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terça-feira

Escrito, nos manuscritos.



Rostos e reflexos das marcas de desgostos, faces de cansaço que se estranham...anúncios no céu, se aproxima uma nebulosa carregada de dissabor;
Afeitos ao torpor, apego àquilo que sirva de bom paliativo, disfarce para desespero de desamor;
Não está escrito nos manuscritos...as alegrias que jamais fomos capazes de dar... 
Não está escrito, não fora ainda traduzido aquilo que sentimos, mas nos ponha taciturnos a pensar;
Se deveríamos por isso sorrir, se deveríamos ainda ter algumas lágrimas de sal ou sangue, a derramar;
Quiçá, seguir adiante, com este nada sempre prevalente para fingir não importar...vazio que não consiga se sentir, plenitude daquilo que não gostaria de ostentar;
Coisas que desafiam a fé e a razão, que a própria ciência e sua exatidão falham no intuito de explicar...
Filhos do homem e da serpente...ora rasteiros, furtivos, gatos pardos perdidos noite adentro remoendo tudo aquilo que faça doer por dentro;
Tudo aquilo que aos primeiros raios de sol, até mesmo um último fio de cabelo daquilo que resta, se arrepende;
Contudo, é assim mesmo e parece que assim sempre será...apesar de toda saturação, a gente não aprende;
Condenados desde os primeiros passos, primogênitos amaldiçoados de beleza ímpar, desde os mistérios do ventre, das entranhas...
Fazemos de nossa pequena trama,  grandes façanhas;
De nosso pequeno existir, grande evento, ainda que expostos ao vento sem ter onde ir;
Somos estrelas, estrelas no céu em noites de alegria a brilhar;
Estrelas cadentes, em dias de lágrimas do destino a cair;
Lutamos e aqui estamos... restamos para resumir em intensidade de vida, em muitas palavras repetidas, um milênio em poucos anos.... 
Nós, sempre "terceiras" pessoas por demais somos assim e suportamos, assim, sem necessidades de mais desventuras que conduzam a nada além de desenganos;
Simplesmente porque não está escrito nos manuscritos...
Sobre caras errantes, ciganos, levianos...sobretudo, do quão também, para além de nossas aparências e vidas aparentemente perdidas...
A outras vidas, que pertençam a um outro alguém, somos sim capazes e de nosso jeito estranho, também amamos;
À espera por palavras, sem necessariamente falando...desligamos um sentido que não faz sentido e por algo esquecido que peça por ser transcrito...
Para que seja válido e imperecível, digno de permanecer escrito nos manuscritos, por um dia a mais de vida ou uma chance concedida, dispersos, imersos em nossos "oceanos"...
Com um simples aceno em silêncio de gratidão, recolhemos os cacos do chão e simplesmente....caminhamos.




sábado

Teu cheiro de jasmim.



Um lamento...luzes silenciosas, quietas;
Flores por aí estão pedindo por água, vida está morrendo diante dos olhos de uma multidão inquieta...
Um minuto de silêncio, num segundo se encerra...folhas verdes em plena primavera, agora folhas que caem, folhas de melancolia amarelas;
Há pouco era alegria, era sorriso...era beleza que caminhava e irradiava sua luz, que agora se apaga para sempre...
Destino estranho que olhos tão vívidos e joviais cerra suavemente...de forma repentina sela tua sina, torna passado aquilo que se parecia com um presente;
Dos céus, forma divinal de vida que desfilava por entre a gente...aura de pureza, passos de leveza levados para longe...
Para onde tudo se encerra sob lágrimas, daquilo que se faz ausência inesperada, sem palavras que sirvam de alento para eternidades de um vazio deixado por esta tristeza;
Um lamento...um anjo sobe aos céus ainda virginal, em vestes brancas, deixa a marca de tua passagem tão breve por esta terra, espectro quase que tangível de tua beleza...
Sem tempo sequer para nos dizer um adeus, sem tempo para uma despedida que fosse dolorosa, que fosse um último abraço e olhos nos olhos para os teus...
Hoje, tua morada é junto a Deus...um minuto de silêncio, quanto tempo faz que se foi, mas ainda me lembro...
Daquele setembro, quando inocente, para trocar passos com o acaso por aí, saía...
Dizia sem palavras por vezes, volte logo minha filha...
Até hoje espero tua volta, até hoje não minto que a vida e suas maneiras me causam revolta...até hoje, depois daquele minuto, sinto tua falta!
As luzes se apagaram, as flores daquela primavera, há tempos murcharam...todavia, aquilo que é vida em algum lugar renasce, floresce no jardim do Éden onde os anjos te regam...
Dos primeiros passos que vi...à derradeira milha que recusei em ver, enquanto outros braços lhe carregavam, vozes que não entendem sobre saudades, por tua alma rezam;
Tua vida permanece viva onde quer que eu vá...ainda sinto teu aroma distinto de jasmim...
Teus olhos ainda refletem em meu semblante de aflição...ausente em terra de ti, plena onde quer que esteja de mim;
Por que dizem não haver distância entre mundos...
Por qual motivo, temos de permanecer vivos para ter de entender desígnios divinos ou malditos, enquanto suportamos aquilo que insistimos em chamar por vida, perdidos nos descaminhos do vil subsistir, por aqui?



Meu rico dinheirinho...




Cansado, deste vem e vai...mãos cheia de vazio, despensa sentindo frio, farto...desta chuva ilusão de fartura, nuvens carregadas de esperança que o vento leva, nada cai;
Senão minha cara no chão, sequer os papéis contados e devidamente separados...bastam para pagar o ar de má qualidade que respiro, o gás de um botijão...
Deveras, dinheiro na mão de pobre é avião...voa para longe, sem parada sequer de "escala" e segue a lamentação;
Após mais trinta dias de alegria...redigindo os papéis, documentos "fiéis", carimbando...lavando o teu chão..
O que resta é nostalgia daquilo que se espera desde o primeiro dia, o que resta é um cigarro ou um trago ao final de uma jornada ingrata de admoestação;
Esperando que algo mude, mas mudança é sempre motivo para aflição...
Vida de pobre sem face, sem identidade que não seja para revistas eventuais, provar que não seja um ladrão...é realmente, uma viagem na contramão;
Contratempo, sempre correndo atrás do lucro...alcançando sem querer o prejuízo, prendendo este por entre as mãos;
A cigana mentiu, o "bicheiro" da esquina me iludiu...não ganhei na loteria como alguém previa, como meu sonho queria...
Meu décimo terceiro, antes da celebração do nascimento do "Cordeiro", há tempos já sumiu!
Agradeça a Deus por estar vivo...quem disse isso, com certeza não sabe sobre viver, sobreviver, como eu vivo!
Dinheiro não compra saúde, não compra paz, não compra o amor de um coração...
No entanto, que mal teria se um pouco ao menos restasse, para comprar as roupas de grife que descarta e vesti-las...afinal, também necessito de algo para ser, em tempos de "ostentação"!
Um carro velho qualquer, uma dama de baixo custo, mas raro valor para servir de mulher...
Cansei do velho discurso que me peça para esperar, há tempos perdeu-se por aí também, a paciência com a leniência deste discurso decorado sobre "quando Deus quiser"!
Um abono...uma graça concedida! Deus do céu...a geladeira velha queimou, novamente lá se vai minha pequena quantia...
É, quem sabe o ciclo desta história seja rompido, quando achar uma saída que seja pela tangente, que seja pela porta dos fundos furtivo...
Ou altivo, pelos portões da frente, um dia.




sexta-feira

O número do "Batman", alguém tem?





Preciso de um número, de alguém que me sirva...pois, apesar de não parecer, sou gente...
Preciso de ajuda, ajuda que seja armada, preparada para pegar os facínoras que caminham nas sombras na hora exata...auxílio urgente!
Tentei discar, três dígitos...dedos e mãos trêmulas, um velho celular...
Informava a um robô impessoal que me atendia, dados requisitados com toda "cortesia"...típica, de quem pareça um favor estar a lhe prestar;
Não prestava atenção naquilo que eu dizia, mas escutava aquilo que convinha da voz que em desespero falava...na falta de "um crime consumado", um crime de desacato por telefone, bastava;
Bastardo, tentei um outro dígito de atendimento "rápido", alguém que como criminoso, também me tratava...
Relatos de injúria e ameaças...relato de um cidadão desarmado, fazendo explanação desnecessária a um senhor desalmado acerca do perigo que me rondava;
Quer saber? Desisti...entendi, que culpado sou até que uma prova concreta diga o contrário, nas mãos destes deuses da lei, mas ainda funcionários...
Quero saber agora do número que todos mandam procurar, quando realmente alguém em perigo iminente precisar, quero saber dos seres extraordinários!
Quero o número do "Batman", do "Capitão América"...ou, quem sabe, do "Vigilante Rodoviário", "Chapolin Colorado"?
Vida pede por socorro por aí...perigo, não escolhe lugar nem horário...
Vistas grossas para uns, revistas truculentas e indevidas para cidadãos ordinários...
Afinal, de alguma forma deve-se justificar o peso das armas que carregam...combater o peso na consciência quando "descarregam"...
Devem mostrar-se prontos...prontos, para recolher seu cadáver, sempre que necessário!
Alguém anda lhe ameaçando...por qual motivo? O que o senhor anda usando? Por qual finalidade...se ainda não há crime, está nos importunando?
Realmente, creio que estou enlouquecendo...ou então, a sociedade possui um novo parâmetro de idolatria para seres assim tão humanos!
Obrigado...aqui, vai minha contribuição novamente este mês, para que sempre estejam assim...em prontidão, quando ligamos.




Respeito, é bom!?



Respeita o momento, respeita pouco conhecimento de quem escreve sem assunto, sem compreensão sequer das palavras...
Respeita palhaço sem graça..."Patati" sem parceria, respeita um nome, um homem que próximo aos teus olhos, distante da aprovação de teus conceitos, passa;
Respeita o fogo que queima sem necessidade de fumaça, respeita os dizeres da placa que avisa sobre os perigos...esqueça, os dizeres de outra, real ou imaginária que peçam que você faça!
Recíproca...quem fira com indiferença, quem o faça com palavras que não se sustentam em argumentos frágeis, verdades de uma crença...
Procura por encrenca, coisas que a vida não avisa, mas ensina em cortes que separam, cortes de navalha...quando tua edificação tão frágil, despenca;
Respeita o desespero, despreza a pose de quem necessita apelar para tirar algum sossego...
Respeita a fé de quem acredita, despreza a fé de quem por cima de um muro de visão restrita...coisas sem sentido diga,
A palavra interpretada e a verdade apossada, professada que segrega...contra tua moral atenta, sobre um teto de vidro e evitando espelhos, atire pedras;
Respeita a inteligência do inteligente, os limites individuais e o tempo...coisa tão particular, daquilo que se chame único para ser gente...
Respeita a falta de cultura, contudo condena...censura, a falta de bom senso, senso de humor de sarcasmo de uma cara fechada qualquer... 
Querendo ter, desejando ser e poder...se parecer e aparecer, imponência de patética figura e sua suposta astúcia;
Respeita o velho ali da esquina, o japonês da feira, o português em sua padaria...respeita etnia, diversidade de pontos de vista e de cores, que colorem seu dia!
Não peça por aquilo que não tem, não impeça os passos rumo ao sucesso...no entanto, não deixe de avisar sobre as possibilidades de fracasso a alguém;
Respeita a autoridade que manda você calar a boca, te chame por nomes estranhos que não condizem com tua conduta...é apenas um boçal armado, de alma pequena e filho...
De uma pátria, que enaltece a crença, mas elege os déspotas hereges...estados desunidos querendo se parecer, quando a bola rola, por noventa minutos todo mundo se reconhece;
Portanto, "respeita quem manda, respeita quem obedece"...pois, neste chão estranho, tudo o que se parece com vida perece, padece...
Sonhar se parece proibido...toda tese falha se aplicada na prática, por algum desconhecido...
Logo, respeita a tua insignificância e os limites de seu município, de tua cidadania, antes que sem aparentes motivos...para celebração de canibais no coletivo, seja queimado vivo!



terça-feira

Um tiro no escuro.




Se tiver a arma na mão...o "cano" apontado, o alvo diante da visão...
Cuidado! O tiro pode sair pela culatra, não há alívio assim que não seja precipício, precipitação;
A malandragem persuadindo o incauto com seu discurso sobre solução...
Malandro, assim orgulhoso de sua índole, em gozo da liberdade...impondo-lhe grades invisíveis de uma dolorosa prisão;
Se tiver o cano apontado...certifique-se ao menos que o crime compensa, certifique-se de que seja certeiro e na cabeça...
Que não seja, somente ilusão de consumir o mapa da Europa sobre uma superfície qualquer, uma mesa;
Liberdade pede por amplitude, sobriedade...refuta mente ou visão estreita;
Liberdade...não necessita do flagelo por auto piedade, não aceita o peso dos grilhões, peso da consciência, morte que leva embora tudo o que fosse personalidade...
Tudo o que fosse distinto, ímpar, sua condição de mudar um mundo usando a sua individualidade;
O tiro pela culatra...a grana e os planos, os sonhos de outrora que diante de tua visão deturpada queimava...
O amor que mentia e você acreditava...a amizade que não passava de conveniência, sempre disposta a receber um pouco mais daquilo que você ofertava;
O vôo para o além, o libido, o cano apontado novamente...não se sabe se pertence a alguém...
Talvez ao diabo, talvez seja roubado...talvez, o cano apontado pronto para o disparo suicida, encerra tua vida com o valor de uma nota de cem;
Se tiver a arma, então...se possível, pare por um segundo e pense...
Desarme-se desta idéia, siga seu caminho com mais rosas e menos espinhos...simplesmente, por manter limpo o teu sangue inocente;
Cuidado! Com o ato impensado, inconsequente...
Pode ser um disparo que alivia por uma noite, pode ser a sentença que lhe aguarda...prisão, eternamente;
Portanto, se estiver com o cano apontado neste momento, entendo teu sofrimento...
Já estive em tua posição, já compus o "pelotão" de auto fuzilamento;
Creia...não vale a pena, seja feliz ainda que seja só por hoje...
E, que "só por hoje", possa valer por uma vida inteira, distante deste tormento.



Semeando o humano.





Semeando semente, que fosse gente no chão...somente para ver se algo de humano, ainda "dá" nesta terra...
Se fruto bom ainda há de vingar, sem necessidade de vinganças...se ainda resta esperança, de brotar algo que seja deveras amor em tempos de guerra;
Permeando os limites...rompendo com a razão, a lógica da insanidade...
Perpassando desapercebido por entre multidões, observando carreatas que semeiam gente que nada mais serão...sob luzes de sirenes silenciosas amarelas, pela cidade;
Espalhando a palavra, que não seja maledicência...que não seja indecência, mas tão somente a inocência de uma troça, um figura de linguagem...
No linguajar típico da "roça" chegando de sua longa viagem...vem a passos de calmaria, sem pressa, se aproxima a boa novidade;
Planta na terra aquilo que se espera...espera pra ver algo nascer, quando tudo se encerra...
De fato, o ser humano é estranho...ser bestial, estúpido intelectual, diplomado boçal...a pior das feras!
Uma dose de ódio deixei daquela lágrima, esperando que ali brotasse amor...
Uma dose de veneno, uma lástima...um lamento, tudo se alivia com um pouco mais de dor, um pouco mais de torpor;
Semeando no semi árido de um subsistir, coisas distintas daquilo que hoje lhe faça chorar...num futuro sempre incerto, uma esperança de voltar a sorrir;
Nem tudo se vai, nem tudo que chega pra ficar por além de uma estação é alívio...
Nem toda mão que se estende é mão de um amigo...é mão de um ladrão cheio de afeição por tua essência, lhe rouba e sai furtivo;
Nem tudo o que não entende...é necessariamente incompreensível, no chão então, deposito um pouco mais de gente...
Esperando futuro de prosperidade prometida por vozes que jamais assumem as promessas, se é que haja tempo para esperar...se é, que esperança ainda seja algo viável e possível;
A garantia que ninguém lhe garantiu, pela oração que entrega aos céus, aos mares à Iemanjá, aos rios...
Para que possa nascer um novo amanhã, neste lugar tão triste, onde num dia distante na linha do tempo...em páginas amareladas e levadas pelo vento, uma vida veio para ser verbo...
Brilhou exposta aos primeiros raios de um sol que jamais fora seu e sorriu!



domingo

Sem palavras...cem "patacas"?




Troco, minha idéia sem sentido...palavras que não fazem chuvas no semi-árido onde vivo, da condição de subsistência de semi-humano na qual persisto;
Troco por um trocado qualquer, por um cigarro...fogo que se acenda para matar, mas seja verdade...
Em troca desta falsidade...escarro disfarçado no discurso de fascínio dos facínoras facilmente fascinados, tudo que se pareça com palavras precisas desnecessárias da alheia piedade;
Troco minha idéia pela sua, afinal pensar sob minha pele anda custando caro por demais...troco por um belo sofisma que seja, minha aparente verdade transparente nua e crua;
Troco aquilo que não me pertence...coisas de meu convívio, ou de meu usufruto que não me compreendem...
Troco por um tapa no rosto, um dia que seja de derradeiro desgosto...pela falácia decorada daqueles que dizem que se arrependem;
Nada aprendem, troco minha pouca erudição...por firmeza em convicção, libido, ereção...
Coisas mais relevantes dentro do contexto de um vazio, com um pouco mais de vácuo que se possa acrescentar, plenas se parecerão;
Uma fala incompreendida que jamais seja capaz de arrancar um sorriso...pela velha capacidade de uma estocada precisa, onde palavras soam desnecessárias sufocadas por gemidos;
Passos pela calçada, percepção que pouco supera a da própria cegueira...por um passeio alheio a tudo, por seu jeito de ser uma pessoa tão "maneira"...
Comendo a borracha de tua lata tão valiosa paga à prestação, emprestada...fazendo barulho que faça cessar um pensamento e apagando o passado na poeira;
Troco este estúpido e intrépido jeito de assumir causas perdidas como se fora por prazer estranho ou insana brincadeira...
Deixando sumir, deixando de assumir, se omitir...tomando um banho de sais revigorantes, usando teus pertences e até mesmo minhas convicções pedantes que sequer a mim convencem...
Para persuadir um pato de borracha em tua banheira!
Troco minha trajetória de suposta luta e nenhuma notoriedade que se chame por glória...troco minha maldita história, por todo o conteúdo de tua geladeira...
Se não aceita...dou garantias, contudo garantias de quem somente se afirma com atos abnegados ou palavras, sempre soam duvidosas ou pouco valiosas o bastante, para sempre se assemelhar com besteiras;
Se não acredita em nada disso, tudo bem, ninguém há de se importar isso...
Afinal, algumas vidas sempre serão um pouco mais inúteis para que sejam percebidas, um pouco mais ligeiras em suas passagens tão passageiras...
Para que sejam dignas de serem vidas...para que deixem de ser insistentemente metades, buscando por gestos de caridade ou um "muito obrigado" de alguém mais, podendo se completar com a sensação sempre estranha de sentirem-se vidas satisfeitas.



É... você podia.



Definitivamente estou emudecido, estarrecido por estar assim mudado...
Flexão é algo mais interessante, quanto mais se flexionam verbos, para sepultar corpos sem um rosto no passado...
Aquilo que queria, que podia já não mais tem poder...aquilo que insinuava em sua graça, já não é mais engraçado;
Faz parte de um recente passado que agora, a consciência então ausente, repudia...
Faz parte do proibido aos olhos, faz parte de coisas libidinosas que se pareciam com provas a serem dadas somente a mim, de que eu existia...
De que um passo adiante, muros e vales adentro, que em nada se diferem, algo de novo descobria...contudo novamente, somente me perdia;
Estranha razão que repudia a lasciva, despudorada senhorita...estranho eu imerso agora em mim,  rejeita reflexo no espelho de expressões de desejo antigas;
Antes, anjos caídos de pecados... faces e corpos indistintos por aí a caminhar com pernas, em caça de aventura ou de alguns trocados...
Hoje, tão somente corpos juvenis perdidos, seres que nada em mim despertam, senão instintos compassivos;
Peça por algo a mais que eu já não possa oferecer, pois da nuvem onde me encontro somente me disponho a descer se for para lhe ofertar um ombro que seja amigo;
Me ofereça os mistérios de tua sedução em teu discreto riso...lhe devolvo sem querer um sorriso...dizendo sem a voz, já não mais me interessar em nada ganhar com perda de algum tempo e suor que resulta disso!
Troquei meus passos, troquei os percalços por algo que parece fazer sentido...
Troquei os sentidos, coisas banais em troca pela satisfação em plenitude dos bons motivos;
Vozes...ecos em minha mente que rejeitam repentinamente delírios outrora picantes, agora atrozes;
O louco agora tem alguma consciência, seu tempo se passou e foi ontem... paciência;
Siga em paz, por caminhos seguros onde esteja certa de que não mais, estarei em teu encalço, logo atrás;
Rumo aos infernos, ao paraíso ...ao cinza do céu de outros invernos, em busca de outros incautos sorrisos...
Se possui algo de novo a me apresentar, se pretende com velhos apelos me encantar...melhor rever tua postura e me fazer exposição de outros sublimes motivos...
Do contrário, aquele abraço... 
Não impeça meus passos de caminhar neste distinto patamar, longe dos perigos de seu abismo...
Tudo já passou e nada deixou, contudo como meu sobrenome ainda é tolerância e paciência...para tua voz de indecência, sou todo orelhas, fingindo ser ouvidos;
Confundiu meu passos...atrasou meu ponteiros, arruinou meu planos quase perfeitos...
Confusão de teus sentidos, olhar fleumático diante de teus intentos, juras de amores ao vento...pois é, minha estimada princesa, creio ter feito perder com algum estranho prazer, seu tempo...
Somente, pelo satisfação de vê-la sofrer, me contradizendo...fazendo aquilo que mais odeio dos demais...
O premeditado plano executado desde o pensamento.




quinta-feira

"Super", era você. (Who's your daddy?) ;)



Toda parte que se sinta assim vazia, necessita de uma metade...
Precisa de algo que chega para trazer algum sentido a mais, algo inesperado que venha, sem previsão de partida;
Todo homem que assim se diga...seja super, seja nada, seja meio menino ainda...necessita de um toque de mãos macias e despidas de pecado, sua "kryptonita";
Coisa preciosa, que não se vende por aqui...alguém que chega e pede por teu abraço, pede por sua proteção, para que nada se perca por aí;
Estrela que desde sua concepção, mais intensamente que todas as demais de qualquer constelação, brilha...
Coisas de meninos, que não esperam por uma menina...coisas de pai de primeira viagem, à espera ansiosa por uma novidade para chamar por filha;
Apenas um cara que não superava a si, algo esperava como se nada quisesse, apenas um cara que não esperava por uma dádiva de olhos coloridos assim;
Desafiava um mundo com suas letras intrépidas, desafiava a superfície com sua utopia...sem chegar a lugar algum, senão ao mesmo caminho de sempre que conduzia ao mesmo fim;
A metade meio cheia de um copo...bebida de fino valor esquecida sobre a mesa, às moscas servida...
Se completa, ainda que das distâncias que nos impuseram os muros implacáveis da ignorância, coisas de adultos sérios e sem graça por demais, gente que não teve infância...
Fala desnecessária que dissocia e desfaz a mais perfeita das magias...
Para teu suave ninar, menina minha, peço a um anjo por um acalanto, grato sou por aprender contigo...um outro sentido para vida!
Queria ser escritor, já sonhei em tempo pretérito sobre ser astronauta...quiçá um cantor...
Posso ter sonhado e assumido diversos papéis, por diversas vezes fracassado...porém, por um sorriso teu, sou novamente palhaço e alegra-me este novo papel, descoberta de ser deveras um ator;
Podemos pairar por aí sobre as nuvens, podemos juntos aprender a lidar com as melhores coisas que a vida nos traga e com a própria dor...contas a acertar, somente com o amor;
Meu anjo distante de meus braços e dentro de meu peito, carrego em uma foto nestes braços marcados...
A forma personificada de perfeição que jamais imaginara, a maior das obras de minha suposta arte tão falha, que jamais poderia ter feito.



terça-feira

Marcas indeléveis.

Não passe por aí apenas por passar, não deixe seus próprios passos para trás...em favor, daquilo que andam lhe pedindo;
Não lance âncora ao mar, não encontre porto seguro na insegurança de um humano lar...coisas que não completam, mas apenas estejam te impedindo;
Não siga as setas, as vozes dos algozes e seus asseclas...não siga aquele por aquele caminho, que indica a mão do desamor e te exponha ao perigo...
Faça prevalecer em teu rosto um semblante de desgosto, face despreocupada num passado perdida...que caminhava por aí sorrindo;
Sem motivos para ser, sempre carregado de bons motivos para estar...não ceda tua vez ao ávido que tem sede e cegueira o bastante para lhe afogar;
Hordas que caminham por aí guiadas, adestradas...não pare no portão, rotas em auto estradas que sejam certeza de colisão...
Evite um passo além dos limites invisíveis que mostram somente tua intuição, que sejam iminência de eterna prisão;
Concessões e permissão por demais, caridade com os canibais...seres imorais, irracionais...
Alguns casos carecem de toda compaixão, de alguma atenção...outro caos, nada além de ser deixado na poeira do esquecimento, para trás...
Serão meros elementos banais, com muita voz e pouca atenção, pouco coração...
Muita capacidade de extração de seiva, subtração e fazer cessar tudo aquilo que seja vital...tua própria respiração!
Não passe, sem deixar que notem em tua presença algo além de um corpo...
Todavia, se não valer a pena para ali permanecer...perpasse desapercebido, deixe fluir, misture-se aos demais, finja-se de morto;
Não deixe a marca daquilo que o vento se leva ou a chuva apaga...deixe para trás alguma bagagem que faça pesar, deixe boa semente daquilo que valha a pena ser verbo em outras vidas e se propaga após tua partida...
De preferência, que seja bom o bastante para ser legado em forma de flores que valham a pena regar...
Sobretudo, que seja algo que faça remeter por um segundo que seja...sobre a maravilha de estar vivo e saber algo sobre se amar.



segunda-feira

Grandes feitos...o passado, era perfeito.




Não disponho mais de tempo para mim, não disponho de tempo a mais para nós...
Disponho de tempo de sobra para sobre nada pensar, dispenso inspiração e pensamentos caminhando de mãos dadas com o acaso, a sós;
Sobre o céu já não há mistérios, sobre mares e sonhos tudo já fora desvendado, descrito no verso mais sensato e mais bonito...desnecessária se faz agora a novidade que seja pretensão da voz;
O nada traduzido, horizontes longínquos já explorados...alturas vertiginosas já descritas, descobertos os mistérios acima e abaixo das nuvens, estranha é a inspiração que peça pra que permaneça calado;
O grande evento de outrora...agora, reduzido à sua indevida insignificância, passa desapercebido...
Melhor seria, se aquele toque de mistério em tua porta...errasse seu destino, não cruzasse teu caminho, fosse bater à porta do vizinho;
O inimigo sempre imaginário...a beleza da flor e do sentimento supostamente vivido, sem sair de dentro de um quarto;
Nada soa como outrora, quando trocava passos...trôpego, embriagado com doses exageradas de infortúnio, mundo afora;
Especial por demais para que fosse humano...humano, o bastante para ser especial, essencial apenas para si, frágil forma malfadada às tuas desventuras e teus enganos;
Aprender com os intrépidos do passado...exposição de um ponto de vista diversificado, controverso, apenas para que possa soar como um idiota renovado;
Um novo olhar, sobre coisas já vistas e por demais faladas ou escritas, de antigamente...
Um novo pensamento, um breve momento que peça por atenção, breve reflexão, ou ponderação...de gente estranha, que nada se assemelham com os povos de antigamente...
Tudo, tão próximo e tão distante do ideal de tua mente...tudo tão paradoxo, verborragia por demais que jamais satisfaz e sempre há de soar tal qual ao sonoro e inócuo "nonsense";
De fato, peço que pense...se pensar por um segundo em seguir por estes passos de um caminho pisado, veredas abertas pelos originais da voz prevalente...
Peço que pense, se vale a pena escrever...se vale a pena dizer, quando muitas bocas sobram para falar e muito pouca compreensão daquilo que se diz, seja aquilo que limita...
Separa a intenção de quem observa, por vales de ignorância abertos por quem jamais entende;
Peço que pense...se o que diz, transcreve em palavras é de fato o que sente...
Se não se parece com cópia daquilo que não compreende, não se parece com suposição em palavras sem alma por aquilo que supostamente viveu e se arrepende...
Pois, tudo não passou de suposição...tudo não passou de pretensão daquele que imerso em seu mundo de ilusão, nada de novo traz à tona...não se renova, pelo fato de que nunca aprende.




Sorriso estranho.



Era ódio contido, naquele sorriso que disfarçava...
Ódio incontido, por entre os dentes ao ranger...sorriso no improviso, olhar que te fuzilava;
Uma dose a mais de esquecimento, um pouco das trevas do pensamento que me fazia extasiar...teu pior pesadelo, sem que tu soubesses, dissipava;
Uma miligrama, duas, três...um sorriso de torpor, um abraço fingido, desprovido de humano calor...
Um pouco mais de desapego a mim, subserviência eterna ao meu "senhor";
Um pouco mais de desamor, um pouco mais de coragem ou desatino por completo...tua cabeça dependurada, teu orgulho banhado a formol, onde o tempo não passa...
Te levar para a terra do nunca mais, numa viagem sem volta, talvez para ti sem nenhuma graça...
Todavia, expressão de meu amor, expressa em teu derradeiro terror...tua desgraça!
Era ódio incontido, que não cabia num sorriso que naquele dia cinzento, sequer dissimulava...trazia a quase certeza, que já não enganava;
Era tudo por ti, nada por mim, eram outras mãos que cobiçavam e alcançavam a glória...todo mérito, ao vadio em detrimento daquele que há muito trabalhava...
Numa noite qualquer, ainda inocente se deitava...contava estrelas no céu, fossem de neon, fossem de concreto...reais por demais, para que um dia se revelassem imaginárias;
Era ódio, nada além do sentimento que me movia por aí...barreira invisível, intransponível a me cercear do direito de me deleitar, me saciar com aquilo que se sacia o vampiro...
O maldito da voz, que caminha sempre perdido, pedindo por esmolas...um caso de caridade por aqui!
Era ódio em meu sorriso, era teu inferno a arder em chamas crepitantes o meu ideal de paraíso...
Era apenas mais uma manhã de domingo...paciência de quem parece esperar e nada querer, contudo sempre estivera por aqui para isso;
Deixar viver...deixar morrer, dilemas aos poucos se desfazendo, enquanto jogos de paciência propostos pelos senhores das cartas, do destino, brincam comigo...
De fato, há pessoas por aí, afeitas ao desafio, propostas indecentes, somente...para ver acontecer com os demais, aquilo que detestam ver acontecer consigo;
Afoitas ou fleumáticas, dispostas a consumir até drenar por completo o conteúdo de almas e de sonhos, arruinar...
Modificar com mudez ou palavras, destinos ou vidas, tocar em feridas...
Gostaria de saber, se estas pessoas por acaso, retornam após o perigo resolver se entreter com estas...daquilo que resta para relatos, algo para se contar que não sejam pedaços, ainda respirando e com vida!?
Era ódio, meu querido...minha estimada desgraçada, tão querida...
Vá brincando, porquanto alguém mais anda lhe observando...espero que vossa fé em coisas profanas que somente a vós enganam, possa lhes salvar de balas de metal, porrada...
Uma cara deformada, um corpo destruído por coisas que desperta em criaturas, que outrora se pareciam humanas e devidamente adestradas.






Em algum lugar, um dia.




A terceira na voz das primeiras, deixe pra lá todas as tentativas...
A oitiva é de mais valia, valores que não se contém nos bolsos...transformam todo esforço em coisas paliativas;
De nada adianta, quando era tua a presença que ao lado permanecia...diante dos fatos deturpados que tragam do além, a aparição que traga tempestades, sempre tão intempestiva;
De que valem as palavras, se não possuem valor suficiente...de que valem os atos dos abnegados, se prevalece a fala dócil da tirania que traga baixos valores, a velha discórdia de sempre? 
Seu partido, há tempos não possui nenhuma influência...distante da credibilidade de quem possa se apossar, tua fala sempre não passa por falácia, teste para a tua paciência;
Tua bandeira branca não hasteia, em terra infértil afeita pelo espinho de rosas vermelhas...
Teu discurso é sempre bom motivo...boa faísca prenúncio para incêndios desproporcionais, para toda pirotecnia por coisas que não compreendem os imorais irracionais, basta uma centelha;
Desnecessária toda lógica, quando presença certa do distante...traga sempre a palavra que todos desejam, carregada com alguma certeza...
Que o amanhã será de fartura, que presença a suportar seja sempre a sua...que tua nobreza de outrora, não passara de fato, de sinônimo de fraqueza;
Franqueza por demasia, em papéis que se dobram somente para confundir aos olhares dos incautos...
Se encantam somente com certeza de sustentação que seja frieza de asfalto, com aquilo que toda escassez anseia, volúpia voraz de uma alma miserável, se sacia!
Um dia desses, união pelo acaso e faces distintas que se pareciam...
Tempo sábio, senhor da razão que separa a verdade da mentira...vidas completas, daquilo que se completa com vidas arrebatadas por sua perfídia;
Rasgue os papéis que se constituem de utopia, de nossa constituição que sobre igualdade e liberdade que sobre os efeitos colaterais, nada dizia...
Segue adiante, pois se não adiante...olhe para trás somente com a certeza que deixa a poeira, sobre desaparecer do alcance limitado de sua visão, seja grato pela libertação...
De tudo aquilo, que não mais lhe pertencia!
Em algum lugar, diferente desta hipótese e sofisma que se chame por lar...há de existir um abraço de sinceridade, um amor que seja de verdade...
Incondicionalidade incorruptível, que ainda se importa com o respeito em reciprocidade, lugar onde não tenha vez, a voz da hipocrisia...
Pois, neste lugar onde acordado alguém não se cansa de sonhar, um outro alguém há de saber compreender um sonho e as coisas...mais sublimes de uma vida.

sábado

Um "baile nas máscaras".

Várias variações da mesma face...discurso parecidos, um outro disfarce;
Fases da lua não assustam àquele que sobre ela vive a caminhar...diversão veste máscaras e codinome, alguém mais veste uma face, nome e sobrenome, se assume bipolar;
Originalidade da terceira pessoa posta à prova...por personalidades, seres ilustres que muito talvez, tenham a si mesmo para provar;
Diversidades das nuances...grandes diferenças contidas na intransigência, exigências dos senhores alinhados e arrogantes, que somente o cego por opção se recusam a enxergar;
"Seja lá o que for, seja bom naquilo que faça"...ainda que aquilo que faça seja sugar seiva, seja sangue novo para tua volúpia de quem tece teias com sutileza...
Paciência de um psicopata, que jamais há de se esgotar;
O momento certo...faces para confundir, máscaras e novos nomes para acreditar...
Tudo em um mesmo contexto, tudo ocorrendo em supostas distâncias que jamais se fazem com que algo se mova do mesmo lugar;
Distante de teus olhos...alvo estático para tuas novas promessas, a isca perfeita para tua alça de mira sedenta por uma cabeça para iludir e alvejar;
À alguns...de fato, toda paranóia imposta por senhores crentes ou hereges, clãs devoradores de sonhos ou sanidade mental, fere de forma mortal e lentamente...
Sem pretensão, sutil como uma picada mortal inadvertida, como coisa premeditada para ser, há de matar;
Surpresas...no entanto, imprevistas, ocorrem quando seja coisa humana aquilo que supostamente subjugado esteja, por ser servido como prato nobre amordaçado em vossas mesas;
Surpresa...quando a altivez, as certezas de vossa suposta perspicácia falha...
Quando paciência e resiliência, se superam na presença ou ausência proposital de palavras e nada resta, além da mudez em vossas falas;
Várias variações da mesma face, agora infeliz...ria de tua própria desídia, descrença daquilo que era de fato coisa preciosa e verdadeira o bastante para incomodar...
E persistia em brilhar, bem abaixo de teu nariz...
A fala de quem deixa por dizer, a fala que nada diz de quem insista em presumir e decidir destinos...o mérito, de quem algo deve merecer...
Cai naturalmente diante da originalidade, seja boa ou seja ruim a novidade em forma de verdade...que não pede sua permissão para além do alcance de tua visão, acontecer.




Misturas explosivas.








Sou...paradoxo, longe dos olhos tão próximos que insistem em não me ver...
Sou figura majestosa, monstruosa...distante de meus ouvidos, há vozes por aí, ecos e reverberação que me deixam saber;
Sou pequeno, ser andante sem alma, personificação da própria desorientação ausente de calma...
Ser que caminha por aí, supostamente alheio à tudo...dizendo sobre todas as coisas, conhecer;
Sou pequeno o bastante para abaixo de um céu poder me enxergar, no reflexo que remete à outras faces que não reconheço no espelho...me reconhecer...
Sou pequeno assim parado em meu lugar, somente para saber que minhas questões não transcendem pela pretensão de todo querer, a imensidão do mar!
Sou notório o bastante para ser presença inconstante...relativamente relevante, ser errante que não titubeia em sua fala quase muda de quem já teve o bastante...
Sabe o suficiente, para saber que vida para alguns de nós, é coisa deveras vivida de pequenas coisas aparentemente desinteressantes...transformações, sempre exigidas em um breve instante;
A voz por aí persiste...fala infundada acerca daquilo que, há muito, parece já não mais querer saber...
Perdão, por perder algum tempo que seja no silêncio...que seja para destruição da própria convicção, um prelúdio para um novo rumo, evolução e crescimento que não possa perceber;
Perdão, por estar nesta estranha condição de pedir perdão por você...perdão se contigo, de fato, além das aparências, em nada insisto em me parecer;
Somos soma de elementos heterogêneos que não se misturam, em nada que não seja confusão geralmente resultam...
Somos aqueles que relutam em crer, persistem além dos limites de muros impostos pela própria segurança...somos aqueles que entram na dança, pagando pra ver;
Sou apenas diferente, perdão se por minha natureza distinta...sempre hei de deixar alguém mais, descontente;
Nem melhor, nem pior...vidas em comparação em humana condição, perda de tempo quando há um horizonte para quem queira ver, um pouco maior...
Quem sabe sobre os segredos que a vida nos reserva...quem sabe, sobre aquilo que permanece por excelência de se afirmar em sua suposta estupidez, ou aquilo que se pareça com coisa insípida mantida em conserva?
A vida e o destino nos dirá...quando alguém por definitivo deixar a necessidade de provas pra lá...
Quem de nós, era realmente a voz digna de ser lida, ou de se escutar.




quarta-feira

Era uma vez, sua vez.




Disseram que era caso raro, coisa rara...novidade que todo ouvido ávido por coisa reciclada aguardava;
Era o segredo, revelado que o próprio destino escondia...tipo singular de inteligência, voz de vanguarda da sapiência, que se encontra em qualquer esquina;
Uma face diferente, que da multidão não se distinguia...vestindo o mesmo rosto todo dia, a mesma camisa desbotada...
Cara cansada de um rosto afeito ao desgosto, que aos poucos se iludia;
Disseram que era fascinante, palavras eloquentes de um tolo verborrágico pouco falante...facilmente fascinado, à espera por um porto...
Um náufrago, uma fraude inspirada por frivolidades...uma mão de tinta na fachada renovava os ânimos e vaidades, um príncipe digno das calçadas a ocultar outra lágrima de desgosto;
Uma mão, outra máscara em meio a uma estranha multidão à procura...
De confusão...a buscar em outras jazidas pedras preciosas, longe das profundidades e perigos dos mares que escondam as pérolas de verdade...em falta de diamantes que pesam, serve a pedra bruta;
Alimenta a chama de esperança em alguém que espera, até que todo caminho conduza à loucura;
Era uma vez, sua vez...mas, para todo conto assim tem um ponto inesperado que encerra uma história de histeria, efusividade...mentiras com toda a sinceridade que roubam a lucidez;
Aqui jaz...uma história de mais um que acreditou, no ouro de tolo, no mapa da mina vendido de olhos vendados...era apenas por um dia e nada mais;
Um mergulho nos mistérios do escuro...
Um suspiro por prelúdio de romance com coisas desconhecidas, flerte com a palavra que soa como poesia, troca de todas tuas certezas pelos sentidos entorpecidos e êxtase que se sinta no inseguro;
Era a metade que faltava, era o meio perfeito para o fim dos planos ocultos de quem planejava...
És agora nada além daquilo que resta, metade descartável e usada por demais que não presta...ausência de suposta originalidade, que ninguém notava;
Disseram, mas mentiram...omitiram sobre coisas que nada se pareciam com sabotagem premeditada, mas você acreditou...
Que pena, passou o tempo, passaram vidas, passou para o passado...preterido agora, por quem lhe tinha como querido, no ostracismo do limbo restou...
Foi original, foi leal, fez o melhor que a própria voz da natureza, em forma de belezas em teu coração semeou...
Todavia, floresceu por demais, tua essência e teu brilho intenso sem pretensão de ser, o brilho de outro alguém que supostamente não pode ser afetado, ofuscou...
Parabéns, escritor do dia...pretenso poeta, com teu caderno cheio de rabiscos que abriu, com teu coração que apenas sangrou...
Réu, condenado em um tribunal de tribos hereges...as pessoas escolhem, o destino elege...
Teu legado em forma de letras...para o vento, ou olhares atentos em um futuro distante deste contexto, deixou.








Urgência e emergência!








Há urgências por aí, pedindo por pressa...há necessidades reais, precisando da sinceridade dos bendizeres em uma prece...

Há coisas, tentando se parecer maiores do que merecem...
Há vidas com pressa, entretidas com o nada, perguntando aos espelhos sobre os motivos, pelos quais nada acontece...
Pessoas e vidas que perecem, pessoas em conluio de perfídia que se merecem...
Há pessoas do seu lado não se importando, há alguém distante por ti chorando, mas você se esquece...
Há pressa e necessidade por ser humano, se não me engano...
Há situações, há circunstâncias...há discursos de razão divergentes e os fatos em discordância!
Sirenes de polícia para quem precisava há segundos atrás...sirenes a soar em dissonância, quase sempre seguidas por sonoridade distinta de uma ambulância...
Há aquilo que gostaria de ser, mas sabe tão somente sobre ter...
Há flexão do verbo, flexão de músculos...tudo se flexiona para impressionar, tentando algo provar...
Quando a si mesmo, não consegue superar, não consegue convencer...
Acenda uma vela, apague uma idéia, ou pague...por ela!
Certifique-se do preço a ser pago, certifique-se que teu amor não seja somente coisa casual tão prenúncio de um estrago...
Disso tudo, nada disse...pois também tenho pressa, pois a vida me convida a dançar no compasso de tragédias dela...
Se errei na pontuação, peço perdão...apenas tenho alguma esperança, que sejam dignas as palavras que possam valer um minuto de vossa atenção, despertar reflexão, invadir teu coração...
Quem sabe, sem nada sugerir, despertar por aí uma boa idéia...
Contudo, que sejam boa luz para que sejam dignas de iluminar, fazer refletir...não sendo assim, me recuso da responsabilidade por elas.






terça-feira

Ontem, éramos nada.




Quantas coisas por aí estão quebradas...nada são agora além de algo que deixou de ter sentido para ser, ser útil, utilizadas;
Quantas pessoas não se encantam com a propaganda, abraçam uma causa...sem sequer saber de nada...
Simplesmente movidas pela necessidade de algo para crer, pessoas quantificadas, produzidas em linhas de montagem...padronizadas;
Com ou sem patentes, vidas que não se pertencem...por aí, perdidas pelas ruas do abandono, após superar os perigos de um campo minado de intensas batalhas;
Era utilidade...útil o bastante para ser notada, cobiçada...
Digna de uma jura em falso que falava sobre eternidades, sob aquela bandeira cheia de estrelas, distante de um céu que lhe prometia com toda certeza...
E garantias, da voz da omissão, que jamais lhe prometera nada;
Realidade hoje e sempre, facas expostas por aí vendendo idéias para quem as compre, facas de dois gumes...
Lugares distantes, paraísos prometidos após superar o peso de atmosferas funestas...marchar, sobre os subjugados, vidas agora conjugadas no passado, boas histórias para atrair novos cardumes;
Chamado àquilo que não lhe convinha, porém para alguém por detrás de cortinas, era pura conveniência...
A falácia da eloquência perfumada e sem essência, indecente lhe convidava...instigando teus instintos, condenando tuas desgraças, imputando a pena capital aos teus costumes;
Ontem éramos nós, fortes por demais para destruir...frágeis por demais para desatar e restar por aí mendigando por sanidade, a sós...
Não tomamos os cuidados, entregamos nosso destino a ser decidido em um rolar de dados do acaso...
Descaso, da sujeira de quem sugere com ares de carisma, bom discurso que disfarça a perfídia...em lugar de um sonho, semeia um sofisma;
Desdenha o senhor da guerra que interfere...
Fogo que aquece, agora é fogo que fere e faz sangrar...amanhã, há previsão de frio pelas calçadas, de volta pra casa sem um lar;
Sem pernas...para rumo ao sonho americano, poder caminhar...
Quem sabe, um dia desses qualquer...toda essa insana brincadeira se encerra, quando de uma vez por todas, sequer os aviões que a paz que ninguém pediu, sequer dispuserem de uma base para regressar...
Quiçá, apenas pedaços dos brinquedos perigosos...fogo consome os planos dos senhores gananciosos, ainda que o preço de brincar com o perigo, seja pagar pelo preço de quando o perigo bater à porta de onde costumávamos morar...
Ontem éramos nada...soldados ainda crianças a brincar;
Éramos apenas meninos pobres, armados e iludidos, com a ilusão das telas que nada diziam sobre os efeitos colaterais que os "heróis", deveriam experimentar...
Não contávamos em histórias para ninar, sobre a necessidade de não ter de sangrar...não ter de dormir, sem correr riscos de para sempre os olhos fechar...não contavam, que conosco sempre iriam estar à espera para poder "contar".