Visitantes da página

segunda-feira

Sorriso estranho.



Era ódio contido, naquele sorriso que disfarçava...
Ódio incontido, por entre os dentes ao ranger...sorriso no improviso, olhar que te fuzilava;
Uma dose a mais de esquecimento, um pouco das trevas do pensamento que me fazia extasiar...teu pior pesadelo, sem que tu soubesses, dissipava;
Uma miligrama, duas, três...um sorriso de torpor, um abraço fingido, desprovido de humano calor...
Um pouco mais de desapego a mim, subserviência eterna ao meu "senhor";
Um pouco mais de desamor, um pouco mais de coragem ou desatino por completo...tua cabeça dependurada, teu orgulho banhado a formol, onde o tempo não passa...
Te levar para a terra do nunca mais, numa viagem sem volta, talvez para ti sem nenhuma graça...
Todavia, expressão de meu amor, expressa em teu derradeiro terror...tua desgraça!
Era ódio incontido, que não cabia num sorriso que naquele dia cinzento, sequer dissimulava...trazia a quase certeza, que já não enganava;
Era tudo por ti, nada por mim, eram outras mãos que cobiçavam e alcançavam a glória...todo mérito, ao vadio em detrimento daquele que há muito trabalhava...
Numa noite qualquer, ainda inocente se deitava...contava estrelas no céu, fossem de neon, fossem de concreto...reais por demais, para que um dia se revelassem imaginárias;
Era ódio, nada além do sentimento que me movia por aí...barreira invisível, intransponível a me cercear do direito de me deleitar, me saciar com aquilo que se sacia o vampiro...
O maldito da voz, que caminha sempre perdido, pedindo por esmolas...um caso de caridade por aqui!
Era ódio em meu sorriso, era teu inferno a arder em chamas crepitantes o meu ideal de paraíso...
Era apenas mais uma manhã de domingo...paciência de quem parece esperar e nada querer, contudo sempre estivera por aqui para isso;
Deixar viver...deixar morrer, dilemas aos poucos se desfazendo, enquanto jogos de paciência propostos pelos senhores das cartas, do destino, brincam comigo...
De fato, há pessoas por aí, afeitas ao desafio, propostas indecentes, somente...para ver acontecer com os demais, aquilo que detestam ver acontecer consigo;
Afoitas ou fleumáticas, dispostas a consumir até drenar por completo o conteúdo de almas e de sonhos, arruinar...
Modificar com mudez ou palavras, destinos ou vidas, tocar em feridas...
Gostaria de saber, se estas pessoas por acaso, retornam após o perigo resolver se entreter com estas...daquilo que resta para relatos, algo para se contar que não sejam pedaços, ainda respirando e com vida!?
Era ódio, meu querido...minha estimada desgraçada, tão querida...
Vá brincando, porquanto alguém mais anda lhe observando...espero que vossa fé em coisas profanas que somente a vós enganam, possa lhes salvar de balas de metal, porrada...
Uma cara deformada, um corpo destruído por coisas que desperta em criaturas, que outrora se pareciam humanas e devidamente adestradas.






Um comentário:

  1. Há momentos na vida, nos quais tudo o que se anseia é por uma dose que seja de coisas reais. Ainda, que dose seja de sangue dos ímpios, coisa vermelha, pegajosa...que satisfaz os instintos primitivos provocados em seres, no passado, ditos normais.

    Por: Fernando Ordani.

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.