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sábado

Teu cheiro de jasmim.



Um lamento...luzes silenciosas, quietas;
Flores por aí estão pedindo por água, vida está morrendo diante dos olhos de uma multidão inquieta...
Um minuto de silêncio, num segundo se encerra...folhas verdes em plena primavera, agora folhas que caem, folhas de melancolia amarelas;
Há pouco era alegria, era sorriso...era beleza que caminhava e irradiava sua luz, que agora se apaga para sempre...
Destino estranho que olhos tão vívidos e joviais cerra suavemente...de forma repentina sela tua sina, torna passado aquilo que se parecia com um presente;
Dos céus, forma divinal de vida que desfilava por entre a gente...aura de pureza, passos de leveza levados para longe...
Para onde tudo se encerra sob lágrimas, daquilo que se faz ausência inesperada, sem palavras que sirvam de alento para eternidades de um vazio deixado por esta tristeza;
Um lamento...um anjo sobe aos céus ainda virginal, em vestes brancas, deixa a marca de tua passagem tão breve por esta terra, espectro quase que tangível de tua beleza...
Sem tempo sequer para nos dizer um adeus, sem tempo para uma despedida que fosse dolorosa, que fosse um último abraço e olhos nos olhos para os teus...
Hoje, tua morada é junto a Deus...um minuto de silêncio, quanto tempo faz que se foi, mas ainda me lembro...
Daquele setembro, quando inocente, para trocar passos com o acaso por aí, saía...
Dizia sem palavras por vezes, volte logo minha filha...
Até hoje espero tua volta, até hoje não minto que a vida e suas maneiras me causam revolta...até hoje, depois daquele minuto, sinto tua falta!
As luzes se apagaram, as flores daquela primavera, há tempos murcharam...todavia, aquilo que é vida em algum lugar renasce, floresce no jardim do Éden onde os anjos te regam...
Dos primeiros passos que vi...à derradeira milha que recusei em ver, enquanto outros braços lhe carregavam, vozes que não entendem sobre saudades, por tua alma rezam;
Tua vida permanece viva onde quer que eu vá...ainda sinto teu aroma distinto de jasmim...
Teus olhos ainda refletem em meu semblante de aflição...ausente em terra de ti, plena onde quer que esteja de mim;
Por que dizem não haver distância entre mundos...
Por qual motivo, temos de permanecer vivos para ter de entender desígnios divinos ou malditos, enquanto suportamos aquilo que insistimos em chamar por vida, perdidos nos descaminhos do vil subsistir, por aqui?



2 comentários:

  1. Ficção em minha escrita, verdade dolorosa a suportar em outras vidas...
    Minhas condolências, um lamento, um alento para aqueles que tenham de permanecer ausentes de alguém assim, em vida.

    Por: Fernando Ordani.

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  2. Ficção, de realidade vivida aqui, se foi sem dizer adeus... talvez fez isso para a dor não ser ainda maior. De onde está será que se orgulha de mim? A resposta podia ser sim. Sou aquela menina que ainda não cresceu, sou mãe e o senhor avô, pena que não esta aqui para vela.... ou será que ve ela? Será que está a me esperar como ja me me disse uma vez.... um dia novamente sua filha encontrar? Pergunta que não terei resposta porém no coração e se um dia te encontrar no seu olhar saberei que é você papai...'Saudades meu amor, meu herói' saudades do senhor meu pai....

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