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sexta-feira

Vertigem e sobrevida.

Errar um passo, sair às ruas...era linda aquela lua a me chamar, era profundidade de um olhar de mistério no qual me perdia, ao contemplar a face tua;
Era minha, a mão que se dependurava daquele velho abismo...era a velha indiferença de toda frieza que se possa sentir, quando não caminha contigo...
Era minha a vontade, era quase verdade, todavia...sozinho, não consigo!
Lá fora faz tempo bom, céu azul nos convida a sair para passear...
Lá fora, tudo conspira, sombra sombria que um sinal à espinha me envia...calafrio, desespero, precisava somente de palavras ou, de um lar;
Um percalço e nada mais, um dia a menos...desesperança toma de assalto a presença indiferente, para ser eternamente um tanto faz;
Apenas um indigente, apenas um indigesto dissabor que de um paladar afeito ao infortúnio, não sai;
Apenas pessoas passando pelas ruas, pessoas que se parecem com gente...ausente, imersa no ego, sempre à procura de um porto qualquer para aportar...
Um navio qualquer à deriva, para naufragar!
Um dia a menos, em uma vida esquecida, aos poucos se apaga de sua própria história...perdendo sentidos em perfeição de sinestesia, apaga sua escrita;
Apenas uma alma que grita, apenas um corpo que cai...
Apenas olhares de piedade, olhares de escárnio...olhares paradoxo, tão próximos e tão distantes daquilo que não se enxerga mais;
Era humano ainda, aquilo que das trevas gritava e ninguém ouvia...
Era alguém que sonhava, nada além do trivial que fosse um pouco de dignidade desejava...era apenas mais algum tentando ser alguém, mas o mundo não o queria;
Errar um passo novamente, pouca diferença faz quando seja capaz de sentir plenitude de toda presença que persista, insista...tão ausente;
Havia maldição nos olhares que indicaram à inocência, o caminho da escuridão...
Havia coração...no passado, que não fosse pingente, que não fosse arremedo de gente a caminhar sem rumo certo, mas sempre com a certeza de arruinar aquilo que já se pareça errado;
Havia oração...da boca de um jovem de outrora que aos céus suplicava nada além, da fartura que fosse saúde, um pedaço de pão, um pouco de disposição...um mundo pequeno, nas mãos;
Havia barulho na multidão, havia tristeza que olhos distantes de profundidades superficiais, não serão capazes de enxergar da aflição...
Havia um sonho...que pena, nada mais resta senão um lamento do destino por uma vida inteira vivida em vão.



2 comentários:

  1. A mão que se espera, por vezes tarda a se estender...tudo bem, afinal, ninguém necessita compreender.
    Sei, que sequer alguém há de ler ou se entreter com semelhante palhaço...longe dos picadeiros, próximo aos covis e aos vespeiros, não vejo nada além de um palmo adiante que não se pareça com um ponto, ou um traço...esperando novamente pelo destino, para que seja desenhado.
    Muito obrigado.

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    1. P.S: Perdão, se soa inócuo como meu existir...mas, sabem...é difícil persistir todos os dias, necessitando de um motivo para não desistir.

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