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domingo

Algo quer calar.



Navegando em superfícies frias, em órbitas flutuantes a divagar...
Nega reflexo de espelho, que seja espelho d'água...não nega uma gota destinada ao chão, melancolia vertiginosa que se sinta longe do mar;
Nega no espelho tua própria fala, nega tua cara...papel rejeita, mãos trêmulas inspiradas, desgovernadas...no papel molhado, voz da alma não sei cala;
Fato que deveria fazer chorar, fotos que ainda me façam sorrir...sonhos que ainda sejam bom de sonhar, façam pujança para que possa reunir pedaços e seguir...
Voltar a sorrir, mas somente se for de próprio infortúnio, navegando longe dos mares, nostalgia de prisão em liberdade...corpo em clausura, alma em fuga por breve segundo;
Sentidos abertos, captação...mente bloqueia, abre coração...
Sangra mais uma vez, regressa alma e faz algum sentido quando nada mais faça destes delírios, devaneios, transcrição;
O suposto "poeta era um fingidor", deveras, pois dor já não sente, sobre felicidade pouco se recorda...
Muito pouco sabe sobre o destino certo de seus próprios passos guiados, quando acorda;
Nega teu reflexo no espelho, perplexo...imagem reversa daquilo que se oculta por trás de olhos claros, desespero;
Longe demais de tudo, dos horizontes que deseja...longe do mar que sonha, sua embarcação tão frágil naufraga por trás de um plácido semblante, evitando que o olhar alheio perceba;
Aquilo que é teu receba, se é nada agradeça...
Se não há nada por dizer emudeça, se é tolice em versos pobres aquilo que emana de você, esqueça!
Navegando em superfícies, longe demais dos mares e à margem de tudo...
Persistir divagando em devaneios...experimenta agora água que lhe sufoca, enchendo os pulmões em teu leito de moribundo;
Experimenta grilhões, morte que pinga lenta em ampulheta de loucura...o corte é superficial para tua doença não há cura;
Navegando, órbitas inertes...a flutuar;
Tudo em mim é superfície, tudo é bom e ruim por demais para enlouquecer, para adoecer...ao se deitar e acordar, para novamente o mesmo sonho, ter de sonhar e talvez se esquecer.




Um comentário:

  1. Deixa tudo isso, ou nada disso pra lá...
    Finja que não foi, finja que não é você...pare de ser palhaço enquanto tempo ainda há.

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