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quarta-feira

Fantasmas do passado...escuro de pecado.

Entre flores se destacava, anjo do céu...anjo menina, cabelos cor de mel;
Abelhas a lhe cortejar, ladrões de almas sem merecer, querendo um pouco de teu mel provar;
Livre ao léu, com bonecas e casinhas nas nuvens, menina ainda com a vida a brincar...
No céu estava reflexo, reflexo de teu olhar...ao céu parecia ainda pertencer, olhares divagando, vagando pela imensidão azul como se nesta, estivesse a caminhar;
Não conhecia o mal, sereia sem encantos maliciosos em um mar de asfalto...em noite escura, tua segurança em mãos humanas a confiar...
Reinado fajuto que faz maltrapilha, jovem princesa ao pisar sem pensar em terras estranhas, onde pensava haver respeito por nobreza inata, tão sua;
Princesa maltrapilha sem vestes...vergonha de seu corpo imaculado, por seres do submundo tocado, princesa em gritos sufocados, alteza nua;
Um quarto sem sol...um quarto sem parco iluminar que fosse de lua...
Um quarto de traição de sua inocência,  recolhia o azul alheio à lascívia, violava as meninas de seus olhos, fazia regressar cinza, geleiras de ódio às ruas;
"Essa mão me conduzia, mas não era a minha", não era isso que eu queria...gritava ela em pensamento que ninguém ouvia... 
Mão sem piedade, que a uma pobre menina fazia armadilha, tecia teias para aprisionar, fazia planos não era seus...
Quis sonhar sozinha com estrelas, incauta como há de ser um anjo mulher que destinada ao inferno de humanos pérfidos,  com olhares azuis de anjo...
Olhares que maldade ao redor não percebeu;
Cinza arredio, escuro lhe causando arrepios, histórias que ninguém sabia...vergonha pelos outros não sentia, vergonha de si a consumia, sua voz tão fraca aos poucos desaparecia;
Noite, seus mistérios,  seus crimes e castigos, seus cantos e encantos...noite suave, noite açoite, noite e suas nuances, seus romances...noite abrigo...
Noite ombro amigo, era o que restava para um anjo sem asas que corria sem saber exatamente o por quê, se assustava...
Indecência tocava sua pele alva, contudo sua essência era aquilo que provocava...essência da rosa que não se roubava;
Noite maldita, lugares macabros longe dos olhos onde infância se assassina...mulher esperando regresso de sua parte que partiu ainda menina;
Vazio é o que resta no olhar, mulher aprisionada em casulo esperando por ser borboleta e quiçá, para o céu prometido deveras voar;
Anjos sem asas, destinos indevidamente cruzados com formas humanas tão falhas, mundo que condena à prisão os inocentes, mundo cão...que sacia com sangue jovem, a sede de um canalha...
Geleira agora teme o fogo...cinza, espera novamente azul de cor intensa de volta em seus olhos, que sejam espelhos de alma, espelhos d´água a refletir, a cintilar!
Fora feita para ser cuidada, fora feita com esmero pela criação...não fora feito para este mundo maldito, onde homens se parecem com a forma mais perfeita de nefasta personificação.





4 comentários:

  1. Horror...uma palavra, que resumiria talvez este nada, este vazio...este tudo. Sem dizer nada, segue vivendo com memória violentada, apesar de tudo...
    Por vezes, tenho nojo de ser homem...sequer sei se consegui me expressar em palavras sobre este assunto tão delicado, como a inocência tocada, direito...
    Queria sumir por vezes, esquecer quem sou...esquecer que neste mundo, há de prevalecer a verdade de quem melhor minta, a dor de quem finja somente que a sinta, consinta...
    Uma flor, com amor, para aquelas que algo distinto deste algo atroz, abominável, merecia.

    Por: Fernando Ordani.

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  2. Entrei no conto a não me contive. Lágrimas se faz presente, a dor de uma violência não tem explicação. Narrada com excelência, ser escritor é isso!

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    1. Muito agradecido, embora seja difícil escrever algo sobre isso...
      Abraços!

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  3. Assim como no caso que nara, quantas meninas, dolescentes, mulheres em geral não sofre com isso? Fernando com a divulgação dessa história sinto que não buscou polemizar, muito menos gerar audiência, é sim acrescentar o dia de hoje o mundo se tornou um abuso. Acredito que todos deveriam compartilhar esse texto, até mesmo relatos ajudando mulheres a entender o que é a violência: seja um estupro velado, seja no trabalho, seja no namoro com sexo não consentido. Não podemos nos calar, nem nos culpar por ser homem, porque esses são mostros, miseráveis, esses não são homens. Precisamos educar filhos para uma sociedade mais consciente do respeito ao próximo. Agradeço muito as palavras e essa pauta tão delicada de ser narrada, leitores se atentem histórias assim ajuda a não ter dores no seu amanhã. Forte abraço Fernando.
    Thomaz

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