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segunda-feira

Uma dose de tristeza.

Um copo apenas...à espera de algo que lhe faça completo sobre a mesa...
Um algo a mais, que lhe traga sentido de ser, alguma coisa que justifique vítrea e frágil condição de sua natureza;
Um copo apenas, esperando por algo que seja encaixe perfeito, completa sua forma...
Uma dose de loucura, uma dose que arrefece...uma dose a mais para quem já não se conforma e de tudo, se esquece;
Um copo apenas...à espera de nada, à espera de complemento...
Sujeito ao chão, sujeito sem predicados que fere...estilhaços agora, causa dor, mostra cor daquilo que há por dentro;
Expressão maior de tristeza, exposta para que ninguém veja...sem par, sem lar, sem motivos para se misturar ao café que não desperta um pobre diabo, para seu mundo ideal de nobreza;
Requinte de cristal...dilema é água que sacia sede, ou esvaziar da garganta o vermelho pulsante e vital;
Uma dose a mais, um dia a menos...tanto faz, tantos copos vazios e iguais...
À espera de nada além, das bocas de maledicências que se saciam de seu conteúdo...seres pequenos, egos graúdos, destilando seus venenos;
Copo, pela metade...sobre um retrato qualquer, dilacerado daquilo que já foi saudade...
Vidas que partem, resta nada além daquilo que há de sobrar...sejam cinzas de cigarro neste copo de lamentações por meias verdades;
Metade que partiu, meio sorriso em um rosto de desgosto de alguém que um dia, sem saber de motivos para uma lástima, sorriu;
Algo real e verdadeiro, sempre esperando por sentir plenitude efêmera de ser inteiro...
Copo de embriaguez, copo meio cheio daquele vazio que restou no retrato...aquece o peito, aguardente, para se esquecer de figura singular sem sentido de ser, refletida no espelho;
Um copo apenas, à espera...de uma dose que dê sentido para as palavras que não mais fazem, companheiro para um corpo esquálido de alguém que na dança dos dias se perde, se desespera;
Era apenas um objeto a esperar...era apenas uma alma a padecer...
Era mistura quase que homogênea a completar, era somente mais um dia para se levantar, se esquecer de sonhar, lembrar de sofrer.
Absinto...pois, nada mais quero sentir, se de fato, nada mais sinto;
Uma dose a mais que completa o copo, torna um pouco mais difuso, confusa a visão de olhos que pairam sem um foco...apaga um pouco mais de um inócuo existir,
Faça nos braços do ceifeiro ninar, sobre um balcão qualquer, numa esquina de frieza por aí...
Para um copo de celebração da paz ou sucesso de alguns, se faz necessária uma dose de esquecimento sobre uma vida prestes a desistir...cansada por demais, sem motivos aparentes para prosseguir.




Um comentário:

  1. Se não faz sentido algum...novidade. Nada, parece ter feito até então...logo, sem surpresas.
    Gratidão...guardem para vossos derradeiros dias, vosso senso de falsa afeição ou suposta piedade.

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