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terça-feira

Filhos da revolução...






Somos super máquinas sem lágrimas, prole indesejada...
Esquecidos e lembrados pela voz de maldição, filhos ingratos, busca de evolução na dor de auto flagelo...frutos de conjuração!
"Burgueses ou não, sem religião", previsão futuro incerto, radicados entre metal e concreto...
Falhas ou evolução genética, tudo que dá errado, porém desejável...suor é sangue, permeando perfeição ao desfilar nas ruas, somos verdade indesejável nua e crua!
Entre o ser e o estar, preferimos não ter raízes, nome ou sobrenome que não sejam para raros amigos...
Flertando com os perigos, intensidade corre nas veias de metamorfose desapercebida nas ruas, ainda que seguida por todo olhar;
Frente a frente com o desafio, enfrente...uma repetição a mais, uma dor que satisfaz e cicatriza feridas de monstros, aparentes ameaças, ou tudo o que seja superficial para quem se proponha a julgar;
Nosso pecado, é coisa nossa...não devemos nada a ninguém e se deuses caminhassem por entre humanos, conosco haveriam de se assemelhar;
Simetria em formas, frivolidade ou busca incessante por perfeição...desistir logo adiante, distante sempre estará um sonho para quem sonha sentado, ou deitado em um colchão;
O tempo passa, deixando até mesmo em nós...suas marcas, contudo tempo é apenas corrida irrelevante por demais para quem jamais envelhece...
Algumas coisas o vento traz, pesos aumentam e tudo se torna mais leve...para aquele que nem sempre amadurece, algumas coisas se aprende, de quase nada se arrepende, da maioria delas, se esquece;
Porquanto toda inércia procura por razão parada...é com movimento que coisas acontecem, é com transpiração intensa e pulsação que prova existir vida além das palavras e de toda utopia, que a gente cresce!




Vertigem.

Inspiração, aspirando magia estranha, um pouco mais de prisão...
Liberdade vista por uma janela de ilusão, palavras sempre palavras, realidade maldita em toda perfeição desta negação;
Não, palavra sucinta, portas que se fecham distante dos olhos, sem que sequer ponha a mão...
Lágrimas raras, nada serão além de pérolas de um vadio, oriundas de um vazio sem valor...secam, antes de tocarem o chão;
Mundo nas mãos, mudo outra vez, sem necessidades de justificar desespero encarcerado, entre quatro paredes...sem  céu que não seja cinza, deitado em meu colchão;
A palavra que nada diz, um destino tão certo escrito a giz...
Verdade que a vaidade refuta, uma vez mais, um dia a menos, espelho diante de teu nariz;
Um dia para acordar...sem abrir os olhos, sem atmosfera pesada para sufocar, sem fantasmas de um passado, presente para assombrar;
Um dia, tudo há de se justificar, quando alma toca o céu das coisas sublimes, corpo desce à terra, encerra-se a contenda eterna...
Corpo que cai, desce ao mar...vida que não segue, sem que seja cegamente, agora vai!
Abraça eternidade, de um grito de dor milhares de vezes já ouvido, sequer resta piedade;
Abraça aquilo que lhe resta, deixa no caminho mais um pedaço, mais um pouco deste nada que quase já não faz falta, mas parece ser tudo o que lhe resta...
Cicatriz na face, mais uma marca indelével na alma...tudo, recomeça.



quarta-feira

Possessividades...(Vampira!)




Se querer é poder, penso que por este motivo pensa poder sempre me ter...
Quer me ter nas mãos, quer me ter...não importa minha condição, tenho de saciar tua obsessão;
Quer me ter no coração...contudo, parece não saber que possessividade pode ser sinônimo de perder...
Quer me ter, sem dar espaço sequer para minha sofrida respiração!
Não sou receptáculo, sou ser humano tão frágil em minha natureza...
Embora não seja ícone de distinta beleza, não sei porque tanto lhe apraz, me ter sempre em tua frente, me ter por trás...me ter, maldita seja tua coleira de sutilezas, imposição!
Fazer confusão em minha mente onde impera a perturbação, fazer fusão de corpos...me ter tanto assim, desrespeitando as leis da física e até mesmo, minha religião;
Se querer, é poder...queira algo melhor, queira algo maior que preencha todos espaços, que lhe faça até mesmo tropeçar em seus passos, após deixar de me ter...
Sonhe se limites, para vida ser gozada de forma ilimitada, deixa matar esta fome que lhe consome, essa impaciência, esse frenesi...lembra-te que sou apenas um homem;
Assim me ter, precisando de mais...mais do que sou capaz!
Plural de mim, reforços vou pedir para que haja água capaz de conter um incêndio sem fim!
Vá, siga tua sina, tome cuidado menina...veja se projeção holográfica de minha pessoa encontra, logo ali na esquina...
Pois, me ter assim em abundância, deixa de ser minha musa sendo somente minha árdua labuta, que todo ar que respiro leva, todo espaço que tenho ocupa;
Não tenho culpa, se me meter assim parece ser sua patologia...não sou culpado por me render vez em quando, aos teus encantos, de anoitecer sem ver o véu de escuridão da noite e amanhecer sem luz do dia!
Levando toda magia em tua lascívia, me ter assim, torna "foda" fazer de nosso conto, um conto de fadas...
Leva alma, leva tudo o que restasse de mim...me ter assim, sugando de forma vampiresca minha energia!

Existência defectiva.

Escritor atrevido de textos esquecidos, ignorados poemas...
Causador de problemas, divisão silábica na porrada, sintaxe desrespeitada, amigo de toda cacofonia, algum problema com morfologia, com telefones móveis e fonemas;
Radical sem sentido, sufoco sufixos, não completo ligações ao ignorar os prefixos;
Matador da gramática à preço fixo, palhaço dos palcos de uma vida de desgraças...arrebento, a segunda ou terceira pessoa, nada se conjuga comigo;
Justapostos os substantivos, aglomerações, aglutinação, agonia de fusão, fujo de toda esta confusão, separar, desatar, desatino é comigo!
Proposição de uma preposição, de um verbo de ligação que lhe dê algum propósito, lhe conceda liberdade, no entanto, na verdade gosto de todo período onde haja subordinação;
Dominante que sou, decassílabo afrescalhado que tentou me decifrar, sem querer rompeu com a perfeição das formas e sequer com uma proparoxítona de sentido para seu verso, restou;
Se estar ou ser é questão de conveniência, questão de mérito, demérito...desmerecer;
Creio, que após tanta transgressão escrita por minha pecaminosa mão, há possibilidade quase que iminente de, no futuro de um pretérito distante de pretensão...
Ter permissão para partir para o exílio, escola ou presídio... e um nome a ser desprezado em forma de substantivo simples, sem pronomes de tratamento sequer para insultar minha tão peculiar condição!
Insular eu sou, não obedeço às leis de uma porção continental, onde mordazes sejam as palavras, voraz seja o sistema...
De um complexo esquema de dialética, dilemas, efeitos deletérios nas entrelinhas, mordaça para bocas que pensam...para mãos que ajam, algemas.





Por: Fernando Ordani...agradecimentos especiais, pela colaboração: Lays Ordani.

segunda-feira

Música, para todos os sentidos.






Um dia, um dilema, no rádio uma canção...no canto dos olhos uma lágrima involuntária, era tristeza aquela estação...
Sintonia, alma e coração, música uma vez mais salvando uma vida...
Música, uma vez mais fechando uma ferida, em um artista esquecido, pretenso poeta que sequer sabe tocar um violão;
Para muito além dos ouvidos, para todos sentidos...pelos e pele em êxtase, sabor de saudades na melodia, nostalgia em uma nota distinta, conversas com a alma em uma canção;
Milhas e milhas, quilometragens de sofrimento percorridas...zera odômetro, zera cronômetro, pára tudo, tudo paira e pulsa no ritmo da melodia;
Distâncias jamais percorridas, lugares onde jamais estive naquele acorde que não me desperta, mas me faz sonhar...
Romances somente sonhados, solidão em paraísos onde seja bom estar ao seu próprio lado...solo que chora para fazer sorrir, devolver o brilho à opacidade de um olhar;
Música, uma para se lembrar, outra para se esquecer...música para tudo o que seja sentido, música que não faça nenhum sentido, somente para não perder o juízo e enlouquecer;
Música, juro que sobre ti pouco compreendo e muito tenho a aprender...em versos de meu português de vocabulário pobre, somente queria lhe agradecer...
Por me fazer parar, quando tudo conspirava para fazer...
Por me fazer seguir, quando tudo sussurrava em segredos de desânimo, sobre desistir para não mais sofrer...
Música, em palavras desencontradas, sem encanto para que fossem canção...simplesmente gostaria de dizer, assim como faz, quase que sem palavras...
Sobre sempre ter um lar em meu coração...sobre o quanto, amo você!

OBS.: NÃO ROLA...NEM UMA NOTA, É SOMENTE ILUSTRAÇÃO! RS

Um lugar diferente.





Um dia desses acordar, num berço diferente, num lugar onde bicho ainda seja gente...
Acordar, ou para sempre dormir onde seja indiferente seu existir, ou proibido seu direito de sonhar,
Que, por minha carência, não recebesse somente uma gota para saciar minha sede de ser humano intensidade, que minha mão estendida não fosse roubada pela possessão, por empatia mal interpretada...
Queria um pouco mais de tudo que nunca vi, de tudo ao que me remete às memórias saudosas daquilo que jamais vivi...
Queria um pouco menos deste nada, que me concede certeza de que andei por aqui,
No entanto, perpassei por entre uma multidão de esquecidos fingindo que nunca existi,
Clichês geniais de quem julga o livro pela capa, sangue no olhar ninguém nota...verdades tão previsíveis, restando como surpresa de um tapa na cara,
Num dia desses, queria ver a verdade que não fosse por meio do discurso, obscuro véu que oculta na conveniência, medo que propaga o crápula e seus asseclas...
Queria escrever, discorrer sobre coisas de minha distinta realidade, que não fosse mera pretensão...ao bater e se ferir  sempre com as mesmas afiadas facas, velhas teclas,
Imparciais abordagens, pranto que fosse por toda forma de expressar sentimentos, jamais por sacanagens consentidas, jamais por ressentimentos,
Lugar onde visão não necessite se vender, opinião e vida se vender...bandeira que hasteia fosse branco de sem palavras de desordem que se hasteia, tremulando...
Fronteiras não fossem barreiras que impedissem vidas livres de seguir caminhando,
Lugar, onde não ainda fosse humano aquilo que por aí eu via, distintos de androides programados, lágrimas derramadas de hipocrisia...
Onde a prole não se assemelhasse à coisa indesejada, esquecida e desde o berço condicionada...
Somente em um lugar diferente, ainda que fosse chamado por utopia, viver pra valer onde vida ainda tivesse algum valor sem necessidade de precificar, era o que eu queria...
Onde sol, de fato brilhasse para todos...não apenas para alguns, não para iluminar o rosto de desgosto de quem somente suporta mais um dia,
Que fosse verdade e boa novidade aquilo que se ouvia, que fosse verdadeiro o sorriso daquele que, embora unicamente  para si mesmo, sorria,
Para a maior das frivolidades do ego, ou devaneios de alguém, um minuto de atenção...para atrocidades, rejeição...
Um lugar, onde houvesse significado para além de manutenção de sobrevivência, o pulsar de um coração,
Palavras que fossem poesia fizessem colorir o mais cinza dos dias...que não fosse eternamente se iludir, toda espera por redenção.




Filosofia de alegria.






Meus pensamentos perdidos em devaneios, meu olhar quase parado, inércia por entre uma cortina de fumaça...
Ela ali, olhando para algo em um cenário de coisas diversas, achando diversão em pequenas coisas aleatórias, espontânea era sua risada;
Sou forma pensante, irritante, estranha e disforme de fé no acaso, melancolia e nostalgia de coisas somente vividas no plano perfeito de minha pretensão, imaginadas;
Sou tudo que deveria se omitir, mas não se cala...sou a voz da verdade inconveniente que perturba a verdade vendida e comprada...
Com requintes de todo sofisma produzida para consumo em massa, enlatada!
Ela ali, com risos ou sorrisos de enigma, como se de tudo isso de alguma forma já soubesse...como se até mesmo meus segredos, meus piores medos, fossem coisa já sabida, velha cena sempre repetida...
Sempre com uma solução, para teoremas de uma mente altamente perturbada...abre-se um sorriso, dissipa-se nuvem negra de perturbações que sobre alguém, pairava!
Leva consigo seu pior dilema, seu pior problema...
Resolução em definição de imagem difusa de sua visão, sem surpresas que não sejam engraçadas, sem chance para um destino, para desatino onde loucura tão engraçada faz morada, sem chance para a trama, a maldição de um esquema!
Pensamento atropelando sua fala...eu em silêncio, taciturno às voltas com questões complexas, tudo que não vai além de minha palavras, não sai de minha sala;
Jura, embora em aparente embriaguez, contrariando minhas certezas sobre alguma ausência de lucidez...
Que jamais, é o tempo quando utilizou-se de artifícios para irradiar, ser radiante, intrigante em sua conduta e sua fala;
Ela simplesmente vive, porquanto pulsação persiste e motivos para sorrir...sejam simplesmente o sol sair, estrelas para contar, um céu para colorir...
Um dia a mais para em sua simplicidade de ser, ensinar...seres supostamente tão complexos, sobre as coisas mais elementares e belas do existir!
Na fotografia, eterna juventude ainda é espelho para a imagem cujos anos se esquecem de manchar, tempo se esquece de envelhecer, vento...
É seu elemento e insiste, para onde haja necessidade de alguma alegria, te levar!




Mestres e amestrados...bestas e abestalhados.

Lá estava o mestre a mandar, acolá estava o amestrado a obedecer, logo ali...bestificados estáticos, estavam a admirar;
Lá estava o amestrado a obedecer, equilibrando um bola no nariz somente para fazer o dia de um boçal que se diga normal, mais feliz;
Cá estava eu, um pouco taciturno, confesso, a observar...
Que há vida para ser entretenimento, há vida para ser motivo de escárnio e outras dignas de sorriso, há vida para mandar...e outras, para obedecer;
Pobre bicho aprisionado, nascido sujeito ao açoite, prisioneiro por inata condição, pele ou pelos cor de marfim, ou imitando cor da noite...a perecer;
Lá estava o mestre a mandar, uma multidão de idiotas convictos sobre superioridade, a gargalhar...cá estava eu, sentado em silêncio sobre um pedra testemunha ocular, a detestar!
Na verdade eu era nada por demais para algo impedir, na verdade, alto por demais o meu ladrar que jamais impediu a caravana itinerante de horrores, de seguir...
Pedras e eu, fazendo fusão...fazendo parte daquela pintura nefasta de imagem, de quem comete o crime, causa a legítima confusão e por isso, jamais se retrata...
Pedras e eu, em consonância de pensamentos, em similaridade de relevância...
Indignados, à distância, ao ter a certeza de que muito se diz sobre vidas sagradas, mas pouco há de se importar toda esta falácia dos boçais, com vidas por eles desgraçadas;
Meu discurso, quase que mudo desagrada...sinto muito, ou nada mais sou capaz de sentir, tudo segue sem que eu necessite pra isso consentir...
Com a incômoda certeza, de que realmente palavras não mudam nada.







Surto!!!





Vontade arrebatadora, violenta que me consome de cantar para um morto, num velório...
Ser menino arteiro, fazendo "arte"...mexendo com as mãos, atrasando a iminência do inevitável ou adiantando tudo aquilo que soa como novidade confortável, dependurado nos braços do relógio!
Vontade de rasgar e queimar os livros profanos de todo "direito" que seja romano, nos impeça de ter a dignidade, nos renega legitimidade, nos impeça de ser livres seres humanos;
Obrigado, soldado...gratidão servidor, trabalhador, garçom que serve coisas que jamais experimentou aos bastardos!
Servir para arrancar um sorriso que jamais seja o seu, um tapa nas costas...um tapa na cara de quem protege tua vida arriscando a própria, cusparada sórdida no rosto dos filhos teus;
Vontade de contar meus segredos para as paredes, que ao menos, parecem no ápice de minha aparente insanidade, me ouvir...
Vontade de rumar para algum lugar, quando destino aparente seja naufragar...vontade de acordar, juntamente aos teus cear, sorrateiramente neste dia sumir;
Queria ser ninguém, para deixar de ser somente mais alguém em meio deste emaranhado de gado arrebatado...seguindo judiado, vendendo identidade e voz por um vil vintém!
Ser coroado, condecorado...com uma coroa de flores, sob lágrimas de hipócritas em teu derradeiro dia...
Elevar-se ao trono dos idiotas esquecidos diariamente, somente para se sentir alguém especial neste meretrício, suplício, súplicas...auto piedade, acordar para repetição daquilo que não mais queria;
Vontade de arrebentar minha cara na parede, somente para ver se assim deixo alguma indelével marca, ainda que seja de estupidez...
Vontade de perder de vez a razão, cegar os olhos para toda esta tenebrosa visão, receber a bênção que seja ignorância...num altar de hereges, tornando tudo mais leve, levando embora este resquício de inútil sensatez!



Ligações.





Se liguei pra você, era somente para saber...
Que ainda ligo os pontos num céu escuro de estrelas por aí, apenas para matar saudades, apenas por questões fúteis, frivolidades que sejam saudades de nosso bem querer...
Que ainda faço as mesmas coisas que detestava amar, que ainda cometo os mesmos erros pelos quais detestou se apaixonar...
Que em outros endereços peço socorro que seja por alguma carência...contudo, em outros ninhos de paixões fugazes não encontro prazer;
Que ainda ligo para nós, agora também ligando pra mim mesmo, distinto de desamor que desatou nossos laços de outrora...
Toque intermitente, chamada que ninguém atende, coração que pulsa na espera...olhar que sem querer se desespera e lágrima teimosa desenhando traços deste rosto que rola!
Coisas que ninguém entende, senão quem soube um dia sobre pouco se importar consigo, para nada daquilo que muito tinha a alguém entregar...
Coisas de quem nada saiba deveras sobre amor, porém muito diga por aí sobre paixões que parecem para sempre durar, coisas de quem nada saiba e ousa querer amar;
Se liguei, é porque talvez lhe vejo num céu de imensidão repleto de tua ausência...
Quiçá seria porque este cigarro e semblante plácido, oculta uma face de quem perde aos poucos, um pouco mais de alma e paciência;
Sou apenas pretenso poeta que vive realidades onde somente possa sonhar, sou tão pequeno diante deste sentimento, diante do existir em si...diante deste mar!
Toque intermitente a me torturar, até que alguém entenda que nada sei, mas muito dizia e jurava sem saber que estava a trair a mim mesmo, e àquela que tanto queria cativar...
Até alguém entender que sou certezas somente para meus enganos, que sou dúvida que caminha com semblante austero de orgulho tolo que há de ter um ser humano;
Até que você volte a me atender, assim sem querer...ainda, que seja somente para ouvir tua voz e saciar esta vontade por segundos, ainda que seja por piedade de quem talvez, também em sua aparente perfeição, cometa algum bom engano!



domingo

De repente, nós.





Estou me esquecendo das palavras de erudição, refazendo formas desfiguradas com o que restou...me vendo na cegueira, sem preço...
Por muito apreço a ti, me esqueço sobre quem sou;
Estou...mudo, mudando de mundos e de quartos, pintando nas telas de minha imaginação pura pretensão, que fosse nosso um retrato...
Questionando o destino, que leva razão e deixa nós somente de desatino...de quem parte sem avisar e leva do coração sempre mais que um pequeno pedaço;
Me pintando de palhaço novamente, caras e bocas, maquiagem de pessoa tão igual em um dia supostamente diferente...
Sorrisos ausentes de mim, pois era todo seu o motivo...pulmões me lembrando de respirar, despertador me lembrando de acordar para caminhar por aí em passos de desperdício;
Traçando rotas que sejam de perdição, correndo os riscos ao discorrer em versos sobre ti...perigos de trafegar na contramão;
Encontro de mundos, um lance num súbito encontro de olhares, entrelaço de dedos...de nossas memórias, nada restam além de mares!
Que derramam destes olhos marejados, nesta vertigem que causa refutar realidade revivendo ciclo insano de repetição de passado...
Por hoje, esqueço-me novamente de dormir na espera por aquela que não mais aparece, por lembranças, espaço vazio na cama, tudo que não mais apetece...
Amanheço sem anoitecer, sigo sorrindo fingindo não sofrer...desejando aqui não mais estar, simplesmente para em alguma eternidade por aí, me despir das vestes ou vestígios que remetem a você...
Sigo sendo, ferida sem fechar segue sangrando e doendo...que bom, seria por definitivo deixar de ser!
Resta aquela banco vazio cheio de "nós"...resta porquanto eu respiro, tudo aquilo que há de restar para levar consigo, de uma vez, toda minha lucidez.


Somente, se for boa a semente.

Deixa um pouco de ar para compartilhar, ouvidos para ceder e boca a se calar...
Deixa ser um pouco mais, espaço aprazível onde deseja estar...deixa ser algo que transcenda o frio do concreto e tenha o aconchego de um lar;
Deixa amor para quem saiba amar, deixa olhares para o sublime que pouco interessa, deixa pra lá coisa cotidiana tão normal como há de se parecer...
Contudo, resta convicção de que o vazio desta visão, é deveras coisa que não presta;
Deixa ser beleza, deixa ser menos cinza...espaço para abraço, espaço para estar solitário, espaço para mais que um sol somente, semente que sejam flores...deixa ser natural, natureza!
Deixa espaço para atuar, embora sem que seja tão ator...deixa tempo para estar à toa, vida é coisa passageira que pede passagem e certas viagens não ficam pra depois;
Deixa...que algo que não seja emaranhado e se torne confusão, cresça, deixa que aquilo que deseja ser, seja...deixa desaparecer, aquilo que tanto faz, não lhe apraz, deixa que a bruma esvaneça;
Deixa a mente para se lembrar, alguma lágrima de boa saudade para chorar, deixa também alguma tristeza para que jamais se esqueça...
Que tudo que não lhe convenha, lhe ocorra justamente quando se ocupa com frivolidades do ego e permissividade involuntária, deixa que aconteça;
Não esquenta, esfria...arrefece aquilo que à loucura conduz, que com teu discurso ou tuas verdades não condiz, deixa que arrefeça;
Se quiser um amigo para sempre, procure em si mesmo alguma companhia que seja digna de ser companheira até o final de uma vida de incertezas...elucida, mas se possível não enlouqueça!
Deixa algum espaço para que algo seja surpresa, pois acerca de todo o resto, sobretudo...
Já vivera tempo o suficiente para que sejam certezas.


sábado

Abraços, sem despedidas.



Vi tudo se elevar ao meu redor, vi e acreditava que um sorriso tudo poderia vencer...
Vi tudo se modificar, não via algo, entretanto, com os anos se passar...não me via por dentro, logo não te via crescer;
Brilho de sol em opacidade perpétua de um olhar que outrora, reluzia...
Aurora no horizonte distante que não quero mais alcançar...luta, contra um inimigo que desisti de lutar, valeu a pena ver porquanto fora na ignorância que eu vivia;
Tudo o que se parecia primordial, agora se parece paliativo...face de espontaneidade que transbordava em alguma forma de felicidade, se parece com a de um palhaço...
Em obrigação e profissão que seja de alguma fé que reste, de dar ou arrancar algum sorriso;
Toda carência havia de se saciar no ensejo apropriado, na perfeição de um destino desenhado...num abrir de braços para encaixe perfeito que fosse alento de um abraço, abrigo;
Vi a pedra fundamental para que tudo se elevasse, vi ruínas de mim...
Quando vida era aquilo que corresse nas ruas em tenra idade, e no espelho aquilo que envelhecia era algo além de minha face;
Amor que fosse próprio ou que fosse crer no incondicional, ainda que fosse coisas banal...tal qual falsa afeição alheia...
Agora se parece com piedade, se parece com viver no presente já sentindo saudades, me pareço preso na iminência maldita desta teia;
Sangue que corria nas veias, ruas de alegria de outrora hoje remetem à melancolia de amargura...tetos de concreto ou de estrelas...
Vi tudo se elevar ao meu redor, lembrem-se somente de mim, se lembrança remeter somente ao que restar de melhor;
Ademais, deixe-me seguir, deixa-me em alguma paz poder partir...sem palavras de despedidas, tudo há de se parecer mais leve e um pouco menos pior.



sexta-feira

O ponto.

Parado à espera, muitos a parar sob mim, em minhas adjacências sempre sob céu cinza de adversidades ou castigo que se sinta na pele da impiedosa esfera;
Ninguém, no entanto, comigo se importa, pois, contra algo que seja tempo a vida corre...por dentro de latas sobre rodas vida é coisa pequena que se encolhe, gente paciente se desespera;
Irrelevante por demais para ser presença pouco notável, paradoxo...paradeiro temporário indispensável para vidas esquecidas que apostam corrida contra o relógio...
Apostam um pouco mais do nada que tenham a perder, inanimado ser a te esperar em redundância cotidiana...descanso de sobrevivência, despertar para obedecer;
Permaneço aqui parado, presença certa em sua rotina de repetição...pouco tempo para se importar com o que não seja tua condição, horário impreciso de tua condução;
À espera de vidas que pouco possuem para ceder, pois em algum lugar...destinos, distantes de mim pouco terão a receber, contudo sempre algo além de suor e sangue para dar...
Fábulas, coisas mínimas...majestosas, que o mero subsistir que padece com sorriso amarelo no rosto, que não há de notar;
Idéias à espera de quem somente tenha pernas para correr e braços para apontar, ponto para registrar cegam olhares para pontes que sejam travessias de mudanças, oportunidades a esperar;
Sou abrigo inesperado contra intempéries do tempo que se pareçam com castigo, sou por vezes, quando lembrado...
Amigo ou algoz assaz odiado pelo ser que no semblante cansado, expressa seu desgosto de infortúnio, de riquezas que seja o vil metal, pouco abastado;
Destino certo diário de todo filho da mãe gentil, bastardo...madrugadas de frio, manhãs de sol, sou eu a lhe observar ignorado, mas sempre ao seu lado;
Volta pra casa, desfaz a carranca de tua cara...é somente mais um gole de gosto amargo servido pela mão de um ingrato, miserável resignado;
Amanhã novamente, um novo dia com cara de reciclado, com a única certeza que serei eu novamente quiçá...a única companhia que permanece ao seu lado.





quarta-feira

Devolva-me.

Estou querendo sentir, contudo não quero mais precisar daquilo para poder novamente sorrir...
Estou querendo o prazer, estou querendo os ventos que possam por alguns minutos o passado de volta me trazer;
Estou querendo algo, simplesmente pela sensação que traz todo o vazio que sussurra nos ouvidos...lembranças desagradáveis sobre um nada ter;
Quero romper com esta redoma onde sinto o pesar do próprio ar que remete à morte, quero vida em plenitude, algo além de um bom dia que não se pareça com boa sorte;
Desatar laços com o presente, estender os braços num abismo por aí onde perdi um pouco de mim...ao deixar tudo que fosse eu, ser conjugado no passado;
Voltar atrás sem olhar pra trás, fazer novamente o certo para quem sabe...na agonia deste agora, passar insano das horas e tudo não se parecer tão errado!
Ter de te odiar para voltar a me amar, com olhares cansados de repetição...a velha paisagem, sem minhas lentes de ilusão, voltar a admirar!
Poemas se parecem com palavras simples em versos de mistério que soam como coisas complicadas...
Toda simplicidade de ser e surpreender levou de mim, restando somente aparências daquilo que outrora foi e hoje, se assemelha com complexidade de frases feitas ou novidades já contadas;
Ficar distante agora, simplesmente para viver distinta realidade que tanto lhe seduz tal qual à dama que tanto ama, mas detesta...
Quero ser parte mais importante de mim, não mais mera parte integrante de magnitude irrelevante...
Molécula, inerte e desimportante, porquanto abutres façam em ausência consentida de mim, de minha carne e minha dignidade, um prato cheio para ceia, sarau, festa!
Com desgosto estampado no semblante, a observar tuas próprias desgraças, novamente pela fresta;
E uma vez mais, defenestrado infeliz, lamentando por destino traçado, eterno aprendiz...ser algo distinto deste alguém, que muito fala e nada diz.




terça-feira

Viver, sem hora para sonhar.

Queria que o tempo parasse, que aquilo que não tem importância, de fato não importasse...
Queria um paraíso pra nós dois, um pouco de paz que pairasse em partículas da leveza deste ar que se respira agora, paixão que inspira e não fica pra depois;
Que fosse origami, que fosse pintura em tela, paisagem onírica mais bela...que fosse algo concreto além da ilusão de um pretenso poeta que, sobre sonhos, com espelhos somente conversa;
Queria viver para ver sumir aquilo que não somasse, queria viver eternamente jovem para não necessitar que minha ótica diariamente se renovasse...
Queria tomar em meus braços aquilo que não me pertence e fosse preciosa forma de vida, mas em meu peito morada eterna encontrasse;
Casinha em meio ao nada feita de taipa, laços de liberdade que unissem destinos feito arame...
Fumaça de nossa lareira imaginária, formas em nuvens...desenhos de bons presságios, para onde voam os pássaros e o tempo se parecesse irrelevante;
Queria que aquilo que importa, não necessitasse partir somente para deixar saudades e lembrar, sobretudo, que toda abundância sem saber sobre amar será um mar...de súplicas por piedade;
Queria um pouco mais de ilusão em minha inofensiva mentira, contudo hei de querer um pouco mais de verdade em minha utopia de realidade...
Um pouco mais de razão para nossa insanidade, um pouco mais de prazer que nos fizesse eternizar, resplandecer na face fria do luar nosso jeito singular de amar, nossa liberdade!
Queria pouco mais do que tenho, mas que me concedesse alguma certeza que me libertasse destas paredes...convicção de nada ter, nada saber, raios de sol ou cinza no céu para aprender;
Quero verão para aquecer, outono para renovar, inverno...pra com um taça de vinho de sabor tal qual ao teu, tão distinto, te degustar...
Primavera para renovar, cegueira para tudo o que não apraz, deixar de enxergar;
Queria talvez, somente uma chance de poder dormir ao meu lado...acordar em teus braços, na distância exata que separa tudo o que seja fugaz, de um breve momento para eternizar.




Darwin entre nós.

Você não lê mais as bobagens em versos de devaneios que escrevo, contudo ainda ouço às tuas canções, porém...não sei se devo;
Num pedaço de papel ou na pequenez de uma esquecida página, coisas sobre mim talvez no célere ritmo de teu existir ainda passam...
Sei sobre dimensões de meu lugar, aqui ainda permaneço e me atrevo!
Dizia-me sobre resistir, quando tudo ao meu redor parecia ruir...dizia-me sobre sorrir, sem deveras se importar sobre meu vil existir ou meu contexto...
Dizia-me coisas belas sobre resiliência, sobretudo acerca da importância de ter um pouco mais de paciência...se esquecera que um dia quase também pensou em desistência!
Do alto de seu pedestal de quase arrogância, oráculo te tornara o destino para que recebesse meros mortais no cume de vossa montanha...
No sublime de teu suposto existir de uma pirâmide, alguns se esquecem de coisas elementares de quando toda luta se trava na base...muitos dias se perdem, para um que se ganha;
Darwin explica, talento se traduz em sucesso para poucos, em luta para muitos...
Transpiração traiçoeira que faz da proximidade da margem, um cemitério de sonhos, segregação dolorosa diante dos olhos, de nossos mundos!
Darwin explica, nós que nos auxiliaram na travessia se desatam, coisas que pesam ficam pelo caminho...coisas leves, serão recebidas com flores pelo destino;
Abismo cretino que com nossa carne se sacia, ostracismo maldito que com nosso sangue e lágrimas derramadas extasia...
A diferença entre nós talvez seria...que o mesmo sol que ascende ao céu para queimar minha pele, nasce somente para iluminar ainda mais teu dia!
Valeu, nossa tentativa...sucesso em teu caminho, concluíste tua travessia;
Somente não se esqueça, que estivemos juntos e andamos pelas mesmas ruas de lutas e que se fecharam  as mesmas portas de frieza para nós, um dia!





segunda-feira

Casos e polícia.




Pela mesma via que trafegava e não me via, sem querer teu feitiço lançava...tua coisa ilícita vendia e me entorpecia;
Era eu que te encontrava, ou aos poucos me perdia...lança tua rede e me faz cativo, tece tua teia e devora-me ao perder-se comigo;
Sorrateira, cigana que dissimulava e de soslaio me olhava...um sorriso lançava, na certeza de que aos poucos me conduzia...
Se estou a desenhar tuas formas tão perfeitas neste quarto de vazio, merecido seria meu castigo...
Se estou sorrindo enquanto enlouqueço em desespero e devaneios de hospício, você é o motivo;
Sacia minha sede, cai na minha rede...some de minha vista, dispa-se de tuas vestes e sacia de vez este estranho vício!
Viver assim é permear limites perigosos de ser, viver assim é mero susbsistir em negação de quem refuta estar a enlouquecer...
Viver assim, é para sempre no paraíso de teus encantos imorais e ilícitos, perecer!
Não creio que à lei devia sujeitá-la, não acho, entretanto, que aos grilhões deveria aprisioná-la, aos leões em um banco de réus atirá-la...
Simplesmente desejo a maldição ou redenção que somente encontro em teus beijos, simplesmente aos homens fardados de meu coração, para que lhe trancassem eternamente nesta prisão, gostaria de entregá-la!
Cerra meus olhos para descanso em teu regaço, deita teu corpo de deusa em minha cama, se renda à minha perfeita trama...faça de mim, ninho para teu ninar;
Encontra em meus braços teu derradeiro espaço, faz desta ilusão realidade para que jamais eu tenha de acordar para sonhar...ou, aos homens da lei, novamente lhe entregar!




Ordem, progresso...

Recuso a ordem que censura a emoção, divide opinião, paz que não me apraz....força, que cala a voz da razão;
Recuso progresso com jeito de retrocesso, atroz processo ininterrupto de deterioração que se esquece dos "trilhos", mas desgovernado com seus partidos, parte um coração...
Rejeito o braço forte, a mão supostamente amiga que não respeita um sonho...
À toda forma de revolução que não seja somente aparente manutenção de ciclo insano, me disponho;
Se urge necessidade por refutar realidade, se brados nada serão além de expressão do nada que há de se ouvir daquele que sofre calado...gritos de quem sinta, vidas sem sentido, lamento brutalmente sufocado;
Se felicidade se assemelha a um prato cheio de piedade, algo soa errado;
Se poesia é aquilo que se picha na escuridão de um muro, com erros ortográficos para que o dia de alguém mais amanheça iluminado...
Emana da dor, da essência que ainda seja amor, de cicatrizes tão valiosas de um povo inofensivo que padece vigiado;
Recuso a ordem, toda forma de poder...arbitrariedades que causam contrariedade, soa ardil como há de soar toda sutileza de imposição...
Rejeito esta colher de conformismo, esta dose a mais de resignação;
O trem partiu para sempre, a espera sempre se parece paradoxo...para quem espera sentado por alguma solução...
Seja aqui, seja em Marte, seja no plano perfeito de toda ilusão...recuso ordem e progresso com gosto amargo de regresso às ruínas de nossa frágil edificação!
Espero sem parar, entretanto, por aquilo que seja concreto para ser alento, sustentação...até a próxima plataforma de dores ou saudades consentidas ou não, até uma próxima estação.




Legado de um vagabundo.

Na primeira conjugação de todo verbo ao versar, fui segundo, fui terceiro...não me recordo sobre ter sido pioneiro, contudo sem com isso muito me importar;
Se por acaso perguntarem por mim, quando distante daqui estiver de fato a perecer ou, finalmente repousar...
Simplesmente, quem algo sobre mim souber, não hesite em dizer, verdades tão pouco aprazíveis tais quais a mim, nada temem quando sejam tema na boca de terceiros que estejam a discursar;
Estive por aí quando primeira impressão era edificação de muros intransponíveis, invisíveis a nos separar...
Estive por aí, quando pelas mesmas ruas, diariamente nossos destinos se cruzavam, mas olhares teimavam em evitar;
Quando admiração ou repulsa, se pareciam com indiferença que faziam por um caminho diverso tua vida trilhar, tua boca sem querer, cerrar...
Sem um muito obrigado sequer, hoje no ostracismo definitivo, não estenda tua mão, não manifeste alguma gratidão à terra se misturou, ou de um berço de madeira já não possa se levantar...
Tampouco, não perca seu tempo em maledicências quando definitivamente indiferença, encontrar nesta forma de vida tão ignóbil, agora inerte, imóvel...seu perpétuo lar;
Diga ou não, que fui disforme personificação, tudo aquilo que se parecesse com o mais feio e sem essência alguma a ousar...
Desimportante por demais para não deixar de se esquecer, relevante por demais para se admitir que não necessitava de frivolidades para encantar;
Sobre as belezas que ninguém nota fazer versos em meu pobre versar;
Pela cidade me lembrar enquanto muitos se esquecem, repetindo os mesmo passos daqueles que passam, por caminhos que ao nada levem...
Sobre enaltecer em palavras, o quão especial seja simplesmente um aparente renovado despertar...
Sobretudo, acerca de tudo aquilo que remeta à vida que não vivi, às coisas que não vi, mas pude sentir pairando por este mesmo ar.





Rosas para florir.

Esqueci de um mundo de indiferenças dentro de mim, somente para lembrar você...
Esqueci daquilo que não deveria importar, me lembrei daquilo que não se deve esquecer;
Cor de rosa, então, coloriu meu dia...embora, cinza se fizesse prevalente em horizonte sem raios de sol, de meu amanhecer...
Cor de rosa, rosa que espero para novamente sorrir, rosa que espero para meu céu deveras colorir, rosa...que espero para novamente acordar para sonhar, antes de deitar-me para morrer;
Rosa, que justifique nesta estranha espera, dias em preto e branco para suportar e não sucumbir...
Rosa que faça dissipar maldade que se traduza em olhares inocentes de alguma afeição que seja a mais pura e pueril verdade...cheiro de coisa nova a fitar olhares, cansados, arroxeados de quem não mais consiga dormir!
Rosa distinta para em um jardim de melancolia e saudades somente, rosa que seja ainda semente para que tudo possa novamente florir...
Em um cemitério de lembranças que quero esquecer, em um horizonte que meus passos cansados não alcançam e olhos cegos já não possam ver;
Venha à tona, seja luz para que possa me lembrar, ainda que breves sejam meus dias...sobre novamente haver uma boa razão para viver;
Seja graça em meus braços, seja dona de meus melhores abraços, seja pedidos sem voz....reflexo de ternura em tua íris colorida, que torne esquecimento a ausência de sol de um triste entardecer;
Seja aquilo que nunca aprendi, contudo ousei em palavras dizer e em perjúrio por vezes jurar...
Seja boa mentira somente para que eu possa acreditar, seja maior que ausência de calor neste inverno eterno de meu sobreviver, seja pra mim...
Maior que aquilo que jamais vi e se chame por mar!
Seja amar, seja simplesmente tudo aquilo que se pareça com alegria e há tempos, esqueci em algum lugar.