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domingo

Amargo regresso.

Saí somente para ver se fazendo processo reverso, coisas mudavam de fora pra dentro...
Saí somente para fugir com olhares em busca por boas novidades...saudades de um mundo sadio que uma mente que adoece em ambiente hostil, não contempla há muito tempo;
Saí, do covil...onde cegueira proposital de olhar tudo enxerga, mas finge que não viu;
Fugi do réptil que derrama lágrimas de piedade somente por si mesmo, saí simplesmente para ver se lá fora o Sol saiu;
Maldade ausente de coração, plenitude em tudo que se assemelha com perjúrio, nocivo abraço que sufoca de falsa afeição...
Saí, para ver se aqui fora algo seja verdadeiro, algo ainda se pareça coisas que somam para transformar aquilo que seja tão metade, sem segundas intenções em algo inteiro;
Longe do olhar de maldição que chora, como é belo este banco de frio concreto, como é doce o aroma de gasolina que queima de motores, palavras simples, tudo o que se ouça aqui fora...
Saí por um breve momento, sem pensar em regresso...bloqueio necessário que evita arrependimento;
Lá fora o céu ainda é azul...aqui dentro, cemitério sentimentos, palavras e juras frágeis, tudo que há de levar o vento...
Atmosfera maldita, acometida pelo mal...lúgubre, funesto é o silêncio neste lugar cheio de memórias de intrigas e cinzento;
Saí mundo afora, somente para me lembrar de esquecer que sempre acabo no mesmo lugar, sempre começo coisas que jamais consigo terminar...que ambiente perfeito para mim, parece ser este pequeno pedaço de inferno que se assemelha a merecido sofrimento;
Saí por aí sem intenção de voltar, na esperança de algo distinto de mim, distinto daquilo que vejo encontrar...
Ledo engano, doce ilusão...portão adentro, tudo volta a ser como era antes, tua presença jamais celebrada, com olhos malditos observada, comentada destilando veneno de forma velada...
Maldito seja este lugar que chamo por lar, maldita é a espera de quem perdeu as esperanças e na loucura parece ter encontrado sua derradeira morada.




Onde as coisas se perdem...



Onde as coisas se perdem, guardei memórias de nós que se desataram, planos de singular que fracassaram, sementes que não vingaram...
Onde coisas não se encontram...guardei destinos opostos, rasguei em metades fatos tão distintos dos sorrisos das fotos...
Onde as coisas se perdem, transformei em cinzas aquilo que um dia se pareceu colorido, num simples riscar de fósforo;
Onde dor não se sinta, sorriso não seja nada além de obrigação...vazio de nada seja sentimento predominante, prevalente, fui impiedoso assassino de nós...
Conjurei coisas com as quais fiz laços e aliança para além da eternidade, sufoquei aquilo que parecia me acolher em seus braços, mas somente queria meu ar...matei aquilo que se parecia com gente;
No lugar onde coisas não se escrevem, pois mar há de apagar, vento há de levar...
Simplesmente, ninguém há de se interessar, esculpi lápide sem inscrições daquilo que fora história para um, somente...
Data simbolizada por estrela sem brilho, coisa opaca que remetia ao início daquilo que jamais começara...cruz, que fosse um golpe derradeiro do destino, para sofrimento consentido um finalmente;
Onde coisas se perdem, peguei no abstrato deste estranho sentimento que havia por dentro, toquei em ferida estranha...entranhas, limpeza de mim para que eu pudesse achar recomeço em linha do tempo...
Adeus, fotos que jamais corresponderam aos fatos, sorrisos que jamais se pareceram para mim...olhares divagando enquanto eu falava, olhares perdidos na imensidão do espaço;
Assim intransigente, inesperado...hora de adeus para quem disponha de algum amor próprio para despejar outras coisas de si, hora de jamais independe de ponteiros ou posição de astros...
Hora de adeus, hora de jamais onde coisas desimportantes como nós serão esquecidas, será precisamente na hora em que eu me esqueço de ti e simplesmente me acho.






sábado

Incidentes e destinos.



Não somos amigos, não somos inimigos...toda conjugação ou flexão de ser se parece coisa por demais para aquilo que deveras sejamos...
Afeição estranha e assaz condicional que se pareça com carência de quem afirma ao espelho "eu te amo";
Linhas cruzadas por acidente, destinos em rota de colisão iminente...éramos nós, lugar errado na hora certa, era a gente;
Coisa que se paga para ver, mas se recuse a enxergar quando se façam evidência em alvorada de revelações...olhos negando verdade que vem pela frente;
Coisas distorcidas, agora esclarecidas...jogos mentais, jogos indecentes e imorais...
Jogos de perfídia que transformam subitamente as coisas mais preciosas, em coisas sem valor e banais;
Se vida agora se parece com sobrevivência ao juntar cacos de um castelo tão frágil que para dois edificou, se por acaso se pareça com coisa distante de sonho singular tão seu que outrora sonhou...
Siga acompanhada de solidão, agradeça por vida que lhe resta...por bifurcação de sabedoria que como dúvida de propôs e nossas vidas separou;
Não somos amigos, reitero...espero, contudo, que nada realmente sejamos para restarmos como inimigos...
Não gosto de ferir minha mão ou perturbar minha paz, tocando no âmago daquilo que no passado se parecia conhecido...
Não gosto de coisas inesperadas, odeio surpresas de pessoas e do destino...
Odeio fogo que não aquece, tempo perdido vivendo a dois que não se esquece...detesto projétil que adiante não se projeta, alvejando pretérito...detesto, fogo amigo;
Que rotas previamente traçadas para que sigam separadas não cometam erros desta vez...que sobre as coisas superadas por verdades reveladas, não restem sequer palavras...
Reste somente pesar, reste forças para se levantar, reste somente mudez.




Insular.



Porção em meio a uma multidão indiferente, talvez um porto para alguém, talvez um ponto perdido em um mapa de imensidão a ser lembrado por ninguém;
Stanley, codinome...sem saber se sou "Falkland" ou Malvinas...falando em idiomas ininteligíveis, ninguém compreende minha língua, ninguém sabe sobre meu nome;
Porto "príncipe" de pobreza, porção insular, singular devastada...Açores, reino em meu ser de horrores, arquipélago onde espero por descanso em paz na "Madeira";
Porção de terra esperando por iminência de inundação, braços abertos que se pareçam punhos cerrados que enganam a superfície da visão...abandono, traição;
Migrante por mares de ilusão, a ilha sou eu...tão próxima de um continente, contingente de ignorância sobrevivendo sujeita às sandices da loucura imposta, acreditando ter razão;
Fé em coisas que não existem, ilha não se aproxima quando não convém...de vampiros alienados, resignados que subsistem;
Porção que espera pacientemente, sem muito a oferecer que não seja refúgio do inverno de existir...pequeno e insignificante lugar onde sempre seja quente;
Porção que se afasta um pouco mais...se aproxima um pouco menos, por juízo desarrazoado que se faça sem precedentes!
Se sou ilha...o mar é meu lar, é onde devo me afogar, é onde me escondo e me perco em paradoxos à espera por algo que ainda se pareça com gente;
Porção a ser esquecida por vários, pequeno ponto que ainda seja visível ao olhar que busque por abrigo, um coração benevolente...
Ilha, sozinha e nem sempre no mesmo lugar, ilha que em um mapa onde muitos se percam é coisa rara para se encontrar;
Posso ser sozinho sabendo somente que adiante é única opção ao evitar olhares, para seguir meu caminho...
Por aqui ainda há alguma flor a oferecer a quem mereça, sem necessidade de medo de se machucar com eventuais espinhos;
Posso muito bem me esquecer após devastação e exploração de meu ser, sobreviver em minha utopia, fazendo de conta que não necessito de alguma atenção e quase nenhum carinho.



Amores displicentes.

Está, de repente não dá...nunca se sabe quem será;
Faz, simplesmente desfaz...um passo adiante, passa sem se importar te deixando na poeira, para trás;
Esperando por noites a pensar, espera ansiosa por quem não se lembra, sequer sabe se irá voltar;
De seu nome parece que não se recorda, mãos se machucam...se cansam de bater pedindo por esmola na mesma porta...
Seu tudo, para alguém há de ser nada, anseio que não seja consentimento pouco importa;
Procura que insiste em buscar pela pessoa errada...pessoas errantes, paixões passageiras que não transcendem madrugadas;
Se insisto, peço perdão...perdi algo além de vergonha, dignidade, devo ter perdido por aí a cabeça, o juízo, a razão!
Misturas que se pareçam perfeitas, juras e perjúrio...de palavras somente, coisas concretas jamais foram feitas;
Sigo, ciente que consigo...sob teto de concreto e com paredes acostumadas a me ceder um pouco mais que ouvidos...
Sigo, semblante plácido de quem caminhara pelo inferno já não se faz aflito ou se surpreende com seu interior gélido de inverno;
Valeu a pena a tentativa, que pena que não deu certo...
Paciência, há vida para dois quando em um somente não se bastam para se fundir, se confundir, ser tornar...
E vida, é coisa séria, divertida...confusa por demais para se perder em preocupações, se deixar abater por frivolidade de aflições...
Vida, é coisa que espera lá fora, mas não perde tempo a te esperar.




quinta-feira

Deixa pra depois.



Depois deste mês, vou passar a pensar sobre aquilo que no passado já pensava, mas nunca fiz...
Depois de amanhã, com toda certeza de que é tempo certo para existir, vou estar contigo onde a gente sempre quis;
Depois, deixo pra lá algo que por mim de braços abertos espera, deixo para ser conjugado em imperfeição de futuro...oportunidade que se vai com horas e minutos, se finda ao cair de uma esfera;
Depois deste tudo onde tento me encontrar, deste nada onde jamais consigo me achar...
Depois de tanto obedecer sem questionar, depois de sobreviver...juro que vou pensar de fato em viver, antes de areias de ampulheta invisível que conta meu tempo de passageiro, se esgotar;
Depois que esgotar paciência, esgotar saúde...pensar em dignidade e alguma lealdade para com um mundo que esquece, como número descartável te sepulta sob cimento e jamais te agradece..
Depois que tudo esfriar entre nós, juro pensar em algo quando tudo estiver verdadeiramente perdido, para reacender um fogo que já não mais aquece!
Depois...de um infarto dedicado às coisas mais banais, de me considerar sublime em ser, mas estar sempre em consonância de pensamentos com desprezíveis animais, hei de enxergar!
Tesouro que era vida e escolhas que se faziam opção quando eu me fazia cego, bem abaixo de meu nariz...
Depois de mim, há de existir outro para realizar ou simplesmente seguir os mesmos passos errados e tropeçar batendo na mesma tecla...
Sentindo propositalmente as mais lacerantes dores, falhas em incongruências de fala e atos, falha...na verborragia infundada de quem nada diz;.
Desenhar seu plano perfeito para destino, mas deixar que ele seja alterado por desatino de mente acometida por crendice em promessas não cumpridas, pela fragilidade de toda escrita que o tempo apaga...vida, escrita a giz;
Depois, em lugar perdido no espaço do tempo, prometo pensar em nossa chance tão única que se passou de ser feliz.



terça-feira

Estranhos no coletivo.



Faces anônimas singulares, distintos destinos, distintos lugares...
Coletivo, que ao coletivo de porcos, vidas conduz...esquiva que há de ter quem desde cedo apanha sem jamais degustar os frutos que produz!
Várias variações em tonalidades de pele, semblante abatido de gado conduzido para distante de casas que jamais foram lares...
Sustentado sob pernas que mal se sustentam, esperança somente há de ser tonalidade que se veja através de vidro sujo, cor de mato...esperança há de ser padecer sentado, produto de irrelevantes somas em pares;
Rumo certo, destino incerto e ingrato...gente com talento que não se reconhece, identidade que não se veja em olhar resignado e cabisbaixo;
Coletivo, a serviço de porcos tão plurais...vara, açoite, espera ansiosa pela noite e por uma pequena dose de descanso induzido que se chame por paz;
Andei um dia dessses contigo, mas perdão...na multidão somos tão parecidos em nosso salário de fome, na desimportância de nossos nomes, não me recordo de tua cara...
Pensei quando criança em ser astronauta, pensastes sobre mim que fosse algo em vestes lavadas de ontem, simplesmente por viver ostentando pastas;
Sou alguém à procura de sucesso prometido em terra onde passagem para o céu dos sonhos de outrora, é coisa muito cara, sou filho bastardo de uma mãe ingrata...em busca de oportunidade, que seja coisa tão rara!
Me pareço contigo, se parece um pouco comigo...juntos, destinos conformados e diariamente ao mesmo destino conduzidos, conformados com o velho pedaço do mesmo pão amanhecido...
Agradecendo por migalhas na esperança de fartura antes de um iminente infarto, formamos um belo coletivo de nada...
Sorrir para estranhos, sujeitos ao que se sujeita toda "infantaria"...à primeira dose na testa de estanho!
Sorrir com sorriso esquisito, em mais um dia de nosso feio subsistir e um Sol de céu tão limpo...realmente, ser humano é também saber se iludir com muitos contos e poucos ganhos;
Talentos caminhando por aí perdidos, em busca de reconhecimento...contudo, para se reconhecer olhando no olhar de seu semelhante, há muito pouco espaço para se disputar e escasso é o tempo!




segunda-feira

Bem vindo à realidade.

Toda visão era distorção, todo som era eco de minha própria voz entre paredes...reverberação;
Tudo o que se parecia bom se foi, restam paralelas, paradoxos, dilemas...ilusão;
Aquilo que um dia foi palavra, fez sentido somente quando havia motivos para pulsar no peito uma pedra de gelo que no passado, chamava por coração...
Chama boa para se apagar, histórias memoráveis para se esquecer, cinzas somente...nada é o que reacende, quando nada é o que há de restar;
Na velha estação onde me sentava, na velha vibração onde alguma inspiração comigo se encontrava, me cansei de esperar...
Da velha sensação que sentia, sobre aquele sentimento bom que fingia...ruínas apenas restam de frágil edificação construída em versos que ninguém há de se lembrar;
Embriguez cede lugar à sobriedade, sombria opacidade, véu de desilusão cegando visão que coloria o preto e branco do colorido outrora tão vívido, que havia neste mesmo olhar...
Humano que adormece, pessoa de personalidades diversas e conflitantes, disfarce de aflição é máscara de impassível...inexpressiva face contemplando pela derradeira vez, sua própria alma queimando em chama impiedosa a crepitar;
Último arrepio que se sinta na pele, última lágrima que alguém há de derramar...
Quando nada parece ter feito sentido, quando tudo se parecia feito de areia e nada seja agora além de partículas no vento ao voar;
Sobram palavras, verborragia desencontrada, coisa disforme que muito tenta dizer, contudo nada mais tenha por falar...
Quando tudo queima ao seu redor e nada resta, simplesmente silêncio funesto é pesar na atmosfera que sobre ti agora pesa;
Quando seja demais ou de menos relevância, quando o imprescindível deixa de ter importância...
Morre algo além de alma, prevalecem sombras onde costumava brilhar intensa alguma luz de tua aura;
Silêncio prevalece, amanhã agora se faz certeza que tudo sobre ti se esquece...
Quando nada mais acontece dentre de si, nada mais aqui fora se parece interessante ou cativa o olhar daquele que de tudo desiste, sobre visão de repetição, nada de novidade se escreve;
Alvo fácil, tão frágil que batia no peito agora é gelo, liquefação não há onde seja inverno perene, como está, por todo um sempre agora permanece...
Liberto em meio à multidão, mais um alguém livre para ser normal, sobre sua identidade perdida o tempo se encarrega de cobrir quando um motivo para sorrir, em um rosto cansado para sempre se perde.


domingo

Quando o sol brilhar mais forte...

Anjos que crescem longe de ti, em algum lugar...
Espera paciente por vir à tona, estrela brilhando nas profundezas de seu aconchegante lar;
Sonhada de um céu, se esconde no horizonte a esfera dourada que aos teus olhos, os primeiros raios ainda ocultam para em suave alvorada, ao mundo te revelar;
Envolta em um véu, branca cor de neve, cabelos cor de mel...
Anjo ainda em tua condição...borboleta sem asas formadas para voar, estrela mais bela feita para brilhar resplandecente em um céu, com brilho intenso tão seu que aguarda este chão;
Fora sonhada, forma natural de perfeição em tua graça; 
Face em aflição distante de ti...noites solitárias entre sorrisos e lágrimas de alguém que contigo somente sonha e na distância que nos separa, te aguarda;
Fruto divino de sonhos de inocência advindo...semente de alguém que muito diz, mas pouco sabe sobre amar, esperando para aprender contigo;
Para além de meu vil existir, em tua face...meu traços;
Para evitar loucura que me faça sucumbir, lhe entrego em meus devaneios...quando ouço teu chamado, para teu ninar a segurança de meus braços;
Doce criança que sequer nasceu, não desejo por enquanto lhe explicar os motivos de a vida nem sempre uma jornada engraçada...
Simplesmente as coisas são o que são, primeira lição...questionar o inexplicável, será perda de tempo, bem como lutas por tesouros sem valor, pessoas sem amor...
Coisas que só lhe firam por dentro, muito de ti exijam e quase sempre lhe deixam sem nada;
Quem lhe carrega agora sequer sou eu, mas quem lhe envia sabe de coisas que este rapaz que há de chamar por pai, sequer um dia conheceu;
Confesso que não lhe esperava, contudo sou eternamente grato a quem me confiou teus primeiros passos, tua vida preciosa que a este ilustre idiota prometeu...
Anjos que crescem longe de ti, em algum lugar...são somente provas de que há anseios maiores que os meus, há mundos melhores nos quais seu pai não viveu...
Há esperança, vinda de uma criança...para devolver alma, restaurar calma a alguém que caminhava sem propósito, com estranha sensação de que algo dentro de si há tempos morreu...
Restauração, uníssono pulsar que se possa sentir à distância, de um mesmo coração;
Resposta para uma velha e esquecida oração, vida inocente pedindo por algo além de minha simples atenção;
Presente da misericórdia por um miserável de um benevolente Deus, meu mundo agora também gira em alegria...em torno da órbita deste pequeno mundo que seja tão seu.



Deserto de ser.

Perdão, ando meio perdido em pensamentos, procurando no vento sedimentos...partículas que não me pertençam, mas possam me completar;
Perdão, pensei com convicção típica dos tolos...sobre certeza simplesmente por tê-la, evitei ver a dúvida...pois, sabedoria distante de meus passos errantes ainda está;
Partículas que componham aquilo que aos poucos se desfaz, devaneios...quimera no espelho, perdi algo além de identidade onde dignidade ficou no longínquo, esquecida na estrada para trás...
Estrada tortuosa de uma vida, intensidade, êxtase que seja prelúdio para mais uma ferida;
Perdão, creio que deveras nada saiba, creio que até mesmo minha maior convicção seja crença assaz infundada...
Creio que muito vi, a muitos lugares fui sem jamais chegar...creio, que de fato não vivi por viver e das lições não aprendi nada;
Belos pares de olhos, com olhares somente para sonhos...olhares para ilusão, distantes da realidade neste cinza predominante de dias estranhos...
Longe da serenidade do azul, da esperança de esmeraldas...longe da seriedade e sobriedade do mais belo tom de castanho;
Perdão,  perdi muito tempo pedindo por uma solução sem necessariamente saber o que fosse problema sem ter de causar...
Perdido por aí, jovem por demais para se prender, velho por demais para de velhas amarras perniciosas de meu destino, se soltar;
Creio que não haja palavra, quando sequer no silêncio que paira entre nós...nada se desata, nada se destaca, nada haja por se explicar, ou mesmo...por se perdoar;
Liberdade de escolher seguir, somente por estar cansado de ser forte por demais por um dia...para em noites de solidão em minha clausura, minhas lágrimas ter de secar...
Perdão, mas deixei a vida seguir...apaguei as pegadas de um rastro tão meu, coisa peculiar;
Coisa que se faça propositalmente quando se entrega de braços e abraços com o vento e o acaso, para nunca mais encontrar!
Perdão, mas devo seguir na certeza de estar acompanhado de solidão...
Sou aquilo que não me pareço, tenho talvez nada além daquilo que mereço...que a fragilidade de tudo aquilo que perdura para ser esquecido, me concedam alguma razão;
Vivendo ao avesso, no deserto de ser pago o preço e aos poucos me conheço...distante, do alcance da tua visão.



sexta-feira

Voltas sem regresso.



Palavras soltas ao vento, palavras em versos, versículos aos teus ouvidos para te ninar...
Palavras com pretensão de encantar aquela que se distrai, nada se encontra na imensidão de orgulho do teu mar;
Palavras perdidas, coisas se fazendo presentes diante de teus olhos...no pretérito aos poucos perecendo, nas profundezas do egoísmo, palavras de amor preteridas...não serão ouvidas!
Imagem daquilo que parece ser plenitude, paradoxo para o vazio que parece perturbar o teu ego...
Egoísta em fidúcia infundada talvez seja eu, por vezes também me perco e interiores que sejam tão meus e sobre ceder também me esqueço, porém não nego;
Palavras tentando confiar segredos a ouvidos distraídos, palavras escritas entregues em cartas de carinho a olhos tão cegos!
Atento estou, alento para mim é sempre um nada que resta como possibilidade após aparente fim, para reviver em outros lares e lugares...um deja vú daquilo que já passou;
Me faço palhaço, me faço pedaços...me faço pegadas singulares, resquícios propositais somente para saber se alguma falta faz, aquilo que nunca bastou;
Se meu semblante diz não dar a mínima...quem sabe seja, porque o máximo jamais alguém notou?
Sentir falta de um passado, coisa típica de quem se parece afeito à dor de saudades de tudo aquilo que se passou...
Somente para dizer que gostaria de reviver, somente para dizer a outros ouvidos interessados, sobre uma história de amor que perdeu a chance de viver...
Meticulosamente em detalhes, mentiras obedecendo nada além de teus caprichos, trama perfeita que tua mente inventou!
Que pena, palavras eram apenas palavras e o vento levou...vida que prometia, agora se contenta com falsas promessas, com sobras daquilo que não restou;
Preço a pagar talvez seja prisão entre paredes brancas, peças que sem querer pedimos e a vida, sem prévia hesitação, dolorosamente pregou...
O mundo girou, muito tempo se passou...alguns estranhamente esperam em sonhos que mais se pareçam com pesadelos, pelo regresso daquilo que deixou morrer e desprezou.





Amor no singular de amar.





Era fraqueza talvez...fraqueza que me impedia de ser feliz por mim, desenhando no chão um coração para encanto de teu olhar, algo a mais de quem nada tem para tua satisfação...
Era o nada em mim que me impedia de enxergar, fazia com que somente fosse possível superfície em meu ver...
Acostumado com ingratidão de conformismo que seja tudo dar e nada a receber...vi diante de meus olhos a vida passar, vida meu sorriso sem graça aos poucos se desfazer;
Era fraqueza...meu ímpeto destrutivo, meu desespero sozinho sem um grito...
Era fraqueza de espírito, de uma alma que teus olhos não veja, mas faz afirmação com veemência sobre estar sempre comigo...
Era uma lua no céu que eu te dava, era espelho de tua própria beleza juvenil que te encantava...
Era eu dizendo tudo aquilo que ocorria de mais belo por um segundo e se perde por uma eternidade em palavras, coisa que jamais se importava;
Vida que deseja voltar a saber o que seja viver...ouvido que detesta uma indagação estúpida sobre tudo o que acabara de dizer;
Abri um espaço para você entrar, neste peito cansado de repetição de velhas coisas para mais forte poder talvez pulsar, algo para surpreender...
Abri um coração para que alguém pudesse caprichosamente ignorar...ah, tolice a minha que ainda creia que valor que seja sentimento, algum apelo ainda há de ter!
Esperava por um abraço, por um beijo...esperava feito um tolo com aquela rosa roubada que jamais pude comprar...
Com teus próprios encantos uma vez mais a se encantar...espelho parecia ser a única coisa que sabia amar...
Neste chão, pela derradeira vez uma lágrima por nós que agora se desatam, uma lágrima hei de derramar!
Neste chão, miserável sem nada nos bolsos para lhe satisfazer, nada mais com um pedaço de tijolo de construções frágeis que se assemelham a este amor insano, algo para ti hei de desenhar...
Desenhar para olhos que distantes de mim que parecem minha presença não sentir...mas, de minha ausência reclamar...
Vou sair por aí, vou abraçar um mundo que me queira, pois há de existir talvez um lugar para gente esquecida pela sorte em algum lugar;
Vou sair por aí sem deixar endereço ou telefone para aquele que jamais deveras ligou...
Cobrir meus rastros com poeira, pois na pretensão de algo bom por ser vivido, na utopia de um pobre diabo....
Nosso estranho amor de um somente, para sempre se acabou...satisfaça teu ego com fotos e espelho de fato que jamais se consumou;
Não procure por onde anda aquele que por um minuto de tua atenção queria, mendigo de amor que desenhava no chão um coração que você, impiedosamente pisou!
Não olhe agora no momento da partida, para aquilo que nunca reparou...deixe tua cena pra depois, deixe tuas lágrimas para um futuro que teu espelho ainda não mostrou.





quinta-feira

Coisas melhores por aí.



Há coisas melhores por aí, coisas que não distraem o olhar, traiam a confiança, coisas que simplesmente encantam e nada precisam jurar...
Há contos de um sábio esquecido pelo tempo para se ouvir, canção com indigente ébrio para, em dueto de loucura e êxtase, o refrão a quem queira ouvir entoar;
Há poluição e fumaça, formas tão malditas para distrair todo ato de livre pensar...há, contudo a essência do sublime que não dissimula, não engana...
Há flores e pássaros, poluição da paisagem será sempre coisa de passagem, em sua sutil forma de algo além de tua atenção, para si roubar!
Ao canto da maldita sereia, prefiro verdade que seja profundeza perigosa do mar, prefiro sedimento que remeta à pureza de cor quase branca que seja areia...
Escorre por entre os dedos, porém não oculta segredos...não confessa aos teus ouvidos falsas juras, não fala sobre falsos medos!
Prefiro o sublime que se pareça trivial que ninguém se importe, como o ascender de uma esfera incandescente que ilumina esperança de mais um dia...
Aos encantos profanos da criação, à terceira ou quarta e oculta intenção...à sujeira que traga na alma e espinho que traga nas mãos a maldita vadia!
Empecilhos que sejam distração...alturas estratosféricas que sejam plenitude de espírito em sensação sem necessitar deixar o chão...
Versos, embora quebrados, misteriosos, sem sentido, incertos...à coisas, que lhe deixam literalmente sem chão, perfídia inesperada, traição;
Leva-me neste perfume que seja prova de essência divina que dos campos inebria...
Leva-me, para longe, onde nada veja...onde seja noite de solidão e seja certeza em um céu de estrelas, estar na melhor companhia;
Há coisas melhores por aí...há também perda de algum tempo, frivolidades do ego para se divertir...
Ponderação, peso na balança imaginária sobre aquilo que lhe satisfaça, sobre aquilo que lhe faça iludir;
Lembrar que até mesmo a própria desgraça, em um submundo de humanos imundos vazio e sem graça, é coisa passageira que fará sem motivo aparente sorrir!
No onírico nunca me deparei com perigo...em minha doce utopia, jamais senti o sufoco que fosse prenúncio do fim.




Simplesmente seja.

Peça pedaço daquilo que lhe falta, mas não peça quando nada oferece aos demais;
Peça por um tempo, peça por peças que em ti não se encaixam por incompatibilidade...vida fugaz, perda de tempo pensando sem atos, olhos a divagar na sintonia de tanto faz...
Seu tempo, se parece com jamais, mas quer sempre mais um pouco daquilo que nunca traz;
Não peça por evolução, não peça por novos horizontes, preso nos grilhões do passado sempre olhando para trás;
Permita que amanheça pra você e para alguém, permita que anoiteça, permita que aconteça, se tanto lhe apraz!
Não impeça o brilho de uma estrela que deseja brilhar, não acenda a fogueira das vaidades somente para ferir e algo que seja ruim, poder alimentar;
Não presuma, tenha alguma certeza...não vista máscaras, faça nudez sem vergonha de tua própria natureza e, se possível, traga um pouco mais de tua mais admirável beleza;
Não seja abundância, tampouco inócuo como há de ser o nada, evite que seu tudo assim seja...
Não esteja, se não quer estar, não conjugue na primeira pessoa para se tornar algo singular, daquilo que não deseja;
Siga, perpassando desapercebido por olhares de desprezo de quem não te mereça...adiante é caminho imperativo que não deixa opção e se tanto lhe faz mal, "escarra logo, nesta boca maldita que lhe beija"!
Do passado, traga algo melhorado de seus cacos...ainda que sejam cicatrizes, se possível traga um sorriso de vitória somente por ter chegado, superado...
No presente, esteja certo o suficiente para saber o momento de se trocar de lado, seja sempre sagaz o bastante para nunca deixar de estar ao seu lado...
Quando palavras nada fizerem por ti, construa o melhor de seu mundo com atos, permaneça simplesmente sentado, contudo jamais resignado...quando palavras obedecem ao ímpeto que lhe faça perder pouco de qualquer razão, permaneça calado.






Todo dia, pode ser adeus.



Todo dia pode ser um pouco seu...
Há espaço para ser preenchido em um coração partido, há espaço até mesmo no egoísmo para compartilhar contigo segredos meus;
Há visão além do aparente infinito, há sempre um horizonte mais belo distante dos olhos...há mistérios em pequenos mundos que sejam inferno ou paraíso;
Há mundos solitários esperando pela chegada de teus passos, há braços vazios esperando por teus abraços...
Há laços para se desatar, há liberdade ao se perder ou se encontrar, há lugares de paz pedindo por um pouco de caos para perturbar;
Há faces inesperadas, boas supresas esquecidas na multidão...sem aparente encanto...
Há presença esperando por atenção que seja de um anjo, há insidiosa e tentadora promessa...proposta perigosa pela perfeição das formas do profano;
Há caminhos que são certeza...certeza de enganos, há destino certo para quem creia no incerto, lugar de descanso para chegada daquilo que seja errante e humano;
Há perigo para quem aposte na mesma sorte, há segurança para quem saiba que vida em intensidade caminha no limiar...vigia seus passos com olhos atentos, ao atravessar os vales da morte;
Há barreiras para quem esperava travessia, há pontes à disposição de quem as construa sem querer...inveja o outro lado sem conhecer, há chances para cegos que gozam visão e não mereciam;
Todo dia pode ser um pouco seu, todo eu pode ser apenas pretensão...parte de futuro sonhado, que nunca me pertenceu...
Certeza em passos que se repetem em rotinas, rotas de colisão imprevistas que possam transformar seu "até logo", em fechar de olho, cessar precoce ou golpe de misericórdia para quem em vida, já morreu...
Todo dia pode ser um pouco seu...mudanças impossíveis ao teu alcance, um novo sol é mais um sorriso do destino que de ti, jamais se canse...
Adiante, pois nunca se sabe decerto, quando toda certeza que norteia passos desanimados teus, se convirja em visão de futuro incômoda que seja o para sempre...de um derradeiro adeus!





No verde da verdade.

Gramínea verde, paradisíaca visão...distorção de ótica, ilusão...
No embalo da rede, desnuda mistura homogênea daquilo que se fazia verdade em confusão;
Sobre a relva, sob orvalho que fosse estranho comburente para corpos ardentes em combustão;
Era manhã de primavera...tudo era transcendental, desobedecendo horas onde essas não importam, era noite e testemunhas, somente lua e estrelas;
Vagalumes e tudo mais pairava ao redor, coisas jamais vistas por ninguém que as esperasse...esperando inutilmente um olhar de corpos em fulgor que se esqueciam de vê-las!
Gramínea verde, no chão...na rede, verdade selvagem, humanos metade que se completavam saciando sua sede;
Sob tórrido sol, cálidos eram os beijos, infinito se parecia o desejo de empalidecer e adormecer na palidez que há de acometer a pele...
Desafiando limites de consequências imprevisíveis...reação química explosiva que acontece;
Atraindo de forma fatal sem se importar com riscos...desafiando a física fazendo fusão de corpos, paixão inesperada que acontece;
Girando em nossa órbita, tempo na palma das mãos...tudo ao redor de dois que de tudo se esquecem, súbito interesse, que de coisas normais e sublimes desperte;
Tudo há de se consumar no clímax, êxtase de uma vez que torna eterno um momento, faça talvez eternidade ao juntar destinos distintos, corpo cansado que em um sorriso desfalece;
Tempo era aliado e de nós, naquele dia se esqueceu... 
Tempo tatua na minha e na tua alma, extravasam os planos do platônico Julieta e Romeu!
Aliança de ligação que seja para além de uma eternidade...coisa que não de dois não se esquece, pois plural era tão singular em momento tão especial quando sonho sem tempo pra acabar aconteceu;
Sentido não faz e não precisa fazer, quando não necessitam teorias...nada se explica quando o assunto seja prazer!
Orvalho sobre nós, vidas e mundos distintos em desatino de momento eterno somente para se conhecer...
Chuva que sussura em meus ouvidos, que em meus braços somente, à partir deste momento...para até o fim de todas as coisas que não se saiba, coisas que me trouxeram até você...
Me dizem em segredo, que teu abraço aqui encontrou seu espaço...que meu peito é teu lar e neste pequeno lugar, para sempre há de pertencer;
Juramento em silêncio, sem palavras que a relva por nós, há de fazer!






quarta-feira

Destinos ingratos.

Era dia de festa, quando em tua casa uma luz para outros, se acendeu;
Perdido por aí ausente de coisas que se percam pelo caminho, para quem esteja longe dos holofotes e longe da lembrança, longe da dança...
Na lista de convidados esquecidos, nome e sobrenome eram meus
Restos de vida, outrora lembrada pela conveniência de não ser esquecida...peças que se perdem, pedaços de um pergaminho de história sem sentido;
Em passado, passado a limpo teu amigo...agora nada além de maltrapilho pedindo por uma palavra amiga que devolvesse calma, uma bênção que devolvesse alma, quiçá somente um mero copo d´água;
Tinha sede, sentia frio...corpos castigados caminhando por desertos em passos incertos, já afeitos às incertezas e restos de uma curva de rio...
Tinha saudades de você, tinha saudades de nós...sorriso amarelo em teu portão a chamar na esperança por algo distinto da ignorância que de minha face, outrora reconhecida...deu as costas e riu!
A sós, vivendo sem endereço fixo, há de se fazer descobertas sobre a vida...destino nem sempre amigo, vento que sopra nem sempre em favor do esquecimento e não caminha contigo;
Era dia de festa, pela fresta, como quem espera por um pedaço de pão de miséria, a observar tua embriaguez solitária que no passado fora tão nossa, era eu...
Corpo esquálido estremeceu, familiar visão adiante de família da qual já não fazia parte, sorrisos...jamais risos, é aquilo que se espera daquele que na fraqueza, já fortaleceu!
Bifurcações separam vidas, estupidez apagando histórias...uma palma de piedade por quem teu nome já chamou, daquele velho portão se ouviu quando o ontem, se revelou mentira e não memória...
Era dia de festa, mais um dia vivido por estranhos tão conhecidos exultando, êxtase de mais um dia de glória...
Pouco se sabe sobre o amanhã, nada se sabe se amanhã o sorriso que se abre, será o choro de lamentação mundo afora;
Deixe estar, deixa ser...aquilo que não era verdade, talvez jamais fosse pra necessário acontecer...
Deixe o mundo girar, porquanto sorte não sorri e eu persista neste solitário caminhar, deixa velha esperança em parco iluminar de vela se queimar;
Do amanhã nada sei, senão que...em minha festa, teu nome será lembrado por uma lágrima ou um sorriso ao te acolher...
Se vivo eu estiver para lhe abraçar, se deitado para sempre...alguém por mim, pela nada que me deu lhe agradecer!



Que seja minha, a tua paz.




Vento ao seu favor, tempo ao seu dispor...
Disponha de tempo para alterar a direção do vento, disponha de chaves para mudar-se a qualquer momento...
Disponha de opção...toda calmaria se sujeita à paz que nem sempre deseja, paz é ideal do ponto de vista de quem possa e se prevaleça;
Vento ao seu favor, tempo ao seu dispor...
Mudança que valha, valorosa e notória que vista em profundidade...submetida a qualquer análise não falha; 
Mudança de quem faz e não fala...evita a falácia, verborragia do embusteiro e se cala...
Artifício infalível para iludir as massas...veste a máscara, se perfuma sem ter essência o afável canalha;
Transformação principia por dentro e se mostre por fora...lágrimas e cicatrizes, marcas de ontem, pérolas de agora;
Vento soprava para onde teus olhares fugiam, tempo sem piedade...faz apenas recordar passado sobre escolhas, enquanto ainda havia;
Tempo nostalgia, devorador de lucidez, tempo melancolia...
Faz noite eterna de teu dia, faz suar e sofrer no leito de descanso que já não queria;
Faz da paz alheia a tua, faz do caos sem causa, culpa que ao teu lado caminha...
Ensina-me a esquecer, ensina-me a ser livre...sou adulto iludido, sou criança...coração de gelo, que se esqueceu de crescer...
Ensina-me a viver, ensina-me a seguir sem olhar pra trás...inimigo também derrama lágrimas sem sinceridade, faz as mesmas juras de amor eterno tão fugaz...
Coisas que se prometam por um dia e se esqueçam facilmente quando não se aceita sua paz, coisas que definitivamente sequer deveriam ser acidentalmente presente...
Pois, realidade lacerante que se oculta por trás de olhos indiferentes assim, não mais me apraz!
Pernas obedeçam coração...coração, não tenha compaixão...
Por quem lhe queira como deseja, te liberta com a condição de permanecer morto para um mundo de possibilidades...
Ignorado em agonia sobrevivendo ao se distrair com frivolidades, solto dentro de uma prisão.

terça-feira

Coisas para conseguir, coisas para confundir.

O que seria necessário além de asas, para poder voar?
O que seria preciso, além de bolsos cheios para poder sonhar?
Há coisas por aí para se ganhar e se perder...
Há caminhos, escolhas talvez sem volta, rumo à redenção ou abismo para se arrepender;
Há pessoas que se entretenham contigo, há ombro que se pareça amigo...há pessoas que sejam mundos, para explorar e neles por algum tempo, se perder;
Há horizontes belos, distantes dos olhos...onde passos somente não bastam para que a visão possa ver...
Há chama de perigo, há perigo que chama...há chama de paixão, há vazio onde faça frio entre paredes somente para um, em uma imensa cama;
Há reminiscências em essências artificiais...coisas comuns travestidas por tesouros especiais, há coisa que dissimula, engana...
Há meios para ascender, há queda quase que iminente que imponha fim àquilo que sequer começou...tua trajetória, da tua vida, tua trama!
Medo de mares bravios que embarcações frágeis que sejam vidas, balançam!
Medo de arcos...medo de ser flecha e por um dia somente ser passado para trás, esquecendo-se que adiante em tempo posterior logo se lançam...
Há pessoas por aí pedindo por vida, há pessoas tentando sem sucesso, permear linha tênue e intransponível que conduza à própria morte...
Há vidas que vivam sem sentido esperando por serem plenas em outras vidas, há em todo raiar de sol de um novo alvorecer, para quem ouse tirar os óculos e ver...um desejo do destino, de boa sorte! 
Há futuro que seja repetição de presente para quem não enxerga ou renuncia sem querer, a tudo que remete a ser humano e intrínsecos desejos...
Há futuro que promete...promete ser igual, ou distinto desta realidade incômoda que eu vejo.



 
 

domingo

Menina dos meus olhos.

Havia aquela garota que não via...garota que alegrava meus sonhos quando ao dormir, sem querer eu sorria...
Havia, café da manhã solitário em uma casa vazia, sorriso e sussurros de uma voz que somente em meus ouvidos desacreditados, eu ouvia;
Sentado ali permanecia, esperando por um beijo sonhado...por aquele momento sonhado, beijo cálido em ilha distante que realidade de prisioneiro não permitia;
Prisioneiro das paredes, prisioneiro de tudo aquilo que fosse memória em coisas inanimadas e vida restringia...
Prisioneiro, chaves de libertação nos bolsos...bolsos profundos como a amargura onde minha mão não tocava, nada encontrava, dali não saía;
Sentada naquela cadeira imaginária, garota tão linda, cabelos dourados como o sol que para mim não saía...sorria...
Me convidava para ver vida lá fora, ver flores de um jardim de desesperanças onde tudo comigo, aos poucos morria;
Figura angelical, figura onírica...fulgor era o que procurava na paixão que contigo idealizava, frio no vazio de minha alma era somente o que eu sentia;
Resolvi abrir a porta, raios que perturbavam a visão com realidade iluminada que se parecia com nada, caminhei com passos que hesitavam rumo àquela ponte estreita, esperando pela noite quando ela aparecia...
Crepúsculo de esperança misto de melancolia, caía a esfera incandescente, outra esfera suave aos céus ascendia...
Tua imagem nela, subitamente se refletia, imagem de um anjo que eu sonhava...imagem de amor que em um céu estrelado resplandecia;
Minhas mãos não te alcançavam, cansado de sonhar somente...em desejos de tocar sua face que para mim sorria...
Deixei meu corpo descer suavemente para eternamente sonhar, naquele córrego de sono eterno que reflexo de tua imagem, refletia;
Deixei um sobreviver triste, deixei aquela porta para ninguém entrar senão o vento naquela casa vazia...
Fui viver na eternidade junto à ti, para onde me convidava...liberto de um corpo que sofria, ao seu lado, em uma lua cheia de amor, era ali onde nosso sonho de amor finalmente acontecia.




Vida, além da visão.



Parei de fumar, somente quando o tabaco em e meus pulmões, travaram conflito;
Parei de me importar, quando importância alguma não merecia...somente linhas a mais no semblante me trazia, somente me consternava e deixava aflito;
Parei de beber aquilo que não fosse água...quando daquele líquido maldito, por corrosão que aos poucos me matava em conluio com a depressão, silenciosos assassinos...
Me deixaram metade que bastasse para chamar por fígado!
Parei de olhar, ainda quando fosse inevitável ver...parei com sadismo tolo que me torturava sem propósito a alma, qual proposta havia naquilo de nefasto que sobre ser humano, me fazia esquecer!
Parei de regar aquelas flores que insistiam em não crescer...
Parei de alimentar aquilo que se parecia com câncer, algo que talvez crescesse à base de combustível que fosse meu rancor, somente para aquilo que restasse de mim...por dentro, corroer!
Parei de me vender por preço barato, vidas não deveriam ser precificadas...escravo de dinheiro alheio para saciar vontades tão minhas, em críticas cegas por aqueles que ousavam se corromper;
Parei para pensar, mas o tempo por mim não parava...logo, vi que podia pensar em movimento, pensar na vibração do momento...
Colorir meu mundo com as cores que eu quisesse, sem me esquecer de viver!
Quase parei de crer no humano, quando humano de humano em mim mesmo...pouco reflexo do espelho da alma quase ausente, frente à frente quase não se via...
Quase morri quando escolhi por linhas de morte sobre a mesa, esquecendo-me que estas abreviavam da palma de minhas mãos, a linha da vida;
Quase errei, quando pensei que fosse certeza que, quem estivesse do seu lado, ao seu sempre lado estaria...por ti, algo além de centavos daria, e para até o fim de uma vida permanecesse contigo...
Loucura no limiar de uma margem, ponte frágil que não inspirava travessia...
Loucura cegavam os olhos daquele que se esquecia...de mãos amigas, pessoas humanas que não lhe rejeitassem um ombro amigo, auxílio nesta corrente de surpresas para vencer os perigos;
Quase parei de amar...mas, me dei conta que corações são distintos e, se no meu peito anseio por amor ainda há...esperança de amar, é algo que deverá morrer junto comigo!



Adeus, tijolos amarelos.



Adeus passado...passado a limpo, estrada estranha de tijolos amarelos;
Adeus ilusão, adeus estar sozinho sentido pesar de solidão...adeus paz prenúncio de tormentas que não mais quero;
Adeus, açúcar de gosto amargo, maresia, olhos marejados...adeus doce que engana visão, tão distante do sabor verdadeiro de caramelo;
Aos lírios hei de preferir a essência de rosas, orquídeas azuis em lugar deste vaso de crisântemo funesto;
Nunca há de ser tempo por demais em uma vida onde tudo, há de ser nada...quando tudo seja coisa intensa de um minuto para ser somente boa memória, coisa fugaz...
Nunca, porém, há de ser suficiente para se saber daquilo que não mais quero, passado de coisas que em um sepulcro em lugar incerto enterro...coisas, que não mais quero!
Futuro que um dia sonhei, presente para superar coisas que passei...passado, agora sepultado sob uma cruz de esquecimento, sobre este muro de indecisões, coisas que somente eu sei;
Peso que seja bom para se ostentar a gente carrega, peso que somente deuses possam lidar, aos mares, ao vento, ao nada a gente entrega...
Vida segue, vida há de seguir a despeito de seu sofrimento tão aparente que não cessa;
Vivendo de passado, buscando coração onde não haja, buscando compaixão onde tudo seja feito de "lata"...coragem de um "leão", que como um cão recolha a cauda em sua covardia e somente ladra!
Promessas adiante, promessa neste chão de mentiras contadas, de desventuras alucinantes...
Quero viver como nunca, mas jamais viver intensidade da mesma juventude de antes!
Adeus, passado...neste lance de dados, quero sorte distinta daquele revés de beijos e sonhos, pesadelos quando estou acordado...
Coisas que no longínquo agora deixei, coisas das quais se me perguntam, hei de afirmar com veemência que delas nada sei...coisas, que baratas ou sem valor, mas que me custaram tão caro!
Adeus, estrada de tijolos amarelos...peço carona ao destino, pois de ti já me cansei...
Sigo agora na certeza de alguma paz que que sonhei, longe do seu concreto cor de ouro, engano para tolos, desgosto de espera por um suposto mágico...
Sigo sozinho na certeza de liberdade, sem asas a voar para longe de ti, ou sob rodas emprestadas por um anjo qualquer que me conduza para longe de ti...
Na segurança e descanso que me conceda, o simples deslizar de rodas de um carro!




sexta-feira

Opiniões, para quem precisar.

E se eu precise de algo que não possas oferecer, para me fortalecer?
E se eu precise de um algo também, além de somente pernas para me levantar...?
Se se eu precise de algo para sentir prazer, para sentir voltar a viver...
Se eu precise, de algo para deligar?
Não se parece com pecado, quando não seja roubado, e sobrevivência neste inferno...seja algo assim, tão complicado;
Lembre-me quando sair de teu bolso minha solução, lembre-me do momento que portando uma prescrição, precisei de tua ignóbil opinião...
Pílulas para comer, pílulas para emgrecer, pílulas para aquele sonhado sono, sobre o qual num passado juvenil de alguma paz, não precisávamos sonhar;
Lembre-se de tuas questões, lembre-se de horizontes por ti esperando, para que quando sinta-se pleno de alguma forma, esqueça sobre necessidades de outras vidas para cuidar...
Lembre-me especialmente, quando aquilo que eu consuma, sobretudo seja tua obrigação o preço por isso, a se pagar...
Quando quero me lembrar de me esquecer, especialmente sobre ti, não quero me lembrar;
Lembre-se de desaparecer de minha vista, pois há caminho adiante e coisas boas que não sejam mero subsistir e monotonia, em algum lugar por me esperar...
Se o Sol nasce para todos, permita em tua arrogância que para todos ele possa brilhar!




Clonazepam.

Derradeira gota d'água que pinga num deserto qualquer, longe dos olhos de desinteresse de quem nada nota...
Uma gota a mais, uma miligrama a menos...afeição repentina pelo meu raptor, complacente com o bandido de outrora, perfeito para a sociedade, perfeição em forma de idiota!
Preenche com incolor ou um pouco mais de branco, ausência de cores que fossem alegria em viver que havia por dentro...
Entorpece tua dor, esquece tua prisão...ilusão de liberdade de si mesmo, na esperança que sempre perdure por algum tempo a mais que um breve momento;
Uma dose a mais para sorrir, uma dose a mais para um pobre diabo que já perdeu em algum lugar algo além da razão, não enlouquecer...
Uma dose, mas que seja dose em medida certa para que não veja o a noite começar, antes de um crepúsculo de ausência deste entardecer!
Clonazapam, não sei ao certo sobre amor, mas a ti juro eterna afeição...
Transforma terrores em alegria, transforma solidão da noite em vozes imaginárias que se pareçam com companhia...faz luz onde não haja, faz dia!
Não me recordo de teu nome, pois acerca de meu próprio existir sem aparente propósito, por algum momento para tudo o que seja indagação, arrefece ânimos, cessa consternação...
Clonazepam, desacelera aquilo que bate no peito por ninguém que sem importa, por ninguém que bata por novidades boas ao não me procurar além desta porta;
Fórmula mágica de esquecimento para solidão, fórmula perfeita para esquecer sobre condição de imperfeita figura adicto...de passado, passado a limpo, embora me recorde sobre ter sido esperançoso e jovial...
Clonazepam, uma dose a mais de ti não há de fazer mal, preenche-me com teu amor, sufoca este grito em silêncio de despero por desamor...me faça recordar, embora seja mentira que gosto de acreditar...
Que para alguém, ao menos, um dia já fui especial!
Se hoje minha essência é fétida, se presente é ausência desta essência ou seja deveras eu, a causa de todo mal...
Me aproxima novamente dos perfeitos, coloca em mim a paz de reticências, conceda certeza de que estou longe de um ponto final;
Se nada neste mundo parece fazer sentido...nossa relação eterna de amor há de ser coisa banal...
Em um mundo edificado e conduzido por psicopatas, deixe-me crer, vivendo em minha utopia...sobre ser uma pessoa normal!