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terça-feira

Escrito, nos manuscritos.



Rostos e reflexos das marcas de desgostos, faces de cansaço que se estranham...anúncios no céu, se aproxima uma nebulosa carregada de dissabor;
Afeitos ao torpor, apego àquilo que sirva de bom paliativo, disfarce para desespero de desamor;
Não está escrito nos manuscritos...as alegrias que jamais fomos capazes de dar... 
Não está escrito, não fora ainda traduzido aquilo que sentimos, mas nos ponha taciturnos a pensar;
Se deveríamos por isso sorrir, se deveríamos ainda ter algumas lágrimas de sal ou sangue, a derramar;
Quiçá, seguir adiante, com este nada sempre prevalente para fingir não importar...vazio que não consiga se sentir, plenitude daquilo que não gostaria de ostentar;
Coisas que desafiam a fé e a razão, que a própria ciência e sua exatidão falham no intuito de explicar...
Filhos do homem e da serpente...ora rasteiros, furtivos, gatos pardos perdidos noite adentro remoendo tudo aquilo que faça doer por dentro;
Tudo aquilo que aos primeiros raios de sol, até mesmo um último fio de cabelo daquilo que resta, se arrepende;
Contudo, é assim mesmo e parece que assim sempre será...apesar de toda saturação, a gente não aprende;
Condenados desde os primeiros passos, primogênitos amaldiçoados de beleza ímpar, desde os mistérios do ventre, das entranhas...
Fazemos de nossa pequena trama,  grandes façanhas;
De nosso pequeno existir, grande evento, ainda que expostos ao vento sem ter onde ir;
Somos estrelas, estrelas no céu em noites de alegria a brilhar;
Estrelas cadentes, em dias de lágrimas do destino a cair;
Lutamos e aqui estamos... restamos para resumir em intensidade de vida, em muitas palavras repetidas, um milênio em poucos anos.... 
Nós, sempre "terceiras" pessoas por demais somos assim e suportamos, assim, sem necessidades de mais desventuras que conduzam a nada além de desenganos;
Simplesmente porque não está escrito nos manuscritos...
Sobre caras errantes, ciganos, levianos...sobretudo, do quão também, para além de nossas aparências e vidas aparentemente perdidas...
A outras vidas, que pertençam a um outro alguém, somos sim capazes e de nosso jeito estranho, também amamos;
À espera por palavras, sem necessariamente falando...desligamos um sentido que não faz sentido e por algo esquecido que peça por ser transcrito...
Para que seja válido e imperecível, digno de permanecer escrito nos manuscritos, por um dia a mais de vida ou uma chance concedida, dispersos, imersos em nossos "oceanos"...
Com um simples aceno em silêncio de gratidão, recolhemos os cacos do chão e simplesmente....caminhamos.




Um comentário:

  1. Nas profundidades tão invisíveis, nas profundes tão previsíveis, nos perdemos e nos encontramos...
    Por aqui permanecemos, "vivendo em oração", "brutos" caminhando com um coração, por algum resquício de vida ainda exultamos.


    Por: Fernando Ordani.

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