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quinta-feira

Sentir, sem ter sentido.




Quis, num dia desses qualquer...do qual não me lembro, escrever o verso mais bonito...
Contudo, me lembrei que antes de mim alguém mais, enxergou além e já tinha em mãos o tal escrito;
Contive uma lágrima de decepção de olhos afeitos à desilusão, fiz do pedaço de papel da poesia daquele vadio...um alento para meu aflito coração;
Fiz do singelo encantador, sem sequer me dar conta, algo complexo...algo diverso daquele manifesto de felicidade, fruto de pura inspiração...
Subproduto da sublime visão, dividi com minhas palavras confusas e que tanto se repetem, um pouco mais que opinião;
Dividi, sem intuito de dilacerar, fiz sorrir, quando sentimento contido me fazia chorar;
Cada palavra ponderada, cada vírgula previamente pensada, concordâncias...nada discordava de nada!
Logo, me vi às voltas com aquele estranho pensamento de que algo, sempre faltava...
Uma peça que não se encaixava, coisa que se peça, porém somente trilhando por vias inesperadas, como boa surpresa lhe encontravam;
Quis versar sobre a vida, mas sobrevida era tudo o que tinha, tudo o que me restava...
Dizeres da fala eloquente, do suposto fidalgo bastardo...nenhum olhar cativa, por palavras assim nenhum pelo de um corpo qualquer que nem mesmo compreenda, se arrepiava...
Lembrei-me da poesia do vadio, que pelas ruas próximas de minha morada perambulava...
Recordando sobre poucos versos de lamento, que traduziam com perfeição aquilo que não é pretenso, mas era verdade em forma palavras...
Continha alma de quem ainda era capaz de sentir, não obstante sua constante embriaguez e amava;
Lembrei-me logo do vazio, de viver por entre quatro paredes...sem uma claraboia ao menos, sempre na escuridão de um quarto, uma vida que o próprio sol não iluminava;
Reconsideração...pedaços de papel rasgados, carregados de muitas palavras e nenhum sentimento, espalhados pelo chão;
Dádiva que se parece com intenso viver, arte de suportar e sobreviver...sem nada, ao menos sobre isso com propriedade saber de fato, dizer, seria deveras minha maior maldição;
Palavras...poucas bastam, muitas serão lançadas ao léu, em busca de um olhar que encontre  nestas um sentido, reunir peças em um quebra cabeças de coisas assimétricas, cacos oriundos de minha imaginação...
Se era apenas minha, que minha fosse para sempre então...fosse verdade mal escrita, fosse pretensão...
Fosse uma noite de paz ao menos, meu prêmio de consolação;
Ao tolo que permanece acordado em seu vil intento de desvendar segredos daquilo que já não sinta no peito e se chame por coração, ficam aqui estas palavras de protesto...
Fica meu legado, para ser esquecido como pretensas obras de quem muito disse sobre coisas da vida e do céu, sem jamais ter vivido...sem uma escada imaginária, para coisas deste véu que oculta seus mistérios, ter feito ascensão para ter conhecido.




Um comentário:

  1. Pedia somente por um segundo de tua atenção...se fora tudo em vão, perdão. Não era essa, de fato, minha ulterior intenção.
    Tudo...eu dizia sobre as coisas, coisas que sobre mim nada diziam simplesmente, porque não me reconheciam.

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