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sexta-feira

Rosas no céu.



Agora é tarde, tarde por demais...
Para o passo que pensa em retroceder, para o pensamento, para o olhar marejado que segue adiante...sem ter de olhar para trás;
Agora, é hora de um suposto nunca mais...ainda, que para as coisas supostamente imortais...
Cacos pelo chão, pavimentação...qualquer coisa que sirva como sustentação para aquilo que não mais se sustenta, não se satisfaz;
Estilhaços de um coração, coisas tão banais...vida há de seguir, a despeito de toda ferida aberta que sangra e faça doer, aquilo que já causava dor por demais;
Entardecer, rosas no céu de melancolia...olhar de uma criança que, com o céu sonhava, olhar de cegueira, ouvidos que da voz dos mortais duvidava e nada ouvia;
Outra criança, uma esperança...resta como alento, criança em uma noite fria ao vento, sob um céu nebuloso ao chorar por aquilo que sentia...
Sentia, um coração aflito daquele que acolhia...alvejado, detestado, fera enfurecida que para teus olhos pela primeira vez não olhavam, armadilhas perfeitas impostas pela perfídia;
Requintes de crueldade, mas agora é tarde...tarde demais, para aquela palavra, para a bandeira branca de paz que tremulava, agora suja de sangue imundo...um mundo, que não te merecia!
Tarde demais, para repetir palavras repetidas a quem escutava, mas não ouvia...para acreditar em promessas, futuro promissor que somente minhas próprias mentiras, prometia;
Adiante, é sempre o caminho...
Certeza de estar na companhia, de solidão que lhe faça mais forte, revés...má sorte, marés que lhe tragam para o alto mar, somente para lhe dar certezas de que tua sina seja a tristeza de contemplar teus sonhos a naufragar, sozinho;
Tarde demais para panos quentes, tarde demais para mãos frias que lhe juram em perjúrio, afeição...algum carinho;
Que o silêncio diga por mim aquilo que não consigo, que a sombra de um espectro de ilusão, caminhe para sempre ao meu lado, pois de todo abstrato me farto...
Preço alto a pagar, por caminhar por aí trocando passos com as incertezas, desafiando o limiar, os perigos, as profundidades da represa...por jamais, estar de fato, comigo;
Era hora de felicidade, mas agora é tarde...triste, é uma vez mais ver a rosa em tua face e ter de me contentar com os espinhos!
Prosa sem rumo, versos sem sentido...anestesia, companheiro uma vez mais é o cigarro que preenche o vazio, repousa no cinzeiro...
Para ser feliz, bastava uma escolha...para infelicidade que uma vez mais prevalece, a cegueira da fé que me fazia acreditar que paz, fazia parte dos planos do destino de um guerreiro;
Consome, meu corpo...minha alma, fração daquilo que outrora se parecia inteiro...
Consome minhas memórias nesta chama de maldição, perdoa meus pecados...de um bastardo, ajoelhado em piso frio onde muitos pisaram...cenário perfeito dentro de mim, retratos de destruição;
Segue tua intuição, mas é tarde demais...tarde demais para anistia, tarde demais para quem resistia, persistia em acreditar que havia esperança, imerso em trevas de sua própria escuridão.








Um comentário:

  1. Por que...um outono há para folhas de uma história escrita, indigna de se renovar, terá de esperar uma primavera, para nada que se parecia renovação, renascer?

    Por que será...que para uma nova história começar, tudo aquilo que somente ao ego alimenta, terá de fazer uma "rosa", agonizar e morrer?





    Por: Fernando Ordani.

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