito requinte de perfídia, uma trama!
Com todas minhas frases de efeito e meus clichês, posso ser...algo, alguém por essa noite que seja, pra você?
Um segundo para nós, por nossos laços sempre tão frágeis...
Um minuto para a eternidade, coisas que ninguém precisa compreender e se chame por algo além de mera compaixão, ou gesto que traduz sentimento de abnegada amizade!
Se a vida, deveras é o tal "trem bala" e somos meros passageiros, como diz a canção e a fala...
Quem sabe, um dia desses não será de fato o derradeiro, a estação será a última e um adeus...
Um mero até mais, sem necessidade de dizer que irá partir para sempre, sem fazer as malas?
Posso ser...antes que o ceifeiro implacável que não falha, saiba?
Aquilo que talvez sempre ou nunca fiz, aquilo que um de nós jamais quis...
Tudo, se possível for, antes do crepúsculo que nosso raio de sol de rara esperança, no horizonte se esconde e nossos céu, para sempre se apaga!
Ora, seu amigo...ora, seu algoz;
Para sempre serei como uma dádiva ou maldição, no seu caminho feito obstáculo e uma flecha no seu coração...
Somente, para ver se me lembra além dos muros de egoísmo que impedem dois, de serem "nós".


sábado

Diminuto viver.


Diminuta presença, desapercebida e pisada pelo peso da indiferença...
Diminuta presença a espera de compaixão por entre as feras!
Experimenta um pouco mais do frio, do asfalto e do concreto que seu vazio, não alimenta;
Onde tudo se esquece, nenhuma pele se aquece...
Onde tudo o que passa sem olhar, perece...
Vida padece, tudo apenas se parece!
Vívido sonho de pesadelo vivido, na ilusão e mentiras de um mundo que diz que você não merece!
Acende uma vela, faz uma prece...por uma alma sem corpo, por olhares de um homem morto que ninguém sequer agradece;
Por já ser passado, por não saber de mais nada em um mar de náufragos onde ferida é aquilo que se cultiva...
Apenas para ver os limites, para todo olhar cego sem um sonho...
Um horizonte florido e um raio de sol risonho; se sacia com o sangue de coisa viva que aos poucos enlouquece!
Enquanto isso, na esquina sem nome, alguém mais...um a menos sem identidade se perde;
Se é adeus não importa, a memória não se lembra quando a conveniência persuasiva, pressiona sutilmente o "delete";
Visão para o deleite, derrocada e decadência sem elegância...
Sobre o leite que se derrama, sobretudo... ninguém se queixa, senão quando aquela figura promissora que nada de fato prometia, para sempre se apaga e desaparece;
Nada se renova em um cemitério, onde nada se leva a sério senão o som que trará alguma saudade... sussurrado pelas paredes.





Por: FERNANDO ORDANI.