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terça-feira

Ontem, éramos nada.




Quantas coisas por aí estão quebradas...nada são agora além de algo que deixou de ter sentido para ser, ser útil, utilizadas;
Quantas pessoas não se encantam com a propaganda, abraçam uma causa...sem sequer saber de nada...
Simplesmente movidas pela necessidade de algo para crer, pessoas quantificadas, produzidas em linhas de montagem...padronizadas;
Com ou sem patentes, vidas que não se pertencem...por aí, perdidas pelas ruas do abandono, após superar os perigos de um campo minado de intensas batalhas;
Era utilidade...útil o bastante para ser notada, cobiçada...
Digna de uma jura em falso que falava sobre eternidades, sob aquela bandeira cheia de estrelas, distante de um céu que lhe prometia com toda certeza...
E garantias, da voz da omissão, que jamais lhe prometera nada;
Realidade hoje e sempre, facas expostas por aí vendendo idéias para quem as compre, facas de dois gumes...
Lugares distantes, paraísos prometidos após superar o peso de atmosferas funestas...marchar, sobre os subjugados, vidas agora conjugadas no passado, boas histórias para atrair novos cardumes;
Chamado àquilo que não lhe convinha, porém para alguém por detrás de cortinas, era pura conveniência...
A falácia da eloquência perfumada e sem essência, indecente lhe convidava...instigando teus instintos, condenando tuas desgraças, imputando a pena capital aos teus costumes;
Ontem éramos nós, fortes por demais para destruir...frágeis por demais para desatar e restar por aí mendigando por sanidade, a sós...
Não tomamos os cuidados, entregamos nosso destino a ser decidido em um rolar de dados do acaso...
Descaso, da sujeira de quem sugere com ares de carisma, bom discurso que disfarça a perfídia...em lugar de um sonho, semeia um sofisma;
Desdenha o senhor da guerra que interfere...
Fogo que aquece, agora é fogo que fere e faz sangrar...amanhã, há previsão de frio pelas calçadas, de volta pra casa sem um lar;
Sem pernas...para rumo ao sonho americano, poder caminhar...
Quem sabe, um dia desses qualquer...toda essa insana brincadeira se encerra, quando de uma vez por todas, sequer os aviões que a paz que ninguém pediu, sequer dispuserem de uma base para regressar...
Quiçá, apenas pedaços dos brinquedos perigosos...fogo consome os planos dos senhores gananciosos, ainda que o preço de brincar com o perigo, seja pagar pelo preço de quando o perigo bater à porta de onde costumávamos morar...
Ontem éramos nada...soldados ainda crianças a brincar;
Éramos apenas meninos pobres, armados e iludidos, com a ilusão das telas que nada diziam sobre os efeitos colaterais que os "heróis", deveriam experimentar...
Não contávamos em histórias para ninar, sobre a necessidade de não ter de sangrar...não ter de dormir, sem correr riscos de para sempre os olhos fechar...não contavam, que conosco sempre iriam estar à espera para poder "contar".





3 comentários:

  1. "Disseram que viemos até aqui...para lutar. Levantar armas em prol de algo que não sabemos exatamente o quê, matar pessoas que jamais conhecemos...simplesmente, para nossos novos brinquedos, poder testar."


    Por: Fernando Ordani.

    P.S: CEASE FIRE...GO HOME, SOLDIER. GIVE UP THE FIGHT, THERE'S A LIFE SOMEWHERE WAITING FOR YOU TO LIVE...IT'S NOT THE PROPER TIME, WHEN LIVE HAS JUST BEGAN...TO DIE.

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  2. Eu sobrevivi cuidando de vocês, hoje será que à alguém para cuidar de mim?
    Já fui ultil, embora hoje me parecer com ser descartável, não sirvo para nada, porém já servi muito bem um dia.
    Imagino que hoje esses pensam assim. Guerreiro não deveria ser deixado as traças, isso é cruel. Abandonar uma pessoa que um dia foi tudo, é covardia.
    Meu oque falar disso? Tentei, mas ainda estou sem palavras... um guerreiro entendi o outro.

    Um assunto tão delicado e você conseguiu transformar em emoção do começo ao fim

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    1. Um dia, eles foram TUDO O QUE PODIAM SER. Eles têm medos,mas os superam por causas que desconhecem. No entanto, pela nobreza de espírito de em algo ainda crer... costumam obedecer.

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