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terça-feira

Sem pressa, a mesma promessa!

Num dia desses, realizo meu sonho de ver de perto o mundo...
Ver através dos seus olhos, superfície e mares profundos!
Um dia...realizo meu sonho sem necessidade de dormir e torno-me deveras, um vagabundo;
Compromisso é com os sentidos somente...do cinza, de coisas que cortam na realidade feito o cinzel; se encarrega o mundo!
Um dia qualquer, serei o homem que sou, que posso ser... serei quiçá, até mesmo perfeito pra ser mulher;
Melhor do que o imperfeito do passado, melhor que aquilo que se encerra cansado de ser conjugado, subjugado...
Posso até mesmo pedir carona numa espaçonave ou no seu carro, pois sou indigente a procura de identidade... também quero ser carregado!
Pois, confesso que estou cansado...sem necessidade de pároco ou confessionário...
Aqui mesmo faço, neste mesmo lugar ando pagando um preço superfaturado por meus pecados!
Num dia desses, o mudo irá falar...
A multidão ensandecida, há de se calar;
Algum olho irá abrir, antes que um par...para sempre, insista em se fechar!
Descer do muro se sentindo seguro...
Se não der, peço por uma mão...pois, já ofertei até mesmo meus braços e confesso que estou em apuros!
Nada será como antes, como depois...tudo será como deveria ser agora;
Se é sol que espero, não verei problemas em me deliciar com a chuva que cai lá fora!
Por ora, espero...quase que sem me cansar;
Por ora, tento...ascender em degraus imaginários e um céu por mim sonhado, alcançar!
Se o mundo não muda como espero, nesse globo ao alcance de minhas mãos, faço ele ao contrário girar;
No meu compasso, ao amigo que verei refletido no espelho, mandarei um beijo e um abraço...
Contudo, confesso que ando meio parado... paradoxo!
Confia a mim teu regaço para um breve descanso e te prometo apenas, que esse pequeno mundo...um dia, será inteiramente nosso.




segunda-feira

Para sempre, "estive aqui"


Posso te mostrar o melhor que dá pra ser, enquanto ela não passa?
Enquanto ela ainda não pode, não me arrebenta, não me arrebata?
Posso... dê-me essa chance de dizer, aquilo que não posso quando entristece meu olhar imerso na escuridão...emudece minha fala?
Sem pensar no amanhã de incertezas, apenas me abraça...
Pois, sei das noite que virão feito furacão, quando secam sozinhas e com ares de gelo, sequer tocam o chão minhas lágrimas;
Melhor há de ser reviver quiçá, um drama...
A tecer teias, destilar veneno em palavras, tramar em perfeito requinte de perfídia, uma trama!
Com todas minhas frases de efeito e meus clichês, posso ser...algo, alguém por essa noite que seja, pra você?
Um segundo para nós, por nossos laços sempre tão frágeis...
Um minuto para a eternidade, coisas que ninguém precisa compreender e se chame por algo além de mera compaixão, ou gesto que traduz sentimento de abnegada amizade!
Se a vida, deveras é o tal "trem bala" e somos meros passageiros, como diz a canção e a fala...
Quem sabe, um dia desses não será de fato o derradeiro, a estação será a última e um adeus...
Um mero até mais, sem necessidade de dizer que irá partir para sempre, sem fazer as malas?
Posso ser...antes que o ceifeiro implacável que não falha, saiba?
Aquilo que talvez sempre ou nunca fiz, aquilo que um de nós jamais quis...
Tudo, se possível for, antes do crepúsculo que nosso raio de sol de rara esperança, no horizonte se esconde e nossos céu, para sempre se apaga!
Ora, seu amigo...ora, seu algoz;
Para sempre serei como uma dádiva ou maldição, no seu caminho feito obstáculo e uma flecha no seu coração...
Somente, para ver se me lembra além dos muros de egoísmo que impedem dois, de serem "nós".


sábado

Diminuto viver.


Diminuta presença, desapercebida e pisada pelo peso da indiferença...
Diminuta presença a espera de compaixão por entre as feras!
Experimenta um pouco mais do frio, do asfalto e do concreto que seu vazio, não alimenta;
Onde tudo se esquece, nenhuma pele se aquece...
Onde tudo o que passa sem olhar, perece...
Vida padece, tudo apenas se parece!
Vívido sonho de pesadelo vivido, na ilusão e mentiras de um mundo que diz que você não merece!
Acende uma vela, faz uma prece...por uma alma sem corpo, por olhares de um homem morto que ninguém sequer agradece;
Por já ser passado, por não saber de mais nada em um mar de náufragos onde ferida é aquilo que se cultiva...
Apenas para ver os limites, para todo olhar cego sem um sonho...
Um horizonte florido e um raio de sol risonho; se sacia com o sangue de coisa viva que aos poucos enlouquece!
Enquanto isso, na esquina sem nome, alguém mais...um a menos sem identidade se perde;
Se é adeus não importa, a memória não se lembra quando a conveniência persuasiva, pressiona sutilmente o "delete";
Visão para o deleite, derrocada e decadência sem elegância...
Sobre o leite que se derrama, sobretudo... ninguém se queixa, senão quando aquela figura promissora que nada de fato prometia, para sempre se apaga e desaparece;
Nada se renova em um cemitério, onde nada se leva a sério senão o som que trará alguma saudade... sussurrado pelas paredes.





Por: FERNANDO ORDANI.

domingo

Aquele sonho, vive!




Quantas vezes, minha alegria... também, não pôde ser a sua?
Quantas histórias vividas por aí separadas...tristes ou felizes, sempre terminaram juntas?
Uma face, refletida na lua...
Coisas resplandecentes por excelência... outras apagadas entre um sorriso tímido ou uma lágrima de pedidos sem voz por clemência!
Quantas vezes...depois de tudo consumado, vi um novo olhar se abrir...sonhei com a luz daqueles olhos fazendo o certo, de tudo que estava errado;
Contudo, sonhar parece ser a sina de alguém que apenas lhe dá um presente amargo de sua ausência...de alguém que é por demais transparência;
De um alguém distante que sonha, também em te cuidar após seus primeiros passos...pegar em suas mãos e desenhar contigo, um caminho livre de percalços...
Caminho suave, desde suas primeiras palavras, suas primeiras letras...desde quando perguntar sobre o "porquê" de eu não estar lá naquele dia e sem nada dizer, eu apenas disfarçar minha tristeza...
Com uma careta, pois ser palhaço do mundo é minha natureza...ser o seu estranho pai, jóia rara de inestimável valor e beleza...
É meu motivo...para seguir vivo, sonhando que ainda faz sentido sentir, fazer por ti e enxergar através dos teus olhos, aquilo que pelos meus...jamais vi com clareza!
Hoje, apenas te desejo parabéns, muitos anos de vida e tudo mais que Deus e o destino, meio ingrato comigo, possa lhe presentear...
Que pena, não estou aí para ver...mas, ao seu lado...
Ei! Se lembra de tantos outros versos e histórias escritas e vividas, que valeu e sempre vale a pena nossa viagem... reticências para continuar?
Eis aí, diante de vós...uma prova irrefutavel, que a vida, veio nos dar!



quinta-feira

Amém!




Queria pra si, pois há muito... é de nada, que se completa;
Poderia ser, poderia até mesmo ter...contudo, parece preferir se vestir de tudo o que não presta!
Agora que tem, se apega, se apaga...se esvanece feito fumaça;
Era nada além de veneno que destilava, era nada além da face do mal que se ocultava, por detrás dos olhares de piedade de uma desvairada;
Que pede por algum apreço...que pena, minha cara, mas no seu mundo feito de peças que não se encaixam...
Tudo que tem valor, se perde em detrimento daquilo que tem preço!
Queria verdade, não vaidade...
Queria laços, mas uma vez mais vejo que nós são ilusão que se desfazem facilmente, quando se faz alianças com o diabo;
Um olhar de esperança enxerga plenitude, onde somente havia metade...
Uma visão de desgosto, uma lágrima que não cai, seca antes de cair... farta, desse déjà vu de insanidade!
A pista é para quem está disposto, o brilho do sol é para quem não reclama de seu calor e não sente vergonha do próprio rosto...
A vida, é curta e passageira para se experimentar...
Logo, antes de discordar, discorrer, afirmar com propriedade dos tolos...
Que somente desejaram, mas jamais sentiram seu gosto;
É preciso mais, é preciso que haja em si aquilo que se propaga por aí e se chame por paz...
É preciso que haja vontade, verdade, legitimidade que precede até o pensamento, a perfidia, a intimidade sempre tão fugaz;
Sua marca indelével em tudo aquilo que, sem querer, cativa ou fere somente para tentar deixar ferida naquele remanescente incolume, com um olhar frio de tanto faz!
O sábio e o boçal, por demais cansados, reconhecem seus truques e apelos baratos...
Sequer para testemunhar seu espetáculo de horrores, não regressam nunca mais.

AMOR ABSINTO...



Se paro pra pensar, me prendo...
Se paro para amar, não paro!
Se digo que é amor, talvez minto...
Se nada digo, entretanto, apenas leia em meus olhos e decifra o que sinto...
Se embriaga se for bom...
Uma dose a mais, nunca é demais de um amor omitido com sabor de pureza e o torpor do absinto.

UM IGUAL, DIFERENTE.






É proibido existir...

É proibido igualmente, pensar em desistir!

Máquinas cada vez mais interessantes, pessoas...

Cada vez menos!

Máquinas de centrifugar personalidades já escondidas em seres extraterrenos;

O fluxo passa, o riacho de lástima quer te levar...

Todavia, o fluxo deveria ser passado...

Rio de águas turvas que passou por seu caminho e te impediu de caminhar;

As máquinas são mais importantes, ouvidos "cegos", olhares paradoxo...

Tão próximos e por demais distantes!

Perdeu-se o piloto, perdeu-se a cabeça...

Sem problemas, quando tudo se parece tão igual nada há de fazer falta ou diferença, onde toda forma de vida somente obedeça;

Facilmente se lembra, em um breve instante...de uma longa história que diziam ser eterna, se esqueçam!

Todos atentos à loucura do próximo, todos em busca do assunto que será a novidade...

Lentes e telas que atraem, distraem, distorcem realidades;

Traem, mentes distraídas não se atentam às mudanças das coisas e seus lugares!

Contudo, seja contigo e contido ao limitar-se à caminhadas distantes do limiar;

Lembre-se... é proibido existir se não for assim por aqui, logo se quiseres a paz somente se possa imaginar...

Procure por novos horizontes, onde vida à espera talvez se esconde...

Pois, por aqui também... ultimamente todo "respeito", diz ser proibido sonhar.

terça-feira

MISOGINIA






Lembra-se do corpo, de tudo que se parecia tão pouco, eu te dava...
Em troca, nada pedia... apenas a sutil punhalada pela retaguarda, era o que não esperava ;
Muito mais que a educação, que me fazia tão semelhante ao cervo do cerrado...
Escolha sempre certa se parecia solidão, mas jamais contigo perdendo nosso tempo, ao meu lado!
Muito mais que o dinheiro, muito além da fama ou infâmia...
Tudo o que eu tinha era alguns trocados para saciar teus ocultos pecados...
Fêmea no cio, em poses perfeitas na cama!
Distinta da culta, eloquente dama...
Apenas uma puta, sem um bom programa que de seu nome se lembra quando a vontade chama!
Uma dose a mais era prelúdio do prazer, um passo adiante...
Mal sabia que por vós, restaria de mãos atadas em nós...
Sem voz, porém com um estranho sorriso de satisfação nesta solidão de rapaz pobre e errante;
O endereço... é o mesmo de antes!
Se estou morto em seu caderno de opções, ao menos, restei mais forte e me sinto mais vivo com vocês assim... distantes;
O corpo pode pedir aquilo que uma mente experiente há de refutar...
Não obstante, a obediência aos malditos instintos peça para relutar!
Sem um plano, no improviso...o mesmo cigano quase que sem juízo, por aí à pé a pensar...
Se de meu semblante se recorda, trate de esquecer;
Se deseja meu corpo e aquele prazer alucinante de outrora, peça ao boçal ao seu lado aquilo que somente eu podia lhe oferecer​!
Dos porcos me esqueci, me abstenho deste vício que mais linhas apenas acrescentou em minha cara...
Minha querida, junte-se às suas memórias e esvaneça feito a fumaça;
Apenas saiba, que nada entre nós valeu a pena, que sequer resta ódio ou pena...
Apenas, certifique-se se acaso lembrar de mim, de juntar-se e ocupar-se com tua vara!

quarta-feira

Um outro desagravo​...



Todos tinham razão...de fato, eu era louco!
Sem palavras, mil frases de sabedoria...todo silêncio não bastava e para mim, ainda era pouco;
Todo sentido era deturpado, toda palavra tinha peso do torpor de um breve alívio imediato...
Todo intento era fingimento, sequer meus pobres versos carregavam algum sentimento...
Deus meu! Como era eu, deveras culpado por ser assim​todo pretensão, todo ilusão, uma imensidão de vazio, dissimulado!
Toda revolução, era dança de ciranda...
Coisa séria, era encanto de sereia e jamais passara de brincadeiras de criança!
Todo sonho, era movido por arrogância e tão logo, devorado pelas areias movediças, que sepultam esperanças!
Realmente, quando lucidez se faz ausência...
Não se enxerga o tamanho de sua insignificância, em contraste com a dimensão que representa enquanto um problema!
Uma boa miragem de porto seguro...de um oásis onde se sacia quem tinha sede, sabe-se lá de quê...
Uma mentira, era apenas areia escorrendo por entre seus dedos e consumindo seu tempo...
Era apenas eu, enganando vocês!
Todos atentos ao que tenho...eu?
Apenas me lembrando que nada sei preso às pequenas questões de subsistência às quais me atenho;
Dinheiro para pagar pela atenção, pela estima tão sincera quanto vossa afeição...por um atestado de bom cidadão, perdão!
Ainda não tenho...
Louco loquaz, guarda sua "pena" somente para si, pois agora meu tudo se parece um tanto faz;
Comigo é o destino, o desatino...o nó que se prende e se desfaz....
Contigo...jamais fomos nós! Amigo ou inimigo sem rosto, com requintes e refinado gosto por tudo aquilo que desconheço e saber assim, sempre a despeito de mim, tampouco me apraz!
Queria de fato, que tudo não passasse de coisa que se apaga, não se apega além da pele...
Pensamentos e fatos de redundância;
Coisa que se apaga feito fogo exposto à água, sem deixar sequer fumaça, rastros de incômoda relevância...
Posso explodir para pagar o preço e juntar os pedaços, posso ainda me refazer do que resta dos cacos espalhados...
Contudo, como implodir memórias, como evitar a ruína das lembranças?
O filho do acaso, eterno renegado a serviço do caos...
Vos desejo nada além de longos dias, para que todos se esqueçam das breves semanas.

"Epífio"




Era infarto, de fato...
Câncer, o desejo desde aquele afago para aliviar meu cansaço...desde, aquele bom dia;
O bem que me desejava, o olhar de maldição que me queria...
Morto, torto... pálido, esquálido, esquartejado por caçadores da meia noite, ou do meio dia!
Sem valor algum, um pouco mais inválido...
Sem pressa, uma prece, uma conjuração em contraste com juras de amor eterno de atraso!
O preço de seu apreço...
Te vejo face a face, quase te enxergo, mas nunca te vejo!
E, se o faço por instantes...ainda  não te reconheço;
Sonho de fuga, sonhos de paz e prosperidade em pleno movimento...
Contudo, não fui capaz sequer de um simples "Santana" que me levasse ao meu "livramento"!
Livra-me deste cigarro imaginário ordinário, deste escarro de maldição nojento...
Pedi ao próprio tempo, ou ao seu proprietário, um tempo...
Ao ar, mais oxigênio, menos vento!
Dizia me amar, mas era deveras, aquele olhar de soslaio que duvida de minha conduta...
Diz, desde a retina que bandido bom como eu, é bandido morto...
Presume e pragueja com rosto tomado pelo desgosto, seja lá qual for sua verdade de cara resoluta e mente poluída por dúvidas!
Parabéns, afinal quem espera entre as feras, deseja sua trajetória por meandros e nada alcança;
Caminhei por meu calvário, sobre o quartzo  e  calcário, um corpo sem alma, é aquilo agora descansa...
No salão pobre", desta terra que não me conhece, mas me rejeita...a terra branca;
Até uma próxima passagem, até uma próxima viagem, até uma "Terra", Marte, ou morte que seja de mais sorte...todavia, mais branda!
Saindo o féretro com um conteúdo abjeto e sem fé, para onde não se recorda nenhuma lembrança.

segunda-feira

REFLEXOS E REFLEXÕES.



Vendo sonhos...vendo tudo aquilo que se vende na tevê!
Vendo alma, vendo corpo...vendo sobretudo, tudo aquilo que meus olhos não deveriam ver;
Para ter, para deixar ou ser...para não parar de querer;
Entregas de morte, promessas de vida...
Efeito colateral, afeto moral que ninguém irá dizer;
Levita, ainda que seja com coisa lícita e previamente prescrita...
Se puder, de ódio se abstenha por aquilo que se parece humano demais para cometer enganos...apenas evita!
Diante da maioria, não se perde sua nobreza em misturas heterogêneas indevidas...
Aos poucos, esquece tudo aquilo ao que lhe compele mediocracia, evita todo dano daquilo que a bula não dizia...
Veja que vida despida de artifícios, por si somente ainda vale a pena para ser vivida!
Na paz que se peça, na paz que ainda possa...
Guarda uma prece que omitem as palavras no bolso, renova a face com a água que banha o seu rosto...
Lembra de esquecer aquilo que não presta, desliga e junte as poucas peças que ainda lhe resta...algo além da espera, lhe aguarda mundo afora!
Seja feliz se possível, pois nada lhe assegura além da certeza de agora.


sábado

Derradeira precipitação.



Nuvens de algodão...
Os fios se desfazem, e tudo é fugaz...
Seja no seu céu, seja no chão;
Aproveite a ideação, aprecie sua ilusão!
Como se fora nada além de apenas meia chama ao vento... dissipa as certezas e reacende toda dúvida que queima, consome por dentro;
Parco iluminar de uma estrela cadente que passou por acidente e deixou a desejar...
Alimenta o fogo onde se sinta o frio, onde nada se espera senão um outro dia para não contar;
Deixa a lágrima neste deslize suave de esfera que liberta, rolar!
Veja diante de seus olhos, não há mais horizonte além daquela imensa montanha de mágoa, que outrora era desespero, era encanto proibido, magia que não podia tocar... 
Da água que escorria e coisas à alma dizia, nada além de ecos de existir do passado, é o que pode se escutar;
A sorte, para outro destino sorriu...
Teu sorriso sem motivo, entorpecido pela alegria que traz uma pílula de Rivotril;
Seu reino encantando, sua utopia...
Até mesmo sua fuga fiel que contigo sempre fugia rumo àquele estranho paraíso, te traiu!
Anjos, ainda deveriam me chamar pelo nome...
Sabem sobre minha rua, sabem sobretudo tudo daquilo que não sei, mas não há chamadas perdidas em um esquecido telefone!
Queria ser astronauta, ser pintor talvez para eternizar esta lua cheia de amores numa tela...
Sou nada além agora de um alguém amargurado em sua própria clausura, vendo até mesmo a lua de forma parcial e escura, através das grades imaginárias de minha cela!
Até uma próxima chance que seja de ser vida, porquanto esta ainda perdura...
Até que enfim um beco sem saída, uma ponte inacabada, um passo adiante que faz cessar toda malfadada busca.

terça-feira

Pretérito preterido.



Não se sente o peso em razão da sublime forma de existir...
Sente-se pena, apesar de todo esquecimento apenas se lembrar de persistir!
Em persuadir, perseguir os anseios da vaidade, em desejos de fazer verdade sua sutil forma renovada de mentir...
Subsistir, não pesa...apesar de uma cara insatisfeita, de uma frase feita somente para distrair;
A distância de dois ou mais, o deixar para depois aquilo que sequer faz sentido em querer ser, para que possa existir!
Arrisca um olhar, um risco de paranóia, proximidades distantes, paradoxos entre nós...
De um teto e paredes frias de concreto se constitui um lar, toda desconfiança se disfarça na face e na voz!
Perigo atroz, por detrás dos laços, resistem os nós...
Juntos, mas ainda a sós... não pesa a vida que não se sacia da seiva, mas é flor nascida entre tolos em conflitos...
Feras e vitimas eternas do destino, sempre aflitos, uma nuvem negra de dúvida sempre paira sobre nós;
O mundo gira, vida pede passagem, aquela que não perde tempo em sua viagem, sintonizada sempre em outra estação...
Sente-se nada agora, mas tão somente a brisa que anuncia a nova era à espera lá fora e faz abrandar o coração;
Sente-se e sinta-se à vontade para sentir, se é que algo sente desde outrora...
Nosso tempo passou, nosso dia nunca amanheceu, pois dá escuridão que escolhemos...
Nenhum culpado, ou necessitado de anistia, nenhum rancor ou simpatia sequer, restou!



quarta-feira

Definitiva....mente.





Quem não conhece ferida, talvez não saiba o valor daquilo que se ostenta e seja somente uma cicatriz...
Aquele que sorri somente para satisfação das vaidades, desconhece suas próprias verdades, mentindo para si mesmo sobre ser feliz;
Um céu que não é seu, mas pode ser uma boa idéia imaginada, pintada em tela ou rabiscada no chão...
Aquele que se rende antes que a luta comece, muito sabe sobre desistir, jamais sobre caminhar titubeante até o fim à espera de redenção!
A fé que falha em contradição, alma que caminha está viva....ninguém aprisiona um pensamento, o papel ainda está a serviço das mãos;
Mãos que conduzem um sonho acordadas, mãos que arriscam uma nota desafinada em um violão...
Repousam em noites solitárias somente para ter a certeza de que destinos vêm e vão, alguns em vão, outros...
Eternamente em pretensão de caminhar na contramão, sempre em rota contrária, iminência de colisão;
Coisas que encontramos por aí vestidas de gente e se pareçam com frutos de nossa imaginação, conjuração, maldição...
Pessoas que não se parecem, mas humanas por demais serão em sua sublime condição!
Sorte ou revés, companhia paradoxal de solidão...
Nada, será o suposto tudo em um incerto amanhã, num lance de dados viciados não sela sua sorte o sagaz cidadão...
Que já se levantou, e sabe da dureza de estar face a face com o chão;
Se ainda o faz...talvez seja por desespero, talvez seja por necessidade ou frivolidade, talvez seja por ser forte para edificar um castelo, onde somente vejam destruição!
O pensamento que passou não era meu, mas me escolheu e aqui estou...
Aquela estrela que estava no céu se parecia minha, mas se lhe apraz o brilho desta, por outras sou capaz de esperar e como presente, lhe dou!
A escrita, porquanto a carne resista, enquanto a alma ainda resta e o olhar ainda brilha, em outras mãos segue...
Alguns destinos tentam, outros também deverão tentar...
Todavia, neste estranho jogo onde alguém deve sorrir para outro chorar, muito poucos são aqueles que conseguem!
Conseguir dar provas que ninguém pede, em prosa, em versos...rosas sem espinhos, onde tudo ao redor sem compaixão, somente fere;
Por aí, persiste sobre duas pernas um espetáculo cotidiano que quase ninguém nota, em busca de sua razão definitiva;
Não é mesmo deveras maravilhoso, este espetáculo de renovação para quem não desista, este algo chamado por VIDA?

sábado

Elementar...





À vida, que agora nada valha...
Uma palavra, um olhar de geladeira, coisas que firam além do fio implacável do metal, da navalha!
Havia vida, havia deveras alegria...ou, tão somente uma mentira disfarçada?
Artifícios da vaidade, destino e desatino revelando as verdades...
Apresentando e afastando aqueles outrora tão próximos, desatando laços de sangue, fazendo exalar pelos poros o odor da falsidade;
Coisas falhas, coisas cheias de pretensão de ser plenitude, contudo sempre digna de que sejam coisas e jamais, deixem sua condição de metades...
Que não se encaixam, peças que não pertencem à caixa de onde se libertaram, mas em outros contextos ou quebra-cabeças espalhados por aí, se encaixam!
Palhaço, qual o segredo de sua lágrima que seca sozinha?
Feito aço tratado, feito ferro que enferruja, feito carne e alma em frangalhos...feito de matéria parecida com a minha!
Em busca de um pouco de afeição, encontra indiferença...
Em busca de uma palavra, um eufemismo que sirva feito uma luva em suas desventuras, encontra um pouco mais de ofensa;
Volta pra casa, mais uma delas, com a certeza de que jamais tivera deveras um lar...
Regressa, pois é hora da lua adormecer, é hora do Sol esclarecer o seu pecado de ser...é hora novamente de sozinho, se levantar para seguir a sonhar!
Que um dia será diferente, que o existir ainda se faz relevância em algum distante, distinto lugar;
Ao gênio incompreendido, lembrado somente após para sempre se deitar...
Ao anjo decaído, àquele que caminha entre nós sem saber os motivos...perdera sua asa por aí, em um vôo sem destino...
Meu silêncio, meu lamento, meu aplauso solitário por vidas esquecidas, porquanto ainda sejam vidas, ainda que sem ser vistas por aí, em seus meandros a caminhar...
Um dia, será pra valer, um dia será para esquecer...
Todavia, todo dia será um bom dia para a voz dos juízes sem direito, nomeados pelo acaso ou pela oportunidade, para se calar...
O fim, para o martírio, uma escada no limiar do precipício para ver de perto, seu solitário luar!
A fera se liberta da carne, a alma se liberta da dor e do elemento, o vento ou a água há de se encarregar!
Um dia, sua lágrima será sorriso, sua dor será apenas lembrança e seu legado...há de fazer chover ou será luz à quem peça, será algo que caiba perfeitamente em qualquer lugar.



(Eu sou....alguém ;)

Antes do querer e poder.



Não suportar o peso de nada ser, lágrimas ou sorrisos sinceros...
Desconhecer os mistérios, de sobreviver;
De cair por onde alguém mais caiu e se levantou...
De noites em claro,  dias no escuro onde ninguém se lembrou!
Era esboço,  projeto daquilo que jamais fora concreto, do abstrato de toda pretensão nunca saiu...
Com o luar não adormeceu,  com o Sol,  jamais raiou!
A tristeza de ver aquilo que se parece eternidade em um mundo de coisas fugazes, se liquefazer...
O pranto secar, simplesmente por sentir aflorar teus instintos naturais...
Animais, de entre feras,  sobreviver;
Sem desanimar, nunca arrisca um caminho...
Medo de apagar as luzes, medo de confrontar o espelho ou paredes, sentir- se estranhamente em perigo...
Apenas contigo, toda imensidão de um ego proeminente, se converte em algo pequenino!
Fala eloqüente,  jeito altivo...
O ar que respira por aí, de toda teoria que diz muito saber, eu vivo!
Para chorar, para sorrir...para me lamentar e reaprender a pensar o sentido do sentimento que lhe faça prosseguir...
Dentro de tua distopia, ninguém te enxerga...
Teu sendo senso de autopiedade, tua máscara e tuas figuras de linguagem que não ocultam a maldade...
Sujeito oculto,  se esconde por detrás dos subterfúgios de um covarde!
Sem conhecer sequer as ruas de sua própria cidade;
Viver uma vida assim tão miserável, esperando por reinar em algum lugar...
A lua, as estrelas que não sejam de papel, mas inspiram àqueles que sejam apenas constituídos de verdades. 

sexta-feira

TOME NOTA!


Guarda tuas notas, mostra algo humano, algo que não seja papel que seja digno de nota...Guarda teu dinheiro, poupe teus esforços...Alivia teus bolsos, tua consciência com um outro alguém, divide teus proventos com os porcos;Do humano, quero ver sangue correndo na veia...Do verde da grama, até o alto da montanha... nada necessita de algo que não seja sol e seiva!Vista-se de pele, sinta o arrepio que causa o calor de um suspiro sem valor...Sinta os poros se abrirem, antes que teus olhos se fechem!Guarda teu cigarro, teu esquema e teu isqueiro...Desista de toda impossibilidade da crença urbana, arrisque tudo na coisa humana...Entregue plenitude, para sentir-se inteiro;Guarda teu vício, teu desperdício... corra o risco de caminhar no limiar, desafia o precipício;Um pouco de chuva, para se molhar em dia de sol tórrido, um pouco de sol para iluminar em dias de cinza mórbido...Guarda um pouco de alma, cede um pouco daquilo que tem sede ao próximo!Quem há de saber do tesouro que seja vida, que não seja ouro... pedra preciosa ou de maldição que ilude ao tolo;Talvez, ainda não haja tempo de ter tempo para apreciar a paisagem, perder-se em uma viagem vertiginosa, sentido água e todos elementos possíveis com todos os sentidos...Quem sabe sobre as incertezas de estar vivo, senão os seres naturais que não desafiam sua natureza?Sentindo algo, fruto de teu sonho mais sublime...e não possa ver com olhos assim contaminados, nisso tudo alguma beleza?





Foto





Fernando Ordani.

"Isso, é o que eu espero..." - Tim Maia.