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sexta-feira

Apenas, um latino americano.




Sou bronze na pele, bronze no peito, sou terceiro...sou latino, filho do mediterrâneo e do Sol que fez em minha pele esta cor;
Sou aquilo que se pode ser, extremidades exacerbadas...afeito ao torpor;
Entre o branco e o negro, prefiro o meio termo...sou assim passional, quase que digno de ser chamado por racional, sou filho do amor;
Primeiro de toda conjugação...terceiro, para olhos de indiferença que recusam em me ver...
Prefiro viver perpassando por entre pessoas iguais a mim...distintas por demais para que possam me julgar, sem ao menos conhecer;
Voz ativa, gente passiva...permissiva, irascível contradição em forma humana de estranha coloração meio marrom, singulares formas de vida;
Dívidas...desde o berço ingrato da pátria que me pariu, acúmulo de culpas e feridas, cicatriz de superação daquele tombo de outrora que levou e um olho do cego não viu...mas, sorriu;
Sou, bronze na pele, no peito...bom demais digo para mim mesmo, para que fosse digno do ouro, colher de alguma glória os louros...contudo, me contento com uma lágrima de desgosto em sempre ser terceiro;
Segundo, prata...por vezes, mas esta cor de mim difere, não sou nórdico, caucasiano...sou mistura de português com italiano, me farto com bananas...sou vagabundo!
Subjugado desde a conjugação...sucesso por estas bandas de cá, somente por raras oportunidades, oportunismo, ou intensa transpiração!
Agradeço, todos os dias de joelhos a quem me fecha no rosto uma porta que convidava a entrar, pela fresta vejo a festa de um povo puro sangue, próximos da perfeição;
À espera sempre por um sim a cada dia que nasce com cara de repetição de não;
Sou o típico brasileiro, povo dócil, hospitaleiro...sou bronze, sou colorido em um mundo onde impera a voz do cinza, com um buraco negro no peito ao invés de coração;
Sou assim...sou assado, passei do ponto, sou somente por hoje e amanhã...sou passado resignado;
Sou latino, não tenho cor, mas tenho sabor...cheiro mal o suficiente para ser notado e desprezado...
Carrego a rocha nas costas todos os dias, carrego a tocha da pira que se acende para os iludidos e alienados;
Correndo em um chão acidentado, pés descalços, recursos escassos, todo dia me refaço, sem condição de competição...
Prantos de um peito sofrido, explicam as lágrimas...que não se comovem pela letra ou melodia do hino que agora por minha vitória toca, meu Estado sequer me reconhece como cidadão;
Prazer, meu nome é latino, minha arte é o improviso, meu sobrenome é superação.






5 comentários:

  1. Obrigado senhores...meu salário de fome, paga tua farta refeição. Toquem o hino agora, para vossa celebração.
    Minha vitória, consegui sozinho...longe dos olhos dos tiranos que negam um segundo de atenção.

    P.S: FORÇA, ATLETAS BRASILEIROS, GUERREIROS!

    POR: FERNANDO ORDANI.

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  2. aplausos ao poeta latino!!! muito bom estou viciado em ler seu blog, meu velho, parabéns. ..

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    1. Sou apenas um cidadão latino americano, sem dinheiro nos bolsos...kkkkk
      Belchior fala deste lado!
      Cara, uma vez mais e sempre, reitero minha gratidão.
      Abraço!!!

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  3. Difícil falar de algo quando palavras DE transforma em lágrimas. Surreal com algo sublime, me falta palavras para expressar qual maravilhoso é ver você escrevendo algo tão belo, algo que faz brilhar os olhos de quem le, termuno dizendo, me orgulho de você menino...

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    1. Muito obrigado sempre, pela tua amizade e por todo carinho, minha estimada.
      Valeu pelo comentário...sabe, algumas vozes vêm como ordens gratificantes dos céus. Eu, é que agradeço, sempre...por tudo isso.

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