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sábado

Histórias e ruínas.

De um distante ponto na linha retilínea onde tempo venha a se mensurar, um deja vú...paradoxo temporal;
Plúmbeo ou ensolarado céu a testemunhar, rosáceo crepúsculo ou resplandecente se fazia singular momento naquele luar...naquela noite, que pouco me lembro, mas destinos vieram a se cruzar;
Era jovem adulto, com os perigos da vida entretido como se criança fora com fogo, a brincar;
Era jovem adulto...tão incauto por sua condição, sobre sombrio futuro que a vida em seu emaranhado de teias, aos poucos estava a me seduzir, para meus sonhos diante de ti devorar;
Era um sorriso, em uma varanda a me esperar...eram lágrimas de ferimento consentido, que em altas madrugadas naquela estranha amizade, por ti vinham buscar;
Não se fazia necessária nenhuma ligação que não fosse de alma, sabia que ali estaria em sua inocência a me esperar;
Não se fazia segredo para ti meus crimes mais ocultos...crimes pelos quais me sinto como eterno réu aguardando juiz para me sentenciar;
Na doce atmosfera da noite, no sorriso que desmanchava uma lágrima de dor daquele que se envenenava com coisas do mundo...
Se fazia sem querer, comparsa do assassino que sua vida, queria lhe roubar;
Era criança naquela varanda, o ronco do motor e gritos em minha alma de dor, parecia à distância escutar...se aproximar;
É realidade que permanece, sorriso despretensioso e alguma amizade que permanece e não se esquece...é motivo uma vez mais para alma recuperar e esfera deslizar;
Das páginas de nossas vidas separadas, espero que novos capítulos singulares de alegria possa escrever, pois sinto-me incapaz como uma nau à deriva em alto mar;
Era noite ou dia, minha memória falha após estes quatro anos de intensidade em felicidade e horrores, sobre os quais tento me esquecer e sobre raros momentos, me recordar;
Já não se ouve mais o ronco daquele motor, já não há mais na varanda ninguém a me esperar...
Tudo se foi, mas tudo se assemelhava a um vazio pior que nada...e o nosso tudo, ainda está por se revelar;
Não há mais carro, mas ainda há dores...não há varanda, sequer ao meu lado resta no presente miserável deste pobre poeta, compartilhando alegrias e dissabores;
Na varanda, hoje em ruínas...sua imagem ainda deverá restar;
O destino se esconde de nós e o mundo não se cansa de sonhos, diante de teus olhos assassinar;
Creio que um dia, algo será diferente...creio, que num dia desses sem nada a esperar...
Quiçá, o que deveria realmente ser, a quem pertença há de retornar.



Um comentário:

  1. Obrigado pelas memórias...ruínas e vida vindoura nova, agora ou no futuro um dia, talvez contem nossa história....

    Por: Fernando Ordani.

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