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quinta-feira

Um pássaro, uma passagem.

Como haveria um pássaro, de cantar sua mais bela melodia sentado sobre um galho de rejeição?
Como, haveria alguém de se lembrar das coisas mais belas, de um passado de supostas glórias, quando tudo o que se sinta em um presente de lástima, seja pretensão...
Fuga, em rotas desesperadas para a ilusão?
Proezas de um eterno aprendiz, exultações que não sejam meras frivolidades, advindas de um eterno infeliz...
Uma eterna criança, sem nada saber do aconchego do berço...
Fé nas mãos, esperança que se resume e se encerra com dizeres decorados da reza de distraídos ou desesperados, quantidades contidas e precisas, de um terço;
Dormir por hoje, para ver se de fato amanhã, amanheço...
Cessar o pensamento, fechar o coração que se abre somente para se ferir...cicatriz que seja bom escudo contra um sentimento;
Ver o inverso, ver aquilo que seja resquício para se chamar por essência, mas se traduz em indecência...teste para paciência, das ligações prejudiciais de um mundo de iguais, me desconecto;
Como haveria de fazer cessar esta estranha distância que separa mundos...alguém de olhares e sonhos superficiais, pesadelos profundos;
Um mundo de magia, um mundo que girava somente para brincar com vidas que se desiludiam...
Apagar escritos, registros de alegria sobre ter sabido sobre viver em forma de poesia...no passado, na distância de além de um simples dia;
Cão de rua, por aí a perambular sem um propósito sequer para latir...
Lua sempre no céu reflete do âmago de alguém mais, apenas o parco iluminar e a eterna escuridão, esperando por um osso a mais para se entreter, roer, uma estrada para do próprio nome se esquecer e para sempre talvez, sumir;
Um dia, o pássaro regressa para seu mais belo canto entoar, novos contos sobre vôos ao longínquo outrora desconhecido, contar...
Um dia, o pássaro quiçá há de passar, suas aflições para sempre cessar...em algum lugar deixar corpo deitar, para alma libertar;
Numa alvorada suave de sol a surgir, ele já estará distante daqui...quem sabe, não seja ele o próprio sol a brilhar...
Quem sabe, estava apenas de passagem, para que ninguém notasse ou fingisse ignorar sua presença, porquanto fosse um ser distinto, indigno de trocar passos neste chão de indiferença que se sinta, por aqui?




2 comentários:

  1. Do céu que faço parte, quem sabe não sirva para algo completar, mas somente quando partir?
    Quem sabe, algo não faça sentido deveras, somente quando alguém que se sinta aprisionado, alçar vôos rumo à eternidade, para passar a fazer sentido em forma de saudades, daquilo que não se notava por aqui.

    Por: Alguém.

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  2. Uau..


    Um dia, o pássaro quiçá há de passar, suas aflições para sempre cessar...em algum lugar deixar corpo deitar, para alma libertar...

    Dispensa comentários, quando tudo e tão marcante da forma que é. Excelente, magnífico sem palavras.

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