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terça-feira

Um anjo e seu estranho guardião.





À pessoa que se admira, à primeira que me fez terceira desde sua concepção...
Contento-me em ser teu anjo protetor, um Cérbero se necessário...com um pensamento apenas, de proteção!
Teu guardião estranho e tão familiar, aquele alguém mais...aquele algo menos que segura o espinho e sangra, sem se importar porquanto possa admirar a rosa de cor rubra, roubada de um jardim qualquer em minhas mãos;
Um amigo talvez, um inimigo íntimo como se pareça...impedindo teus passos de caminhar por entre as trevas de um mundo cão;
Serei o sim, quando uma porta se fechar diante de teus olhos marejados...serei um abraço de consolação, quiçá um abrigo, uma paliativa solução;
Ombros largos para repousar teu cansado, desde teus primeiros passos...repousa tua cabeça em meu regaço, sonha com a certeza de jamais estar sozinha em meio à multidão...
De pessoas estranhas, de olhos de cegueira que lhe negam a dignidade de um segundo de atenção;
Mas, o mundo é assim mesmo...estou porquanto possa estar, forma personificada de estranho passageiro que não se contenta em simplesmente te ver passar, te admirar...
Um coração, pulsando em razão de um outro pequenino...meus olhos, onde quer que esteja, vigiando teus passos sempre irão estar;
Um homem e suas cicatrizes...seu jeito rústico de remeter à figura de um menino, teu sorriso dissipa o cinza do céu de minha alvorada e faz o sol que se esconde para mim, por nós dois brilhar;
Braços e músculos...corpo surrado de um príncipe qualquer, à espera de seu reino prometido, à espera de uma terra encantada para nós dois, distante deste lugar...
Onde se parece proibido sonhar, onde respeito é algo que se peça, mas a ignorância que nos rodeia...receia em nos dar;
Um minuto de atenção que não seja por caridade, uma hora de sermão que não seja para dizer sobre coisas que já se sabe...
Distante daqui, longe dos olhares tão frios e estranhos...por vezes, tão familiares;
A promessa de um futuro que nos espera me mantém vivo para te ver crescer, nos mistérios de alegria deste azul anil de teu mar não me canso de me perder...
Se vale a pena ter suportado sobre estes sapatos...sem uma voz de hesitação, somente em teus ouvidos hei de dizer;
Sobretudo, sobre o quando valeu a pena de esperar para me libertar daquela prisão que me fazia sofrer...
Faça o que quiser de mim, pois nada sou além de alguém escolhido para ser uma espécie de pai premiado pelo destino;
Em cada sorriso seu, um pedaço daquilo que jamais me pertenceu...a liberdade trazida por uma vida à uma outra, que por ti não esperava,  sem querer aconteceu;
Ana Lara, luz que ilumina meus olhos de pouco brilho e muita suspeita...
Cresce, brilha a despeito de tudo, apesar de um mundo de degenerados à espera, encontra a segurança nesta figura estranha, proteção de um guerreiro destemido que lhe estende as calejadas mãos...
Naquele que errou antes de ti, assimilou sozinho os golpes mais duros que possa aplicar a vida, somente pra assegurar teu caminho com um sorriso estranho, meio tímido de plena satisfação;
Nascida para ser livre, nascida para me libertar e trazer o sentido definitivo, para o pulsar de um ferido e cansado coração...
Que não se cansa de oferecer aquilo que possa e ainda resta para lhe dar, ainda que seja somente um pouco de afeição e algum mau exemplo, que sirva de lição.




sábado

Visibilidade distorcida.



Assim como aquele pó de magia, que não era o que eu queria.....
Velhos truques, sugerindo novos encantos com velhas manias;
Sol, inimigo daquele que namora por uma noite a escuridão...ilumina tudo, mas meu rosto lhe peço que hoje não!
Não posso impedir tua face em fulgor de mostrar, mas alivia minha pele tão pálida, banhada em lágrimas da opacidade deste olhar...
Não posso impedir, contudo posso pedir.... quiçá, algum anjo celestial, santo herege quem sabe, possa me escutar?
Se todas as coisas que parecem não ter jeito, não se ajeitam...o pensamento cede, a alma se desespera e o corpo padece...
Assim como toda magia maldita não suporta além de uma madrugada, aquilo que era...agora, sequer se parece;
O destino me diz coisas que se parecem desafio, desatino...coisas que não quero ouvir...
Porém, várias vozes por aí repetem o motivo de minha paranóia, dizendo com os olhos aquilo que contradiz e me põe quase que assim...
Meio vazio o bastante, face impassível de um quase infeliz;
Noite... derrama sobre mim teu véu de proteção, lança teu perfume de rosas que remetem ao réquiem de minha solidão...
Noite solitária, solidária... não deixe as luzes se acederem, onde claridade ilumina coisa sem vida, sem sentido que caminha perdida, em vão....
Quero sentir além do torpor destas mãos frias...quero ouvir, além dos ecos perturbadores desta sala vazia;
Quero felicidade de fato, além da realidade que seja apenas um momento breve de alegria que se esqueça de viver por um dia...
Por se lembrar que o sol, sai logo em seguida...
Para queimar os sonhos, despertar para a realidade, mostrar tudo aquilo que eu já sei, porém não mais queria;
Que não se perca por aí uma vontade em razão de um vil desejo...que não se perca a razão, uma vida por uma ideia pensada na escuridão da cegueira das vaidades, onde nada de fato, vejo.


quinta-feira

Uma outra chama que se acende.


Minha fuga, fugiu de mim e já passou, o tempo das palavras...
Todo gosto, todo gesto, tudo aquilo que queira sugerir ou se parecer, remete somente ao nada;
Um outro inferno também se acende, consome o teu rapidamente e não se arrepende...
Tente novamente em instantes, a gente era aquilo que não sabíamos ser, agora desejando voltar a ser como antes...irrelevantes!
Tudo se inflama...inclusive a velha adormecida chama...
Me chama, me fala o que diz... será nada além de eterno alívio, tua escrita sem sentido se apaga com a dignidade e toda fragilidade, dos escritos à giz...
Um ouvido ávido à espera da tradução em projéteis retilíneos, da covardia de um infeliz;
Tentando ser aquilo que jamais fomos, nunca nos assumimos...
Tentativas de amizade em laços tão frágeis que se rompem em um breve desatino...
O ciclo insano de repetição me desafia, tua fala dócil que há tempos não convence...essa valsa desvairada com a perda de tempo, me alucina!
Hipocrisia já não mais comove, mas cinismo...ainda fascina!
Diz trocar sua vida pela minha em suposto ato abnegado da fala dissimulada da premeditação...
Pensa que me contento com tão pouco, que sou digno dessa ninharia... desta casca vazia despida de alma, originalidade e coração?
Estamos de "saco cheio" e nada mais que tenha peso de ar, esvazia...
Estamos vazios por dentro, necessitando talvez sentir dor, ainda que seja de uma adaga de lealdade, mas que seja de verdade ao ferir a carne tão fria!
Pessoas...."a cautela", para quê, afinal?
Se tudo, se resume e se presume sempre acerca delas...
Apague as luzes, passe outra hora...o medo me mantém aqui dentro, mas a besta ainda me convoca para fazer história de lástima gloriosa, onde nada importa...
Seja aqui dentro, neste momento...
Seja no entardecer de tudo, lá fora.

De um céu, que não é seu.


Me levaram os dizeres, mas ainda me restam algumas palavras...
Vilipêndio de meu orgulho, meu prazer...em meu ser, uma devassa!
Achincalhado, pretenso poeta sem suas preciosas flores, de seu jardim roubadas;
Sementes que nada serão, senão mentiras para si mesmo...secam antes de tocar o chão profano, outrora fértil, sua terra imaginária tão sagrada...
Terreno era somente de um, o sonho e as secretas aspirações de um singular, já não soam mais segredo...por várias mãos, roubadas;
Ultraje, senhores alinhados...da mão do inimigo tão íntimo, novamente um eufemismo, um afago;
Se era vivo aquilo que passava desapercebido, por qual motivo ainda alguém se preocupava?
Se morto estava... peço aos advogados que não posso pagar que detenham aqueles que profanam um cadáver que descansa, com algo além do descaso...
Mas, com toda forma de vil trama, atos e palavras;
Se era meu, se era ouro de iludidos, mercadoria barata que não se destaca por entre os "artigos"...
Nada disso era preciso, quando deveras soa desinteressante a todo ouvido;
Disso, não me alimento...mas, por aquilo que disse e me fora afanado pela infâmia perfumada, não lamento!
Um repente, uma idéia...uma lamento...
Quando é para ser, acontece em fração de segundos...
Partes indivisíveis de um eterno incompreendido, não se perdem nas mãos de vagabundos!
Mais uma palavra sem sentido, que queria traduzir um sentimento...tinha o vil intento de ser algo para eternizar a dignidade da magia de um segundo...
Me procure por aí nas profundidades que desconhece, contudo cuidado com a luz ausente que tanto lhe apraz...
O entretenimento que à toda sorte de inseto, eternamente insaciável e insatisfeito, satisfaz!
Perdão, senhor sagaz...pois, da escuridão onde respiro e tudo vejo, ou do céu de onde não desço...
Há somente aquilo que mereço; Perdão, se por acaso se perdeu na cobiça por um tesouro sem valor que jamais lhe pertenceu...
Siga por onde não vou, sem ressentimentos não olhe pra trás, pois o transcrito do caos que lhe aterroriza ou do sublime que encanta, ainda diz o destino que sou....eu!

domingo

Retratos em pedaços.


Se não encontro paz para ser em nenhum lugar que eu esteja...venho ser plenitude, por breves instantes, neste lugar...
Mas, tão somente isso, deveria me bastar?
Já rolaram os dados, já tomaram os lados, nada mais de tua parte interessa para que se possa saber...
"Tire minhas fotos da parede", se elas não tem fome de nada, não têm pressa... abraços, versos maiores que os pedaços que de mim restaram pra você;
Tua mensagem de guerra ou de paz... dispensa agora teu mensageiro, pois nosso tudo, agora é pouco mais que tanto faz!
Filho de nada...dignidade da forma mais imperfeita de infâmia personificada...
Seu mundo inteiro se modificou, por que será, que apenas você não mudou?
Ficou na poeira para contar nossa história intensa e fugaz, com jeito de coisa que nada satisfaz...fotos dependuradas não se arrependem, indispostos não aprendem a olhar para trás!
Na falta agora que faça uma imagem, na fumaça indigna de uma baforada tudo se esvaneceu...
Nosso amanhecer, para sempre e de repente anoiteceu, nenhum espectro de nós que remetem aos frágeis laços de outrora...
Aos cortes profundos nos pulsos, nos vales que separam agora, nenhum olhar dissimulado, por nossa história ausente glória, chora;
Se não havia paz para estar, há algum lugar para se chamar por lar...para um peregrino, passageiro de uma noite somente que ninguém note, estar...
Seja sob teto de concreto, seja sob sua utopia de um verão eterno de sol...seja sob a estrela solitária, o luar!
Aquele que lhe fez companhia e te reconhece, desde a primeira vez que testemunhou teu joelho, em oração de desespero se dobrar...
Cada qual em seu lado, cada um em seu lugar...a vida se encarrega de fazer por nós, aquilo que o medo ou a vergonha, nos compele a refutar...
Olhos claros não esclarecem nada, quando feito opacos e sem vida... são apenas olhares sem cor e sem alma, que seguem sem saber o que sentir, ou após as ruínas de si...para onde rumar!
Quiçá, rumo ao alto de um edifício, talvez um abrigo nas profundezas de um mar amigo;
Um minuto, todo mundo tinha...qur pena!
Somente agora todos pensam...apenas agora, quando nada mais faz diferença.

sábado

O peso, o pesar, apesar do existir.



Bastasse o ar para respirar, água...fria, morna, ardente para a sede saciar!
Bastassem palavras, bastasse a primeira pessoa, para que fosse deveras singular;
Bastasse um sol no céu....uma estrela solitária, a ausência de toda frieza de um luar, de um lugar....
Bastardos por aí, procurando por uma identidade para usurpar;
Bastasse o existir de um, que não se multiplicasse em várias faces e disfarces, ladrões tão amáveis a lhe roubar...
Cede uma mão, veja ao longe, incrédulo com a visão que se parece miragem de maldição, teu braço levar;
Basta uma ideia para acender, basta uma vida sem querer para um outro existir obscuro, ofuscar;
Basta o fogo que me ilumina, minha aura benevolente ou maligna, para ser fogo que arde e consome a vaidade de alguém do teu lado, mas em outro lugar!
Bastasse...fazer o possível que uma vida finita, com hora marcada para se acabar, possa fazer....
Bastasse nada ter de provar, isenção de tantas provações, privações...bastasse, aquilo que pode e dá para ser;
Ao novo, pretenso Deus vindouro, pensando sobre as eternidades daquilo que deveria permanecer;
Devo advertir ao admitir que fracassei, quando pensei que uma vida somente, bastasse para viver...
Que um sonho tão breve, não fosse assim de tão curto prazo para agonizar, antes de seu alvorecer;
Bastasse o existir, para ser ou estar...bastasse um tempo para poder não sufocar, o direito à gala para quem se cala, o dever do silêncio... à quem nada diz, mas insiste em falar;
De coisas daqui não se sacia sequer meu prato, do mundano e profano, não faço meu alimento...
Sou nada, sou tudo, contrassenso, paradoxo, sou filho de ninguém...o acaso é meu juiz e senhor é o tempo!
Implacável e por sua condição, absoluto...sou constituído de elementos, sou natural e minha natureza, em troca do vil metal ou de coisa outra qualquer, eu não mudo!
Para toda questão, há de existir razoável, ou absurda explicação, bem como, para todo suposto crime de ser, deve haver um culpado...
Perdão, não tenho nos bolsos sequer um centavo...será que vida e suas sublimes aspirações, suas particularidades, ainda valem algum trocado?