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sexta-feira

O mundo do seu jeito.



Prefiro as incertezas do temporário ao conforto do vitalício...
Prefiro o humano falho, prefiro frangalho...a nobreza de sua virtude, a vergonha que lhe imponha seu vício;
Prefiro real ao fictício...ideal é perda de tempo, ilusão de perfeição longe do paraíso é desperdício;
Prefiro sangue, coração, solidão...prefiro sofrer, prefiro morrer na intensidade daquilo que seja válido, do que viver à margem mim mesmo para assistir a tudo isso!
Prefiro passar o tempo, perder coisas que sejam paciência permando limites de loucura, caminhando na corda bamba ou no limiar do precipício...
Do que perder meu tempo provando aos errados que estava certo em algo, quando para viver basta um e assunto é ser feliz, logo ninguém tem nada com isso;
Prefiro o abraço de um amigo, à mordida de mil vampiros...
Prefiro o profano que pegue fogo na cama, prefiro gritos e delírios...a sussurros e suspiros;
Preferi a chama que queimasse e o chamado do perigo, o prazer prenúncio de açoite, loucuras dentro e fora da noite...a certeza de imposição de castigo...
Ao conforto de viver em lamúrias trancado em um quarto, se deprimindo esperando por um ombro amigo;
Preferi estar mais do meu lado que ao meu lado, preferi muitas vezes me isentar das culpas, cobrir os rastros, não deixar traços...
Crime com requintes de perfeição que salta aos olhos, acusação leviana que leva à loucura teu inimigo;
Prefiro o idolo humano que me ignore...aos supostos deuses que punem sem piedade quem não dobre seus joelhos, peça perdão pelo que não fez, quem não implore;
Prefiro o céu sem azul ou negro sem lua, que a gente colore...
Prefiro ser eu, me apraz ser parte integrante de mim, ainda que nada seja...que por um dia eu me iluda com doce ilusão de ser estrela e à noite sozinho, chore!






Mil e um.


Mil, mais um motivo pra parar;
Mil...e um motivo somente para seguir;
Mil razões para acreditar, que nada seja tão relevante feito no presente, para os ponteiros adiantar...
Para o ponto onde queira, para o tempo parar...para um minuto de atenção pedir, mil razões para perder a razão que não lhe pertence e ao sabor do acaso, tudo deixar;
Mil, e um somente para agradecer...suficiente há de ser para sorriso em um rosto cansado se desenhar!
Mil e uma sementes plantadas, mil sementes que não irão vingar, jamais serão flores, somente se foram ao vento, como hão de partir para o esquecimento as palavras;
Mil juras que lhe farão, uma somente que se pareça com coisa concreta, quase que líquida e certa...faz valer os percalços e desventuras de tua jornada...
Sonho para sonhar, não deixa em inércia de desânimo tudo solidificar, faz valer a persistência em prospectar tesouros reais de coisas abstratas;
Ainda que nada seja, é coisa somente sua esta aspiração tão linda que fora ofício de fé, é tão seu para ser assunto dos demais esta magnitude de teu suado nada!
Mil, e um...próxima parada, outrora longínquo horizonte, agora se desenha diante dos olhos como redenção em linha de chegada...
Se é glória deveras que aguarda, honrarias, "beijos de namorada"...ser grato somente por ter finalizado o percurso, ter cumprido compromisso, ter atos alinhados ao teu discurso...
Se é pódio, se é primeiro ou milésimo, que seja ao menos um para ser chamado seu lugar...
Que seja seu o mérito de um lugar, um raio de Sol...que seja suado e sagrado teu lugar conquistado...
Embora de teu nome ou de tua face, ninguém haja de se lembrar.




Se ainda é vida, que seja vivida.

Tem "bom dia" que é melhor ficar sem...
Tem hora que é melhor evitar aquela voz de velório e ficar "zen"...
Tem dia, que começa assim mesmo ruim, mas à noite tudo muda e logo fica bem...
Tem gente por aí que se parece humana, tem espelho para quem olha e gosta daquilo que engana...
Tem hora que dá vontade de parar com tudo, então você se lembra que sequer começou nada...
Tem momentos que nos esquecemos que vida se vai com o vento, melhor então seria não contrariar o tempo...
Melhor deixar ser o que for para ser, deixar morrer aquilo que não deve nascer, ficar em cima de um muro, porto seguro em guerra que não seja sua e sair de toda culpa, isento!
Tem dia que a lágrima quer cair, mas eternidade de um dia há de ser mais que o bastante para mais tarde, quem chora reaprender a sorrir...
Tem dia que passa rápido, para quem simplesmente deixa passar quando se pareça um pouco mais pesado...
Tem ouvidos para se ouvir, tem orelhas para escutar e fingir-se de surdo para a voz de quem deveria permanecer mudo, perde a chance de ficar calado...
Tem pio de coruja que é sinal de boa sorte, tem pio que dá arrepio...
Sinais e sons da natureza, superstição traduz em prenúncio de morte...
Para respeito há silêncio, para atenção dispersa tem assovio, para tudo que se pareça estranho há uma prece, juras de maldição e conjuração para levar pra longe dos olhos, incômoda forma distinta de ti...
Que sem pedir pra nascer, simplesmente ousou e existiu!
Há perigo após a esquina, há veneno para matar...veneno que anima...
Há chama de esperança para quem persiste...há fumaça de pesar para quem desiste e desanima.


UMA ATITUDE MUDA TUDO...SOMOS IRMÃOS, SOMOS IGUAIS, APESAR DE TUDO.

Aos ilustres de vanguarda!


Ao povo de fé tão frágil, convicção tão abalável que espera mudar o mundo...
Ao povo do pênis flácido, não bebe café...consome chá, chatos em suas montanhas de livros e teorias de conspiração, ilustres vagabundos;
Senhoras frígidas que desconheçam dureza do chão que pisam, deixando para trás rastros de sujeira para que outros possam limpar...
Falam sobre coisas eróticas e esotéricas, literatura, coisa erudita...malditas mentes desocupadas com propósito de perturbar;
Senhores e senhoras, pessoas que não obedecem a um relógio sem ponteiros...indiferentes aos dias, às massas;
Idéias roubadas de páginas marcadas, arrancadas...ilustres senhores do passado, donos das palavras que proferem com propriedade de vossas bocas, metralhadoras descalibradas;
Idéias que propagam, doenças que disseminam...cancro, metástase no seio da sociedade enraizada;
Velhas escolas, nova vanguarda de conservadores...senhores mantenedores!
De reuniões em vossas salas nada há de sair senão fétido cheiro que de vossa essência exala;
Povo de fé tão frágil, convicção altamente questionável, povo assaz ilustre de verborragia admirável!
Teus modos se parecem previsíveis e premeditados, teu discurso decorado de ti discorda...prazeres que proporcionam se assemelha ao de coisa artificial, tal qual ao de boneca inflável;
Irascível, inflamável...cuidado com a ira do pseudo intelectual altamente respeitável;
Ele pode, mas não faz...talvez porque não possa, talvez critica porque consigo mesmo nunca se satisfaz...
Quer sempre um algo mais...de alguém, que não seja si mesmo, alguém que creia estar distante dos olhos, a perder-se de vista na poeira...para trás!
Pobre nobre de vanguarda...de coisas prontas ou parcialmente recicladas...
Condutas e procedimentos, marca indelével é sempre ausência ou pobreza também de argumentos...
No entanto, sabem como ninguém manusear talheres , presença certa e indevida sempre na hora marcada!
O ponto que acrescenta muda muito, emudece multidões de ignorantes teu incompreensível discurso que fala muito, mas como sempre diz impressionantes coisas sobre nada.





quinta-feira

Carnaval em mim.




"Athos" e "Porthos", passarela de espíritos, outrora corpos...um por todos, todos por um...
Pede passagem apoteose de plural do ser, abram-se alas, abracadabra...magia branca ou negra, coisa macabra...sempre sobra espaço pra mais um;
Desfile de alegorias, expressão de tristezas...paradoxos de passagem, passista em uma esquecida avenida;
Desfila cores, máscaras ocultam lágrimas de êxtase, alegria maquiada oculta dissabores...
Avenida tão cinza, colorida de cores...eleva aos céus, sublima o carnal...
Faz de mim por um dia um deus, faz de mim alegre iludido em meu próprio carnaval;
Atos exagerados, euforia para esquecer os fatos, lança, lança...perfuma!
Liberdade é essência, indecência  que emana de mim e dos poros é cheiro que exalo!
Hoje somente sou passista, sou mais um na avenida...não me faça perguntas, deixe para uma quarta as cinzas;
Hoje, é dia de cores...cores, ainda que haja lamentações, ainda que cores sejam véu e vestes que ocultam horrores...
Remédio "anti monotonia", cura para o tédio pulsa forte no som de um coração com a bateria...nota dez em quesito harmonia;
Fui rei por um dia, basta-me para esquecer que da corte nada sou além de um bobo a fazer gracejos...alegrar burgueses com minha esquizofrenia;
"Athos" e "Porthos"...longe dos mares, "arames" não me prendem, livre dos grilhões, mais uma voz apenas em meio a multidões...
Embarcação frágil à deriva, apoteótica é expressão máxima do que seja expressão humana de vida...
Ainda que dividido...estou em rumo certo à caminho da dispersão, disperso, Arlequim que sou...me perco com encantos da minha Colombina...
Em qualquer esquina é meu reinado, escrevo poesia em meu papel de palhaço que tão bem me calha...
É Carnaval em mim, tudo pára...é feriado decretado para ser feliz, que tudo o que seja amor, embora duradouro como o piscar intermitente e breve de um vaga-lume, valha!





Nós, para desatar.

Você não teve piedade de nós...não dançou naquele compasso, não descansou sem fechar os olhos, tua cabeça em meu regaço...
Fez de nós, singular...fez desatar, fez desatino, testou limites de coisas que jamais deveriam se testar;
De nossa história deixou até mesmo uma linha pra depois, de nossa tela sequer o esboço de um traço...
Em meu abraço parecia não pertencer, incômodo por demais se parecia para ti, aquele exíguo ou demasiado largo espaço;
Em meu ardor, parecia não entrar em ebulição...parecia fria e distante enquanto me dispunha a ferver...
Tudo se foi, nós se desatam e se convertem em destinos separados...caprichos estranhos sentem saudades daquilo que sufoca e não deixa viver...
Não morrer por sequer chegar a nascer, nossa paixão é caso passado, história desinteressante que insanidade inventa e ninguém queira saber!
Nosso amor degustava como açúcar amargo, no princípio de uma manhã que pedia por algo doce para que nada disso fosse passado...caso pensado?
Foi o vazio que não completava a metade de um copo meio cheio, foi ausência de luar em um céu sem estrelas e escuro...foi delírio ruim, devaneio!
Não regressa aquilo que não completa, não se recicla aquilo que não presta...
Nosso amor foi assim, sequer chegou a ser para dizer se foi bom ou se foi ruim;
Se foi, amor...singular agora faz sorriso estranho em cada um de nós, talvez tenha sido melhor assim...
Nem todo princípio se parece com sonho, todo pesadelo deve, entretanto, ter um fim!



Goteira na "biqueira".

 
Gota de esperança que não pinga onde céu escuro se ilumina à margem de tudo...
Tão perto dos olhos de quem rejeita, gota d'água que não sejam lágrimas pingam esquecidas, aquece a fogueira...movimento intenso no submundo;
Gota d´'agua que não cai dos céus, dilúvio inesperado que lava, leva vida, inunda cidade inteira...
Gota d'água cor de prata, impiedosa...dispersa demônios, não destrói a biqueira;
Gota de piedade...gota de desgosto, lágrima que não se derrama por saudade de vida que se perde subindo a ladeira...
Ninguém se lembra, ninguém se esquece...porcos se aquecem, queimando carne vermelha com dinheiro de sangue...sangue de lágrimas de almas que choram na biqueira!
Gota que pinga é comburente, mente que se perde atrai mais gente...cliente involuntário, miragem de solução logo adiante, sem placas de aviso de morte que chega sorrateira;
Lúcifer abre suas asas, protege da chuva benevolente, castigo que venha de um céu que chora...
Por vidas que vem e vão, vidas que alguém espera, vida que vai e não volta;
Acolhe teus súditos, teus fiéis soldados o nefasto...ao teu serviço está o olhar complacente da hipocrisia, da política e do braço armado;
Gota de esperança...não pinga na biqueira, não cessa o fogo infernal de almas que se consomem na brasa daquela fogueira...
Escambo, qualquer coisa que valha, qualquer artigo que calha...vale uma dose a mais de ilusão que te prende em suposta liberdade, te mantém voltando por além de uma noite inteira;
Pinga longe da biqueira, pinga sobre a cabeça da criança, livra da maldade vidas vindouras...livra do alistamento gado esquecido, vivendo à margem, resignado nascido na manjedoura...
Pingo de piedade, misericóridia advinda dos céus...respinga esperança, seja alento para quem sofre, para quem espera por quem não volta e chora...
Pinga como lágrimas do Criador, pela dor que nos céus se sinta, por maldade que faça escárnio de vida humana...disseminada mundo afora.




quarta-feira

DESAGRAVO.



Alguém emudecido, rosto enrubescido exposto à luz de suas vergonhas...estranha presença na platéia;
Em devaneios, quimera...lobo a contentar-se com caças solitárias, sempre distante da alcatéia;
Mistura que nunca deu liga, figura tragicômica para qual quase ninguém liga...
Nobre ou descartável por demais, incógnita fora de um jogo sem saber sobre vitórias ou derrotas, sem saber sequer sobre as regras;
Palhaço não seria...desprazer causava àquela distinta figura quando alguém dela ria, quase que sempre à revelia...
Revelava-se volúvel, revela-se em um olhar...revelava coração para quem tivesse nada além de desejos ocultos de lhe matar;
Uma palavra, o tinha nas mãos...influenciável, vulnerável impúbere, jovem rapaz a questionar do existir, sua própria razão;
Cicatrizes em seu corpo, marcas de um tempo que como forma estranha de castigo se repetia...passado se fazendo presente, futuro previsível, tudo em perfeita desarmonia;
Superando coisas calado, motivação para troça...motivo para orgulho ou estranho incômodo para malícia que o desvendava em pouco tempo, caminhando ao seu lado;
Guerreiro, forte...marcas e suor de valor inestimável, estranha força que superava expectativas dos olhares da inveja;
Guerreiro, incauto, inculto...figura por demais ignóbil, patética, fora de padrões de estética a travar contra si mesmo, as maiores de suas guerras...
Não sei ao certo o por quê, mas direcionada aos meus ouvidos, sussurrava despertando sentidos outrora adormecidos, aquela brisa suave e distinta que soprava naquele dia;
Não sei, decerto de onde era advinda aquela voz que ouvia...
Somente sei que algo para mim sorria, o Sol mais intensamente brilhava, azul naquele céu cintilava...
Coisas que jamais sentira, sentia...soavam verdades por demais para que fossem mentiras...
Algo comigo falava, mensagem do além decodificada...jamais pensara ser forma manifesta, escrita de esquizofrenia!
Perdão, se me perdi em algum ponto...se onde eram reticências finalizei o conto...
Perdão se me perdi em coisas tão sublimes sobre as quais eu não sabia;
Perdão...lobos feridos não costumam saber muito sobre coisas do coração, senão dos motivos que lhe façam uivar solitário em noites sobre uma colina...
Perdão, lobos nada sabem sobre coisas que remetam ao etéreo, fantasia...lobos, jamais saberiam algo sobre poesia!
Não sei ao certo, nesta confusão de sentidos, como me sentir...se fiz sentido ou somente deveras fui palhaço por longo tempo que se estendera por longo prazo, além do que queria...
Não sei ao certo se fez sentido em palavras este sentir, não sei sequer se devo desculpas ou se algo por este motivo o destino me deve...
Somente sei que nada sou, senão um cara atrevido...entre o ávido leitor, longe da excelência de um exímio escritor...
Fui somente, reitero...UM CARA ENTRE MAIS LÁGRIMAS QUE ME DESSEM MOTIVOS DO QUE SORRISOS, UM CARA QUE ESCREVE!





Morena dourada.



Doura tua pele, sob sol que te adora, te admira, te aquece...
Doura longe dos olhos de quem se apaixonou pelos teus apelos, encontrou repouso em loucuras de uma noite...
Aconchego em teus cabelos, arrepiou em teus pelos, saciou sua sede no salgado do suor deste distinto tom de pele, beleza singular de tua espécie;
Doura, morena loura...insinua, dissimulada sereia na areia à milanesa...
Deusa mortal, imaculada e profana, distinta e alheia aos olhos de imperfeição de fêmea humana...distante do alcance de ávida fera que lhe deseja;
Faça olhos de ti lembrar, enquanto paisagem ao teu redor se converte em irrelevância de nada...lapso na mente, titubeia a fala;
Na areia, doura morena dourada sereia...
Sentada, parece não esperar por  nada...nada a esperar da areia;
Senão história de amor que se apague com a proximidade do mar, ondas serenas, fogo brando que lhe aqueça a pele em noite fria...
Repouso em rede que não se parecesse com prisão de teia...quiçá, fosse o que esperava sentada;
A morena loura, perfeição dourada...como se não quisera nada...
Como se nada houvesse em um pedaço que imita paraíso para uma deusa dissimulada...
Como se versos, flores,  universo...fossem apenas adorno que lhe enfeitassem o pescoço  por uma noite, alegria que morre com a alvorada;
Espera a noite, morena loura...talvez o que o sol lhe nega, a lua lhe traga;
Espera por uma noite somente desta morena...
Aproveita porquanto não raia o sol e ela pareça novamente, sentar-se na areia como se esperasse por nada;
Espera noite, esfera suave prateada em tela escura pintada...espera madrugada.



Tenho sede e me alimento.



Bebo água para me esquecer, bebo coisas para distrair...no peito, o vazio aquecer...
Aspiro ilusão de liberdade para não me lembrar, aspiro um pouco ao ponto de fazer quase tudo que flui e seja vital cessar...
Aspiro por algo mais, que não seja somente breves momentos de ilusão para libertar;
Respiro até onde consigo, impossível por uma lembrança de paixão tórrida não suspirar...
Respiro oxigênio, respiro o indevido...não peçam, não impeçam que uma mente que adoece, pouco a pouco enlouquece, com ar viciado não venha a se inspirar;
Bebo água, para não me esquecer que desta sou composto, aspirações e frustrações...sonhos subitamente se convertendo em desgosto...
Aspira-se um pouco mais de liberdade à contragosto, venenos em conta gotas, somente para se testar limites...
A verdade é uma só, a verdade se parece diversa, difusa e confusa...verdade para ti se parece sempre um dedo imperativo em riste!
Se o que me apraz fosse verdade...quiçá gostaria de doses de realidade;
Se aquilo que me fere não fosse somente fogo de autopiedade, talvez não buscasse por viagens baratas que me façam ir aos céus e descer aos níveis mais baixos se submundos infernais...
Um pouco mais de prisão, paradoxo para busca incessante por esta tal liberdade;
Veneno de verdade, remédio para arremedo de ser humano que caminha sem propósito sempre à margem...
Bebo água para me lembrar que sou humano, mas também daquela mistura que me sirva a vida, para recordar que sou porco nojento digno de toda lavagem;
Até uma próxima estação de euforia ou depressao...até, uma próxima viagem!




Soneto de libertação.



Passam águas, passa tempo...passam aves, horas e quiçá, passe no âmago de ser a fúria da águia;
Passe noites em claro, dias lutando contra o escuro, passa um ano...passa nada, passa tudo;
Passe de mágica muda vida, passe de mágica faz dormir para que com sonho acordado, não conviva...
Loucura convida, tédio não sai, sono não vem, tudo se parece em vão, nada se parece com vida;

Nessa dança corpo não se cansa, mente pede arrego, alma não descansa...
Dança insana, estrela não brilha em céu de concreto...céu não se alcança!
Ponteiros não respeitam inspiração...altas horas, noite adentro, bate no ritmo do etéreo o coração;
Ponteiros...pra quê tanta precisão, se não precisam de ti pra onde tem de ir, por qual motivo ir então?

Passam águas, passem águias pela minha mente...passe pomba branca de paz, areia pinga lentamente...
Perpassa desapercebida em lapso da mente uma idéia, foi-se outra noite em claro...
Foi-se outra oportunidade de dormir, perdendo tempo que não deixa de passar se esquecendo da gente;

Noites em claro, dias contra o escuro...luta contra o sono, lutas ao seu lado, lutas contra tudo...
Lutar isolado, em canto de tristezas entre quatro paredes testemunhas aprisionado, calado;
Passem pássaros...se nada disso for válido, deixo corpo e liberto alma para fugir em revoada alado!




Um cara no escuro.

Era talvez, para ocultar visão, para atenuar diante das vistas a feiúra de tua feição;
Era quiçá mera opção, dia se fazendo noite para quem é de noite...na medida do possível, em possível proporção;
Era para ser estrela, não se ferir e ofuscar o Sol...era pra ser rei por um dia na terra, era pra ser boa surpresa oculta a se revear, explodir, fragmentos espalhar...
Mais forte brilhar, pujança advinda de esperança de vir à tonar e deixar para trás o velho paiol;
Na escuridão, obscuridade longe dos olhos me protegia...meus olhos e minh'alma escondia do abraço do vampiro, do afago da perfídia;
Um cara, no escuro...sem lados pra escolher, sem opção, eleva seu mastro e hasteia tua bandeira com trêmulas mãos...bandeira singular agora a tremular sobre um muro;
Bandeira que pouca gente pára e repara, pois se oculta ainda por detrás de coisas que façam anoitecer...esperando chance para sonhar e coisas por acontecer, este cara;
Vista tuas vestes, virgens vestais não lhe aguardam, céu algum lhe espera onde nada acontece...onde amanhã é "deja vú", onde faces conhecidas não lhe reconhecem...
Futuro, o passado lhe promete...coisas sobre novidades desinteressantes, conluio das víboras ávidas, boçais de notoriedade em busca de metais brilhantes...
Coisas que ninguém lhe conta, coisas que para ti jamais acontece...coisas que tua essência renega, coisas assim que sem oração, eleva teu olhar aos céus e agradece!
Por trás de um muro imaginário, há de se esperar por muitas coisas...contudo, jamais coisas que se pareçam com repetição de antes...
Novidade, por trás de coisas que escurecem e nada mais transparecem, talvez seja o motivo de persistência tola, obstinada, sôfrega...ansiosa e ofegante;
Se nada ocorrer ele apenas segue, ninguém percebe quando se recolhe mais uma bandeira de cima do muro, de algo que somente queria ser alguém a ser notado no futuro.


terça-feira

É permitido sonhar.



Pedras preciosas, formas sinuosas, órbitas coloridas com a cor de safira...ilha paradisíaca formosa;
Mares, propriedades tão minhas, cor de piscina que remetem às esmeraldas...
Visão onírica de realidade que não minta, fogo brando que tatua tua marca na pele, suave é a chama que visão de paraíso ilumina...enquanto tudo queima, nada se sinta;
Embriaguez, sensatez...lucidez em pinceladas impressionistas de natureza impressionante, exuberante...
Coisa real, coisa abstrata, visão efêmera na eternidade de um breve segundo, olhar de relance;
Realça cor e luz, pedras preciosas, formas nuas, insinuantes;
Tão perto de um pensamento, tão distante da visão...realidade se constrói ao redor de vil andante vagabundo em concordância com a imaginação...
Inspiração, corpo sente...mente consente, ausente ser livre em meio à multidão;
Ascender aos céus sem deixar o chão...pedras preciosas, safiras, esmeraldas, formas de donzelas sinuosas agora, ao alcance do toque destas calejadas mãos;
Loucura há de ser por uma eternidade padecer, quando liberta se diz desde a concepção da tua condição;
Loucura seria saciar a sede de uma insana e controversa sociedade, correndo contra, quando poderia caminhar em favor ao vento...preso a padrões e a ponteiros que não obedeçam o seu tempo;
Natureza pintada em tela, minha dama de olhar de esmeralda, quiçá seriam safiras...minha musa tão bela, me espera!
Renuncio à pouca quantia de sal que me caiba, renuncio aos desígnios da fera...
Renuncio a tudo que não seja ser humano em sua essência, para viver contigo...atravessando cidades, mares, olhares, rumo ao nosso encontro na ilha mais bela;
Há presente esperando por ser somente mais um dia, há coisas esperando uma oportunidade para que sejam eternas...
Há ternura, há felicidade e sonho em realidade, embora prevaleça nada além de projeção de frustrações, nesta cruel selva de pedras!
Embriaguez tão lúcida me consome...me leva ao distante, me revela fotos de fatos que ainda não vi, me mostra o que há além daquela colina, além dos horizontes...
Me conceda o prazer de seguir adiante sem olhar pra trás, enquanto tudo o que não importa some sob passos de certeza de meus pés, vai ficando para sempre...para longe!





Saudades de nós.

Te vi um dia...se em ti não havia cor, de minha cor preferida coloria;
Sorria, sem saber que estava ao meu lado, sem saber sobre nosso caso...
No caos...era companhia que secava minha lágrima de dor, quando um mundo que pede por compreensão...sem nenhum senso de compaixão me repreendia;
Era calma no coração, era doce amargo da língua...era sabor distinto que remetia ao fino vinho tinto, era resposta dos céus às súplicas caladas por redenção...
Minha doce companheira, sorriso estampado no rosto...quando o mundo me dava as costas, às minhas titubeantes sobre seguir, trazia certeza;
Te vi um dia, no espelho...no azul do céu, no crepúsculo de melancolia, imperava ainda alegria...
Tristeza não entendia, em meus jovens dias era motivo suficiente, era abstrato abraço presente...a primeira a me desejar um bom dia;
Não me importava se deveras haveria de ser como sonhado, não importava se todo o certo subitamente se parecesse com algo fora de esquadro, vazio e errado;
Desde que estivesse ao meu lado...prelúdio para superação se parecia com algo imediato, esquecimento e seguir em frente, esperança esperava adiante após o primeiro passo dado;
Te vi um dia...quando para o céu ainda olhava, quando um arco-íris me encantava, quando donzelas eram princesas em devaneios...
Te vi um dia, quando cores para colorir ainda eu tinha, quando lentes renovadas para mudar minha ótica ainda havia;
Quando contrariando meus anseios, donzelas se revelavam aos poucos pérfidas e vaidosas vadias...
Saudades de ti, quando te conheci ainda menino sem que ninguém nos apresentasse, quando o destino que triste testemunhou nossa despedida...
Histórias sobre nós, sem voz....deixou escrita em linhas de expressão, agora inexpressivas desta face, em linhas da minha vida.
Saudades eternas daquilo que se parecia para sempre, mas se perdeu por aí na poeira do tempo em agonia...saudades de ti, saudades de nós, alegria.



E tudo, regressa ao seu lugar.



Não se preocupe, não se culpe;
O mundo gira durante teu sono, durante teu sonho realidade se prepara...
Ferida aberta se fecha, nada se encontra quando nada se repara e não procure;
Não se fira, não se machuque;
Ofereça somente a mão, ou o dedo que possa dar...
Seja hóspede...jamais hospedeiro, pois universo é imenso e corpo é por demais pequeno, para que alguém se aposse e chame por lar; 
Não interfira, não se comprometa...
Efêmera por demais é a vida, eterna é tua essência...tudo encontra seu lugar no silêncio da sabedoria que saiba observar à margem de tudo, atento a si, com a alguma paciência;
Vida passa repentina, presença de hoje subitamente se converte em memória, história...saudade e ausência;
Vida sequer lhe pertence, é maravilha misteriosa e sublime por demais para que se pense em ceder a alguém, algo além de tua temporária presença;
Tudo encontra seu lugar em dança insana, mudança por mãos humanas de cadeiras...natureza se revela, mostrando verdades, revelando faces, mudando fases, decretando fim da brincadeira;
Não julgue, não persista nesta árdua e ineficaz tarefa que não lhe fora dada, de sobre todas as coisas cuidar...
O Deus que adora tem mais o que fazer...se Nele acredita, deixe que ele faça a escrita na linha dos destinos, sem se preocupar em alterar;
Tua opinião muda teus conceitos, vidas por isso não irão mudar...
Tua fé move montanhas, teu julgamento liberta pessoas de tuas mãos, quando tudo o que talvez queria seria se aproximar;
Vidas não se comparam, vidas não são parâmetro, mas histórias singulares com um caminho único por trilhar;
Teu pensamento excessivo, teu suor de sangue, a fúria em teu olhar...o mundo não pára, mas tão somente planta uma semente que em breve, certamente há de lhe matar.



Parafernalha dos infernos.




Preenchendo ausência com um pouco mais de vazio...vazio em alto volume;
Preenchendo vazio deixado por alguém que se foi sem necessariamente partir...frivolidades que causam ciúmes;
Meu equipamento, solitário vivendo entre alguns, fiz opção por ser somente meu todo momento;
Escuri aquilo que esclarecia, denunciava...era luz, verdade por demais a quem incomodava, a quem não merecia;
Por detrás de ouvidos surdos por voz que em minha alma ressoa, há de soar tão agradavelmente muda a voz de qualquer pessoa;
Nada muda, logo mudo eu...por detrás de olhos agora escuros nada há de ser, nada há de transparecer, senão sinais óbvios de que algo entre nós que se desataram em singular, morreu;
Coisa séria ou frescura...som alto, "rock do bom", "asas de cera", doce ilusão que me façam levitar...
Evitar a ignorância, da multidão que clama por voz sem nada ter a dizer, a loucura!
Minha amada parafernalha, quando tudo parece lhe deixar de lado...tu jamais de me deixara!
Liga quando quero, desliga...quando cansado me faço até mesmo de ti, cansado estou de solidão acompanhada, em minha prisão sob liberdade vigiada me desespero;
De ti, ao menos nada espero...me oferece nada além da voz ou imagem escurecida, tela em alta resolução, quarto escuro, seguro de maldição, tudo aquilo que possa me iludir e me apego!
Preenche o vazio de minha alma, oculta o vazio de meu olhar...faz-me esquecer sobre vazio de meu ego...
Parafernalha dos infernos, esteja comigo para onde os ventos errantes me levarem...
Para onde meus passos com erros ou acertos, novamente alguma experiência com o acaso trocarem;
Tenho muito a contar para as paredes, tenho segredos a confessar aos pássaros...porém, hei de preferir te ouvir, algo porventura escrever, incógnita me faça...parafernalha!
Aos olhos de quem me jura amor, mas não me procura...a quem lhe diga ter ouvidos ou algo a mais para ti, mas nada passam de afirmativas volúveis que a um dia de chuva não resistem, não perduram!




domingo

Livros interessantes.

Li...livros interessantes, hoje repousam pegando poeira na estante...
Li, o bastante, para renunciar quase que por completo a este exercício, fazer da escrita meu ofício, minha dádiva, meu vício;
Li bastante, porém...creio que nunca seja o bastante, não obstante sentidos agora imperativos, me peçam, me impeçam de ler, para que possa escrever em minhas próprias páginas desinteressantes...
Que eu seja alguém no futuro, em minha vil pretensão...a pegar poeira da estante de alguém, a soar como canção, tocar tal qual toca a poesia uma alma, fazer pulsar mais forte um coração;
Livre de livros, num canto qualquer...num canto virtual de ostracismo, autor anônimo, escritor esquecido;
Um dia, quiçá seja deveras livre, livre dos grilhões de escrita que me aprisionam e libertam...livre de livros, livre para viver aquilo que somente em sonho eu vivo;
Livros...num instante, me lembro que há coisas interessantes ainda por ser ler, porém num breve segundo me recordo que há outras ainda mais curiosas soltas pelo mundo...
Voando ao vento, me esperando sair para vir ao meu encontro para que coisas sobre um mundo desconhecido, há tempos esquecido...novidades me contem ao rever;
Livros...interessantes, interessam por demais aos muitos que acreditam ser riqueza, aquilo que se saiba somente em imaginação, mas jamais se possa experimentar...
Experiência de vida real, embora com seus percalços...ainda que trocando passos com incertezas que tragam o acaso, é escola formadora de sábios em silêncio, mas que a palavra certa tenham a dizer, quando alguém dela necessitar!
Li...alguns livros, não obstante remanesça a crença de que algum conhecimento tenha ganho, enquanto algumas horas de vida, trancado em um quarto esquecida...foram perdidas;
Livre dos livros, livre da escrita...liberta-me maldita inspiração que tenta fazer de mim aquilo que não sou, que tenta fazer algo belo com remendos daquilo que de mim restou...
Palavras serão somente palavras...poesia ou livros de contos sobre coisas imaginárias, ficção...êxtase em inércia, jamais o curso da história mudou;
Livrai-me desta maldição, livra-me desta perturbação...cultura por demais, pensar por demais é contrassenso para meus anseios, para minha essência, para aquilo que de fato sou!
Que possa restar, no espólio de nossa separação...algo de bom que em alguém, alguma coisa por um dia mudou...
Queima na fogueira impiedosa, tudo aquilo que juntos fizemos, mãos que se utilizaram talvez das minhas, talvez obra de minha esquizofrenia...tudo o que restou!
Se ainda restar algo...ou restar nada, indiferente resta este alguém, que diferença alguma fez com livros que leu, ou sentido algum com palavras vazias que o destino lhe presenteou.


Algo quer calar.



Navegando em superfícies frias, em órbitas flutuantes a divagar...
Nega reflexo de espelho, que seja espelho d'água...não nega uma gota destinada ao chão, melancolia vertiginosa que se sinta longe do mar;
Nega no espelho tua própria fala, nega tua cara...papel rejeita, mãos trêmulas inspiradas, desgovernadas...no papel molhado, voz da alma não sei cala;
Fato que deveria fazer chorar, fotos que ainda me façam sorrir...sonhos que ainda sejam bom de sonhar, façam pujança para que possa reunir pedaços e seguir...
Voltar a sorrir, mas somente se for de próprio infortúnio, navegando longe dos mares, nostalgia de prisão em liberdade...corpo em clausura, alma em fuga por breve segundo;
Sentidos abertos, captação...mente bloqueia, abre coração...
Sangra mais uma vez, regressa alma e faz algum sentido quando nada mais faça destes delírios, devaneios, transcrição;
O suposto "poeta era um fingidor", deveras, pois dor já não sente, sobre felicidade pouco se recorda...
Muito pouco sabe sobre o destino certo de seus próprios passos guiados, quando acorda;
Nega teu reflexo no espelho, perplexo...imagem reversa daquilo que se oculta por trás de olhos claros, desespero;
Longe demais de tudo, dos horizontes que deseja...longe do mar que sonha, sua embarcação tão frágil naufraga por trás de um plácido semblante, evitando que o olhar alheio perceba;
Aquilo que é teu receba, se é nada agradeça...
Se não há nada por dizer emudeça, se é tolice em versos pobres aquilo que emana de você, esqueça!
Navegando em superfícies, longe demais dos mares e à margem de tudo...
Persistir divagando em devaneios...experimenta agora água que lhe sufoca, enchendo os pulmões em teu leito de moribundo;
Experimenta grilhões, morte que pinga lenta em ampulheta de loucura...o corte é superficial para tua doença não há cura;
Navegando, órbitas inertes...a flutuar;
Tudo em mim é superfície, tudo é bom e ruim por demais para enlouquecer, para adoecer...ao se deitar e acordar, para novamente o mesmo sonho, ter de sonhar e talvez se esquecer.




sábado

Histórias e ruínas.

De um distante ponto na linha retilínea onde tempo venha a se mensurar, um deja vú...paradoxo temporal;
Plúmbeo ou ensolarado céu a testemunhar, rosáceo crepúsculo ou resplandecente se fazia singular momento naquele luar...naquela noite, que pouco me lembro, mas destinos vieram a se cruzar;
Era jovem adulto, com os perigos da vida entretido como se criança fora com fogo, a brincar;
Era jovem adulto...tão incauto por sua condição, sobre sombrio futuro que a vida em seu emaranhado de teias, aos poucos estava a me seduzir, para meus sonhos diante de ti devorar;
Era um sorriso, em uma varanda a me esperar...eram lágrimas de ferimento consentido, que em altas madrugadas naquela estranha amizade, por ti vinham buscar;
Não se fazia necessária nenhuma ligação que não fosse de alma, sabia que ali estaria em sua inocência a me esperar;
Não se fazia segredo para ti meus crimes mais ocultos...crimes pelos quais me sinto como eterno réu aguardando juiz para me sentenciar;
Na doce atmosfera da noite, no sorriso que desmanchava uma lágrima de dor daquele que se envenenava com coisas do mundo...
Se fazia sem querer, comparsa do assassino que sua vida, queria lhe roubar;
Era criança naquela varanda, o ronco do motor e gritos em minha alma de dor, parecia à distância escutar...se aproximar;
É realidade que permanece, sorriso despretensioso e alguma amizade que permanece e não se esquece...é motivo uma vez mais para alma recuperar e esfera deslizar;
Das páginas de nossas vidas separadas, espero que novos capítulos singulares de alegria possa escrever, pois sinto-me incapaz como uma nau à deriva em alto mar;
Era noite ou dia, minha memória falha após estes quatro anos de intensidade em felicidade e horrores, sobre os quais tento me esquecer e sobre raros momentos, me recordar;
Já não se ouve mais o ronco daquele motor, já não há mais na varanda ninguém a me esperar...
Tudo se foi, mas tudo se assemelhava a um vazio pior que nada...e o nosso tudo, ainda está por se revelar;
Não há mais carro, mas ainda há dores...não há varanda, sequer ao meu lado resta no presente miserável deste pobre poeta, compartilhando alegrias e dissabores;
Na varanda, hoje em ruínas...sua imagem ainda deverá restar;
O destino se esconde de nós e o mundo não se cansa de sonhos, diante de teus olhos assassinar;
Creio que um dia, algo será diferente...creio, que num dia desses sem nada a esperar...
Quiçá, o que deveria realmente ser, a quem pertença há de retornar.



Ressurreições.




Morrer, quantas vezes já não falei, quantas vezes já não desejara e não intentei?
Pelas minhas próprias mãos já o fiz, pela minha própria premeditação para a beira do abismo meus passos eu conduzi, sem hesitação caminhei;
Por quantas noites sem dormir, o teto e as paredes foram testemunhas de que uma rocha também se liquefaz?
Por alguns minutos, por sua aparência ou relevância, pouca diferença faz ou fará para os demais, tão somente quando para estes seu ato de respirar por instantes, ainda apraz;
Para alguns sua vida significa um cheque, para você...sua vida pode sempre estar em decorrência disso, estar em xeque;
Quantas vezes não me vira tornar adulto me sentindo na fragilidade e indolência de um moleque;
Quantas vezes...não fui execrado com palavras ácidas, sórdidas, que as pessoas facilmente se esquecem;
Por vezes, pus-me na direção do abismo a caminhar, e nestas, sempre a um passo do fim, quase sempre me pus a ponderar;
A mão que devolve lucidez a um corpo pálido e esquálido, perdido na insensatez...não há de ser deste mundo onde o caos e a desgraça parecem agradar;
Onde sua vida, se assemelha a uma novela que muitos observam aguardando por um final triste, para poder sua hipocrisia em lágrimas de remorso ou tais quais as de bons atores, sobre ti derramar;
A mão que evita minha morte, ou me faz morrer e renascer a cada dia juntamente com minhas células, que há de se renovar;
Fazem de mim um novo ser, alguém que todos os dias terá algo novo para dizer, e alguma expectativa que não tivera no ontem, hoje ostentar;
Morrer para renascer...viver, para deixar morrer;
Realmente, simples será...será talvez se eu simplesmente deixar ser;
Missão dada pelo destino não se renega, a outros não se delega, não se abrevia sem motivos...
Sequer uma ignóbil forma de vida,  embora cruz pareça pesar por demais, fortalece teus músculos em teu árduo caminho...
Às vezes é espinho que te faz somente lamentar, e te impede de admirar a rosa que em seu desespero, poderá simplesmente ignorar ou pisar em sua estrada, cego pela estupidez e sozinho.




Na verdade...é uma vergonha.



Na verdade, é uma vergonha...embriaguez do álcool, fala fétida dos hipócritas condenando a maconha;
Na verdade, é uma vergonha...ter de pensar que direito aqui vira sonho, e custa caro pagar por aquilo que se sonha;
Na verdade, é uma vergonha...respeitar horários de otários que não te respeitam, receber salário que sequer cubra as tuas vergonhas!
Na verdade, é uma vergonha...muito se retira, reforma é falácia que arrasta as massas...pelo "quinto" que ainda lhe cobram, escassez e precariedade é o que se veja daquilo que se reponha;
Na verdade...nem sei o que pensar, pois também sou burro, alienado, condicionado somente a obedecer, jamais me deparo com soluções...mas, tão somente problemas ao raciocinar...
Na verdade...reparo nas flores, esqueço-me por segundos dos horrores...
Aquela arte pintada em um muro num canto de amargura escuro...por alguém inspirado, com alma ou corpo ferido, vivendo à margem de um inferno e falando de amores;
Na verdade é uma vergonha...liberdade dos normais desamparados, vigiada por facínoras fascistas, fardados e armados...
Vergonha vender o orgulho de tuas vestes, o orgulho de ostentação de teu status social, de teu cargo...
Pelo dinheiro ceifeiro de vidas inocentes, miseráveis senhores se prostituindo por alguns trocados;
Na verdade é uma vergonha...vida que vive à margem passeia algemada de camburão, criminosos de alta classe passeiam de mãos livres, na primeira classe de um avião...
Na verdade, vergonha na cara é o que falta para quem escreve tudo isso...
Na verdade...talvez, vergonha também seja aquilo que falte para quem leia e simplesmente creia ser absurdo escrito por suposto burguês prolixo;
Na verdade, é uma vergonha vossa ótica deturpada de realidade e afeição pelo raptor, masoquista sentindo prazer com açoite, sociedade estranha saciando sua sede com alheia dor;
Na verdade...deveria estar perdendo ou ganhando algum tempo com mais flores, cores e amores...meu falho intento de fazer poesia;
Perdão...talvez não fosse isso que eu queria, vergonha é o que sinto e deste sentimento, não saem palavras inspiradas que não sejam pela realidade cinza...
Coisa que jamais há de soar como obra literária digna por ser chamada por coisa bonita!




sexta-feira

La nostra "Gioconda"

Tu és Monalisa...intempestiva figura, acende tua vela;
Tu és Monalisa...longe de ser bela, enigmática, embora impassível e quiçá jocosa, tal qual a arte da tela;
Impassível musa, sem trova, sem verso, mas de muita prosa...
Seria Ismália talvez, no parapeito do palácio de árvores nipônicas, enquanto palhaços sem voz...gente afônica clama pela água que impede de ver teu sonhado luar a refletir?
Seria pedir por demais, seria assim sempre mais fácil se esquecer de promessas, delegar o filho teu a alguém mais?
Tu és Monalisa, acende tua vela...cabeça feita, abraça árvores, mente evoluída!
É de gente assim que o país precisa...gente pró-ativa, gente positiva...no futuro ter esperança, tudo com paciência enquanto a última gota se esgota, se concretiza!
Tu és Monalisa, sem trova, sem versos, de muita prosa...de nós, a fazer diariamente, a tua troça;
Regressa à tua selva, folclórica figura...regressa para onde o ar mais puro se respira, ilustríssimo Curupira!
Regressa, retorna para onde quiser...busca a lua no concreto, a lua do céu...a lua, de onde estiver...
Regressa para longe dos olhos daqueles que em ti confiaram um dia...
Esqueça nosso lance, a popularidade, nosso romance...pois, como Monalisa, musa assim tão impassível...
Por aqui, ninguém lhe quer!
Esperamos por água vivendo à margem de tudo, esperamos por vossa vontade...suados, pagando caro por precária condução, caminhando a pé...