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terça-feira

Um dia, quem sabe?






Apenas mais um dia, para ser vivido com requintes de resquícios do passado recente...
Vontade passa ao largo, certeza se parece com incógnita, certo se parece com errado;
Disforia, apatia, sonolência...vitória certa da boca que profere que esta seja vindoura, embora duvide, ainda que tardia!
Apenas mais um dia, para queixar-se sobre letargia, para sentar-se onde não queria e sentir-se como não deveria...
Maldita é a cegueira que me impede de enxergar saída, ainda que esta seja pela tangente...
Maldito coração que pulsa sem sentido em meu peito e me faça crer que ainda sou algo parecido com gente!
Se esquecer sobre os louros da glória, quando jaz na infâmia e incredulidade...
Se esquecer de vez de tudo e todos, foda-se, a vida que perece e pede socorro é a minha para que eu pense agora na humanidade!
Apenas mais um dia, vendo tudo o que queria pela vidraça, desfilando pelas ruas, enquanto uma lágrima ou saliva deslizava pelo canto da boca de alguém emudecido pelo desgosto, caía...
Verdade nua e crua, roda gigante lhe dá a perspectiva de um horizonte adiante...altos e baixos, que lhe trazem certeza que nada se passa por ilusão sempre distante;
Apenas mais um dia, engole tua dose de esquecimento enquanto tudo de ti se esquece...
Apenas mais um dia para suportar, porquanto alguém por aí, teu nome em uma lápide vagabunda com erros de ortografia...já escreve!
Quem sabe um dia, o destino não se pareça com karma a pesar sobre meus ombros, minha sina não se pareça mais leve?
Quem sabe...um dia desses, o vadio entorpecido, retardado, esquálido e iludido...de uma vez por todas, não toma coragem para fazer o que chamam por covardia e simplesmente desaparece?






sábado

Prantos de um anjo.



Anjo chorão, derrama tuas lágrimas congeladas de compaixão...lágrimas de concreto, sobre mistérios...
Anjo de cemitério, figura de saudades sob um salgueiro que chorava...lágrimas de verde vívidas, por vida outrora vividas já derramava;
É cinco, talvez seja seis da manhã em algum lugar...é entardecer para alguém, é raio de sol iluminando vida vindoura que ousa chegar;
Anjo de prantos, tua justiça por vezes tarda a chegar...seria falha do destino, de teu Senhor que tarda propositalmente em lhe avisar?
Seria capricho de plano previamente traçado pela morte, ceifeira traiçoeira e Senhora de todos, somente para lhe ver petrificado...como se em eterna maldição, tivesse de chorar!
Por vida que pedia por teu socorro pouco antes de chegar, por tudo o que seja nada além de silêncio agora...coisas que se misturam à terra e nela, encontram seu definitivo lugar;
Diga-me que há algo além deste silencioso réquiem perturbador que rouba humana calma...
Diga que vida aqui não se encerra sob terra, diga que há paz finalmente após perda de algo que seja alma!
Tolice a minha, falando a um anjo petrificado em meio a esta paz que remete ao passado de saudades, que hoje se traduz em nada...
Chora, anjo...eternamente em forma petrificada!
Guarda nobre, recolhe tua espada...na bainha descansa de tua luta, recolhe tuas asas, vida é algo complexo e morte parece ainda ser mais complicada;
Derrama teu pranto, extrema unção...anjo, guerreiro dos céus, tua imagem perpétua a este lugar não pertence...
Voa em socorro, pois nas pradarias, nos morros, grita vida aflita por tua presença, antes que a morte seja sentença e silencie para sempre um outro coração.


Zíngaro sonhador.



Hoje, esqueço-me um pouco de mim mais uma vez para lembrar você...
Caminho no limiar, flertando com o mar...beijando a sereia, enamorado embriagado na areia, sempre à mercê;
No céu, resplandecente figura é a tua...imagem colorida, formas curvilíneas, quente deusa nua;
Astronauta iludido, neste chão de desejos...em meu céu há somente lugar para um luar de paixão, tesão, libido;
Hoje...uma vez mais deixo-me por aí, saio sorrateiramente para que nada se ouça de meus passos, saio sem promessas em palavras, evitando o despedir...
Rompendo laços com aquilo que não há por dentro, entregue em abraços ao desamor, de quem me faça juras sobre coisas que perduram por além de uma alvorada, ou um breve momento;
Leve...leve destino, neste último ato de desatino, leve tudo que me cerca e seja dissabor, memórias que tocam em feridas causam dor...
Leve, aquilo que seja metade de mim, mais da metade quiçá do que sou, mas me impeça de ser em plenitude forma personificada de amor;
Hoje me lembro de você...amanhã, talvez não mais;
Entrego-lhe coração que se desenha na areia e se desfaz, do sal desta água, lhe enfeito de cristais...corais;
Entrego-lhe palavras, um pouco de vida, tudo o que seja fugaz...
Fui Sol em fulgor, foi belo nosso breve conto de amor que se assemelha com a bruma deste mar...coisas com jeito de nunca mais;
Se amanhã acordo sozinho com uma lágrima de alegria por aquilo que ontem se parecia e hoje amanhece como nada mais, sigo em paz...história da minha vida, dou de ombros e finjo que tanto faz.




sexta-feira

Não olhe pra trás.

Tempo de sobra para sobreviver, se contentar com sobras, caminhar nas sombras...às margens de tudo que se pareça com plenitude de ser;
Nada impede aquele que não se importa com pouca relevância e simplesmente segue...pequenas distâncias a percorrer entre eternidades de escuridão e luz para quem ousa e consegue;
Vida desde a concepção se parece com coisa não escolhida, tolice entretanto, se parece a persistência em perecer em subsistência...
Preferência, por lágrimas a sorrisos...tudo muda num segundo, felicidade não espera e será sempre caminho de alegria, ainda que na dor, que há de causar seus espinhos;
Algo está por vir...algo que não se veja, não se sinta, mas algo que se evita...
Simplesmente por crendices em repetições de infortúnio, neste estranho jogo de inconstâncias que se chame por vida;
Levanta tuas armas, tuas melhores argumentações ou maledicências, conjurações...esteja sempre pronto contra a iminência deste nada!
Ou, então, preencha este vazio, desista deste inverno eterno de resistir a tudo que segue...permita metamorfoses, se liquefaça;
Seja líquida forma nesta tua essência de pureza, seja folha amarela sem medo de vir ao chão em outono de tristezas...contudo, assegura que haja para ti uma primavera que lhe refaça.


sábado

Nada, há de ser tão ruim...

Pior que a sensação de que algo ainda falta, será a sensação de algo perder...
Pior que a sensação de arrependimento por ter feito, será eterno arrependimento pelo que podia ser;
Pior que deixar de viver, é esquecer em vida que esta consiste em mais que mero sobreviver;
Pior que pensar que jamais fiz sentido em versos, é pensar que descrevia com maestria verdades tão sublimes sobre você;
Pior...que nada saber, é pretensa sapiência que apenas toca sem riscar o intangível da imensidão que seja plenitude de conhecer...
Pior que ar rarefeito, será arfar no peito com abundância de ar por desespero...por besteira que poderia deixar de ter feito;
Pior que pensar que tudo esteja errado e deveria ser mais do teu jeito...é não saber que a natureza tem sempre razão e que bípede forma de ser passageiro e pensante, jamais fora perfeito;
Pior que não sentir é fingir...pretensão da mente ardilosa de que todos sejam cegos para deixar de ver, aquilo que não existe em teu peito;
Pior que mentir seria talvez omitir...ter a possibilidade de um plano alternativo, porquanto haja algum jeito;
Pior que ausência de fogo que aqueça, é fogo morno que acenda por obrigação somente para se lembrar daquilo que todos digam para que não se esqueça...
Pior que o frio que se sinta no vazio, pior que reticências...seria reticente que fosse, abreviar com um ponto peremptório um existir, com um breve estampido na cabeça!
Pior...é escrever, sem saber a razão de o fazer, sem saber sobre versar, ser tão rústico para que seja erudição por um segundo, sem sempre tão errante e tão vulgar...
Pior deve ser sentar-se nesta cadeira sentindo remorso por tantas coisas, talvez...simplesmente por desconhecer o meu lugar;
Pior que deixar tempo passar...é sempre esperar por idéia ou palavra alheia, uma mão por estar sempre perdido sem saber por onde rumar.



Complexidades sensuais.



Fases, mais que a lua, espelho é o que nega, faces...mais que cem!
Na cama te quero calada e nua, ao meu lado prefiro solidão, prefiro seguir errando com meus próprios passos, prefiro seguir sem;
Ao pretenso poeta a ilusão de tudo ter, tudo ser, tesouros intangíveis do abstrato...ao tolo de fato, um harém!
Monólogos do ego entre duas ou mais, olhar atônito, estarrecido masculino por demais permanece calado...
Tudo tinha um plano, tudo era pra ser tão certo...mas, humano sempre é fator imprevisível para cálculos exatos;
Se mulher, será ainda mais...cale a boca vadia maldita, burra ou erudita, use esta maldita latrina sensual para algo que me satisfaz!
Na boca te dou o silêncio daquilo que lhe preencha e que sempre quer um pouco mais, na retaguarda te dou um golpe sem palavras precisamente aplicado...subentendido, não regressa jamais!
Até um próximo dia, até uma próxima vez...que eu possa jorrar em tua face imaculada de perfídia e luxúria, o troco por tudo o que me fez...
Gosto de me enganar, pois sou assim homem e limitado, o criador assim me fez...sigo iludido, mas ao menos sigo, nada pára porquanto paira meu olhar neste ar poluído da conspiração da vez;
Segredos e sorrisos, risos...para mim, de mim, escárnio do que sou será recompensado com gritos de dor misto de prazer, tua cara de puta e frangalhos daquilo que de ti restou;
Sou varão, sou cacos reunidos daquilo que se refaz, contudo ainda sou viril...
Sou aquilo que usa sem hesitação ou moderação, sou cria divina...imitação maldita feita pelas mãos do nefasto, curvilíneas formas sem coração!
Sou aquele que finge interesse, porém não se importa com tua opinião...
Minha vida segue, errante sigo eu...se tudo parece parar ao teu redor para lhe socorrer por tua suposta fragilidade de ser, não será problema meu.
Até um dia desses, raios de sol de um dia que não escureceu...até a próxima oportunidade para teus planos mulheres, mas que o trouxa da vez, não seja eu!



domingo

Vai na veia.

Vai na veia...seja veneno, seja sangue, seja injeção de ânimo proibido, mas altamente necessário...
Vai na veia, libido, tesão...vampiro na sugando sangue que pulsa vermelho mais forte, vai pra cama e termina no chão;
Vai na veia, cai na teia...emaranhado daquilo que não pediu, mas precisou...
Festa da qual não se lembra de ter participado, vai na veia o resultado trágico de um momento mágico...
Torpor, êxtase...terror, ter de rir daquilo que vai na veia, mas não seja mais somente sangue, seja mistura heterogênea de algo inesperadamente adulterado;
Vai, em frente...enfrenta teus demônios, extirpa teus tumores e temores;
Dissipa com teu parco iluminar intermitente, aleluias, abutres, conviva com os roedores;
Dispara em direção ao nada, a coisa tão certa sempre na hora errada...dose necessária, vai na veia a cura para tua loucura, sustentação para que não perca teu chão, alento para tuas dores;
Vai na veia...foi-se vida, foi-se história que por mãos alheias porquanto esteve ausente fora escrita...
Fora com a impiedosa foice, tua chance outrora nas mãos...sem tinteiro agora resta somente pena por memória que poderia ser inesquecível, a coisa mais próxima da perfeição, bonita;
Vai na veia uma vez mais, retira-se um pouco mais de paz que não há...injeta-se um pouco mais de caninos, um pouco mais de venenos vendidos quase que permitidos...
Vai na veia, tudo aquilo que torna intensidade, tudo aquilo que faz de um segundo, uma eternidade...
Vai na veia, tudo aquilo que te torna eterno escravo, para além do sempre, alguém esperando por algo para que seja movido;
Vai na veia, cai na teia...cai a casa, tudo ao redor queima não mais para aquecer quando repentinamente, vida pede socorro e com mais gasolina se apaga a chama que incendeia!


Neurosis

Insira um pouco mais de mim em você, seja um pouco mais eu...ceda menos espaço a você;
Seja aquilo que queira ser, desde que seja sob minha concepção de lhe deixar ser...seja um pouco mais marrom, um pouco menos azul, conceda, consinta mais com aquilo que lhe digo...
Você, sequer sabe sobre si mesmo, deixe minhas palavras por ti falar, permita-me uma vez mais lhe mudar, deixe que eu conjugue verbos na terceira pessoa...viva mais seguro, à mercê!
Troque mais idéias comigo, troque tua idéia estúpida por aquilo que eu não esteja certo, contudo com uma quase certeza sobre coisas vividas sob tua pele, pressinto;
Diga menos, cerra tua boca, sossega teu semblante perturbado pelo silêncio que lhe imponha minha imperativa voz...seja mais ouvidos a mim, meu amigo, jamais teu algoz!
Distante de meus olhos, para teus problemas tenho a solução...distante das batidas de teu peito amargurado, tenho a cura certa para teu coração;
Distinção dos demais não apraz, meu rapaz, lhe asseguro...faço ênfase quando afirmo que não é seguro, viver longe de meu olhar, longe de meu controle estará em apuros;
Seja mais norte, menos sul...seja tudo que não posso ser, mas sem soar como coisa da sétima arte, em ti faço boa projeção...
Seja mais normal como sou, seja menos louco e deixe de sonhar...viver assim, à lugar algum há de levar senão à loucura, sempre há de terminar em frustração;
Seja desculpas, aceito teu pedido silencioso de perdão...retira de mim agora estes olhares de quem esteja sufocado com abundância de ar, leve para longe de mim tua maldição!
Deixa-me em paz, sou somente alguém inocente que queria o planeta de tua vida ao girar na palma de minha mão...solte esta arma, EM QUÊ ESTÁ A PENSAR, EM SE LIBERTAR?
EU TINHA O PLANO PERFEITO PARA "NÓS"...COMO OUSA DESATAR E NÃO SER MAIS EU....
NÃOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




Se, sou.

Se sou experimento, creio que falho desde o tubo de ensaio...
Se sou projeto piloto de algo, pareço nada de fato propor...sem lógica, trem desgovernado;
Se sou projétil, nunca acerto no alvo...pela culatra saio ferindo sem querer a mão de justiça sangrenta, o assassino com razão e mérito para sair são e salvo;
Se sou algo, sequer pra ser...decerto não sei afirmar, certamente direi que as coisas sobre mim tanto sabem quanto eu mesmo, acerca de mim hei de saber;
Sou o terço nas mãos quando peça por um quarto que seja de paz, sou boa memória para ser esquecida, sou algo deixado nas sombras à margem de si mesmo...
Vento que não move moinho, flor inodora e sem espinho, irrelevante fato, indesejado fardo deixado para trás!
Meus versos desconhecem limites das linhas, minhas palavras nada dizem que seja de forma explícita...ou deixam por dizer como bom mistério para entreter nas entrelinhas;
Não há razão em minha escrita, não há quiçá motivos claros para que estivesse falhando novamente no vil intento de soar poético, sem deixar de ser patético ao relatar fatos sobre minha própria vida!
Sou viola sem cordas, violão sem inspiração...sem acordes, sem notas;
Sou presença tão ilustre que perpassa diante e distante em paradoxo pelos olhos de uma multidão estarrecida que jamais toma nota...
Sou alguém que não deveria, mas se atreve...sou alguém que precisava talvez de um pouco mais de leitura, mas escreve...prazer, sou um idiota!
Com este triste fato silêncio consente...com esta estranha realidade, minha mente em negação e auto afirmação em palavras de discurso eloquente, discorda!


Nosso reencontro.

Assim, despido de orgulho ou pretensão, sabia sem querer que além das lágrimas que me cegavam, tua estavas a me seguir...
Assim, como um dia que amanhece para alguém que deseja véu de noite acolhedor para vida que se entristece, era tua a voz que dizia sobre superação e sobre persistir;
Concedia-me certezas, em um canto vazio de dor, repleto de minhas tristezas...sobre algo além deste mísero subsistir, um alento que fosse segredo confiado somente a mim...
Algo nosso, para ser promessa de um amanhã melhor com motivos de sobra para novamente sorrir;
Assim, quando tudo parecia estar perdido, quando alma parecia ter para sempre partido e amor se parecia somente com utopia ou coisa condicional por demais para que fosse vivido...
Senti seu toque, senti sobre mim teu olhar compassivo...dizendo que me compreendia e que história não se resumia a um dia de amargura e sensação de absoluto vazio;
Era tua a voz imperativa e branda que me exultava a caminhar...
Era tua, a canção que soava como doce acalanto para que em noites de desespero, um flagelo miserável pudesse ter alguma paz após seu pesadelo vivido poder ninar;
Era tua a luz que dissipava o mal, era tua a carta de anistia que me libertava e desatava nós...me trazia das profundezas para respirar me livrando da pena capital;
Assim que amanheceu, pedaço de teu corpo me preenchia novamente com fluido vital...
Renovava aos poucos a fé daquele que se desesperava e se perdia, revelava mistérios com o devido cuidado a uma mente perturbada que aos poucos, adoecia e na loucura, solitária perecia;
Assim que anoiteceu, tive a certeza que tua face no espelho...junto à minha refletia...
Me trazia de volta a paz, me trazia sempre algo mais...mais do que eu poderia pedir ou sonhar, mais do que um peregrino errante e miserável merecia.


Ontem, se parecia mais bonito.



Tudo se passa, poeira oculta, vento carrega...tudo parece passar, mas presente se parece com passado de verdades que persistam em incomodar;
Coisas mudam, pessoas em seu devido lugar...voz que ecoa, mentiras sobre verdades malditas que ressoam...
Perturbando além de ouvidos de quem peça passagem para algum outro lugar, assassinando sonhos fazendo previsão de próximos passos de uma pessoa;
Presságio, esperança de bom futuro se parece novamente com novidades de ontem ouvidas do rádio...
Tudo muda de cor, voz da razão emudece, voz que convida ao torpor que enlouquece...dizendo ainda algo de bom sobre permanecer distante da sobriedade, escondendo-se de tudo o que seja luz pela cidade;
Pedindo novamente por uma mão de auxílio por caridade, pedindo por amor que seja próprio e esteja por aí perdido...esquálida figura que clama por regresso de alma que fosse sua metade;
Velha sensação que se repita após longa caminhada, face aflita no espelho lhe concedendo certezas de que fora em vão tua jornada;
Não quero aquilo que meus olhos desejam, mas eu detesto...não quero, sentir-me especial por dias, para durante longas horas de agonia sentir novamente que não presto;
Filho bastardo ousando sonhar, se sentindo novamente resquício de restos...resultado de soma que deu errado, produto falho resultante de pecado que fosse incesto!
Anjos que se esquecem por um minuto de ti...sozinho novamente com aquela voz que impeça de fazer algo melhor de si, distinto ser modificado, melhor do fora antes;
Ser volúvel, volúpia infeliz...vítima de teus próprios passos errantes, escárnio para o nefasto que lhe sugira torpor como rota de fuga...
Por falta de opção, por falta de algo que lhe completa...ou, simplesmente ausência de bom senso para saber que seja pleno desde concepção, desde os planos que outrora traçara e agora se convirjam em realidade frustrante;
Tudo passa, mas passado permanece lhe fazendo novamente pretérito...preterido, quando filho querido ferido deixa de acender nos olhos fagulha do divino...
Quando toda segurança de tuas palavras caiam por terra em contradição com teus atos em um choque de dor lacerante...homem, derramando lágrimas de menino;
Homem, ao se queixar novamente do destino por ter escolhido a voz que não deveria ceder ouvidos, pois segredos com o maldito já não fazem mais sentido...
Quando tudo regressa para ser pesadelo de ter somente ser perdido com um problema a mais somente, para remanescer como algo a ser resolvido.




sábado

Deixar estar, para deixar de ser.




Num dia desses, dia qualquer de número ignorado...dias que se repetem para caras como eu, ainda que em distintas folhas de calendários...
Num dia desses, desisto de meu papel embora este, seja sempre de palhaço;
Sai saltimbanco de mim, sai sem sorriso no rosto Arlequim, sai pela tangente em breve saída desapercebida sem adeus ou abraço;
Neste dia, hei de estar convicto sobre ser o pior no melhor que faço...
Quando razão em consonância com alma e coração disserem que estou tão certo de novamente ter errado...
Desisto de meus próprios passos!
Perco-me pelas ruas desta mesma cidade, deixando para trás algo além de identidade, sem medo de ser feliz ao permear os limites de minha loucura...ou, de eventuais percalços;
Não há hora marcada para se auto proclamar sábio, sempre é tempo de ser novamente otário...
Após ponderação, após arfar no peito o ar rarefeito em abundância...após sujeitar-se à sujeira das calçadas, embora distinto em minha condição;
Vou-me embora, abandono coração na primeira lata de lixo, na primeira esquina onde errei e de onde ainda não retirei nenhuma lição...
Misturo-me de vez a este lixo, sangue nobre de outrora agora profano...mais uma vez perdido em seus próprios passos, mais uma vez vítima de seus próprios enganos;
Cigano dissimulado, louco desvairado...desatino, leva-me destino para onde ventos sopram somente para o caminho certo, ainda que eu remanesça contrariado...
Num dia desses, numa hora qualquer...deixo minha identidade desinteressante para que seja revelada a ninguém e não perco mais um segundo de sobrevivência intensa, sequer!
Deixo minhas pretensões de ser "super", deixo meu ego, me rendo...me entrego!
Ao júri de minha consciência, a todo sobressalto que me tome como ímpeto incontido, de assalto...
À toda ladeira, toda decadência...de meu ser que terei certeza então de nada saber, entrego os pontos e não me vejo mais às voltas com exercícios de minha paciência.