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sexta-feira

Cólera, em uma coleira.

Um dia de inverno lá fora, um dia cinzento...sombrio, prenúncio de tormenta que chega sorrateira, é o que se sente por dentro;
O vazio que perdura por entre paredes testemunhas de meu lamento...fiéis companheiras de cimento;
Uma besta em uma coleira, um pedaço desprezível, esquecido pela vida...até mesmo pelas mãos implacáveis do ceifeiro, preterido da colheita;
Faces acima de qualquer suspeita...suspiros, sussurros, silêncio funesto, instintos primitivos se afloram, mas consciência que resta, rejeita;
Besta acorrentada, um cão a serviço do acaso, um cão...sem serventia para nada;
De uma divindade qualquer, nenhuma imagem que remete à semelhança...semente divina ou profana, criado e guiado pelas mãos do diabo, desde criança;
Mais um dia de ilusão...músculos, força para superar somente a si mesmo, força que não supera a fraqueza de um déspota, de uma conspiração;
Mais um dia...de escárnio da tua figura que se esquiva, saída pela tangente é aparente paliativo...soa como solução...
Rezando, aos céus sempre surdos para a oração de um cão, que ao menos de meu nome...outras bocas se esqueçam de fazer menção;
Se sou irrelevante assim, inócuo...ineficaz até mesmo para ser hospedeiro de parasitas, interior de mim inóspito...
Soltem as amarras, olhem em ato de ousadia...dentro de um olhar enfurecido, ausente de alma!
Libertem a besta para viver...ou deixem-na para sempre no esquecimento, para que de alguma paz possa desfrutar antes de seu derradeiro anoitecer;
Sigo, mas não consigo meus próprios passos mudar...sem a incômoda certeza de uma mão imaginária, olhares tão reais e insanos a me vigiar;
Um dia de inverno lá fora, faz frio para sempre neste cemitério de sonhos e aspirações de um passado, que agonizaram...sepultados, aqui dentro;
Deixe se desprender aquilo que não há de importar...
Se é que não representa perigo, se é figura fantasmagórica que perturba além de teus pesadelos, deixe de dizer sobre este amor que nada ensina, senão a cada dia mais te odiar...
Deixem todos os lados frente a frente, deixem nada além de marcas de presença incômoda...para sempre ausentes;
Deixem ver a cor daquilo que haja por dentro, deixem pulso, punhos cerrados...olhos nos olhos, ninguém indiferente em um derradeiro momento...
Deixem partir aquilo que não desejam por perto...pois, preço há por se pagar pela manutenção em cativeiro, daquilo que é selvagem e caminha por entre chamas sem se ferir...
Pois, com fogo, desde os primórdios fora ferido...fogo também é seu elemento para tornar cinzas, tudo aquilo que um dia quis por diversas vidas, colorir.




2 comentários:

  1. Um dia...a lona do circo onde risadas hão de se converter em gritos de terror, há de testemunhar a liberdade da fera...que fará em pedaços tudo aquilo que veja pela frente, pois tudo o que aprendera desta vida em seu cativeiro, foi nada além de suportar a dor.

    Por: eu.

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  2. O que tiver de ser será? NÃO oque tiver que ser, eu decido oque será, aquela voz não soava tal qual palavras ao vento. Ela projetava maldade, com sorrisos sórdidos... dispensar palavras quando na verdade elas falam mesmo quando não vem ao caso, desperta a fera, mas arque com as consequências se acaso as correntes se arrebentarem.

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