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quinta-feira

As coisas mais belas da cidadela.

A coisa mais bela já escrita, palavras de felicidade, face aflita...sobre este chão composto de quartzo e mica;
A coisa mais bela já escrita, em dia quente, noite de estrelas tão fria...
Algo para preencher lacunas, algo que merecesse algum espaço além da escassez que lhe concedam em uma estreita coluna...
A escrita mais bela, pintura singela em aquarela...donzela aflita, sob risco das chamas de um dragão adormecido neste canto esquecido, cidade de contrastes em meio ao nada, alheia a tudo...às margens dos trilhos de ferro enferrujado, vida por aqui no passado era algo que se movia;
Quase me esqueço daquele dia de quase calor que fazia...quase senti estremecer meu corpo, além de minha gélida alma congelada pelos olhares daquele quase frio que aqui fazia...
Quase era tua a paisagem, quase neste semi árido tive a mais perfeita idéia, mas era somente miragem...
Quase era minha a poesia, mas era enganação, distorção da visão, sacanagem!
Esperando letras mais lindas que me ocorram por aqui, esperando por bons ventos do destino que quase sopram, sem indagações por direção de onde vem ou vai...
Esquecendo-me sempre que daqui quase nunca algo que deste cesto de ingratidão seja fruto, sai;
Esperando pela pelo cruzamento longe das paralelas que daqui passam longe, esperando por visão de horizonte mais belo, oculto por entre multidões de ignorância e vivendo das coisas de ontem;
Museu, bom lugar para enaltecer tudo aquilo que já se foi, que já não seja, que já morreu...
A coisa mais bela já escrita, neste chão de terra branca talvez foi registrada, mas o autor ninguém conheceu e de fato, não fui eu;
Obrigado, por nada...um dia um quase aqui aconteceu, como quase sempre terminou em piada...
Valeu a viagem ao redor do mundo, sentado nesta cadeira em uma cidade lembrada por coisas efêmeras, nas letras de um pretenso poeta por um segundo;
Valeu nossa distinta passagem, nossa distância na foto que não remete a vínculos de identidade...
Gratidão, aqui quase tudo é metade, Bauru...sem limites para que eu sinta um quase orgulho de chamar por minha cidade.






Insanidade e saciedade.

Olhos abertos, fim do sufoco...recomeça o redundante,  realidade que flerta com loucura, porém...há de condenar o louco;
Olhos abertos, fim do sonho...ou começo, quiçá continuidade de um pesadelo que se divide em capítulos, talvez tudo não passe mesmo de aparente realidade quando o abstrato sempre se faz relevante e tanto se observa, com olhos atentos neste plano estranhamente parecido com o onírico;
Olhos abertos, abertos para saciar a sede daquilo que se produz e se mata na cidade;
Olhos fechados...para sonhar com real liberdade, mas nem dos sonhos será o senhor aquele que parece ter nascido escravo do pecado, suplicando por piedade;
Olhos que se abrem para contemplar com curiosidade e efusiva, entretanto, estranho ar de satisfeita alegria a pior iniquidade;
Olhos que se fecham para aquilo que pede por atenção, olhos que choram pelos demais, quando por si mesmos deveriam verter água, em decorrência sua própria condição;
Olhos que projetam...projeção;
Projetam no alheio aquilo que faz parte de seu plano perfeito....projetam em um terceiro, tudo aquilo que sua consciência condena e lhe faz doer, aquilo que jamais fora em ti plenitude que não fosse de defeito;
Olhos abertos sempre por uma razão à procura, olhos abertos ou fechados pelo torpor, olhos de loucura;
Olhos de maldade que habitam e compartilham contigo o mesmo solo, no campo ou na cidade;
Olhos que acreditam que de seu sonho ou frustração máxima, alguém tenha culpa ou faça parte;
Olhos....fechem-se para sonhar, permitam que o coração em consonância com a mente venham a falar;
Olhos, limitem-se a desejar aquilo que não transcenda aos seus próprios limites físicos, aquilo que somente sua mão, com sua luta poderá alcançar;
Olhos, deixem de condenar aquilo que insistem em praticar...olhos de hipocrisia e assassinos de vidas, semeadores de intrigas...cerrem-se para sempre, vivam em um sonho eterno....
Permitam, ao menos, que para alguém, em plano que seja bom delírio, plano onírico ou plano real...seja agradável e que valha, para não se parecer com frustração de infelicidade banal.



quarta-feira

Retrovírus

Para ti, para todos...para mim, para ninguém...
Sou nada daquilo que não vejo, sou visão de futuro de temor para alguém;
Me alimento alimento de presente, não me pareço, pois não sou...ser ausente!
Não sou nada, mas em ti...algo quero ser, ai...de quem me impeça, ai...de quem se interponha, se veja às voltas com meu jogo proposto...
Ai, de quem simplesmente de lástimas de presente aparentemente perfeito não tenha um pouco!
Para que eu me alimente e dentro de ti, bom hospedeiro de mim, possa me fortalecer;
Não me vejo, pois ainda não sou verbo...mas através da íris de cor alterada de teus olhos, de tua retina, na projeção de todo terror quero me ver;
Lento, célere...reverso, perverso...apenas há de se retardar o iminente, conceda-me o prazer desta dança dentro de si, é um prazer estar do outro lado...
Citólise, explosão em ti que se torna mero espectro de passado;
Me alimento de mágoas, me alimente de desesperança...me alimento de tudo aquilo que era outrora tua latente fraqueza disfarçada de pujança!
Me alimento do passado, retrógrado...não conheço futuro, pois sou perfeição nefasta por tuas mãos criado;
Seleção natural, se sou não sei...bom ou mau, bem ou mal, à serviço do acaso, sem discriminação de cor, credo, classe social;
Dance comigo, corra os riscos...alimente-se daquilo que lhe corroa por dentro e prazer, sou agora teu amigo até o fim de teus dias...
Pena, que não posso permanecer para assistir contigo em teu cessar perene de olhos, nosso glorioso final.


Réquiem à uma dama.



Há de ser assim mesmo quando casas caem...não me apraz, contudo, ver de longe teu teto ruir;
Antro de luxúria, perjúrio, perfídia...local com endereço certo para um viril varão se divertir...
Coisas que vem e vão, palavras de afeto, ar infecto, coisas que vem como boas promessas de algo que venha em vão;
Vi de perto tudo se passar, vi...perdido na embriaguez de infernos astrais tua diabólica figura de ninfa se aproximar...
Vi ilusão de sereia, branco que cegava e tu me seguias distante de um mar que não fosse de lamúrias...branco, distante da areia!
Um cálice a nós, por tua saúde que perece, por tudo que poderia ser...tudo que agora não se parece;
Um cale-se para sempre, para quem deveria saber sobre horas de cessar, sobretudo que com vidas não se deve brincar...
Um brinde, um acalanto de um anjo ceifeiro para teu eterno ninar!
Vadias...o tempo não passa por estas sem deixar seus rastros, porém deixam tua fétida essência para que sejam certeza de restar no passado de teus dias;
Que tenham requintes de nobreza as escrituras em tua lápide...que seja ouro, que imita de teus cabelos o louro, perpétua face pálida em descanso de luxo, sequer um vintém tua passagem por aqui vale...
Que seja sutil, o mesmo tempo a corroer e desfigurar figura de podridão estampada em tua face;
Banquete aos vermes, desgostos com o sabor de tua asquerosa carne!
Escarnece...até mesmo o abutre, desenhando espirais em torno do epílogo que seja tua inócua trajetória;
Teus dias de puta sem glória, sepultados sob cimento de esquecimento, quiçá nas profundezas do inferno de onde pertença e não haja mais volta;
Resta o que há de restar de ti, restos de vestes profanas, ossos...cabelos, sem maquiagem para quem a si mesmo engana;
Resta o que há de restar daquilo que não mereça sequer menção para que seja memória...restos de ti minha cara, não escrevem sequer uma linha em qualquer história.



sábado

Paradoxos e paradeiros.





Gosto de ter dúvidas que adiante me levem nesta vida, mas hei de preferir ainda mais esta certeza de estar sozinho...
Sem asas de ilusão que não me elevam do chão...sonhos de perfeição, me façam voar em minha solidão nas asas de um passarinho;
Gosto de ser pretensão, gosto de ser água...ser mero elemento, vento que sopra e faça girar lentamente as pás do moinho;
Gosto de paz, contudo também me apraz alguma forma de conflito que faça evolução, metamorfose de mim em meu caminho;
Aquém dos demais, além de mim...mais que o mar, menos que sentimento nobre que dos olhos escorre quando o humano se liquefaz...
Longe do fim, caminhos tortuosos emolduram minha assimétrica imperfeição em formas que restaram após restauração incessante de mim;
Vivendo assim...caminhando no limiar, sentir a vertigem de desequilíbrio, vivendo por um fio a um passo do desfiladeiro, me sentir inteiro antes de me despedir, me despedaçar...
Proximidades que de toda segurança me afastam, distâncias da multidão...melancolia, crepúsculo cor-de-rosa de espinhos que para ferir, nunca me bastam;
Prefiro seguir, prefiro caminhar sem deixar pegadas na areia para que me reconheçam...prefiro alheio à estranha vontade daqueles que me queiram, esvanecer...sumir!
Prefiro estar aqui, quando na verdade gostaria de levitar e estar por aí...
Pretérito de mim restando como assunto para repercutir, neste dia hei de ver minha glória...
Neste dia hei de reaprender a sorrir, distante de tudo, mais perto de um recomeço para reescrever meu novo fim.





sexta-feira

Realidade, ainda que tardia.

Um dia...pagarei as contas para esquecer de nossa penúria com poesia...
Tocarei até mesmo, quem sabe os acordes certos, daquele instrumento que na infância eu queria;
Um dia, hei de até mesmo pintar um quadro com traços rústicos e vendê-lo como peça de intrigante significado, a um suposto intelectual ignorante bem abastado...
Um dia, o Sol há de brilhar para nós, lutadores de todos os dias...
Esquecidos pelo tempo, sujeitos à poeira...velas ao vento;
Um dia, fortuna no final de um arco-íris será redenção, será suave canção, nossa carta de alforria;
Do analista não me lembrarei porque dos problemas, neste dia me esquecerei...
Na lareira de uma casa na colina, sozinho contigo e uma taça de vinho...a tudo que seja vida, brindarei!
Hoje é apenas sonho, fantasia...contudo, o que não fora sonho para ser vivido em realidade intensa e no sossego do embalo de uma rede?
O que não fora projeção ou frustração daquilo que se não se tenha, mas esteja estampado, dependurado e emoldurado em tua parede?
Um dia, quando o sublime talvez voltar a ser coisa de mais valia...
Terei tudo aquilo que sonhei quando nas ruas de solidão caminhava com olhares baixos, enquanto carros luxuosos passavam por mim naquela manhã fria...
Terei concreto para chamar de lar, terei o meu...o nosso lugar, após caminhar sob chuva perseguido por abutres que farejavam à distância meu sangue que escorria...
Um dia, incerto como o amanhã, certeza como o Sol há de despontar em um novo horizonte que renova esperanças em toda manhã...
Um dia, vida deixará de ser uma vadia...vida será mais que subsistência, será em nosso céu onde coisas terrenas não serão admitidas...
Um dia, poesia...aquela que ninguém se importa, mas faz diferença para alguém em qualquer lugar, em horas diferentes do dia;
Fará concreto do abstrato...fará merecido descanso e final de contos de fada que há de calar toda boca que dizia, sobre vivermos de ilusão, vadiagem e fantasia.




Se tudo há de ser lícito...




Se não lhe cabe, não vista...se é maldade que empobrece e fere, não persista...
Se é espaço exíguo, resista...se é perfídia o plano que te inspira, desista;
Se não lhe apraz ver, cegue tua vista...se é estrada estranha que se proponha como saída, escolha outra pista;
Se este estar de ser não lhe reflete no espelho, se é conflito que faz a alma aflita...não esteja, dispa-se de trajes ou máscaras malditas;
Se por acaso se assemelha com imposição...saia de cena, lembra-te que há outra opção...
Se amor se parece condição, escolha condicionar somente para o singular este amor...faça proteção par teu coração;
Se o familiar se parece com aquilo que não se reconheça, siga em frente...lembra que somente uma vida é o que lhe cabe, da cruz alheia se esqueça;
Se faz frio por demais, feche os olhos, faça do papel, agasalho...faço fogo que não queima tua pele e se aqueça;
Se não suporta não carregue, se não importa não se interesse...se não consegue, não te atreves!
Se nada disso faz sentido, simplesmente não dê ouvidos...dê de ombros, dê olhar vazio, dê as costas, pois a vida segue;
Nada há de ser obrigação, sequer afeição...sequer ceder atenção, quando tudo se parece, mas tudo seja indivíduo...
Há sede por opinião, somente no desespero se pede por algo que não seja eco da própria voz, reverberação...há aparente vontade de transição, embora teu próprio olhar, tua própria e imutável convicção duvide disso.



Querendo por querer.





Quero cigarros, sem palavras de advertência...
Quero torpor, quero me perder consciente para me encontrar distante deste presente de perdas...testes de paciência;
Quero amor, quero um pouco de ódio em doses necessárias para sobrevivência...
Quero tudo, ainda que se pareça com pouco...quero coisas que jamais preencham e me conduzam ao lar de minha querência;
Quero chama na cama, quero paz que não se pareça prenúncio de tempestades...quero verdade desagradável que não engana;
Quero ser livre para me prender ao teus grilhões, quero ser reconhecido...mas, também, hei de querer passar desapercebido por entre as multidões;
Quero contrassenso, quero contrariedades...quero luz que se acenda ao apagar como boa idéia a maldição que motiva minhas vontades;
Quero uma bússola quebrada que me faça voltar para tua casa, fazer dela meu lar...minha eterna morada...
Quero norte, quero vida que não se pareça com superação cotidiana de morte, quero um pouco de sorte em minha jornada;
Quero o risco mais perigoso, o sabor do beijo roubado...do fruto proibido, até o caroço...
Quero viver para valer, fazer valer o viver...quero tudo o que me caiba e de mim transborda, extasiando dos poros, no paladar o gosto mais gostoso;
Quero você por uma noite que seja eternidade...quero vê-la num dia desses, somente para ver Sol refletido em tua íris pra matar a saudade...
Quero qualquer coisa, mas não coisa qualquer...quero verdade que justifique minutos a menos deste subsistir, quero plenitude de ser onde coisa plena estiver!

quinta-feira

Espelho meu.

Sai do peito aberto nada além de lágrimas em forma de flechas, sangra tal qual ferida eterna que como cicatriz não resta...não se fecha;
O toque mais profundo no intangível que seja alma, o espelho d'água que ilude e acalma...
A parte mais fria e dura do gelo no olhar lançadas para ferir e queimar além do fogo, aquilo que lhe consome na clausura sem razão de tua jaula;
Fissura, frenesi...na fumaça que faça esquecer do laço pernicioso com maldade que consenti...
Na fumaça se evapora e angústia que não vai-se embora, no olhar inerte que divaga perdido tentando encontrar-se em nada...lágrima é impressão no rosto da alma que chora;
Fere para se defender de uma natureza ingrata que lhe rouba vida, mas ensina que seja pecado matar...
Fere, somente para sentir de quê seja feito...ser humano, olhar de felino ferido...ser distante da plenitude das aparências de algo perfeito;
Tortura a mente daquele que para si mesmo...sobre alguma relevância de estar, de ainda restar, diariamente como bom exercício para não cessar seu próprio respirar, mente!
Olhe no espelho antes de olhar pra frente...olhe para trás, pois da retaguarda surge inesperado perigo em forma de passado não resolvido...perigo, que seja gente;
Projeta tua imagem, teu futuro...cura teu coração ao abri-lo em paradoxo, na esperança de um dia tornar-se mais maduro...
Felino infeliz, tua jaula imaginária diz que presente é repetição de passado...e a mesma promessa é feita ao teu promissor futuro!
Deja vú em redoma anacrônica de autopiedade...solitário ser longe dos seus ao pisar o frio concreto vestindo sapatos velhos, sentindo frieza de tudo o que seja vida e se pareça inanimado, adestrado nas cidades...
Sobre minhas verdades sequer algo se sabe que com veemência possa se afirma sem soar como perjúrio...
Sobre minhas necessidades, ninguém necessita saber...pois com asas de ilusão ou força de um tigre anão hei de me libertar desta prisão, eu juro.


Amar, é ser.




Inesperado amanhecer, insaciável sede em confusão de corpos...amar, é ser;
Entrega sem saber se está seguro, mas lhe assegurar segurança do espaço apertado de um abraço;
Deixar fluir, deixar nascer...deixar tudo ao redor pairar, parar, nos inspirar a conhecer o que fosse amor como ele deveria em nossa utopia sempre ser;
O mundo bate à porta lá fora...o chamado do amargo, de quem se levanta para cumprir horário...o chamado de tudo que seja mundano por demais e digno de ser ignorado...
Há paixão queimando no ardor, sofrendo transmutação no fogo e se convertendo em amor aqui dentro, contudo faz frio lá fora...
Há gente querendo o mesmo que nós, há gente querendo desatar outros nós...há gente, querendo roubar felicidade por inveja ou pura maldade de quem ama sem hora para ser feliz a sós;
Inesperado anoitecer...crepúsculo de melancolia para os demais, entre quatro paredes pinturas no céu com nada hão de se parecer;
Temos nossa própria cor para colorir, temos nossos próprio motivos para sorrir...
Temos lágrimas verdadeiras para chorar, alegria verdadeira para cultivar...motivos de sobre para cegar, seguir, ao chamado da inconveniência ignorar;
Temos a medida certa das coisas erradas que fazem a magia certa, temos os ingredientes que muitos desejam...mas, optam por roubar para preencher um vazio permanente;
Lá fora faz frio, temos eterno verão de vista para um mar imaginário, temos imaginação...temos cálido beijo, calor que derrete medos a pulsar no coração da gente;
Temos tudo e temos nada...temos dois, e se isso há de completar, que seja felicidade o que temos e isso nos basta...
Ainda, que felicidade seja coisa nossa por demais para a mente...condicionada, limitada que sequer a si mesma compreende.



Parte, de mim.



Parte de mim, parte de parto indesejável, parte de ti...
Primeira pessoa partindo da tua, subjuntivo sujeito às possibilidades do pejorativo;
Particípio passivo, possibilidade, ser inócuo por demais que não se flexiona do infinitivo...
Tema de teu discurso maligno, trama para saciar tua sede de inocular veneno mortífero;
Parte de mim, parte supostamente indivisível...
Átomo, átono...à toa, se parece com o que não diz, se sujeita a ser atriz, parte pela tangente, perpassa invisível;
Parte do pressuposto de que amar seja coisa incondicional, parte de premissa que hipocrisia seja coisa banal...
Parte do ego ferido, partindo...voz que silencia na eternidade sob lápide, sobre o passado uma pá de cal;
Se parte, que seja para sempre...se segue ou se permanece coisa estática, estarrecida, projetor de frustração sem vida...caminhos para destinos agora distantes serão somente pra frente;
Parte, pois da iminência de colisão que fira, prefiro extirpar um cancro, tirar meu time de campo, tirar o trem que segue por rota perigosa do trilho...
Perco a linha, preservo vida...preservo coisas que não queria, incólume a exultar ciente de que jamais fora filho;
Trem fora do trilho, carta fora do jogo de perfídia...da vida se aprende somente com as falhas, retira-se um ingrato canalha agradecido por aprender contigo que parte, sobre cuidar de minha filha;
Parte de mim, embora...vento secando lágrimas de teu olhar de falsa afeição que finge que se importa, finge que chora...
Sou ilha, sou luz, fui "Luiz"...sou aquele que se tornou "Fernando" e trouxe das trevas consigo o inferno que não suporta...
Parte, pois sou verdade indesejável e feia por demais que deveras nunca quis;
Descubra em tua solidão acompanhada agora, quiçá o que seja ser de fato feliz...
Não se ensina sobre aquilo que aparentemente jamais se aprende...tempo resta ainda de vida para alguém que deseja viver e para outro alguém que somente se arrepende.


domingo

Seres de nós.

Quando acaba intensidade, visão marejada refuta verdade...
Maresia, vertiginosa viagem...de passagem, vivendo margem divagando em monotonia da paisagem;
Alegria estranha que remete à melancolia abrindo alas, abrindo valas...vales a superar sem ilusão de asas;
No peito pulsa estranho na calmaria de um mar de águas plácidas, espelho para face sem graça...
Vida passa, tudo acontece enquanto nada se nota na reclusão que seja bom abrigo para perigo que seja nada;
Havia flores na via, havia amor sem iludir que eu não via...
Havia voz de perfídia na tensão que se sentia...êxtase em cada poro que arrepiava;
Havia a coruja e seu pio soturno...havia o ser vespertino, havia o menino...
Havia o nefasto corrompido, escravo noturno;
O uivo que se ouvia não vinha da colina, sequer colina existia...não era fome...
Aquele bicho que uivava, aquela lagrima que caia e o acaso enxugava era por algo que sequer tinha nome;
Sequer se sabe sobre a identidade, origem de nuances transitórias na personalidade...
Sequer se sabe se era deveras homem ou quimera maldita a perecer na cidade;
Apenas boa lenda urbana para ser esquecida, como tudo aquilo que lhe divida...embora de ti, jamais fizera parte.


Meteoros.

Cessa tua busca por aquilo que em ti não encontras, ou emprega esforços inúteis em procurar...
Busca no vácuo por algo que se propaga, luz que possa tua escuridão acender, segurança que faça teus medos dissipar;
Coisas que nascem no alvorecer com jeito de eternidade...coisa efêmera, fugaz a empreender fuga antes de um crepúsculo que revela a verdade;
Movimenta-se pelo medo, guarda segredo sobre todo plano que se desfaz num giro de esfera veloz...
Verdade prevalente do algoz, atrocidade era triste realidade distorcida de olhos que se enxergavam juntos, contudo nada foram além de pretensão...negação de toda condição sobre permanência em paradoxo a sós;
Um somente, nunca fez algo que valha por dois, dois em discordância constante, dissonâncias jamais constituíram nós;
Emprega teus melhores esforços, teus melhores carinhos...entrega, teus supostos tesouros...
Coisa sem valor, voz suave que traia o olhar ao afirmar que saiba sobre amar...teu sentimento era mero alento ao desespero que se contenta com ouro de tolo;
Eternidade cinzenta de inverno eterno dentro de ti...
Espera por algo que floresça, espera por primavera e por flores sem essência...algo que aconteça em utopias onde orgulho prevaleça e algo além de respeito se perca por aí;
Éramos dois, como dois restamos...de uma soma seríamos produto ruim, danças de insanidade na solidão à espera da companhia de conveniência, quando esteja afim;
Não digo que foi bom, tampouco direi que foi ruim...
Simplesmente digo que foi passado, simplesmente assumo que me enganei sobre estar certo, quando de fato estava tão errado;
Direi que nada fomos além de pontes estranhas que talvez fossem meio para um desconhecido fim...
Somente direi que nada mais há, quando deveras nada é o que parece ter existido...talvez tenha sido somente um sonho que não necessitava terminar assim.





sábado

Coisas preciosas, que não preciso.



Sede insaciável de ceder, de amar somente para saber sobre sofrer...
Cede um pouco mais de alma, sede de águas límpidas em mananciais...maldita miragem, distorção de realidade que rouba a calma;
Sofrer para se arrepender, sentir dor para aprender, se soltar...buscando na liberdade um motivo a mais para se prender;
Se despedaçar somente para saber do que é feito...saber que é frágil, tuas verdades altamente questionáveis, saber que é humano e imperfeito...
Saber que o vento te conduz, que teu discurso com teu ato não condiz...saber muito sobre ter o bastante, mas jamais se sentir pleno por um segundo com aquilo que quis;
Fome...de coisas que se foram e de passado que não tem mais volta, desejo de recomeço somente para repetir com maestria tua trajetória de ilustre idiota...
Ser alguém tão importante para si, ser algo tão irrelevante e derramar lágrimas simplesmente porque ninguém te nota;
Troque de estação, toque outra canção...saia da direção que insinua e leve teus passos sem que se perceba, para a mesma rota;
Ser o tom da cor no céu que não seja seu, com a ilusão de que um sorriso aberto por um dia...por uma eternidade, de ti há de se lembrar;
Ser mistério, ser verdade, ser boa mentira simplesmente para não sofrer, apenas para não fazer doer a dor em quem não se importe em lhe ver de joelhos a suplicar;
Bom é saber que ainda há coisas em estado líquido para beber, consumo que faça se encontrar...exageros em sua companhia que faça se perder...
Bom é saber que espelho há de ser melhor amigo para confessar, bom...é saber que teu segredo será somente seu se aprender a se calar...
Bom, é esquecer tudo isso, ou nada disso...deixar a vida acontecer, deixar aquilo que resta com cara de algo sem jeito, agonizar e morrer;
Bom é saber que apenas um mundo há de ser suficiente para ser feliz, se fartar da companhia de si, ser um pouco dono de teus passos e com um sorriso, ainda que amarelo e amargo...
Deixar toda razão e verdades de um mundo insano e repleto de falsa afeição passar ao largo;
Se esconder por trás de uma cortina...ainda que cortina, seja véu branco temporário que se exala em decorrência de veneno inalado.






Te proponho, um sonho de imperfeição.




Não precisa dizer nada, pois o nada já foi traduzido há tempos no mistério que se propunha em teus olhar...
Não espero por palavras, espero pela voz imperativa que nos compele...tão imperativa àquela mesma busca, sempre dizendo que há novidades por se encontrar;
Ver algo diferente contemplando a mesma face, linhas tão tênues que separam nosso ser e estar...fechar de olhos que nos concede estranha segurança de caminhar no limiar;
Criança que reflete em minha retina, íris de mistérios e segredos tão nossos...prazeres e desventuras, minha menina;
Gesto consentido, além da loucura há de existir ulterior forma de redenção, para paixões que não se pareçam com coisa passageira...alguma explicação;
Relógios perdendo a hora, bússolas sem um senso de direção...choques de destino fazendo simbiose, inseparáveis mais que amigos, restam quase ilesos da colisão;
Passados desinteressantes, projeção...sombra para bom descanso a dois em futuro que se pinta na tela de tua imaginação;
Paisagens paradisíacas, devaneios...utopia, agora a um passo de se tornar realidade quando de misturas difíceis de se expressar em pintura, versar sem que se pareça coisa sem sentido ou loucura...
Anseios, tudo se parece ao alcance das mãos;
Resplandece, quando anoitece...ainda que sob teto de concreto onde coisas que remetam ao abstrato acontecem...
Na lua nossa imagem, eternizando no céu como tatuagem a mais bela visão;
Corpos humanos em ebulição, corpos celestes em confusão...corpos, desobedecendo toda lógica fazendo fusão;
Longe do mar...no ar, pairam coisas que não notam os normais e tornam distinta nossa condição...
Coisas que batiam distante fazendo na mente projeção, coisas oníricas fazendo da realidade que ainda não se enxergava, frustração;
Bater sem propósito distante...proximidades que completam e façam uníssono o som agora do pulsar...
Dois seres distintos, duas realidades distantes...do sonho realidade, fatal atração que bate no peito de dois como somente um coração.




Derradeira viagem.



Um último tiro de misericórdia por uma vida que adormece, uma vida que padece, que somente se parece e do pesadelo não desperta, não acorda...
Passos dados à toa, estrada estranha de curvas sinuosas, coisa que dissimula e se pareça com verdade tão boa;
Dentro de si, morada da discórdia...conflito, semblante plácido, coração aflito;
Um último estampido, estoura algo além de tímpanos, som aprazível para que todo desespero de oração ignorada, de outra tentativa fracassada...coisa que faça doer no peito silencia nos ouvidos;
Beco de desespero, grito sufocado que não se ouça do outro lado da margem, do limbo que apaga história de vidas dos esquecidos;
Preferidos, preteridos...lance de dados do destino, um último tiro de misericórdia, planos de imperfeição e maldade traçados pelo destino;
Desata nós, desatino...faz derramar lágrimas que secam antes de tocar o chão, coisas que não correm para o mar, desprezível esquecido num quarto escuro...face a face com a verdade da solidão;
Carinho é açoite, verdade é espelho, é rosto afundado no colchão...
Aprendizado é rastejar sem nunca sobre suas pernas conseguir se sustentar, suplicando por um pouco mais de veneno, um braço, um abraço, uma mão!
Afeição é nada além de piedade, desespero é fraqueza...traição de si, estar sempre alheio às tuas verdades...
Obediente somente às ultrajantes vaidades e ao mundo, subserviência de um príncipe agora mudado e mudo;
Estrela guia...meu mundo encantado de outrora, onde estaria?
No fim desta luz que insinua, ofusca e me cega, no peso da mão nefasta de escuridão que pesa e meus limites diariamente testa?
Um estampido, um último tiro...alívio, verdade em forma de balaço quando tudo que seja sólido parece balançar...
Estanho quente colocando ponto final em reticências, ainda que reticente...férias eternas para todo cansaço a observar o melhor da vida apenas pela fresta.



terça-feira

Meu mundo, é seu lugar.

Faço desta noite eternidade, se for preciso...
Faço desta face desfigurada sorriso para que se reflita, dissipa aflição de teu semblante...forma curvilínea expressão de felicidade em teu rosto, há de ser o mais bonito...
Faço deste breve instante, infinito...
Me desfaço, me liquefaço...tornando sublime o banal, fazendo sagrado o carnal, tão somente para degustar em ti a dose de embriaguez, colírio para os olhos que necessito;
Desenho o final do arco íris e te entrego tesouro que seja coração despedaçado, resquício de amor...
Te faço ascender o céu sem sair do chão, te faço sonhar sem a perturbação de acordar...te faço gemer sem sentir dor...
Misturo-me contigo, abraço de companhia...corpo surrado, alma vazia, lhe concedendo nesta cessão de além de mãos, sem palavras somente para que leia em meus olhos opacos que sou teu amigo...
Que tenha a certeza de lealdade, que esteja isenta de toda maldade...compaixão que não tenho sequer comigo;
Faço neste dia nebuloso um sol sair apenas para te aquecer...
Faço de tua imagem retrato em minha memória...faço de nossa estranha escrita por linhas tortas romance em história...
Faço tudo isso, faço além de minhas possibilidades, além do que for preciso, somente para de nós jamais me esquecer;
Faço desta estranha construção de versos quebrados, nosso pequeno universo para chamar de lar...
Faço de chama que logo se apaga, coisa eterna para te aquecer...faço uma choupana para que no aconchego do meu peito...
Chame eternamente por seu lugar...menina tão minha, te faço em noites de tormenta, de realidade tão cinzenta...
Tranquilidade para o teu ninar.


Destinos traçados.






Traçando destinos, traçando rotas...testando corações, tecendo teias de inesperadas paixões, enquanto se vive em sonhos e não se nota;
Vestindo faces, tocando corações de vidas que não se trocam por notas...falando ao ouvido frio palavras quentes, falando de promessas de um futuro que ninguém se importa;
Acelerando ritmo para sentir intensidade que seja razão de existir ou persistir...
Descompasso, caminhando no limiar flertando com o luar...somente para se perder na estrada, entre estrelas em busca por respostas perdidas por aí;
Envolto por aura que seja sua, à sombra da escuridão que seja céu...
Despido de pudores e de tuas vestes virginais, distante do branco do véu...ser humano, ser profano, se enganar, saciedade dos sentidos primitivos exposta ao léu;
Exala teu perfume, faz emanar tua essência...deixa teu rastro, ávida fera a farejar tua inocente indecência;
Destinos traçados de sonhos a dois na distância sonhados, coisas que se perdem por aí na calada da noite...amores inesperados que se esperam do acaso;
Coisas que não se explicam, se misturam em perfeita sintonia...se perdem no caos para encontrar harmonia;
Véu da noite que escurece para esclarecer, dia que amanhece para dizer que era de fato felicidade na sua porta a bater...
Naquela noite quando saiu, disposta a se perder...naquela noite em que o nada que se parecia com tudo se perdeu, encontrei você;
Do destino duas vítimas agradecidas, dois mundos se fazendo singular em perfeita simbiose, sinergia...
Talvez não fosse retrato pintado do ideal que sonhava, talvez não fosse aquilo que você queria...
Talvez tenha sido nada além de pretensão ao permear os limites da loucura que a mente enlouquece, aos sentidos inebria;
Extasia, forma personificada de anjo ou súcubo que contigo sem querer se perdia...
Vida volvendo ao teu ser, quando laços perniciosos e dissimulados da morte, ao cadafalso sem querer lhe conduzia;
Obrigado pelas coisas que acontecem por acaso transformando em eternidades acidentes que ocorram no desespero de um dia.





sexta-feira

Marcas de tua imagem.



Tatua tua face longe da minha visão, marca indelével de tua presença que não parte...
Parte de mim, ainda que ausente...se faz presença que justifica o pulsar de um coração;
Tatua teu destino, linhas de vidas que se cruzam na palma da minha mão;
Está tua face em meu pensamento, presságio, pressentimento que perturba e rouba resquícios de minha razão...
Estátua profana e sagrada de prazer e afeição, esculpida em parte que partiu de meu ser...deixa este estar agora que se sente solitária metade, produto de insensatez de minha criação...
Espólio maldito que seja temor de meus devaneios, contraria meus anseios, perturba imaginação este produto que há de restar de toda divisão;
Aninha...aloja-se em meu âmago, fere a ferro e fogo sem compaixão;
Golpe de misericórdia para uma vida que parou no tempo, à beira do abismo esperando por resgate ou gesto de piedade que seja um empurrão;
Resta vazia, memória de história estranha, frivolidade tão minha...tatuagem intangível daquilo que se sinta por dentro, escorregadia e fria réplica de tua graça em pedra sabão;
Eternidades que restam para lembrar que vida seja viagem estranha, destino seja coisa que sem querer, se detesta...
Faça-me verso e reverso, faça-me côncavo, convexo...faça-me esquecer deste existir complexo, algo com cacos que restam, vida que não presta vivendo em contagem regressiva, eu confesso!
Faça valer cada minuto em intensidade, faça esboço de sorriso em semblante que somente se lembra de autopiedade...
Faça em resquício desta aprazível insanidade vivida em distinta realidade, algo válido para ser registro para além da eternidade;
Eternidades tatuadas assim, princípio de algo quando nada se espera que se pareça com redenção, mas tão somente dignidade no fim;
Tatua tua face, deleta ou afirma no balanço solitário e vertiginoso deste triste cenário, tua presença...
Faça deste derradeiro momento que seja, definitivo não assassino de minha ilusão, ou possibilidade de um sim...
Pois, meus olhos, cultivam onírica e perturbadora ausência em espectro de tua visão que se desenha tão perto e distante, paradoxo que me assombra...tua tatuagem em mim.







quinta-feira

Previsíveis...






Algumas pessoas complementam paisagem, pessoas de passagem...
Pessoas, perdidas em egoísmo e repletas de carência...pessoas pedem por piedade, pedem algo por caridade, pessoas perdem aquilo que peçam e seja paciência;
Pessoas...cumprimentando aparências, seres tão frágeis, alvos tão fáceis lançando olhares de desprezo a quem se deita no leito da leniência;
Se parecem com aquilo que detestam, detestam aquilo que de fato se pareçam...
Na mentira encontram segurança que se faça ausente em verdade despida de beleza;
Pessoas tão legais, seres tão especiais...humanos em demasia, para que sejam comparáveis com os demais;
Pessoas...encontrando em alguém algo que seja tão seu e pesado para se ostentar, a culpa...
Pessoas, fazendo projeção, tomando para si coisas que não lhe pertençam sem sequer pedir desculpas;
Prefiro este lugar, paredes de concreto em sua frieza...longe de se parecer com um lar;
Prefiro o aconchego em um leito confortável, céu de estrelas fluorescentes...prefiro a certeza da fera conhecida à espreita, ao mundo de perigo dos indecentes;
Pessoas inocentes...atirando pedras, destilando veneno contra vidas, lançando dardos sem direção somente para ver se em algo acertam;
Errantes em sua condição, frustrados perdidos entre o ser e estar...papéis que não cumprem, atestando alguma qualificação...
Perdão, pessoas vem e vão...se vêm em vão, parecem assim fazer somente pelo prazer de caminhar na contramão...
Rota de colisão, inesperadas coisas que se esperam de seres solitários, especiais por demais e paradoxos...perdidos, infâmia em meio à multidão;
Algumas pessoas complementam paisagem, cumprimentam aparências...
Seguem para rumo ignorado, ignorantes com sorrisos amarelos...gado comendo do pasto que não escolhe, escárnio de vida que o acaso acolhe...
Rindo de alguma certeza, fé em tudo aquilo que se afirma em cada esquina, embora não se veja;
Vidas sem propósito, aleluias em busca por luz própria fazendo troça daquilo que lhe aqueça...
Desejando em contrassenso que se pareça, que embora não haja motivo para que sejam lembradas, delas alguém jamais se esqueça!



quarta-feira

Bem, que poderia ser.




Quase não vejo a cidade, entre arranha-céus de cinza que imitam meus olhares...verdades de nós, que ninguém jamais viu...
Quase não vejo maldade, quase não sinto pesar ou felicidade...quase, para mim também neste dia o Sol saiu;
Quase nada sinto por quem enxerga e finja não ver...quase não me interessa a vida por trás de cortinas de mentiras que eu insista em tecer...
Esperando mudanças sem se mover, esperança em ebulição, subir aos céus sem a chama acender;
Quase não vejo a cidade, sou vitrine de vaidade que quase ninguém vê;
Quase não me importo com isso, quase não preciso de amigos...quase, não preciso sequer de ar para sobreviver;
Está tudo bem entre nós, embora paira no ar algo que se parece com atmosfera pesada daquilo que não era pra ser...
Está tudo estranho, cada vez mais entre eu e você...inanimado eterno, pássaro passageiro de enorme ego, nada a ti talvez seja o que entrego, para neste vazio permanecer;
Quase não sei sobre um sorriso, quase me esqueci que sou algo mais que obsessão por aquilo que não necessito...
Quase, consternado com imitação de filme de rotina repetido...
Quase me esqueço que sou personagem secundária por demais para figurar nas páginas mais nobres de teus livros;
Quase não vejo a cidade, quase nada sinto...talvez seja apenas pretensão por premeditação, quiçá deveras não tenho um coração e sobre amor nada sei, não consinto!
Quase contei a verdade naquele dia em que fui omisso...quase fui mais que metade, quase fui plenitude para soar como distinta realidade em meu compromisso;
Quase foi...mas, parou por aí, está por aí perdido pelo chão onde secam lágrimas apagadas pelos sapatos que pisam em sonhos, massacram destinos...
Quase fui o bastante para ser homem, mas permaneço meio menino;
Quase fui a voz do momento, dizendo a coisa errada no momento propício...
Quase fui...ver meu reflexo de fim no limiar do desfiladeiro, desafiei o precipício...
Quase não vejo a cidade, prefiro o abrigo da escuridão à visão deste pequeno pedaço iluminado de hospício;
Prefiro o véu escuro da noite à toda clarividência que revela no espelho, olhares de meu maior inimigo...que revela em um "bom dia", o olhar de maldição de um vampiro.



quinta-feira

Andam dizendo por aí...



Você merece o melhor, você merece morrer...
Você merece apanhar, você consegue alcançar,você...merece sofrer;
Você...digno de herança de problemas por mim criados no passado, frutos apodrecidos merece colher;
Merece as mazelas, merece falso moralismo da voz que mais alto que a sua possa falar...merece calar, merece obedecer!
Filho de bastardos e da hipocrisia, estar perdido talvez não fosse aquilo que queria...contudo, merece pagar, embora ninguém tivesse se dedicado para que pudesse a lição aprender;
Merece prisão, merece apodrecer...meu vício é lícito, o teu é nefasto, de vida um desperdício...merece a moléstia que sobrevenha e lhe faça sofrer;
Merece repreensão,  quando simplesmente pedia por alguma atenção...merece ser vigiado, espancado pelo nazista fardado da ocasião;
Do "quinto" devido, merece pagar o dobro, embora somente Sol para você tenha cor daquilo que jamais vira e se chame por ouro...
Na espera por uma chance, conforme-se com tua condição e com o destino tenha gratidão...por lhe dizer sem palavras, que tua estrela sempre há de brilhar em um céu para outro!
Se está sofrendo, deveras é por escolhas que anda fazendo...se anda caindo, com certeza anda por aí tal qual ao vadio bebendo...
Iludido em teus livros, em teus sonhos...em teu entretenimento, enquanto alguém trabalha duro por uma sociedade que continua adoecendo;
Você merece pagar por escolhas erradas que eu esteja fazendo...deveria estar satisfeito pela ar que não lhe é cobrado ainda por respirar e por teu vil sobreviver!
Digo e afirmo, reitero tudo isso com a convicção que todo boçal há de ter...
Digo coisas ao seu respeito, à revelia sem sequer te conhecer!
Digo, por fim, após tudo isso dizer...que nada disso talvez, você merecia ler.



Entre miragem e realidade.




Ainda me falta algo...algo, que em palavras não consigo encontrar...
Algo que se esconda em profundezas escuras onde não haja luz para enxergar;
Algo, no cume de uma montanha, no cúmulo de meus esforços...ainda não consigo, onde ar já se faça rarefeito, encontrar!
Existe algo que me falta, quiçá, algo sempre falta a alguém para que um outro alguém, possa completar...
Coisas além da visão, coisas tão óbvias que um olhar aguçado divagando em devaneios, não consiga encontrar;
Divisor de águas, mudança de página...avanço que não se pareça com algo reciclado, idéia por alguém descartada, deixada para trás;
Sobrou a palavra certa, dita na embriaguez....palavra de sabedoria, versos, poesia, que ninguém há de se lembrar sobre autoria na ausência de lucidez;
Me falta algo, me sobra ego...
Falta inspiração, falta na escrita sentido, falta coração...coisa que autoria assina, coisa que identidade assassina, recluso em minha vergonha particular eu nego!
Distante de si, não nada na distância entre sublime e banal se via naquele dia...
O céu estava cinzento, fumaça era o que aquecia o peito, fazia marejar os olhos...ausência completa de sentimentos;
Da imensidão do mar, sequer com a areia parecia me misturar...ignóbil presença consigo mesmo entretida, mente estreita mentido para si mesmo sobre magnitude de ser, sedimento;
Vias bloqueadas, algo que corra à toa nas veias somente para se recordar que morra um pouco mais a cada dia, muito falando sem dizer nada;
Talvez, essa busca há de cessar quando o mesmo algo que imperativo me disse para procurar, me diga que esta seja deveras infundada...
Busca por algo de especial em mim, tenha fim num dia desses quando o estar de "eu", se conformar com sua perene condição de ser somente estrada esquecida, obra inacabada;
Não era luz no final daquele túnel...era apenas artifício, coisa do próprio orgulho que visão traía, me atraía, enquanto dissimulava.



quarta-feira

Somente, uma palavra.



Obrigado a quem acreditou em mim...morreu junto com meu velho eu, para reescrever de uma história cheia de reticências, um novo fim...
Grato, a quem duvidou do pouco poder de superação de minha mente, de minha capacidade de olhar pra frente...na cegueira de meus olhos, propôs desafios diante de mim!
Gratidão...à imagem de distorção, controvérsias que surgiam como prenúncio de libertação...
A quem duvidou de talento que de fato não havia...somente para mostrar que podia ir além de horizontes que meu olhar a divagar não via;
Tomar por instantes o lugar de excelência, daquele excelente escritor que sobre coisas sublimes, ciência e fantasia escrevia...
Estar onde não devia estar, somente para saber que ali era lugar onde meus passos não pertenciam;
Obrigado, aos olhos de suposta loucura que num errante qualquer acreditou, gratidão ao olhar de falsa afeição...perfídia travestida de compaixão que de mim se afastou;
Gratidão...à menção elogiosa omitida, à crítica aparentemente infundada e descabida, a todo percalço que me fez perder algo por aí e me reencontrar com algo que possa ser chamado por vida;
Obrigado...aos leais amigos, embora raros...
Gratidão que deixo pra depois em cálice de vinho que seja meu sangue...sujo e profano, servido em copo sujo ao ilustre desgraçado!
Obrigado, especialmente a quem não se esqueça de se lembrar...que queira saber sobre seu dia, sem desejos vampíricos de algo de sua essência sugar...
Obrigado à indecência que se revela, forma tão humana de se expressar...sem hora marcada, no seu devido lugar!
Grato, a quem me concedeu este viver tão distinto sob forma estranha de luz, grato às mãos maiores que os desígnios do próprio destino...olhar de misericórdia, que a este miserável conduz!
Obrigado, por ser assim suscetível e quiçá, influenciável...tolo, que acredita em forma atraente e maldita que seduz...
Gratidão ainda maior pelo agora, pelo luar que ilumina maior sobre minha cabeça lá fora...
Grato, a quem chega para ficar, obrigado a quem esteja de passagem, deixe pouco ou nada em nossa curta viagem...
Obrigado pelo ontem, que no passado persiste em ficar...grato pelo hoje, que mais tarde ainda me concede alguma esperança para me superar.