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quinta-feira

Deixa, para deixar de ser.

Algo se perdeu por aí, alma e corpo que padeciam muito antes que teu olhar pudesse ver...
Coisas diante de seus olhos, diante da cegueira que persiste em recusar, insiste em reviver;
Nada foi ganho, nada é o que nos fora dado, neste estranho rolar de dados de um destino predestinado, nada por se perder;
Água que fervia, há muito antes de toda calma, moléculas se agitavam, alma gritava...antes de um ponto perigoso que transformava em vapor, tudo aquilo que costumávamos conhecer...
Não se importe, siga em frente, enfrente o dia como ele possa se parecer...
Não ligue, pra quem não retorna...sofre o dano que somente abre mais feridas e se ilude, enquanto se transforma...
Não se importe, se na incerteza que traz todo amanhã, de uma presença pálida que pouco possa se sentir, ausência eterna deixar de perceber;
Da fala, nada há de importar de fato, senão aquilo que já se esteja preparado para ouvir...
Ademais, será apenas escutar, além disso, será somente se esquecer...contudo saber, que há preço a pagar, passado de coisas supostamente relevantes para se apagar e simplesmente seguir;
Quando jurei coisas em minha embriaguez...conjurei em perjúrio, os demônios que em mim habitam e jamais venci...
Quando jurei sem olhar aos teus olhos, com pouca lucidez...era desespero que se apegava em qualquer algo que fizesse algum sentido em resistir;
Do destino que destrói, da ferida que ainda dói....segredos que somente à madeira de meu derradeiro dissabor, confessarei...
Das coisas que afirmo com propriedade de quem tenha alguma certeza, sequer sobre estas, sobretudo hei de afirmar que ainda com mais dúvidas, restei;
Siga outro caminho, inventa outro destino...
Nesta impassível forma de desatino, deixa aquilo que resta somente para se lembrar que vida partiu há tempos...quando um olhar de assassino, flertava com o nada distraído ;
Deixa o sol que nunca saiu, escurecer...deixa a lua tão fria para nós, testemunha deste imenso nada, com sua frieza para aos demais encantar, com sua escuridão para que eu possa me esconder...
Soltar meus passos por aí, exercício ineficaz e infeliz...será diariamente para si mesmo ter de mentir...
Sorria, pois aí vem um novo dia...para repetir as coisas de ontem que sentido já não faziam, para rever faces que não queria, para acordar e ter hora novamente, para adormecer;
Deixa fugir aquilo que não compensa manter, deixe luz acesa para de algo talvez se lembrar...deixe agonizar, aquilo que não mereça algo, senão o inalienável direito de se deitar para morrer.






quarta-feira

"Desencapetamento" completo!


Cuidado com o que diz, não questione os obreiros da santa obra...
Não questione o valor, que um charlatão travestido de pastor, lhe cobra!
Não duvide do devorador...da praga que lhe rogam por aí, das coisas que lhe falam por aqui, não duvide da palavra!
De um astuto canalha, aliciador de corpos e almas desesperadas, que tudo entregam, por não terem nada...
Não se brinca com coisa séria assim...mas, sobre seriedade de fato...
Mentes alienadas,  pessoas de bem, e bem "remuneradas"...repudiam com escárnio, verdades absurdas inquestionáveis, dos fatos irrefutáveis, dão risada;
Tua sorte é além da morte, um pouco mais de diabo em meu discurso que amedronta a ignorância, não há de ser nada...
Diabos que se retiram e se colocam, cura aos poucos para teus males em doses homeopáticas;
Entregue as chaves de tua casa, pois no céu que te prometo, mas não conheço...há de ser muito mais  luxuosa e aconchegante a tua morada!
Num dia desses, numa esquina qualquer que não me lembro...pois, de qualquer coisa não há de se lembrar...
Recordo-me dos dizeres que assustavam minha alma, culminaram sem querer em uma gargalhada, zombavam de minha visão e de outras diversas, dispersas que não se dispunham a pensar...
Sobre o quão bom seja se fortalecer em sua fé, coisa tão particular...sobretudo, acerca do quão melhor seja, quando a fé de quem professa e precifique, lhe faça cair de joelhos e por isso ter de pagar! 
Alinhamento, balanceamento...senhores em alto verão, ainda me lembro...a suar ;
Prontos para o dia do "desencapetamento", no coletivo, filas indianas de pessoas possuídas por um sistema de mentes destruidoras, devoradores de mentes destruídas, tudo pronto para mentir...
Todos, prontos para se enganar!
Em meu discurso eu te ganho, pois da "Palavra" que uso em meu favor, em um país fiel à toda sorte de resignação, carente de algum alento, por além de um breve momento ninguém há de questionar!
Sai, sai, sai....desse corpo que não lhe pertence, entregue tudo, entregue livros, entregue tudo o que liberta e aceita as correntes de oração que lhe prendem;
Uma coisa é certa...daqui ninguém sai vivo e volta para dizer se realmente valeu a pena, ou se no inferno, os mesmos senhores de terno prepotentes...
Diante do próprio satanás a penar por seus pecados, serão assim tão intrépidos, estúpidos, valentes!
O discurso do astuto, sinto muito amigo, mas na escola da vida já aprendi de cor...por aí, sobre o diabo que fala, já vi coisa pior...
Quem sabe um dia desses também, em uma "conversão" qualquer, não mudo minhas roupas, vendo meus olhos e outras coisas mais....consigo até mesmo, um espaço para falar, na rede...(ESTE TEXTO, SE ENCERRA POR AQUI).



terça-feira

Disse tudo, disse nada.

Tem gente que sem motivo aparente, sem seguir um sol que se esquece de nascer, ostenta por aí um sorriso...
Tem gente, não arrisca sequer um riso, pois a própria vida e seus meios, faz do humano um gato arisco...
Tem gente que não risca uma linha, não atravessa para o outro lado da margem...pois, leniencia, fez conformismo...
Tem gente por aí perdendo tempo com palavra, dissimulada, discurso infundado com peso de fumaça...
Tem gente que parte sem seguir...tem gente, que segue sem partir...
Tem gente para crer, gente para duvidar...tem gente que duvida da dúvida, vai às profundezas por uma resposta pra se encontrar...
Gente que não hesita, gente feia do ponto de vista, gente sempre disposta a ser bonita...
Gente verdade, gente metade de outro alguém por aí...gente  que pede verdade, querendo mentira...
Tem jeito, para quase tudo...a não ser que não seja gente, a não ser que não seja mais humano, sobretudo...
Tem gente, fria o bastante, sempre pedindo por algo mais quente...
Gente sugando sangue de gente, vampiros por aí, assassinos de sonhos e manobristas de destinos, gente inconsequente...
Toda fala se sustenta, até que o pensamento que pensa ter razão,  diante dos fatos não suporta, não aguenta...
Gente suave, gente que emana essência de jasmim...
Gente suada, gente sofrida, procurando por um lugar por entre vidas que se perdem tentando se encontrar em um botequim...
Gente, que é parte de um mundo que seja a gente...
Gente violenta, gente que ama, se ama, se detestando...
Gente, por demais para desconfiar da  gente...
Gente pára você por aí, gente que interrompe um pensamento, gente que desconheça além de superfícies, coisas que saíam de dentro...
Gente pedindo por respeito, com uma ofensa pronta e engatilhada para ferir na velocidade e infelicidade de outra forma de pensamento...
Gente mendigando o que não têm, gente jogando fora em cúmulo do desperdício, toda preciosidade que tem...
Gente, vidas que vão e vêm em vão...
Vidas, valendo menos que um vil vintém...
Tem gente desejando a própria morte, desejando ao outro má sorte...mas, paciência, vida segue e tudo se sucede a despeito de gente...
Tem gente, que não faz sentido com as palavras...tem gente omissa, vendo tudo, fazendo nada...
Gente, que nada sente, mas continua insistindo...
Gente boa, gente à toa, que não faz sentido existindo.



Entre um repente e, um "pente".





Antes de todo repente que precede um pensamento...um "pente";
Coisas breves que não exigem pensar, coisa boa o bastante para se satisfazer...coisa tão comum, que nos faça ficar sorridentes;
Antes de escrever, portanto, pense...se vale a pena parar ou seguir pensando...
Teu cabelo anda despenteado, teu vocabulário por demais complicado...faz tempo que andam por aí, com tua figura, gozando!
Pensar, ou gozar...de um momento para deixar de ser e somente estar, estar diante do espelho, ou espelhos que sejam, para "se pentear";
Municiado estou, preciso descarregar...se não for com palavras, se não for com minha verborragia frágil, flácida, barata...
De algo mais sólido, que visa "liquidez", deixar fluir...com a autoimagem, boa ilusão que a ninguém mata, antes de me deitar, me deleitar!
Deletar...todo histórico de coisas que a algum juízo refuta em olhar, instintos adoram observar...conflito, perigo, para que alguém mais também possa se interessar;
De um pente, assim de repente...qualquer um de nós, sem citar nomes, há de necessitar...
Afinal, a primeira do singular...sem querer, mas por alguma vontade há tempos por saciar...
Encontra a terceira por aí e com pouca necessidade de letras, ou acerca dos atos ponderar, somente "pentear"!
Depois, pelo que tenho ouvido por aí, se nada hoje em dia se parece com compromisso...ninguém tem nada com isso, logo, seria somente "ralar";
De repente, um pensamento...libidinoso, vaidoso, reflexo no espelho, um desejo estranho por detrás da tela...aquelas duas pernas que caminham displicentes, sobre coisas indecentes lhe faz pensar;
Coisa indecorosa, sem pudores...hei de necessitar da caneta, para satisfazer os desejos da rosa!
Que pena, "falta tinta no tinteiro", falta algo que não seja espírito para se elevar, para um simples "pente" concluir, para num plano tão primitivo, se perder em delírios, extasiar...
Por isso, penso que por pensar por demais...miligramas malditas que me façam falar, falhar...
Impeçam-me de ser mais simples, afinal sou humano e também quero "pentear"!
Era um "pente" e nada mais, depois disso, tanto faz...afinal, somente superfície e o sensorial em detrimento do sublime, é a língua que ninguém fala, mas muitos gostariam em seus segredos, de dominar.






Grande coração.






Sempre me disseram, que eu tinha um grande coração...
De fato, detesto admitir, afinal não sou do tipo que gosta de se gabar, mas tinham razão!
Coisas imensuráveis, muito amor para dar e receber...exames, coisas malditas e exatas que em algumas profundidades tocam para machucar...
Exame, miocardiopatia hipertrófica, era resultado final...dizia do diagnóstico, a conclusão!
Logo concluí, pois medicina sempre foi meu forte, como fluente há de ser o meu catalão..."exercícios fortes estão dando resultado, estou musculoso até mesmo no coração"!
Sou encarnação de sapiência, dotado de muito entusiasmo e pouca paciência...da vida, sou doutor diplomado, jamais cometo enganos e o tempo sempre me atribui razão!
Sempre me disseram, muitas coisas que gostariam de se parecer com verdades, somente para agradar aos ouvidos de uma figura imponente, de fala eloquente, hercúlea...um semideus herege e grandão...
Vocês não prestam, detesto verdades que contrariam meu discurso sempre tão sólido...como a bruma no mar se desfaz, como gelo que se liquefaz na palma de uma outra mão;
Mão, que indicava que pouco tempo para aproveitar meu subsistir eu tinha...
Pouco tempo restava na ampulheta de areias que me enganava...areia maldita que minha vista ofuscava, uma lágrima de verdade quando toda miragem se desfazia;
Mal sabia eu, que coração "bombado" tem curto prazo para continuar a bombear, titubeia no peito e fluido vital não iria mais transportar para as veias de um projeto inacabado, personificação de toda pretensão;
Cuidado ao dizer, cuidado com o veneno que esconde as verdades de teu discurso decorado de inveja, maldição, insensatez!
Coisas tão certas quanto partidas para as quais jamais estamos prontos, especialmente quando chega nossa vez;
Portanto, aves de mau agouro que me faziam tal afirmação...vos digo, agora, sem hesitação:
Que saudades seja lugar de nosso reencontro um dia, se é que saudade de fato restou das mentiras verossímeis que me juravam alguma afeição;
Que seja à partir de então, em algum lugar, se for pra ser...
Pois, sentenciado estou para partir e já ouço o apito do trem, sou passageiro para uma próxima e incerta estação...chamada além!


Fantasias e fantasmas.

Que saudades de mim, quando deixo de ser eu...
Quando desço do meu céu, sinto gosto amargo de fel, saudades do velho torpor...da rotina nem sempre doce, sabor de mel;
Que saudades de me possuir, me patrocinar...sem nada ter a perder, sem nada esperar por nada, ter a ganhar;
Que vontade de voltar, que vontade às vezes eu sinto de partir...
Porém, em que parte hei de me encontrar, se sempre sigo na contramão, se cego estou e incapaz de saber por onde, de fato, seguir?
Quero o melhor, quero melhorar...contudo, nada sei sobre melhorias que não sejam por um prelúdio, oriundo de minha ótica distorcida...que faça até mesmo o nada, piorar;
Da vida, não quero dúvidas...quero mais certezas;
Distantes das mentiras encobertas, distintas de poeira e pó, que a face oculta de criminosos acoberta...
Longe de minha descoberta, quero nada além da embriaguez, saciedade de lucidez e sobremesa feita de letras...que caibam sem servir, em diversidade que dividem opiniões, hipocrisia senta-se à mesa;
Quero a sinceridade de abraços...sinto muito, mas sinto falta de ar que não seja de alguma desconfiança em alguns exíguos espaços;
Invista, ou desista...pois sequer eu sei se sou fraude o suficiente para ser verdade, verdade o bastante para ser algo que não se entende, não se explica...
Se complica, complexidades de uma estrada tão minha...coisas que comigo caminham, minha própria vergonha, mas que seja deveras minha...
Os confins de perdição por onde me encontro, o sublime onde me acho, utopia;
No demérito de um ato impensado, uma vida se perde, uma alma padece...uma alma carece, de mais fantasia;
Fantasmas de um passado que não se apaga, pois necessita de algo além de borracha...corretivo;
Falo por mim em várias vozes, fujo de mim por várias vezes...sou singular o suficiente para soar pretensão no coletivo;
Que saudades de mim, quando deixo de ser eu...para deixar de lado tudo aquilo que ainda me faça sentir vivo;
Se nada faz sentido, pergunto aos sentidos que me compelem a prosseguir, sem saber sobre ulteriores ou imediatos motivos.



domingo

Fé...até, onde der.

Acenda uma vela para mim, acendo um cigarro pela fé que perdi por aí...ascenda ao céu, desça às profundezas para respirar o ar, nos vemos por aqui;
Se apressa, se há pressa...me esqueço de toda forma de perfeição, quando sou fruto feito na correria do dia a dia, falha da linha de produção do criador, infeliz criatura sem coração;
Poxa vida, puxaram meu tapete, picharam com maledicências, meu muro...
Ofuscaram com luzes, sopro impiedoso que apaga uma idéia de pouco brilho que resistia no escuro;
Perdi a voz, perdi a vez, sem problemas...há mais papéis por aí, papel de trouxa não há de faltar em uma resma rabiscada de dilemas;
Não era certo, mas se parecia com erro tão direito...
Pouco ortodoxo que sou, fui além e venci o dragão de minha imaginação,  com um corte de limpeza que separa o louco, do imperfeito,
Te reconheço pelo frasco, pela fraqueza que aparenta ausência de conteúdo...
Contudo, reconheço que, em nossos lampejos geniais, nossa diversidade de ideais, não passamos de dois idiotas caminhando e nos estranhando, juntos,
O mesmo mundo de coisa banal tão relevante, sentimentalismo barato emocionante, me pediu para ser distinto por um instante...
Mundo animal, mistura homogênea daquilo que vestia cores distintas até então, me pedindo pra voltar a ser normal...
Anulando os passos, restrição pára quem ousa de tudo se esquecer, para de muitos se lembrar...em seu universo solitário seguindo adiante;
Acende tua vela, recupera na fumaça de viagem, tua embarcação solitária, visão de paraíso de controvérsias...
Última parada, se cinzas são o que restam, destino será cinzeiro...nas profundidades mais misteriosas, descansam as coisas mais belas;
Fica, cicatriz daquilo que resta...fica algo que me faz mais forte na superfície, mais frio e ausente em minha estranha ótica de interiores que o tempo distorce;
Maldita sina sem sorte, resta fé que somente estamos por aí em pé sem propósito a esperar pela certeza da morte.




Meios, para um fim.





Eu sou metade, metade de eu que fala por mim,
Além dos limites que vou, alguém mais, uma mão que não se veja...faz de meu princípio, um meio para um fim;
Visão do infinito, tudo que se escreve, deveras já estaria em algum lugar escrito....
Por entre trevas de espinhos, horizontes distorcidos, visão ofuscada por chuva que caía em madrugadas...por olhar marejado, tradução de um coração ferido;
Eram várias as mãos, eram diversas as direções...
Distâncias que sempre seriam boas recordações, ou traumas de tomentos, dias azuis ou cinzentos...tudo tão pessoal e impessoal, paradoxos em meus caminhos;
Semblante soturno, aflito, no deslizar triste de uma esfera reticente, transcrito;
Veneno barato do frasco mais caro, divina essência guardada em recipiente de indecência...
Metade de mim é teste de ser um pouco mais eu, mas metade complementar é diversidade que testa minha paciência;
Entre idas e vindas, vida de seguir sem saber o rumo certo por onde ir...
Eternidades de um dia, coisas passageiras de repetição de rotina que nada completa, nada faz pleno, senão plenitude no plano perfeito para uma vida vazia;
Eu sou esquecimento...algo mais, uma metade que sempre será saudades...
De coisas que jamais vivi, lugares onde nunca estive...memórias de mentiras vívidas, coisas pretensas, sonhadas em sonho ou pesadelos acordado...verdades vividas;
Não sei, sequer me interessa saber decerto quem sou...me interessa, se algo modifica onde eu esteja, me agrada saber que algo que fosse eu, ou personificação em mim, marcas de alguma saudade deixou;
Sou metade sempre esperando por ser completo, por alguma compreensão...
Não espero que me entendam, espero apenas assimilar e aceitar quando descobrir, da soma destas metades...o ulterior objetivo desta missão;
Se é, que haja propósito, se é que haja um minuto de atenção...
Se é que valha a pena tudo aquilo que por mim, ou por algo mais seja escrito...que não tenha valor de fino tecido esquecido como pano de chão;
Somente saibam que, para quem ainda queira saber...que aqui ainda resta algo de humano que ainda pensa e sofrer sem se lembrar o porquê...
Que ainda neste peito pulsa um coração sem propósito, sem se importar com horas que não importam neste universo de coisas perecíveis, quase nada além das superfícies há de se perceber.








Amor, maldito amar.





Amar é um erro, de ser humano...
Impede de ser natural, dita regras sobre ser normal, amar é um triste engano;
Te afasta, com juras em lugares elevados de cimento sagrado, sobre seguir as normas da mentira, sobre algum benefício em relação que somente retira...amor relativo;
Te retira o foco, te afasta dos amigos...te veste um terno idiota e lhe faz comparecer aos templos no domingo;
Tolhido de toda evolução, evita viver os amores em vida tão passageira...juras de coisas eternas, amor contradição!
Amor, de ser humano...utopia!
Desejo de um se tornando realidade, inferno consentido para outro resignado que não queria...
Amor como eu quero, amor que eu espero, amor que eu jurava, mas por mim mesmo não sentia;
Amor que não se quer, fazendo laços eternos em um enlace...bênção de um pároco, que da cara de dois iludidos, risos escondia;
Amor em ótica reversa, soa perverso se assim descrito...amor soa maldito, da voz de realismo desencantado, corações feridos;
Longe dos contos de fadas, distante do felizes para sempre...
Amor incondicional, é deveras diferente do amor de gente...de hoje em dia, especialmente;
Tudo se parece perfeito...perfeitamente feito para você...
Estas luzes, esta gente, esta droga toda na qual me viciei sem querer...
Quando na juventude, com teus encantos de sereia me perdia, sem nada sobre vida e suas armadilhas, saber!
Faltou o não que evitasse aquele amor, titubeou a voz naquele dia...
Que abriu as portas para a prisão, uma condenação...
Sentenciado ao amor de um gelado coração, uma vida se encontrava, se completava da metade de outra que ficou sem nada e se perdia,
Pobre de quem foi humano, para sentir amor de gente tão boa para si assim, um dia!


sábado

Silhuetas do passado.

Ouço no silêncio das palavras, um pedido do passado pra voltar...
Seria somente presunção, seria  esquizofrenia, patologia, telepatia...conexões diretas com o coração;
Reconheço o barulho que produz os mesmos passos, reconheço rostos por trás de máscaras de mistério, máscaras de palhaço...
Reconheço do velho trecho um pedaço, das palavras de caras novas, palavras renovadas que desejam se reaproximar;
Seriam apenas ecos de meu próprio ego a dizer sem cessar...
Que sou presença indesejada, mas pedaço que faz falta o suficiente para um vazio preencher, um quebra-cabeças de complexidades e vaidades, completar?
Leio, em palavras renovadas, coisas recicladas que peçam por algo para de novidade, poder chamar...
Lanço pérolas, lanço flores à quem com chumbo costumava me ferir...me fazia sorrir, falando-me das maravilhas sobre ser mais rosas e menos meu próprio azul...
Lanço "pérolas ao atlântico sul", oferendas ao mar, nas águas mais frias deste país que sejam dos mares que banham Camboriú;
Andando de carona por aí, em um camburão qualquer, conduzido por tubarões que me aprisionavam e me levavam para passear...
Em mim, ainda está a graça de um palhaço "desgraçado", sem rumo em suas próprias palavras, contudo certo sobre suas próprias verdades, com propriedade a versar...
Em vocês, ainda resta a vergonha de um olhar...de um reflexo, uma reflexão que faça doer no orgulho sem propósito de palhaços sem graça que nada saibam, além de parasitar;
Numa foto do mar...foto que evitam faces que são na verdade, variedades da mesma personalidade a se ocultar...
Filhos sem sucesso em uma terra de labuta, filhos ingratos de uma dama dotada de astúcia...
Filhos, "vinde a mim", sem medo...de ao júri popular se entregar, juiz tempo que me concedeu razão para lhes condenar;
De vosso pedestal de arrogância, desça...não esquente a cabeça, a pena há de ser branda...
Do veredicto, consta nada além sobre ter de conviver em reclusão eterna ou liberdade sem propósito, convivendo com a eternidade de tua ignorância...de longe, tão perto a me observar;
Não perca seu tempo, o mar não espera para em mais um clique de coisas que com o tempo se revelam...para fotografar...
Afinal, é tudo o que lhe cabe, tudo o que há de lhe restar.





Escambo.

Hoje, eu troquei idéia...trocando a tua pela minha;
Troquei de pele, deixei pra trás as vestes que não mais me cabiam...
Troquei palavras com gente que há muito tempo, não se parecia com humano e não me via;
Troquei tiro com comandos vermelhos, amarelos, primeiros e segundos comandos distantes das capitais, troquei bom dia e farpas com a polícia!
Na ausência da fala, tudo se torna mais perturbador, na ausência de tudo o que se cala e consente, tudo se parecia preservação da ordem da tirania de um conservador...
Troquei muitas coisas que não tinha, por aquilo que não precisava, não necessariamente desejava ou queria...
Troquei tua omissão pela minha ação, troquei todo laço pernicioso de dor por um ato de desatino, que fosse necessário para salvar algo mais que um dia;
Troquei minha intransigência para hastear a bandeira das diversidades...de idéias, de cores, de amores, de toda forma de humanas desigualdades;
Troquei minha fé por aquilo que compra o vil metal, indulgências...
Indulto para o indigente, indígena, assassino consciente, louco inconsequente...troquei minha liberdade, para ser aprisionado no lugar de quem não deveria...
Troquei a lua que me iluminava e denunciava meu crime oculto de satisfação, no céu...por escuridão das nuvens cor de chumbo, o escuro que eu queria;
Troquei minha saúde de vadio, vazio, andante sem propósito...por aquilo que crescia dentro da inocência de uma criança, visão que meu olhar repudia!
Fui super homem, fui super ego...fui outro sem deixar de ser eu mesmo, fui um pouco de todo ingrediente que agrega em forma de pedaços que no espelho reconheço...
Troquei minha sorte, pelo infortúnio...mau presságio, por otimismo, sucesso para quem sequer eu conheço...
Troquei aquilo que perdi, mais uma vez...último na fila de meu próprio show de insensatez...
Se nada disso faz sentido, ainda faz algum sentido sentir e amanhã, se houver um novo dia, se valer a pena eu troco outra vez...
Troquei o laço, o cadafalso...a falsidade pela verdade, recobrei um pouco mais de consciência e alguma lucidez;
Sem me preocupar com recompensa que não seja uma palavra apenas, com paciência, espero pela minha vez.





Renascer em teu jardim.

Quem me acordou daquele sonho doce, para me despertar para um pesadelo...
Do sonho de outrora, restava aquela fome de volúpia impiedosa que consumia, tudo o que havia por dentro...
Em teu jardim, um botão de rosa desabrocha, vida que se renova, lhe concede uma prova...
Que uma vida se deita, olhos se fecham para se libertar...sono eterno acomete quem trabalha de luzes acesas, para asas lhe deixar...
Sussurros ao pé da orelha, juras de carpideira...
Toda seriedade e carranca de orgulho estúpido se desfaz, queria ser somente brincadeira!
Agora sou semente, alguém mais é vida...
Sou botão de rosa nova sob orvalho, em teu jardim de impurezas, para perfumar com essência e não ser recolhida...
Lágrimas verdadeiras sobre madeiras, vozes que nada dizem, desespero de quem não conheça vida e suas maneiras...
Não tenho tempo a esperar, afinal quem restaria para precisar o tempo de duração de uma vida inteira?
Sou plenitude em teu jardim...fui o meio, para um fim...
Fui o pior que podia ser...por ser influenciável assim...
Para que teus passos não imitem os meus, não caminhem sobre aquelas pedra perigosas superadas por mim...
Quando quiser algo sobre minha história saber, pergunte às ruas ou às paredes que me aprisionavam, sem deixar de ser boas companheiras para quem perca o juízo assim...
Caminhava sem rumo por aí, apenas uma vida sem aparências de alegria, mas com um propósito para que deveras,  não tivesse fim...
Uma rua com meu nome, serei a praça, quiçá, a lhe observar ...para que não se entregue, às mãos de qualquer homem...
Fui formado de letras, vivi das migalhas de atenção que agora serão todas suas...
Carrega um pouco de minha dádiva, evita meu sangue de maldição, do passado em gravuras...fui  fera, fui ternura...
Sou aquela flor que não viu, mas seu perfume sentiu, somente para que pudesse se lembrar de meu nome, que hoje batiza uma esquecida rua.




Mais que mil palavras...




Corrida por aí, sem combustível que acende uma chama, fósforo para uma parada por um cigarro, sem propósito, sem gasolina...próxima para, a esquina;
Trouxe os fatos, eu trouxe a fantasia...trouxe algo que valha mais que mil palavras, eu trouxe palavras que valham por além de mil que resistam por um dia;
Trouxe...algumas memórias, algumas histórias novas, filmes para assistir que somente ao seu lado, algum sentido faziam?
Cheiro de velha essência, naquela mesma esquina de outrora, agora a pé ou sentado...memórias tão vívidas para fazer valer a pena reviver em uma quase ausência...
Trouxe...sedativo que não se venda, não se vende, não vendava meus olhos com tua cegueira...fazia rir com minha própria hesitação, exercício agora sozinho de sorriso é teste de toda paciência;
Corrida por aí...sem rumo certo, com um propósito que seja voltar a sentir que no peito dormente, ainda persiste e pulsa um coração...
Mais que mil palavras podem errar em tentativas de acertar, somente duas e um quase silêncio completo há de descrever com exatidão...
Aquilo que se fora, contudo pudera se chamar por "quase perfeição";
Mais de mil para se lembrar, quase nenhuma para esquecer...que do fogo que ardia no passado, não se passa agora de parco iluminar de chama branda que chora e te invoca...
Para neste mesmo lugar de reminiscências que chora, esplendor daquela rosa...
Sem espinhos, sem necessidade de mapas ou pergaminhos para reencontrar, reabastecer, me fartar de felicidade antes de tudo novamente desaparecer como a névoa deste frio que faz aqui fora;
Mais de mil palavras para ferir, que para feridas em alguém que não se importa, poucas e repetidas sirvam agora!
Uma foto não faz aquecer, uma saudade não faz acontecer...um somente não há de bastar para se chamar por felicidade, aquele sentimento sem nome, aquilo que sobrevive à espera por morrer...
Deixa a esquina pra lá, deixa a gasolina, o fósforo para reacender quando voltar a pena ser, quando regresso sem retrocesso for coisa pra valer...
Deixa tudo se enganar, enquanto sigo a esperar...sigo sendo quase sem sentir após tanto sofrer, que este dia tão sonhado, que possa parar de correr para andar desacelerado, ao seu lado...
Reaprender a viver!




Do papel, não se apaga.




Uma idéia no papel se apega, coisa sublime não se apaga, mas uma idéia da tela...sem querer, sumiu;
Maldita tecla de tecnologia adiantada, coisas que não sei usar direito como garfo e faca...gafe digital, um deslize errado e mágica!
Um castelo de areia construído com inspiração e muito esmero, ruiu;
Alguém mais sorriu, em consonância com aquele destino infeliz que naquele momento, fazia troça de mim quando tudo despareceu...pro meu desespero, até mesmo a vida e seus meios, riu;
Quem dirá o que deverá permanecer escrito, se era na segurança de criptografia...se era na fragilidade do papiro que viaja em uma garrafa, além mar encontra um olhar no infinito;
Se fosse pra ser, teria sido real...teria sido no papel, pois sentimento não se apraz com digitação, com o descartável que seja digital...
Teria marca dos dedos, teria digitais, teria sentimento transcrito desde o tinteiro...ainda que levasse um dia inteiro para que deixasse de soar como coisas banais;
Teria sido, para permanecer...resquícios de lembranças, fatos e fotos queimadas que nem sempre serão dignas das melhores páginas de saudades...
Serão dignas do fogo, das traças...serão dignas das baratas que consumam tudo aquilo que não passou de resgate de tolices, registro de meras vaidades;
Se foi, de fato não era e não deveria permanecer para que soasse como verdade;
Dados rolando na mesa...ímpares agora, no passado se pareciam tão iguais, parceria de suposta perfeição em pares;
Jogo prossegue, algo fracassa, algo se sucede...vias separam, vias estreitas por demais que separam vidas juntas caminharam por aí, mas passou e a tecla do teclado apaga, diz sem palavras:
"Não foi nada, nada haveria de restar disso para ser, prossiga pois vida consiste no adiante...do passado de orgulhosos, se esquece!"
Coisas que atrasam os passos, tão distantes agora em um passado para não se lembrar...
Coisas tão próximas, com seu descaso, seu escárnio de quem caminha junto, mas jamais estivera ao seu lado, felicita-se quando tudo parece dar errado...
Quando uma idéia se apaga diante de olhos de estranhos, por culpa de um destino, de um teclado, ou de olhares de bem querer...
Ocultando, sem nada deixar transparecer...criminosos perfeitos a esconder os mais sórdidos pecados;
É sinal que não deveria permanecer, é sinal que deveria se mudar...mudar as pessoas que estejam próximas, mas tão longe do seu lado.





Nascido, pra dar trabalho.

Se você é enfermeira, doutor, policial...traficante, assaltante, vendedor itinerante, bancário, garçom, farmacêutico, assistente social...
Advogado, magistrado, meretriz, merendeira, professora, especialista...circunstancial, ocasional, exímio profissional!
Se você não é paciente, me entenda, eu sou um caso especial...
Sou personificação intempestiva de tudo aquilo que um dia quis ser...
Sou atleta, sou pretenso poeta, sou amante de todo perigo, cobaia que se disponha à toda sorte de experiências...
Sem medos de experimentar doses de perigo que me afeta...
Do passado, sou resultado em forma estranha de ser humano inconstante e bizarro, reconheço dou trabalho...do futuro que invento, sou profeta!
Se tens um emprego, uma ocupação...agradeça quando subitamente algo lhe rouba a paz, pois alguém lhe concedeu um cargo, diploma, condecoração...
Eu nasci para lhe dar trabalho, portanto, se ganha seu salário me agradeça, de meu nome jamais se esqueça...
Antes que eu definitivamente enlouqueça, aceito seu pedido prévio de desculpas de antemão por não reconhecer minha importância em sua missão...
Sou a resposta para aquele dia que bradou contra os céus em maldição, sou resposta para a omissão de tua oração...
Prazer, eu sou trabalho, se aqui estou é porque mereço todo teu carinho e cuidado, tua ocupação...
Jamais me negue em ato de omissão, sou vida em circunstância indevida, vinda inesperada, mas vida, que não vem em vão....
Espero algum requinte, boa educação, pois sou um alguém, mas não sou qualquer um...
Sou paciente, de paciência extremamente curta...não tolero ser mencionado como um ser comum...
Sou presente dos infernos ou descido do céu, anjo ou personificação de coisa profana que não engana, não se oculta por detrás de um véu...
Nos vemos por aí novamente, antes que eu vá pro beleléu...
Sempre esteja pronto à minha espera, pois nasci pra dar trabalho...se fora eleito do mês, o funcionário...
Renda-se à minha amável loucura, ímpar figura...levante as mãos em gratidão aos céus.




sexta-feira

Delfino.

Delfino desistiu de obedecer ao caos, buscou harmonia que fosse longe dos olhos de quem não o via...
Delfino, deu fim no passado, deu passos rumo ao futuro de projetos inacabados...para que se convertessem de fato, em sonhos realizados;
Deu um salto do precipício, sem se precipitar...se atirou de olhos fechados...
Desceu de um pedestal de privilégios que o mantinham parado, um salto de sorte, um tiro no escuro, um minuto definitivo para viver definitivamente ao seu lado;
Carta de alforria, liberto da condição de livre escravo...liberto da fantasia de quem somente queria, mas nada fazia para tornar realidade, tudo o que se vive de olhos fechados;
Delfino deu de ombros para as opiniões, venceu os muros intransponíveis das superfície das multidões, das placas que não indicam direções; 
Delfino se definia homem, mas se parecia pássaro, aprisionado...em seu canto melancólico longe de seus sertões;
Achou as chaves, abriu as portas para liberdade, sentiu saudades estranhas do ferro que deixa marcas invisíveis, marcas de saudades indeléveis e indesejáveis na pele, dos velhos grilhões;
Delfino, um pássaro podia ser, um homem esperando crescer, saiu mundo afora para tudo descobrir ainda menino;
Em algum lugar haveria de ter, elixir de ascender para quem dos passos não possa se libertar...ascender, subir aos céus, sobre as nuvens por um dia caminhar...
Delfino então, se viu humano, livre para ser acerto ou ledo engano...do alto que se encontrava, onde ninguém achava....se sentiu por um dia maior que o mar...
Delfino desceu, Delfino poderia ser você, enfim...poderia ser eu em devaneios a divagar...
Delfino, grão de areia, solto ao vento...livre, liberto de tudo aquilo que prendia sem aprisionar do lado de dentro...
Aprendeu rapidamente sobre voar sozinho, errar solitário, acertar por alguém que não fosse ele mesmo por algum momento...aprendeu, que vida é feita de coisas para se lembrar...
Mas, especialmente para as lembranças vividas, há coisas que não devem perdurar por além de um breve momento.





Codinome Nicanor...






Prova de maior amor que essa, não há de existir...
Celular nas mãos, Patrícia...estimada, prezada amiga, era Nicanor por precaução...
Adorava lhe ver nua, mas no toque daquela tela, era mais macho que eu e vestia um calção;
Uma flor, protegida de uma felina...uma onça sempre à espreita, à procura de confusão;
"Teu nome, por amor...em um codinome" Nicanor...
Não responda a nenhuma pergunta, faça cara de paisagem...és minha deusa imaculada, minha sereia amante, amada...jamais, quero que lhe confundam por uma vagabunda!
No toque da tela, a flor mais bela se travestia de terno e gravata, evitava as bravatas de uma senhora infeliz à quem jurei amor embriagado, num altar de maldição onde cometi meu maior pecado;
Sussurros e suspiros, somente pessoalmente, jamais aos ouvidos de quem também possa estar te ouvindo...
Amor, maior que esse não há..."liquidificador" ligado, ruído de segurança, por um segundo em meus ouvidos tão frios, teus segredos em voz de veludo confessa...lascívia de um ordinário apaixonado a se deliciar;
Patrícia, não precisa fingir quando sabemos de nossas verdadeiras intenções...
Apenas principiaram as emoções, ainda quero muito me deliciar com seu mel...antes que abelhas nos encontrem em um motel, tudo isso acabe em perseguições!
Lembre-se, não se ofenda por não lhe assumir...sou homem por demais para te amar, homem por de menos para me resolver e de laços de prejuízo me soltar, para contigo fugir;
Não se importe, codinome Nicanor é nosso refúgio para fugas onde se acendam nada além de chamas de prazer, em um mundo que queima sonhos e nos deixa à deriva...nos desejando a própria morte!
Boa sorte, boa noite meu amor...
Patrícia em meus sonhos, no celular um codinome Nicanor...
Que não seja um pau de macarrão num dia desses, resultado de um erro de digitação, de uma fala equivocada por hesitação...
Troca de nomes involuntária, que desfaça tua figura em meu sonho como um desagradável despertador!






Rosa e azul.

Era azul o brilho mais forte no céu, mas preferia que fosse ela...
Era sol, Tupã a raiar e irradiar...pôs óculos escuros, preferia que fosse Jaci, com seus encantos de mancha de pedra fria, amarela,
Pintadas estavam as portas, prontas a se abrir...sempre esperando por ela...
Pintava paredes, oferenda à Iemanjá de teus peixes que não tiveram escolha, flores e fé  ao mar, perfumes femininos, tudo por ela,
Com desgosto trocava os letreiros, flores no canteiro...cravo e azul, em lugar de tons das rosas dela,
Preteridos e preferidos, em perfeita assimetria, discordância que fora desde um recomeço...distância, distintos eram os passos desde o engatinhar do berço,
Era azul, desbotado...manchado, feio com suas verdades, preferia a hipocrisia e o cinismo com o qual se assemelha, do cor-de-rosa dela...
Preferia que meu pequeno jardim de verso e prosa, flores tão minhas e mortas, fosse perfumado pelo azul das rosas inodoras, dela...
Algo era real, mas preferia ótica distorcida de tua realidade de amável loucura, ao olhar no vazio de desesperanças de tua janela,
Tecia tecidos de tuas mãos carinhosas, tecia teias que fossem armadilhas, convencer com tramas que fossem para teu drama, expor ao persuadir a ela..
O destino nada sente por nós, pois deveras de fato nada houve para que se sentisse...
Evidências de quase certeza, duvidam de toda tua falácia de franqueza...coisas de um coração de frieza de onde trevas somente para um, era o que se visse;
Era azul a se banhar em um pequeno espaço reservado, primeiros raios a lhe incomodar e ofuscar a visão...a persistir durante todo o seu dia...
Projeção de frustração, o azul há de sentir, consentir, contudo jamais se ressentir...se eram rosas no lugar, aquilo que queria. 




Passa tempo.

O velho envelhece, pois o tempo de ninguém se esquece...
Se envelhece e se perece, seria nada além de marcas deixadas no passado, lembrando que o futuro, de um canalha não se esquece;
Sementes plantadas que fossem princípios, ainda na juventude, o tempo será aliado...
Como frutos de "valores", afim de que sejam cultivados, amadurece;
Alguns serão sempre alguns, mas outros serão alguém...
Se tempo passou e lições sobre respeito deixou, digno de respeito será também;
Alguns serão...indignos de piedade, dignos de que morram no esquecimento com dignidade, humana compaixão...
Para o decrépito que outrora não sabia perdoar, agora resta algum resquício de perdão;
Clemência, paciência com aquele que jamais teve para dar...
Seja sempre distinto daquilo que lhe causa repúdio, não obstante retribuição merecida...em um ser repugnante há de lhe tornar;
Uva que envelhece e estraga, vinho tinto e fino que na adega se degusta...é museu de histórias interessantes, sabedoria personificada;
Orelhas para alguns, ouvidos para outros...incitar a intolerância é tolice, complacência com o criminoso, te torna um outro;
Molestadores, transgressores de ontem...exigindo respeito, demanda por direitos, espólio de outros tempos a se queixar por moléstias e rugas que lhe consomem;
A mão que causa dor se diverte, a mesma mão de pele e ossos frágeis que no crepúsculo de um viver, por algo além de desprezo merecido, pede;
A mão que machuca, condena, mão que julga e fere...a mente castigada que do próprio nome esquece, nada mais sabe dos rumos que segue...
Nada faça, apenas observe...abutres sobre tua cabeça à espreita, não rejeitam tua carcaça que desconhecem;
Deixe o tempo cuidar, deixe o destino seu próprio lixo recolher...um dia também será tua vez, um dia também há de envelhecer...
Logo, certifique-se de que não seja digno de ser somente mais um ranzinza desprezível, num lugar esquecido para apodrecer!
Faça enquanto vida acontece, atende o chamado de uma vida que padece...
Lembra-te que velhos também serão cretinos, contudo não deixa te esquecer, que podridão de alguma caridade carece;
Quem sabe assim, em um longínquo e incerto futuro...algum carinho por dignidade que se conquista no decorrer de uma vida, alguém não lhe negue?
Ademais, além daqui nada se sabe, se em vida, tuas próprias verdades desconhece...
Que Deus o tenha no céu, que de tua alma maldita, o diabo se encarregue.





Ácidos em conta-gotas.

Gotas de sarcasmo como o pior dos ácidos, a corroer...ácido que não seja agradável distorção da visão de quem da realidade, por algum tempo desistiu;
Gotas de sarcasmo pingando lentas, gotas a consumir...devagar, de forma violenta, agressiva consumiu;
Ácidos em conta-gotas, ácidos a contragosto de quem seja provocador, mas reação que seja distinta forma de paralisar, tal como venenos meticulosamente inoculados, não espera...
Ácidos a deslizar em conformidade com o que peçam os papéis, a palavra de ordem sem pretensão de soar imperativa...a deslizar na esfera;
Ácidos, inibindo de forma sagaz de toda possibilidade mordaz de contra-argumentação...
Ácidos, que sejam palavras pelo pouco prolixo não proliferadas, mas escritas, advindas de uma alma contida em um ferido coração; 
Ácido que pinga e corrói, ácido que dói...que traz a certeza que o pior dos castigos é restar vivo...
Ácido, em conta-gotas, à contragosto saciando a sede de forças opostas, indispostas, contrapostas por déspotas que de sangue se saciam...
Fomentam a guerra que condenam, matam a fome, sentem na visão de horror algum tesão, testemunha maldita que sinta alívio;
Toma, um pouco mais desta colher de ácido...em miligramas precisas para inibir teu pensamento, para evitar teu movimento, para que seja perfeito palhaço sem motivos sorrindo;  
Ácidos, em conta-gotas...servidos por quem não serve...
Coisas que não lhe caibam, mas ainda lhe vestem...cessa tudo o que acende, faça ascender, quando imerso no sublime a prospectar tuas idéias...alguém a te lembrar sobre quanto deve;
Matam devagar, com toda sutileza do assassino acima de qualquer suspeita...olhos amáveis que um júri tão justo rejeita...
Ácido, em conta-gotas...um pouco mais por favor, antes que tudo aquilo que não premedito aconteça...
Antes que aquilo que queira e lhe satisfaça ocorra, antes que alguém aqui que não seja você...de fato, enlouqueça.




quinta-feira

Nossas vidas, em uma rua esquecida.

Caminhava quase solitário pelas ruas onde nossos passos a princípio, quase se cruzavam, se confundiam, sempre se encontravam...
Ruas que me remetiam ao olhar passado, olhar puro e pueril daquela guria, à sombra de uma árvore qualquer, nossa timidez...de um luar que era nosso, se ocultava;
Na estrada de sonhos por onde dois trilhavam, algo a mais que um amor somente crescia...
Desejo, volúpia...caminhava pelas ruas, ainda ouço suspiros que denunciavam nosso prazer, a mesma timidez de duas vidas que se descobriam;
Em teus braços me encontrava, em teus beijos quentes...inocentes, aos poucos me perdia...
Cedia um pouco a mais daquilo que não tinha, suas mãos se esquentavam em meus bolsos...madrugadas de coisas proibidas, fusão de corpos que aquecia;
Problemas eram simples...simplesmente, coisa que não havia;
Um sinal, um som...no longínquo, avistava a multidão que se reunia...
Não me lembro bem, se era dezesseis, não me lembro bem daquele dia que somente via de perto, teus olhos de menina que se fechavam, cor de carmim vital que teus cabelos, teu rosto tingia;
Me lembro de nossos sonhos, de nossa alegria...nosso eterno entardecer, quando lhe vi pela última vez...levada ao solo, uma face que para mim sorria;
Preço a pagar, por ser linda demais...sereia longe da areia e do mar, solta entre animais;
Distinta, pele alva como a neve, cabelos cor de ônix, princesa pelas ruas solitária...inocência roubada, ferida;
Teus gritos sufocados, nosso sonho eternizado de uma maneira que jamais sonhara, realidade infeliz de ser fiel ao teu espectro de saudades que me assombra...guria, tão minha;
Rua sombria...sem nome, sobrenome...mais uma nota para os jornais, uma parte de minha vida que partia...
Rua das primeiras lembranças, de nossa infância...olhos nos olhos, brincadeiras de ciranda...
Princesa conduzida ao céu, anjo vestido em branco que pelas mãos de mim te roubava, lhe conduzia;
Afeito à nostalgia...era nossa aquela rua, era nossa aquela estrada de perdição por onde não sabia sobre olhos de maldição, que nossos planos desfariam...
Perfeita história, vinte anos passados, dois espíritos lado a lado...seriam saudades, seria insensatez, seria somente realização de meu estranho sonho, em um lugar sem nome...chamado melancolia;
Sereia minha, de véu vestida...àquela a quem jurei corpo e alma, aquela à qual me entregava e para sempre pertencia...
Era noite novamente, era alto inverno neste pedaço esquecido de céu e inferno, era tua a aparição que roubava a cena...quando das horas me esquecia;
Era minha aquela princesa prometida vestida de véu...
É sua, a presença deveras ao meu lado...pois, ainda me lembro do espaço de teu abraço...
Era nosso, aquele lugar estranho colorido de cinza, fazendo figuras coloridas que fossem projeção de nosso amor que resplandecia no céu.







"Uatizápi-me"

A voz perdeu a vez...se algo quer me dizer, digita...na era digital, toda palavra de sabedoria por uma boca proferida soa como insensatez;
Dividindo o mesmo espaço que se divide em barreiras invisíveis da distração, barreiras intransponíveis para quem não tenha um dispositivo certo para se comunicar utilizando as mãos;
Lua de mel virtual, lascívia, beijos quentes...dois ausentes, indiferentes, digitando em um cama de casal!
Uma piada, uma verdade que todos esperavam dita da forma errada...através da fala;
Ninguém nota, sem tomar nota da novidade quente em tempo real, ficam pra depois os juramentos que não se juram aos olhares distraídos por uma tela sensível de cristal;
Em casa, há parceria...mas, se casa já não se parece com lar, lá fora há gente interessante para trocar caracteres, características interessantes ausentes daquela que não se nota, pois os olhos não viam;
A voz perdeu a vez, é chegada a hora de fato do império da mudez, surdez...hora de psiquiatra para uma sociedade que não se sacia de tanta estupidez;
Há segredos para compartilhar...com aquele que desconfia, melhor não dizer, vá lá se saber com quem anda trocando caracteres do lado de lá?
Há pergunta desinteressada, meras formalidades que não queiram saber como foi o seu dia...
Há alguém para lhe oferecer carícias, mas também se tornou pessoa fria...melhor se perder por aí nos braços de um "Ricardo", nos encantos de uma vadia;
Há um procedimento padrão para ser humano...casamento, filhos, ninguém se reconhece, todos são consanguíneos e familiares estranhos...
Há um proceder que seja perspectiva para algum progresso...arrebenta esta porcaria na parede, algo ainda existe aqui para se ver longe das telas que lhe fizeram cego...
Qualquer coisa me avise, mas que aviso não tenha som de voz....se acaso for teu último momento de alegria, ou agonia....
Digita, manda uma mensagem em tempo real, para que eu possa lhe atender respeitando a fila de tentativas de contatos bloqueados, sem sucesso.