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sábado

Abraços etílicos. (ode à boemia)




Abraços, de braços embriagados...beijos etílicos, inimigos eternos em pose para fotos, abraçados...
Beijo, baforada de fumaça, gosto que remete à mistura de álcool e cigarros, carinho com pouco dinheiro, comprado;
Um dia, nos amamos, sob um teto de estrelas...juras das quais nos esquecemos no dia seguinte, juramos...
Num dia desses, juntos erramos...num trago a mais que matava no peito alguma amargura, segredos indevidos, aos ouvidos errados confessamos;
Abraços etílicos, amor para sempre de uma noite somente...coisas repentinas que deixam marcas indeléveis de arrependimento, deixam para depois, um filho;
Hoje te conheço, amanhã sequer de seu nome me lembro, quando amanheço...
Quando abro os olhos, lembro que deveras, te odeio!
Tua valsa me conduzia, confusão da visão, de sentidos que juras da boca pra fora, lhe faziam;
A fala que apetece, o ânimo que arrefece...de fato, toda guerra cessa, quando o soldado bebe;
Risos de criança, de uma face afeita à carranca...um suspiro, uma transpiração fétida, que um suspiro de outro alguém inspira, arranca!
Todos se convencem...havia discórdia, mas agora juntos, unidos pelo álcool sagrado em alianças profanas, todos vencem;
Num dia desses, num bar qualquer...numa noite, quando pesar por demais a dor do açoite, aceito novamente teu abraço, aceito tudo aquilo que me traga após um trago;
Aceito, mentiras renovadas, fotos que registram para a posteridade nossa falsidade, embriagada...páginas de uma história que deveriam ser arrancadas;
Sem palavras, digo ao teu olhar que acredito...se duvidar, reafirmo...um trago a mais, insisto!
O momento de ontem foi lindo, realidade hoje se assemelha à toda sorte de desgraça...
Se parece com resultado daquele "porre", uma lágrima amarga que escorre, se parece com ressaca...por favor, me traga o elixir da alegria que seja cachaça!
Morremos abraçados, agora...novamente estou ao teu lado...
Caminhando titubeantes pelas velhas ruas de antes, trocando com próprio infortúnio nossos passos...
Juro, novamente que te amo...contudo, por favor, certifique-se de me manter assim, embriagado;
Com bebida de boa qualidade, coisas que tenham originalidade...distintas deste cheiro de falsidade que sinto em sobriedade, quando estou ao teu lado.




sexta-feira

Rosas no céu.



Agora é tarde, tarde por demais...
Para o passo que pensa em retroceder, para o pensamento, para o olhar marejado que segue adiante...sem ter de olhar para trás;
Agora, é hora de um suposto nunca mais...ainda, que para as coisas supostamente imortais...
Cacos pelo chão, pavimentação...qualquer coisa que sirva como sustentação para aquilo que não mais se sustenta, não se satisfaz;
Estilhaços de um coração, coisas tão banais...vida há de seguir, a despeito de toda ferida aberta que sangra e faça doer, aquilo que já causava dor por demais;
Entardecer, rosas no céu de melancolia...olhar de uma criança que, com o céu sonhava, olhar de cegueira, ouvidos que da voz dos mortais duvidava e nada ouvia;
Outra criança, uma esperança...resta como alento, criança em uma noite fria ao vento, sob um céu nebuloso ao chorar por aquilo que sentia...
Sentia, um coração aflito daquele que acolhia...alvejado, detestado, fera enfurecida que para teus olhos pela primeira vez não olhavam, armadilhas perfeitas impostas pela perfídia;
Requintes de crueldade, mas agora é tarde...tarde demais, para aquela palavra, para a bandeira branca de paz que tremulava, agora suja de sangue imundo...um mundo, que não te merecia!
Tarde demais, para repetir palavras repetidas a quem escutava, mas não ouvia...para acreditar em promessas, futuro promissor que somente minhas próprias mentiras, prometia;
Adiante, é sempre o caminho...
Certeza de estar na companhia, de solidão que lhe faça mais forte, revés...má sorte, marés que lhe tragam para o alto mar, somente para lhe dar certezas de que tua sina seja a tristeza de contemplar teus sonhos a naufragar, sozinho;
Tarde demais para panos quentes, tarde demais para mãos frias que lhe juram em perjúrio, afeição...algum carinho;
Que o silêncio diga por mim aquilo que não consigo, que a sombra de um espectro de ilusão, caminhe para sempre ao meu lado, pois de todo abstrato me farto...
Preço alto a pagar, por caminhar por aí trocando passos com as incertezas, desafiando o limiar, os perigos, as profundidades da represa...por jamais, estar de fato, comigo;
Era hora de felicidade, mas agora é tarde...triste, é uma vez mais ver a rosa em tua face e ter de me contentar com os espinhos!
Prosa sem rumo, versos sem sentido...anestesia, companheiro uma vez mais é o cigarro que preenche o vazio, repousa no cinzeiro...
Para ser feliz, bastava uma escolha...para infelicidade que uma vez mais prevalece, a cegueira da fé que me fazia acreditar que paz, fazia parte dos planos do destino de um guerreiro;
Consome, meu corpo...minha alma, fração daquilo que outrora se parecia inteiro...
Consome minhas memórias nesta chama de maldição, perdoa meus pecados...de um bastardo, ajoelhado em piso frio onde muitos pisaram...cenário perfeito dentro de mim, retratos de destruição;
Segue tua intuição, mas é tarde demais...tarde demais para anistia, tarde demais para quem resistia, persistia em acreditar que havia esperança, imerso em trevas de sua própria escuridão.








domingo

Florescer.



Seguro, em mãos trêmulas, pequena fagulha divina personificada em forma de vida...
Seguro tudo aquilo que divide, seguro os muros que intentam em fazer repartições, evito bifurcações que sejam armadilhas do destino...ter de seguir, por distintas vias;
Ontem, era madrugada, mas o Sol nasceu em seu olhar que nos meus refletia...e afinal, o que há de ser um sol assim, minúsculo, diminuto sem teu sorriso, além de um imenso nada?
Seguro ondas, seguro marés...por tua segurança, braços fortes, leve desequilíbrio desnecessário, contra tudo e em favor somente daquilo que nos aprouver;
Mesmo traços, destinos traçados...um vazio que se completa, com tua figura angelical, reluzente nos braços marcados de um inconsequente...
Meio louco, meio inocente, vidas escolhidas não se encontram por caprichos do acaso;
Meio pai...para que seja minha filha, meio criança, ouvidos ávidos para aprender da pureza de uma criança, aquilo que sozinho não consiga;
Muros e tetos podem cair...um mundo que não se sustenta fundamentado em mentiras ao redor, pode ruir...
Saiba somente...que seu pai, este jovem envelhecido por marcas que somente o tempo e coisas que desejo que jamais entenda podem deixar, está aqui;
Segurança...para quem nunca a si mesmo soube oferecer, agora a lhe ofertar...
Soa hipócrita, assim como todo pai de primeira viagem, meio adulto, meio menino envolto com suas questões ínfimas relativas à molecagem...há de soar!
Primeira viagem, carrego tua imagem desde um sonho de outrora...carrego uma pequena jóia com valor inestimável de ímpar preciosidade;
Espero que possamos passar o tempo juntos, para passear por aí...
Espero que o tempo passe e de mim se esqueça um pouco mais, para que contigo possa deveras saber o que seja plenitude em viver e voltar a sorrir;
Ana Lara...graciosa e guerreira, desde teus primeiros passos, juras a soar como clichês aos teus ouvidos que ainda não entendem, mas teu coração compreende que será por uma vida inteira...
Onde estiver, em um canto esquecido, se uma lágrima de teu rosto rolar...faço de teu céu um azul cintilante que reflita e dissipa aflição de teu olhar, faço teu cinza, colorido;
Faço versos sem sentido, lhe entrego braços marcados por segredos que jamais a ti serão contados...
Somente saiba, que és o raio de sol que faltava para trazer de volta à vida, quem já não mais queria, és o melhor dos motivos!
É por você...meu melhor traço, minhas melhores palavras repetidas de fracasso, meu melhor sorriso;
Floresce, cresce...daquilo que não importa se esquece, pois em razão de tua natureza, todo ódio abaixa as armas e se encanta com tua beleza, de toda guerra...de guerrear, se esquece.










sexta-feira

Novos desencontros.

E então será sempre assim, pois assim...é como tudo há de se suceder...
Busca por felicidade, vida, explicação por aí...quando de fato, tudo estava ao alcance das mãos, tudo era sólido por demais para se perceber...
Tudo, se desfazia, fazia sentido por demais, para ter de sempre deixar de fazer;
A água se parecia límpida, de repente se sujou...o ar se parecia leve, subitamente tudo pesou;
Da ciência, da religião...para a cigana que lê dos olhos o desespero, estende-se uma mão...
Qualquer coisa que caiba sem servir, qualquer coisa que possa fazer tudo aquilo que destruímos e se parecia com algo próspero e bom...ter em coisas do além, alguma explicação;
Convivendo, entre mazelas de nossa própria permissividade, nossa própria omissão...
Vida, convida a sair pela noite, tomar um trago de torpor que torna mais branda a dor da ferida que ainda sangra de todo açoite...convida a se perder, para ir ao encontro de algum alento sob a luz fria da lua...
Sob um céu sem estrelas, sob nuvens carregadas, prenúncio de lágrimas do destino...por nossa precipitação;
Será sempre assim, pois reza a lenda que tudo aquilo que nasce neste chão...
Tem hora e data marcada para morrer, tem seu caminho dentre a indiferença a percorrer, até que aquilo que há de restar, seja nada além de lamentação;
Um escrito a giz...a mesma história sempre tão frágil, sendo desfeita da mesma maneira;
Chuva que lava, leva para longe do olhar...pessoas dobrando seus joelhos em ato de hipocrisia, heresias sussurradas próximas a um altar...
Até que um raio de sol novamente possa no mesmo velho horizonte despontar...somente para que sobrevenha trevas de uma noite sem fim, para uma esperança novamente se apagar;
Todos se afastam, em algo se apegam...todas as vozes falam, nada de novo por se ouvir das mentiras que não sustentam, mas carregam;
Todos, satisfeitos...tudo quase perfeito, perfeitamente feito para ser um existir sem propósito, por demais imperfeito;
Redundâncias, repetições...ora, juntos em braços e abraços, ora separados praguejando, hora para conjurações!
E então, será sempre assim...tudo aquilo que se parece com história mal contada, meias verdades, fadado estará a um triste fim;
Penso se ainda sou capaz de sentir, tentativas de sentir, se ainda sou capaz de enganar...dizendo que tudo há de dar certo, somente para alimentar que tudo tenha de novamente terminar assim...
Se é para ser, que sejam reticências...bons presságios para um futuro que não seja de desencontros dos mesmos passos que decidem as coisas por mim...
Do contrário, espero que todos sejam de fato felizes, se esqueçam de meu nome...e que este ponto, determine de forma irrevogável, de uma triste tragicomédia, o fim.





Cólera, em uma coleira.

Um dia de inverno lá fora, um dia cinzento...sombrio, prenúncio de tormenta que chega sorrateira, é o que se sente por dentro;
O vazio que perdura por entre paredes testemunhas de meu lamento...fiéis companheiras de cimento;
Uma besta em uma coleira, um pedaço desprezível, esquecido pela vida...até mesmo pelas mãos implacáveis do ceifeiro, preterido da colheita;
Faces acima de qualquer suspeita...suspiros, sussurros, silêncio funesto, instintos primitivos se afloram, mas consciência que resta, rejeita;
Besta acorrentada, um cão a serviço do acaso, um cão...sem serventia para nada;
De uma divindade qualquer, nenhuma imagem que remete à semelhança...semente divina ou profana, criado e guiado pelas mãos do diabo, desde criança;
Mais um dia de ilusão...músculos, força para superar somente a si mesmo, força que não supera a fraqueza de um déspota, de uma conspiração;
Mais um dia...de escárnio da tua figura que se esquiva, saída pela tangente é aparente paliativo...soa como solução...
Rezando, aos céus sempre surdos para a oração de um cão, que ao menos de meu nome...outras bocas se esqueçam de fazer menção;
Se sou irrelevante assim, inócuo...ineficaz até mesmo para ser hospedeiro de parasitas, interior de mim inóspito...
Soltem as amarras, olhem em ato de ousadia...dentro de um olhar enfurecido, ausente de alma!
Libertem a besta para viver...ou deixem-na para sempre no esquecimento, para que de alguma paz possa desfrutar antes de seu derradeiro anoitecer;
Sigo, mas não consigo meus próprios passos mudar...sem a incômoda certeza de uma mão imaginária, olhares tão reais e insanos a me vigiar;
Um dia de inverno lá fora, faz frio para sempre neste cemitério de sonhos e aspirações de um passado, que agonizaram...sepultados, aqui dentro;
Deixe se desprender aquilo que não há de importar...
Se é que não representa perigo, se é figura fantasmagórica que perturba além de teus pesadelos, deixe de dizer sobre este amor que nada ensina, senão a cada dia mais te odiar...
Deixem todos os lados frente a frente, deixem nada além de marcas de presença incômoda...para sempre ausentes;
Deixem ver a cor daquilo que haja por dentro, deixem pulso, punhos cerrados...olhos nos olhos, ninguém indiferente em um derradeiro momento...
Deixem partir aquilo que não desejam por perto...pois, preço há por se pagar pela manutenção em cativeiro, daquilo que é selvagem e caminha por entre chamas sem se ferir...
Pois, com fogo, desde os primórdios fora ferido...fogo também é seu elemento para tornar cinzas, tudo aquilo que um dia quis por diversas vidas, colorir.




Pelas ruas e calçadas.

Há coisas por aí, em busca de um bom motivo, ou motivo ruim que seja...para ser;
Há escassez em abundância, há fartura...há este algo que sempre falta para quantificar dos cofres de gente supostamente rica...
E paradoxalmente tão pobre, somente para ter...ter a contar, ter tempo inútil para gastar, ter algo além de figura deprimente, para enaltecer;
Há pessoas passando, algumas somente em seu passeio sem propósito que não seja passear...
Há perigo por aí, há mão armada na próxima esquina, na próxima encruzilhada...há vidas, vias que não deveriam se cruzar;
Muita gente especial...especialmente, para si mesmos, pessoas acima de todo bem e de todo mal, gente genial que jamais comete erros;
Vidas paradas, vidas para que não sejam comparadas...vidas por aí tentando se superar, vidas tentando superar outras vidas, sem saber que já estejam superadas;
Há gente despreparada para a batalha...bravatas, propostas indecorosas inesperadas advindas de um canalha...
Há pessoas plantando sementes para que sejam flores, outras afeitas ao espinho...há pessoas que seriam supostamente imagem e perfeição de algo divino, mas sempre tão falhas;
Vidas que não param para pensar, vidas que param para ser obstáculo que se proponha, se interponha somente com um propósito que seja a um sonho, assassinar;
Vidas vem e vão, algumas vidas sempre vêm em vão...outras, lhe oferecem um dedo de ajuda, para lhe cobrar pelo preço de um braço e uma mão;
Há pessoas esperando o sim, pedindo sem voz pelo não...há seres sorrateiros sempre à espreita, astúcia, sagacidade maldita sempre à espera de um ensejo, a perfeita ocasião!
Enquanto pintava os muros de teu quarto com cores diversas...se divertia com coisas de tua conversa, os ouvidos ávidos sempre atentos, do ladrão;
Cuidado com teus passos, cuidado com o chão onde pisa...com a sustentação de tuas próprias verdades, com rastros deixados...
Há pessoas por aí, por aqui...mas, não necessariamente estão ao seu lado...
Espelho reflete verdades, luz nem sempre será suficiente para dissipar resquícios de toda iniquidade;
Há pessoas por aí que se parecem perfeitas...perfeitas por demais em suas mentiras, para que deixem de se assemelhar com um sofisma, disseminando por aí a discórdia, sempre com toda autoridade!
Há pessoas livres para sonhar, sem laços que as prendam com aquilo que se parece com liberdade...gente o bastante para ser feliz e sonhar de verdade;
Que pena, que também haverá gente...perdendo seu tempo planejando contra tudo aquilo que detesta sem motivos aparentes, em laços matrimoniais com a maldade.





quinta-feira

Amores de passagem.






Por acaso, ainda resta o amor em seu estado puro...ideal, que não se pareça com obsessão?
Da própria imagem, a negação...encontro com outro desesperado, dois destinos em desatino por aí, fingindo perfeita fusão;
Hoje te amo, amanhã finjo que não te conheço...bom motivo, para as músicas de lamentações que ouço repetir de um rádio qualquer...
Boa razão para lágrimas carregadas de nada, que dos olhos caem, enquanto com afazeres comuns facilmente me esqueço e aceito, a imposição de outra jura de uma boca qualquer!
Um amor para ter, para ostentar em épocas de tanto vazio, de um mundo a girar sem propósito sabido, mundo moribundo, vadio...
Onde tudo se encontra, tudo se completa simplesmente no registro momentâneo que olhares e lentes capturam...contudo, nada resta ou presta para eternamente ser;
Pureza de estar, estrelas que sejam vidas boas o suficiente para uma noite somente iluminar...
Uma supernova, tudo se renova no vindouro amanhecer...hoje, te amo com minhas palavras, amanhã meus sentimentos confusos como minhas convicções, me compelem e te esquecer;
Amor plenitude...desesperados em perfeito enlace, laços que roubam vida, subtraem, traindo além das juras...deslealdade unida somente para deixar feridas;
Algo para acreditar, algo para querer...para mostrar;
Algo, para deixar de crer que para si mesmo não se basta, alguém para construir pontes...para com outra pessoa amanhã, fazer a travessia e do paraíso temporário, desfrutar;
Outros destinos, outras mãos...sempre a esperar...
Um minuto de atenção, que imersos quase que completamente no ego, perdidos, cegos...seres por aí sem motivo para ser, ofertando-lhe algo que sabedoria peça para recusar;
Se a ti mesmo não satisfaz, a outro não apraz...
Se, for para ser somente por uma noite e nada mais...que não deixe dúvidas, que não deixe registros que não sejam digitais!
Amor, em estado puro, transpõe o muro das frivolidades de adultos imaturos em desejo pela lascívia, corpos ardendo em desejo por coisas carnais, banais...
Sinto muito, mas se isso de fato seja sinônimo de algo sentir em tempos atuais...prefiro voltar a sentir este "amor", em um tempo chamado por jamais.








Um pássaro, uma passagem.

Como haveria um pássaro, de cantar sua mais bela melodia sentado sobre um galho de rejeição?
Como, haveria alguém de se lembrar das coisas mais belas, de um passado de supostas glórias, quando tudo o que se sinta em um presente de lástima, seja pretensão...
Fuga, em rotas desesperadas para a ilusão?
Proezas de um eterno aprendiz, exultações que não sejam meras frivolidades, advindas de um eterno infeliz...
Uma eterna criança, sem nada saber do aconchego do berço...
Fé nas mãos, esperança que se resume e se encerra com dizeres decorados da reza de distraídos ou desesperados, quantidades contidas e precisas, de um terço;
Dormir por hoje, para ver se de fato amanhã, amanheço...
Cessar o pensamento, fechar o coração que se abre somente para se ferir...cicatriz que seja bom escudo contra um sentimento;
Ver o inverso, ver aquilo que seja resquício para se chamar por essência, mas se traduz em indecência...teste para paciência, das ligações prejudiciais de um mundo de iguais, me desconecto;
Como haveria de fazer cessar esta estranha distância que separa mundos...alguém de olhares e sonhos superficiais, pesadelos profundos;
Um mundo de magia, um mundo que girava somente para brincar com vidas que se desiludiam...
Apagar escritos, registros de alegria sobre ter sabido sobre viver em forma de poesia...no passado, na distância de além de um simples dia;
Cão de rua, por aí a perambular sem um propósito sequer para latir...
Lua sempre no céu reflete do âmago de alguém mais, apenas o parco iluminar e a eterna escuridão, esperando por um osso a mais para se entreter, roer, uma estrada para do próprio nome se esquecer e para sempre talvez, sumir;
Um dia, o pássaro regressa para seu mais belo canto entoar, novos contos sobre vôos ao longínquo outrora desconhecido, contar...
Um dia, o pássaro quiçá há de passar, suas aflições para sempre cessar...em algum lugar deixar corpo deitar, para alma libertar;
Numa alvorada suave de sol a surgir, ele já estará distante daqui...quem sabe, não seja ele o próprio sol a brilhar...
Quem sabe, estava apenas de passagem, para que ninguém notasse ou fingisse ignorar sua presença, porquanto fosse um ser distinto, indigno de trocar passos neste chão de indiferença que se sinta, por aqui?




Sentir, sem ter sentido.




Quis, num dia desses qualquer...do qual não me lembro, escrever o verso mais bonito...
Contudo, me lembrei que antes de mim alguém mais, enxergou além e já tinha em mãos o tal escrito;
Contive uma lágrima de decepção de olhos afeitos à desilusão, fiz do pedaço de papel da poesia daquele vadio...um alento para meu aflito coração;
Fiz do singelo encantador, sem sequer me dar conta, algo complexo...algo diverso daquele manifesto de felicidade, fruto de pura inspiração...
Subproduto da sublime visão, dividi com minhas palavras confusas e que tanto se repetem, um pouco mais que opinião;
Dividi, sem intuito de dilacerar, fiz sorrir, quando sentimento contido me fazia chorar;
Cada palavra ponderada, cada vírgula previamente pensada, concordâncias...nada discordava de nada!
Logo, me vi às voltas com aquele estranho pensamento de que algo, sempre faltava...
Uma peça que não se encaixava, coisa que se peça, porém somente trilhando por vias inesperadas, como boa surpresa lhe encontravam;
Quis versar sobre a vida, mas sobrevida era tudo o que tinha, tudo o que me restava...
Dizeres da fala eloquente, do suposto fidalgo bastardo...nenhum olhar cativa, por palavras assim nenhum pelo de um corpo qualquer que nem mesmo compreenda, se arrepiava...
Lembrei-me da poesia do vadio, que pelas ruas próximas de minha morada perambulava...
Recordando sobre poucos versos de lamento, que traduziam com perfeição aquilo que não é pretenso, mas era verdade em forma palavras...
Continha alma de quem ainda era capaz de sentir, não obstante sua constante embriaguez e amava;
Lembrei-me logo do vazio, de viver por entre quatro paredes...sem uma claraboia ao menos, sempre na escuridão de um quarto, uma vida que o próprio sol não iluminava;
Reconsideração...pedaços de papel rasgados, carregados de muitas palavras e nenhum sentimento, espalhados pelo chão;
Dádiva que se parece com intenso viver, arte de suportar e sobreviver...sem nada, ao menos sobre isso com propriedade saber de fato, dizer, seria deveras minha maior maldição;
Palavras...poucas bastam, muitas serão lançadas ao léu, em busca de um olhar que encontre  nestas um sentido, reunir peças em um quebra cabeças de coisas assimétricas, cacos oriundos de minha imaginação...
Se era apenas minha, que minha fosse para sempre então...fosse verdade mal escrita, fosse pretensão...
Fosse uma noite de paz ao menos, meu prêmio de consolação;
Ao tolo que permanece acordado em seu vil intento de desvendar segredos daquilo que já não sinta no peito e se chame por coração, ficam aqui estas palavras de protesto...
Fica meu legado, para ser esquecido como pretensas obras de quem muito disse sobre coisas da vida e do céu, sem jamais ter vivido...sem uma escada imaginária, para coisas deste véu que oculta seus mistérios, ter feito ascensão para ter conhecido.




terça-feira

Segue a cena!

Aquilo que traz, se oculta por detrás...panos quentes que envolvem, encobrem planos de imperfeição da avidez do voraz...
Aquilo que traz...mãos, que às tuas se entendem, contudo somente sobre suas complexidades superficiais compreendem, aquilo que se oculta por detrás de um olhar do suposto sagaz;
Servos subservientes, singulares a falar por muita gente...à primeira pessoa pretensa, que pensa saber sobre tudo aquilo que a terceira pensa, o direito à voz ao mordaz;
Pequenos em suas vestimentas de gente grande, alma pequena afeita às pequenas coisas...egos, gigantes;
Mesmas cenas, obscenas...indecência que se repita do mesmo protagonista acima de qualquer suspeita, gente cheia de respeito, que aos demais jamais respeita;
O mesmo cenário desenhado, perfeito para quem se satisfaz com um conflito, exulta a voz que exorta, impõe, modifica, manda embora, diz quem fica...
Dança insana das cadeiras, se apossa da razão, metralhadora de desilusão sem se importar com o alvo da vez que fira;
Inferências inoportunas, oportunismo sempre à escuta, idéias que não deixam dormir...face eternamente aflita;
Magnitude...grandezas diante da ótica de quem nada vê, comanda hordas, queima com lentes de aumento, soldados de plástico sob um sol causticante, sob a chuva que cai...
Quase tudo, quase sempre se vai...a fala que se trai...
Não se arrepende, quem vive desde os primórdios para ensinar, nada aprende e sem novas rotas que não sejam para colidir, mundo afora sempre sai;
Transpõe muros, passa dos limites...incólume remanescente de um circo itinerante, sempre alerta esteja, não titubeia...não ceda voz, emudeça, observe, solidifique!
Rolam os dados mais uma vez...cuidado, deste jogo neste tabuleiro levemente inclinado, inclina-se toda opinião que segue aos cegos, condena ao suplício quem nada fez;
Metralhadoras serão sempre cegas, armas...ou, coisas armadas, para seu existir sempre necessitam de guerras!
Tudo, em nada se converte, suposto inimigo cai por terra...perfídia armada se diverte;
Tudo isso se parece deja vú, se parece permissividade, se parece com hospício...mas, nada há de importar, aperte o "play", deixe a cena novamente rolar...
Afinal, interromper o "show" de quem necessita de aplausos, será sempre um desperdício!




segunda-feira

Uma dose de tristeza.

Um copo apenas...à espera de algo que lhe faça completo sobre a mesa...
Um algo a mais, que lhe traga sentido de ser, alguma coisa que justifique vítrea e frágil condição de sua natureza;
Um copo apenas, esperando por algo que seja encaixe perfeito, completa sua forma...
Uma dose de loucura, uma dose que arrefece...uma dose a mais para quem já não se conforma e de tudo, se esquece;
Um copo apenas...à espera de nada, à espera de complemento...
Sujeito ao chão, sujeito sem predicados que fere...estilhaços agora, causa dor, mostra cor daquilo que há por dentro;
Expressão maior de tristeza, exposta para que ninguém veja...sem par, sem lar, sem motivos para se misturar ao café que não desperta um pobre diabo, para seu mundo ideal de nobreza;
Requinte de cristal...dilema é água que sacia sede, ou esvaziar da garganta o vermelho pulsante e vital;
Uma dose a mais, um dia a menos...tanto faz, tantos copos vazios e iguais...
À espera de nada além, das bocas de maledicências que se saciam de seu conteúdo...seres pequenos, egos graúdos, destilando seus venenos;
Copo, pela metade...sobre um retrato qualquer, dilacerado daquilo que já foi saudade...
Vidas que partem, resta nada além daquilo que há de sobrar...sejam cinzas de cigarro neste copo de lamentações por meias verdades;
Metade que partiu, meio sorriso em um rosto de desgosto de alguém que um dia, sem saber de motivos para uma lástima, sorriu;
Algo real e verdadeiro, sempre esperando por sentir plenitude efêmera de ser inteiro...
Copo de embriaguez, copo meio cheio daquele vazio que restou no retrato...aquece o peito, aguardente, para se esquecer de figura singular sem sentido de ser, refletida no espelho;
Um copo apenas, à espera...de uma dose que dê sentido para as palavras que não mais fazem, companheiro para um corpo esquálido de alguém que na dança dos dias se perde, se desespera;
Era apenas um objeto a esperar...era apenas uma alma a padecer...
Era mistura quase que homogênea a completar, era somente mais um dia para se levantar, se esquecer de sonhar, lembrar de sofrer.
Absinto...pois, nada mais quero sentir, se de fato, nada mais sinto;
Uma dose a mais que completa o copo, torna um pouco mais difuso, confusa a visão de olhos que pairam sem um foco...apaga um pouco mais de um inócuo existir,
Faça nos braços do ceifeiro ninar, sobre um balcão qualquer, numa esquina de frieza por aí...
Para um copo de celebração da paz ou sucesso de alguns, se faz necessária uma dose de esquecimento sobre uma vida prestes a desistir...cansada por demais, sem motivos aparentes para prosseguir.




domingo

Apenas, nada.




Apenas ecos de minha própria voz, apenas a compaixão que há de sentir a tirania do algoz...
Apenas uma visão de cegueira, apenas desespero que faça queimar, submeter ao gelo...submissão ante ao imperativo atroz;
Visão embaçada, tradução de peito embargado...apenas dois mundos que não se encontram em um rosto, a banhar-se em lágrimas;
Vento pesa mais que um existir qualquer, vida precificada...mãos em liberdade, atadas...um lamento, um momento de lástima;
Tudo paira e parece pesar, tudo se parece com pesadelo vívido, visão nítida daquilo que não queira se ver,viver ao acordar...
Apenas, nada...somente uma presença de ausência sem alma, em alguma esquina esquecida como a própria vida, por algum interesse indecente de segundos, lembrada;
Apenas poeira ao vento, apenas sedimento...apenas, um grão de areia do mar segredado, guardando segredos...
Somente mais um dia revivendo aquilo que já não mais queria, apenas mais um dia de vazio que se traduza do olhar, coisas escapando por entre os dedos;
Somente as esperanças...perdendo espaço para os medos!
Uma peça a mais que traga sentido, um pedaço a menos daquilo que se pareça remendo, arremedo de algo humano, em um canto qualquer esquecido;
Tudo cumpre seu papel...outros, peças fora de um tabuleiro de insanidades, se recusam a jogar...
A vigilância, sem saber o porquê a vigiar...o operário a operar, o louco, ciente de seus anseios a correr em direção daquilo que somente se possa sonhar;
Apenas um desfiladeiro, pessoas e carros passando...pois, tudo há de passar contra o tempo, em favor da pressa, sem reparar...
Que havia um minuto para ceder sem nada perder, que havia uma palavra que a uma vida, poderia salvar...
Tudo espera para ser notícia, tudo faz parte de um plano estranho de coisas que me recuso em acreditar;
Tudo espera para ser infortúnio, para da alegria de outrora se lembrar...
Tudo, se converte facilmente em nada...e, nada, nada tem a perder senão tempo que gasta exposto ao léu, simplesmente à procura por um bom motivo para não apagar;
A dívida, a dúvida, as regras, a luta infundada não era sua, porém parece ser teu, o preço por tudo isso a pagar.



Vidas viciadas.

Hoje te quero, amanhã...não me serve...
Escravizo com metal, com papéis que tua vida compra, nós que te prendam e te faça a nós, pertencer...tuas palavras, pondere;
Pode ser que "eu" não goste, pode ser que os fatos que traz...meu ego ferido, minha alma pequena, fere;
A circunstância perfeita, o ensejo, a ocasião...sutil, sorrateiro ladrão que se aproxima com face de anjo decaído, lhe imponha nada além de prisão...
Se for para ser...que algo seja, por alguma boa motivação;
Se for pra ceder, que seja oriundo não do orgulho, mas do coração;
Hoje, pouco mais que da minha essência pérfida, quase que humana lhe entreguei tesouro de pouco valor, perecível, paliativo que lhe serve...
Amanhã, lembre-se de nosso pacto, acordo com o qual não concordou por não saber, sobre este muito mais que me deve...
Minhas palavras têm peso de fumaça, meu caráter é deformado...coisa disforme que se molda em concordância com o oportunismo, que hei de negar em minhas bravatas;
Do português que falo, pouco conheço...tudo presumo, tudo em minha fala sucinta se resume e se encerra com vocábulos, que desconheço;
Pontos...peremptório, intransigente, intransitivo...bom demais para necessitar de complemento, me satisfaço todos nos desencontros com o espelho que rejeito, mas encontro em ti um bom motivo...
Para ser um amigo...um vampiro, um revólver em tua cabeça, faço tua morada agora em "Estocolmo", seja sempre cortês comigo!
Pois, assim sou contigo...desde que permaneça em silêncio, desde que aceite meu açoite, meus gracejos sem graça, minha ladainha que faça sangrar aos ouvidos;
Um mantra para acalmar o inferno que arde em meu âmago, um soco que não se sinta sem contato...sem ar, sem chão, sem nada do tudo de outrora, sutil soco em teu estômago;
Sou vida a preço fixo...venda nos olhos, à venda...sou astúcia e cultura também, pois das minhas estantes de angústias e frustrações, as traças devoram livros..
Que não me livram da condição de crápula, que não libertam...pois, vendida há tempos também, está minha própria alma...
Minha fala te acalma...a adaga da figura lhe fere...
Meu jeito dócil de ser assim infeliz e disseminar infelicidade para além dos muros de submundos pelos quais caminho, te enlouquecem;
Faça o que eu digo, não julgue meus atos...simplesmente, por ser incapaz de limpar com maestria este escarro, velada forma de escárnio...sujeira de teus pratos;
Minha vida não faz sentido, que a sua também não faça...se algo der errado em "nosso" plano perfeito que tracei com esmero por nós, lembra-te que responsabilidade é toda tua por nossa desgraça.






Novidade e renovação.

Todo dia, será um novo dia para se surpreender...
Um novo dia para aprender, para quem se esquece de ser dono da razão para sempre ter de ensinar, um novo dia...para algo de novo, ter;
Todos os dias serão iguais, para quem seja afeito às igualdades, para toda personificação daquilo que se julga perfeito...nada tenha a questionar, acerca de suas mentiras inabaláveis;
Toda comparação, toda necessidade de vidas sedentas...sedentárias, que esperam dos céus uma solução, sem sequer uma semente plantar neste chão...
Tudo cai por terra, de quase tudo o tempo se encarrega, o vento leva...somente saudades daquilo que não fora vida vivida em vão;
Todo dia, dia de santos ateus que não impedem a guerra...todos os dias, a sabedoria evita o olhar de quem lhe deseja a paz que não tenha, as mãos de unhas afiadas da fera;
Toda a ignorância facilmente se entretém...pensa sobre contar com eternidades, coisas fugazes, tudo o que seja quantificável e que supostamente, perdura ao permear os muros do além;
Todos os dias, uma chance para mudar...uma chance para se levantar sem despertar;
Uma oportunidade...um sistema frágil de complexidade questionável para dominar, uma vida e convicções que jamais foram suas, coisas além de alma para entregar;
Uma chance a mais para não se importar...uma chance de seguir, de cegar...
Fazer projeção de frustração...inépcia para assumir os controles, cabeças pensantes imersas nas impossibilidade que lhes imponha o egoísmo, a ilusão;
Todo dia, um raio de sol...uma nuvem cinzenta, para pessoas que passam sem vontade, para gente que suporta aquilo que já não mais aguenta;
Uma chance a mais de cair na velha armadilha...uma escolha precisa, que livra tua face, teu corpo, tua alma, daquilo que já não mais lhe caiba, não necessita;
Todo dia, um dia para entrar na dança dos normais...devorar sonhos fazendo genuflexão, aos céus a oração, no chão a hipocrisia impera desde os limites que lhe imponham a audição;
Todos os dias...celebração por uma vida salva daquilo que não queria, canibais em suas tribos vendendo caro, sua solução;
Um dia algo há de mudar, um dia desses quiçá...rompendo os elos da prisão, quebrando o gelo do peito, encontro de olhares não será desencontro por ausência de alma, coração.



sábado

O legado de um louco.

Fui apenas um galho, quebrei alguns...fui, a dose certa ou precisamente errado, no momento necessário;
Fui um cara comum, um qualquer por aí sem rumos previamente traçados...
Algum tentando ser alguém, se passando por palhaço com pulsos cortados;
Pela morte somente, fui cortejado...por pessoas e pela sorte esquecido, pela própria vida sepultado;
Minhas pretensões eram grandes, mas meus passos se perdiam distantes da visão que me atraía...me faziam para, na primeira esquina;
Fui mentira sincera, fui lealdade para alguém...fui desleal comigo;
Fui verdade inoportuna que perturba, fui andarilho, figura desinteressante a caminhar perdido por entre feras;
Um dia no passado, criança, jovem para acender velas e incensos por bons presságios...por esperança;
Fui o cúmulo de informações altamente descartáveis como minha própria presença...jamais fora algo para mim, mas sempre bom o bastante para ter de exercitar paciência;
Vidraça, gato arisco com seus cortes que qualquer causa abraça...fui alegria, fui desgraça;
Objeto indireto, preposição...algo adverso, voz pouco ativa da oração, diversidades dentre de um singular...traição, para toda visão;
Soltando pipas coloridas por aí em lugares onde impera a cegueira, a inveja que critica sem nada fazer...fui objeto, descartável o bastante para ser algo certo de troça;
De um alguém, porém...espero ter algum respeito, ademais afirmo que nada mais importa...
Alguém que bate à porta, espera para nascer, florescer quando um outro alguém adormecer...alguém, bom o bastante para ser árvore frondosa;
Conte-me fora, porém conte por nós...com palavras melhores que as minhas, tua própria história;
Produzindo sombra para alguém, goze de sobriedade, preserva tua seiva...imprescindível para tua vitória;
Não conte-me nada, pois de onde estarei...se uma lágrima molhar as teclas, ou o papel de teus primeiros rabiscos, olhe para o céu, pois lá estarei...
Faça a mais linda poesia, seja leve como o vento, saiba que a vida e pessoas serão estranhas...aprenda a ser um pouco fria;
Termine aquilo que jamais comecei, não hesite ou titubeie sobre os mesmo passos por onde errei...deixo aqui uma carta em forma de poema estranho, somente para pedir perdão e dizer que nada sei, que não suportei;
Faça, aquilo que quiser...mas, sem jamais esquecer quem seja você...
Faça com sentidos mais apurados, mente menos perturbada...que a deste cara, que somente sabe repetir as mesmas palavras que fazem ênfase sobre tudo o que nada sei.


Nas linhas do destino.




Já falei em verso, em prosa...da flor que floresce, da rosa que desabrocha, dessa gente que se esquece...
Algo já foi dito sobre o fogo que se acende, mas não aquece...em poucas palavras que não serão minhas, um algo a mais que a eternidade, merece;
Do dia que não amanhece, do dissabor que não mais apetece, do nada que resiste em nada persistir a ser...esperando comigo, somente para ver o que acontece;
Sobre o sol que não nasce para todos, mas tão somente quando você sorria...
Sobre noites escuras, véu que ocultava a face macabra...do olhar angelical, de onde alguma maldade meus olhos não viam;
Após a perda do encanto, após o desencanto com a própria glória...
Após tanto tempo perdido imerso em um mundo de mentiras, de algum lugar distante deste frio onde nada se sinta...o que há de restar, agora?
Gélido toque que congela os ossos, aos ânimos arrefece...cálido beijo de sereia traiçoeira, distante da segurança da areia, do mar que desconheço e seus perigos...
Profundezas que sufocam e tiram uma chance de viver, de tudo aquilo que apenas por um pouco mais de ar pede...
Já foi escrito, sobre estar solto entre feras...entre paredes de concreto, sol e luar para inspirar...sol e luar, apenas para não se notar e ser uma mancha amarela;
Da escuridão nada se espera, senão redenção, derradeira dor lacerante que desata a doer no peito e da carne, um homem para a eternidade liberta;
Nada resta agora, senão um tempo estranho e cinzento lá fora...um olhar seco e opaco, sem vivacidade de alma que não mais por seus próprio lamentos, chora;
Aqui dentro, aquele algo de outrora já não é tenso há tempos...é questão resolvida, é dívida paga, amarras de prejuízo rompidas;
Todavia, nada se parece com aquilo que eu queria...ainda há cores para pintar o dia...
Ainda há flores, por se notar em cúmulo de sua audácia, resistindo ao cimento do opressor que lhes feria;
Ainda há letras...ainda há palavras, se algo faltava, agora ainda mais faz falta;
Há sentidos tentando fazer...há sentidos para entorpecer e adormecer, há ressentidos para seguir adiante, fingindo se esquecer...
Num dia desses qualquer, mas que não seja qualquer este dia...algo de novo, há de surgir para deixar morrer e ressurreição, em ciclos de evolução deixar acontecer.



Não siga o seguidor.














Amigos virtuais, os inimigos mais mortais que desconheço...
Feras atrozes, ávidas, sedentas por sangue, ferozes...livres, para que estejam soltas em um plano perfeito;
De um espelho qualquer, de um olhar que se possa confrontar, fitar...ainda, dúvidas irão restar...
Sobre ser, sobre estar...sobretudo, acerca de quem se oculta por detrás de máscaras e maquiagens, Maquiavel a lhe observar;
Eu, traiçoeiro de mim...pessoas soltas na rua, pintadas para a posteridade na tela...
Pessoas aparentemente comuns, que passam sem se importar, tomam de assalto sem permissão para se apossar, lindas...encarceradas numa cela!
Covil de víboras, antro de perfídia...tudo o que é voz escrita, o silêncio pede para silenciar...
Tudo aquilo que ainda seja sobrevida em perigo...serve de bom entretenimento, para toda falsidade que jura, com algo além do ego se importar;
Vidas, para cuidar, porém vidas serão somente um número a mais ou a menos...brincadeiras de gente crescida, seres rasteiros...pequenos!
Destilam seu veneno, presumem do primeiro parágrafo, da primeira palavra...toda a verdade;
Acendem fogueiras para ferir, tribos para segregar com a suposta premissa de "juntos" evoluir...toda falácia que disfarça os verdadeiros intentos da vaidade;
Um dia desses, pode ser mentira...contudo, neste plano perfeito de seres extraordinários, nada soa verossímil, ou verdadeiro o bastante para ser aceito por mãos acolhedoras de piedade;
Mãos que escolhem, mãos que separam, terceira pessoa do plural...faces desconhecidas ditando as regras, estabelecendo as metas por detrás de uma tela, ao subserviente boçal;
Uma voz distante, em desespero gritou...o humano e seus sentidos apurados que nem sempre lhe enganam, acordou...
Uma vida, naquela noite traiçoeira de perigos, um amigo verdadeiro somente para salvar, bastou;
Pobre do eremita, pobre do recluso rejeitado por uma sociedade sólida, sórdida, edificada sobre bases firmes de mentiras;
Espero que um dia não precise, espero que um dia...as "tribos" não lhe encontre, para que jamais destas necessite...
Afirmo com veemência, que somente servem para testar algo além de paciência e instintos primitivos...logo, evite;
Tenha um número em sua agenda, cultive uma vida que da tua, por vezes com algum carinho desinteressado se lembra...pois, do contrário, está fadado a morrer, acredite!





sexta-feira

Encontros e desencontros.

Cantando velhas canções sobre mudança...quando nada de fato muda, que não seja a direção dos ventos;
Espalhando a palavra para um futuro, de pessoas ausentes de alma e corações duros...perdendo um pouco mais de seu tempo;
Vendo o vagabundo passar sem deixar de notar...que distância entre perdição, ou liberdade, seja um portão que separa, linha tênue que separa iguais em desigualdades;
Não me recordo onde vendi minha alma, mas me lembro diariamente do preço a pagar...
Quando alguém tenta seguir adiante e se esquecer, como há de se fazer...destino ingrato, bate à porta, credor inesperado a lhe cobrar;
A voz que lhe encoraja, desistiu sem ao menos tentar...
O olhar que não se importa, lhe abraça com ternura e juras sobre lhe amar...
Quando, em um passado de feridas abertas que ainda sangra e não deixa o tempo passar, lhe prendia aos grilhões das vaidades de quem melhor saiba dissimular;
Cantando canções sobre esperança, quando nada resta por se esperar;
Somente para fazer o tempo passar, somente para um fim iminente que se possa em visão perturbadora enxergar, fazer acelerar;
Das profundezas do mesmo mar traiçoeiro que nos fez sucumbir...ouço ainda o canto da sereia, divindade tão profana, insinua, engana...
Lança sua magia, faz promessas para além de um dia, oculta um sorriso de troça por outra vida perdida ao se iludir;
Na mesma língua que falamos, há o hiato que traduz as cidades fantasmas que sejam nossas almas e faz dividir...
Na mesma língua...alguns seguem, muitos sucedem, outros...malfadados que sejam desde o berço, destinados ao corte doloroso que mostra sangue barato, um brinde aos nobres de espírito a sorrir;
Nas mesmas ruas, nos encontramos sem nos reconhecer por aí...
Quem sabe, num dia desses uma ponte não faça universos paralelos, trajetórias distintas, unir...
Quem sabe, num dia desses, desta mesma ponte não se dependure um louco em seu último ato de sua pantomima já decorada...
Contudo, com um final que possa surpreender uma multidão que se aglomera para lamentar sobre aquilo que se esquecem...tragédia não anunciada!
Porquanto, ainda seja um canto, em seu canto quase emudecido e esquecido...sem pretensão de impressionar, mas tão somente de desistir e sumir?



Vira-latas.

Isso tudo, ou nada disso emana da alma...se alguma suposta essência...
Se por acaso se parece com coisa sem sentido, com ofensa...perdão, somente peço paciência;
Não sei de fato quem sou, o porquê de persistir...restar, como algo que não serviu, não fora bom o bastante e do jogo, foi peça descartável que sobrou;
Sei, que o tempo para ser tempo já passou...a palavra certa, na espera eterna ficou...
Sei, que nada sou além de algo que desconheço...sei que nada sei, pouco além sobre ilusão de recomeço...
Entretanto, não estou bem certo se é de fato perecer sob a poeira do ostracismo completo, o destino que mereço;
Por vidas, corri os riscos...em minha loucura de vocabulário pobre de um vagabundo, em versos quebrados e singelos, um dia fui capaz de arrancar lágrimas ou sorrisos;
Perdão, ilustre senhor ou senhora que nada tenha com isso...mas, para tudo que venha a fluir de um coração ferido, haverá decerto algum dano inesperado, prejuízo...
Orgulho...idiota, que todo boçal há de ter por em sua própria originalidade, quando duvida de suas próprias verdades, ser;
Palavras foram exposição de idéias desconexas, porém com a profundidade que há de ter uma alma, um corpo esquálido que resiste à sua própria sina de maldição;
Gostaria somente de um dia, poder entender...ou como os demais fingir não se importar, fingir não saber...ostentar um semblante austero de suposto senhor de toda razão;
Gostaria de compreender, a conjuração...o mal que atinge tua morada, daqueles que pouco se importam, a lógica de ver nada além de sua retaguarda;
Creio, que tuas palavras possam encantar mais que as minhas...no entanto, teus pecados podem ser iguais aos meus...
Algumas coisas que sejam vidraça e se estilhaçam à luz do dia, crimes ocultos que não se vejam em razão de um céu que escureceu;
Perdão, pelas súplicas infundadas de quem seja humano por demais e jovem o suficiente...para se revoltar e estar ciente, de que muito além de seus limites cedeu e nada em troca, recebeu;
Perdido estou, num lugar qualquer por aí onde ninguém encontra...porque sequer procurou;
Palavras nada serão além de palavras, se não se encaixam diante dos olhos de rejeição, que prontamente e sem hesitar, as rejeitou.