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terça-feira

Um anjo e seu estranho guardião.





À pessoa que se admira, à primeira que me fez terceira desde sua concepção...
Contento-me em ser teu anjo protetor, um Cérbero se necessário...com um pensamento apenas, de proteção!
Teu guardião estranho e tão familiar, aquele alguém mais...aquele algo menos que segura o espinho e sangra, sem se importar porquanto possa admirar a rosa de cor rubra, roubada de um jardim qualquer em minhas mãos;
Um amigo talvez, um inimigo íntimo como se pareça...impedindo teus passos de caminhar por entre as trevas de um mundo cão;
Serei o sim, quando uma porta se fechar diante de teus olhos marejados...serei um abraço de consolação, quiçá um abrigo, uma paliativa solução;
Ombros largos para repousar teu cansado, desde teus primeiros passos...repousa tua cabeça em meu regaço, sonha com a certeza de jamais estar sozinha em meio à multidão...
De pessoas estranhas, de olhos de cegueira que lhe negam a dignidade de um segundo de atenção;
Mas, o mundo é assim mesmo...estou porquanto possa estar, forma personificada de estranho passageiro que não se contenta em simplesmente te ver passar, te admirar...
Um coração, pulsando em razão de um outro pequenino...meus olhos, onde quer que esteja, vigiando teus passos sempre irão estar;
Um homem e suas cicatrizes...seu jeito rústico de remeter à figura de um menino, teu sorriso dissipa o cinza do céu de minha alvorada e faz o sol que se esconde para mim, por nós dois brilhar;
Braços e músculos...corpo surrado de um príncipe qualquer, à espera de seu reino prometido, à espera de uma terra encantada para nós dois, distante deste lugar...
Onde se parece proibido sonhar, onde respeito é algo que se peça, mas a ignorância que nos rodeia...receia em nos dar;
Um minuto de atenção que não seja por caridade, uma hora de sermão que não seja para dizer sobre coisas que já se sabe...
Distante daqui, longe dos olhares tão frios e estranhos...por vezes, tão familiares;
A promessa de um futuro que nos espera me mantém vivo para te ver crescer, nos mistérios de alegria deste azul anil de teu mar não me canso de me perder...
Se vale a pena ter suportado sobre estes sapatos...sem uma voz de hesitação, somente em teus ouvidos hei de dizer;
Sobretudo, sobre o quando valeu a pena de esperar para me libertar daquela prisão que me fazia sofrer...
Faça o que quiser de mim, pois nada sou além de alguém escolhido para ser uma espécie de pai premiado pelo destino;
Em cada sorriso seu, um pedaço daquilo que jamais me pertenceu...a liberdade trazida por uma vida à uma outra, que por ti não esperava,  sem querer aconteceu;
Ana Lara, luz que ilumina meus olhos de pouco brilho e muita suspeita...
Cresce, brilha a despeito de tudo, apesar de um mundo de degenerados à espera, encontra a segurança nesta figura estranha, proteção de um guerreiro destemido que lhe estende as calejadas mãos...
Naquele que errou antes de ti, assimilou sozinho os golpes mais duros que possa aplicar a vida, somente pra assegurar teu caminho com um sorriso estranho, meio tímido de plena satisfação;
Nascida para ser livre, nascida para me libertar e trazer o sentido definitivo, para o pulsar de um ferido e cansado coração...
Que não se cansa de oferecer aquilo que possa e ainda resta para lhe dar, ainda que seja somente um pouco de afeição e algum mau exemplo, que sirva de lição.




sábado

Visibilidade distorcida.



Assim como aquele pó de magia, que não era o que eu queria.....
Velhos truques, sugerindo novos encantos com velhas manias;
Sol, inimigo daquele que namora por uma noite a escuridão...ilumina tudo, mas meu rosto lhe peço que hoje não!
Não posso impedir tua face em fulgor de mostrar, mas alivia minha pele tão pálida, banhada em lágrimas da opacidade deste olhar...
Não posso impedir, contudo posso pedir.... quiçá, algum anjo celestial, santo herege quem sabe, possa me escutar?
Se todas as coisas que parecem não ter jeito, não se ajeitam...o pensamento cede, a alma se desespera e o corpo padece...
Assim como toda magia maldita não suporta além de uma madrugada, aquilo que era...agora, sequer se parece;
O destino me diz coisas que se parecem desafio, desatino...coisas que não quero ouvir...
Porém, várias vozes por aí repetem o motivo de minha paranóia, dizendo com os olhos aquilo que contradiz e me põe quase que assim...
Meio vazio o bastante, face impassível de um quase infeliz;
Noite... derrama sobre mim teu véu de proteção, lança teu perfume de rosas que remetem ao réquiem de minha solidão...
Noite solitária, solidária... não deixe as luzes se acederem, onde claridade ilumina coisa sem vida, sem sentido que caminha perdida, em vão....
Quero sentir além do torpor destas mãos frias...quero ouvir, além dos ecos perturbadores desta sala vazia;
Quero felicidade de fato, além da realidade que seja apenas um momento breve de alegria que se esqueça de viver por um dia...
Por se lembrar que o sol, sai logo em seguida...
Para queimar os sonhos, despertar para a realidade, mostrar tudo aquilo que eu já sei, porém não mais queria;
Que não se perca por aí uma vontade em razão de um vil desejo...que não se perca a razão, uma vida por uma ideia pensada na escuridão da cegueira das vaidades, onde nada de fato, vejo.


quinta-feira

Uma outra chama que se acende.


Minha fuga, fugiu de mim e já passou, o tempo das palavras...
Todo gosto, todo gesto, tudo aquilo que queira sugerir ou se parecer, remete somente ao nada;
Um outro inferno também se acende, consome o teu rapidamente e não se arrepende...
Tente novamente em instantes, a gente era aquilo que não sabíamos ser, agora desejando voltar a ser como antes...irrelevantes!
Tudo se inflama...inclusive a velha adormecida chama...
Me chama, me fala o que diz... será nada além de eterno alívio, tua escrita sem sentido se apaga com a dignidade e toda fragilidade, dos escritos à giz...
Um ouvido ávido à espera da tradução em projéteis retilíneos, da covardia de um infeliz;
Tentando ser aquilo que jamais fomos, nunca nos assumimos...
Tentativas de amizade em laços tão frágeis que se rompem em um breve desatino...
O ciclo insano de repetição me desafia, tua fala dócil que há tempos não convence...essa valsa desvairada com a perda de tempo, me alucina!
Hipocrisia já não mais comove, mas cinismo...ainda fascina!
Diz trocar sua vida pela minha em suposto ato abnegado da fala dissimulada da premeditação...
Pensa que me contento com tão pouco, que sou digno dessa ninharia... desta casca vazia despida de alma, originalidade e coração?
Estamos de "saco cheio" e nada mais que tenha peso de ar, esvazia...
Estamos vazios por dentro, necessitando talvez sentir dor, ainda que seja de uma adaga de lealdade, mas que seja de verdade ao ferir a carne tão fria!
Pessoas...."a cautela", para quê, afinal?
Se tudo, se resume e se presume sempre acerca delas...
Apague as luzes, passe outra hora...o medo me mantém aqui dentro, mas a besta ainda me convoca para fazer história de lástima gloriosa, onde nada importa...
Seja aqui dentro, neste momento...
Seja no entardecer de tudo, lá fora.

De um céu, que não é seu.


Me levaram os dizeres, mas ainda me restam algumas palavras...
Vilipêndio de meu orgulho, meu prazer...em meu ser, uma devassa!
Achincalhado, pretenso poeta sem suas preciosas flores, de seu jardim roubadas;
Sementes que nada serão, senão mentiras para si mesmo...secam antes de tocar o chão profano, outrora fértil, sua terra imaginária tão sagrada...
Terreno era somente de um, o sonho e as secretas aspirações de um singular, já não soam mais segredo...por várias mãos, roubadas;
Ultraje, senhores alinhados...da mão do inimigo tão íntimo, novamente um eufemismo, um afago;
Se era vivo aquilo que passava desapercebido, por qual motivo ainda alguém se preocupava?
Se morto estava... peço aos advogados que não posso pagar que detenham aqueles que profanam um cadáver que descansa, com algo além do descaso...
Mas, com toda forma de vil trama, atos e palavras;
Se era meu, se era ouro de iludidos, mercadoria barata que não se destaca por entre os "artigos"...
Nada disso era preciso, quando deveras soa desinteressante a todo ouvido;
Disso, não me alimento...mas, por aquilo que disse e me fora afanado pela infâmia perfumada, não lamento!
Um repente, uma idéia...uma lamento...
Quando é para ser, acontece em fração de segundos...
Partes indivisíveis de um eterno incompreendido, não se perdem nas mãos de vagabundos!
Mais uma palavra sem sentido, que queria traduzir um sentimento...tinha o vil intento de ser algo para eternizar a dignidade da magia de um segundo...
Me procure por aí nas profundidades que desconhece, contudo cuidado com a luz ausente que tanto lhe apraz...
O entretenimento que à toda sorte de inseto, eternamente insaciável e insatisfeito, satisfaz!
Perdão, senhor sagaz...pois, da escuridão onde respiro e tudo vejo, ou do céu de onde não desço...
Há somente aquilo que mereço; Perdão, se por acaso se perdeu na cobiça por um tesouro sem valor que jamais lhe pertenceu...
Siga por onde não vou, sem ressentimentos não olhe pra trás, pois o transcrito do caos que lhe aterroriza ou do sublime que encanta, ainda diz o destino que sou....eu!

domingo

Retratos em pedaços.


Se não encontro paz para ser em nenhum lugar que eu esteja...venho ser plenitude, por breves instantes, neste lugar...
Mas, tão somente isso, deveria me bastar?
Já rolaram os dados, já tomaram os lados, nada mais de tua parte interessa para que se possa saber...
"Tire minhas fotos da parede", se elas não tem fome de nada, não têm pressa... abraços, versos maiores que os pedaços que de mim restaram pra você;
Tua mensagem de guerra ou de paz... dispensa agora teu mensageiro, pois nosso tudo, agora é pouco mais que tanto faz!
Filho de nada...dignidade da forma mais imperfeita de infâmia personificada...
Seu mundo inteiro se modificou, por que será, que apenas você não mudou?
Ficou na poeira para contar nossa história intensa e fugaz, com jeito de coisa que nada satisfaz...fotos dependuradas não se arrependem, indispostos não aprendem a olhar para trás!
Na falta agora que faça uma imagem, na fumaça indigna de uma baforada tudo se esvaneceu...
Nosso amanhecer, para sempre e de repente anoiteceu, nenhum espectro de nós que remetem aos frágeis laços de outrora...
Aos cortes profundos nos pulsos, nos vales que separam agora, nenhum olhar dissimulado, por nossa história ausente glória, chora;
Se não havia paz para estar, há algum lugar para se chamar por lar...para um peregrino, passageiro de uma noite somente que ninguém note, estar...
Seja sob teto de concreto, seja sob sua utopia de um verão eterno de sol...seja sob a estrela solitária, o luar!
Aquele que lhe fez companhia e te reconhece, desde a primeira vez que testemunhou teu joelho, em oração de desespero se dobrar...
Cada qual em seu lado, cada um em seu lugar...a vida se encarrega de fazer por nós, aquilo que o medo ou a vergonha, nos compele a refutar...
Olhos claros não esclarecem nada, quando feito opacos e sem vida... são apenas olhares sem cor e sem alma, que seguem sem saber o que sentir, ou após as ruínas de si...para onde rumar!
Quiçá, rumo ao alto de um edifício, talvez um abrigo nas profundezas de um mar amigo;
Um minuto, todo mundo tinha...qur pena!
Somente agora todos pensam...apenas agora, quando nada mais faz diferença.

sábado

O peso, o pesar, apesar do existir.



Bastasse o ar para respirar, água...fria, morna, ardente para a sede saciar!
Bastassem palavras, bastasse a primeira pessoa, para que fosse deveras singular;
Bastasse um sol no céu....uma estrela solitária, a ausência de toda frieza de um luar, de um lugar....
Bastardos por aí, procurando por uma identidade para usurpar;
Bastasse o existir de um, que não se multiplicasse em várias faces e disfarces, ladrões tão amáveis a lhe roubar...
Cede uma mão, veja ao longe, incrédulo com a visão que se parece miragem de maldição, teu braço levar;
Basta uma ideia para acender, basta uma vida sem querer para um outro existir obscuro, ofuscar;
Basta o fogo que me ilumina, minha aura benevolente ou maligna, para ser fogo que arde e consome a vaidade de alguém do teu lado, mas em outro lugar!
Bastasse...fazer o possível que uma vida finita, com hora marcada para se acabar, possa fazer....
Bastasse nada ter de provar, isenção de tantas provações, privações...bastasse, aquilo que pode e dá para ser;
Ao novo, pretenso Deus vindouro, pensando sobre as eternidades daquilo que deveria permanecer;
Devo advertir ao admitir que fracassei, quando pensei que uma vida somente, bastasse para viver...
Que um sonho tão breve, não fosse assim de tão curto prazo para agonizar, antes de seu alvorecer;
Bastasse o existir, para ser ou estar...bastasse um tempo para poder não sufocar, o direito à gala para quem se cala, o dever do silêncio... à quem nada diz, mas insiste em falar;
De coisas daqui não se sacia sequer meu prato, do mundano e profano, não faço meu alimento...
Sou nada, sou tudo, contrassenso, paradoxo, sou filho de ninguém...o acaso é meu juiz e senhor é o tempo!
Implacável e por sua condição, absoluto...sou constituído de elementos, sou natural e minha natureza, em troca do vil metal ou de coisa outra qualquer, eu não mudo!
Para toda questão, há de existir razoável, ou absurda explicação, bem como, para todo suposto crime de ser, deve haver um culpado...
Perdão, não tenho nos bolsos sequer um centavo...será que vida e suas sublimes aspirações, suas particularidades, ainda valem algum trocado?

sexta-feira

Provas e vida.



Bolsos cheios de vazio, mentes repletas de nada...
Provas em prosa, versos que nada provam a si mesmo, senão sobre ser um idiota esquecido na estrada;
Como está, fica!
Tudo se solidifica...não se liquefaz, nada sublima, condensa, quando todo olhar estranho tão familiar condena, nada sublima;
Peito cheio de amargura e escarro...onde deveria bater um coração, apanha e aquieta-se na solidão um desgraçado que sofre calado;
Amor por aí...por favor, um pedaço que seja de um braço...após tanto ceder, meus melhores versos, minhas melhores juras, meus melhores abraços...
Nada restou para dar, perdoe-me por favor...nada nos bolsos, sequer uma frase em um papel amassado de inspiração, lhe trago;
Como está...fica;
O prisioneiro de si, tão compassivo com seu raptor...coisas que somente em outra língua, outro lugar, talvez em "Estocolmo" se explica;
Um trago a mais por favor...alivia com este paliativo maldito que não quero consumir, mas esta estranha volúpia novamente me consome...
A dor deste vazio recrudescente em mim que não cessa, processo que não pára, nada interrompe;
Bolsos cheios agora...cheio de migalhas que se parecem com fortuna amaldiçoada, fortuna maldita que sempre muda meus planos e faz tudo se converter em lástima...lágrimas;
Em um chão de onde nada brota que se pareça com vida...como está, fica!
Uma vida a menos para se preocupar, uma fácil saída...
Se o vento não é meu elemento, que seja alimento...que traga consigo um bom pensamento, um rumo para seguir que não seja qualquer um, que alivie este tormento!
Se, pela água que sou constituído fui esquecido...lembra-te de mim, tormenta...
Faz chumbo deste azul causticante que me castiga, faz precipitar chuva torrencial sobre uma alma aflita, uma pessoa que sempre tentar acertar...todavia, sempre se precipita;
Quando ainda menino, me ensinaram sobre as matérias elementares...no entanto, pouco me disseram sobre as maneiras estranhas da vida...
Proposição de problemas sem solução, números e fórmulas que em nada ajudam agora, a reencontrar minha vontade de viver perdida.




terça-feira

De passagem.




Não culpe o tempo por ter sido impaciente, por não ter esperado porquanto esteve ausente...
Havia coisas por fazer, havia algo por dizer...talvez a chance que agora espera, em tua frente;
Havia gente...esperando por tua desistência, um mundo girando em alheio aos teus caprichos e tuas exigências;
O fogo ardia sem teu consentimento, ainda existia sentimento em algum lugar...havia amor que fosse resquício a lhe esperar, mas também havia o vento!
Deixar para as mãos do acaso a escrita de tua própria trajetória...fazer de uma rara oportunidade de deixar tuas digitais em tua história...
Restou como tentativas inúteis de esquecimento para tua memória, quiçá teu quase fracasso, tua quase glória...
Fizera cinzas de tudo no fogo das vaidades que consumia de dentro pra fora, desperdício de toda uma vida em troca de breves momentos;
O destino não é inconsequente, nem tudo será reversível com um plano perfeito...com um discurso decorado eloquente;
Contudo, nada ou tudo daquilo que se foi, necessita de um olhar para trás impeça teus passos...
Agora previamente ponderados, de seguir em frente;
Se ainda é tempo de se deitar e acordar...se ainda é capaz de respirar a pureza do ar daqui, ou em algum outro lugar...
Cada segundo, traz uma oportunidade...uma chance de ser novidade, de ser diferente;
Se foi...era pra ser passageiro...
Nem tudo aquilo que se pareça com eternidades de um dia, necessariamente perdura para que deixe de ser esquecido pelo restante de um ano inteiro;
Fazer agora, com aquilo que ainda tem...fazer deste agora, um momento único capaz de sepultar o passado com bons presságios daquilo que vale a pena ser lembrado para o além...
Fazer de algum...um alguém!
Justificar tua cicatriz com transformação, justificar tuas palavras...teus ímpetos sem sentidos deturpados, obediência à consciência e ao coração;
Quando tudo não mais pareça fazer sentido, que ainda ao menos seja capaz de algo sentir...
Que seja por um motivo, uma missão...
Que valha a pena tua viagem, tua passagem por aqui seja algo mais que somente subsistência, que seja intensidade, que seja verdade para ninguém mais além de teu reflexo, tua satisfação.



segunda-feira

O valor inestimável do silêncio.



As mãos de um outro alguém podem ser mais rápidas que teu pensamento...
Cuidado, portanto, com aquilo que anda por aí pensando, propagando...cuidado, sobretudo com teu pensamento;
Coisas que podem ferir, quando paciência e permissividade desistem de resistir...algo além de teu orgulho de astúcia mascarada, ao chão deverá cair...
Um limite para teu plano de perfídia, teu sorriso de escárnio típico de um canalha, típico de uma vadia...todos agora terão um bom motivos para rir;

De tua face de mentiras desfigurada, o próprio espelho não poupa tua figura de uma involuntária gargalhada...
Deveras, teu pensamento tão valioso para si somente, não sabia se conter em uma boca fétida com aroma de latrina...sempre a ladrar, não sabia sobre permanecer fechada;
Quando não há nada por se dizer, realmente...se figura exponencial maior de sabedoria era aquilo que gostaria de se parecer, creio que de uma lição assim, há tempos necessitava!
Tua boca agora calada, mandíbula deslocada...dentes espalhados com estilhaços da fragilidade de teu orgulho no chão, pela calçada...
Para que outros também possam pisar, para que possa ver a cor de teu sangue supostamente azul...diante de teus olhos de impotência lacrimejantes, vermelhar! 
Você pensou e omitiu...todavia, com um olhar disse mais que mil palavras de maldição não conseguem expressar, finalmente você conseguiu...
Que alguém mais colocasse um ponto final em tua prosa...uma rosa, enviada ao teu leito em um hospital onde se veja igual aos vadios que tanto repudiava outrora...
Uma rosa, um bilhete lhe desejando breve melhora...contudo, cuidado...
O perigo manda avisos, persista em teu sarcasmo...não se queixe por algo que chega inadvertidamente em forma de castigo;
Cuspa nas mãos de um amigo...busca socorro em tua filosofia tão perfeita, perfeitamente feita para mentecaptos que se saciam...
Em sua utopia de coisas tão falsas quanto tua origem, tua suposta sabedoria que tanto queria;
As mãos podem falar, podem mandar de forma direta a mensagem como réplica para as indiretas...podem derrubam os muros de segurança do teu cinismo, tua hipocrisia...
Portanto, pense se vale a pena proferir palavras indevidas onde não seja terreno de tua propriedade...
Não pense que teu dinheiro sujo, compra de alguém que não se vende alguma piedade...
Cuidado, pois num dia desses qualquer a resposta na medida certa, pode tornar tua existência medíocre em forma de rastejante ser humano, em eternas saudades!



quinta-feira

Não creiam em nós.


Nunca duvidei, contudo jamais disse que acreditei...
Em tuas palavras de passagem, tão passionais, tuas juras irracionais...tudo aquilo que fingi que escutei;
Jamais disse que te odiava, tampouco disse por aí que num dia desses, te amei;
Pouco sei sobre este amor de que falo, eu confesso...repouso uma caneta sobre um papel para ponderar as palavras mais belas para utilizar, amor lírico inventado pra fazer sucesso...
Não assumo que errei, todavia não direi que acertei com a convicção de quem necessita de uma boa negação para conviver com seu reflexo;
Se era amor de fato não posso dizer, sobre aquilo que deveria sentir e ter certezas...
Apenas um espectro de um olhar de ausência, sentado nesta mesa à espera por nada disfarçando alguma tristeza, na frieza deste vazio eu restei;
Não digo que posso seguir sem sentir alguma saudade...
Não posso, entretanto, afirmar que do outro lado de lá, há motivos para afirmar que alguém mais sinta por mim algo além de piedade;
Se foi de fato, amor não sei dizer...somente direi que se parecia errado o bastante e divertido o suficiente para soar como boa verdade...
Todavia, se por nada passava, senão por uma boa mentira...que bom foi viver mentindo pra mim mesmo ao teu lado, neste estranho pedaço de minha vida;
Raios de sol para um sonho acordado...ou, talvez, um pesadelo qualquer inofensivo por demais para deixar alguma marca de dor, ou de um dia mudar a cor...
Tornar o próprio ar um pouco mais pesado!
Se fora verdade, alimento para a vaidade...volto a viver mais de perto, somente para olhar nos olhos com um sorriso estranho em meu rosto, aquilo que se passou, mas jamais será passado;
Grato sou por este mistério que não deixa dúvidas de que não fora o mal a caminhar, de mãos dadas ao meu lado...
Agraciado, por ter pedido um pouco de mim, ter perdido um pouco para muito mais poder encontrar além dos limites que tenta impor todo suposto fim...
Obrigado, pois nunca duvidei...porém, creio que jamais demonstrei o bastante além das palavras, em atos...
O quão maravilhoso foi, ter estado ao seu lado.





terça-feira

Escrito, nos manuscritos.



Rostos e reflexos das marcas de desgostos, faces de cansaço que se estranham...anúncios no céu, se aproxima uma nebulosa carregada de dissabor;
Afeitos ao torpor, apego àquilo que sirva de bom paliativo, disfarce para desespero de desamor;
Não está escrito nos manuscritos...as alegrias que jamais fomos capazes de dar... 
Não está escrito, não fora ainda traduzido aquilo que sentimos, mas nos ponha taciturnos a pensar;
Se deveríamos por isso sorrir, se deveríamos ainda ter algumas lágrimas de sal ou sangue, a derramar;
Quiçá, seguir adiante, com este nada sempre prevalente para fingir não importar...vazio que não consiga se sentir, plenitude daquilo que não gostaria de ostentar;
Coisas que desafiam a fé e a razão, que a própria ciência e sua exatidão falham no intuito de explicar...
Filhos do homem e da serpente...ora rasteiros, furtivos, gatos pardos perdidos noite adentro remoendo tudo aquilo que faça doer por dentro;
Tudo aquilo que aos primeiros raios de sol, até mesmo um último fio de cabelo daquilo que resta, se arrepende;
Contudo, é assim mesmo e parece que assim sempre será...apesar de toda saturação, a gente não aprende;
Condenados desde os primeiros passos, primogênitos amaldiçoados de beleza ímpar, desde os mistérios do ventre, das entranhas...
Fazemos de nossa pequena trama,  grandes façanhas;
De nosso pequeno existir, grande evento, ainda que expostos ao vento sem ter onde ir;
Somos estrelas, estrelas no céu em noites de alegria a brilhar;
Estrelas cadentes, em dias de lágrimas do destino a cair;
Lutamos e aqui estamos... restamos para resumir em intensidade de vida, em muitas palavras repetidas, um milênio em poucos anos.... 
Nós, sempre "terceiras" pessoas por demais somos assim e suportamos, assim, sem necessidades de mais desventuras que conduzam a nada além de desenganos;
Simplesmente porque não está escrito nos manuscritos...
Sobre caras errantes, ciganos, levianos...sobretudo, do quão também, para além de nossas aparências e vidas aparentemente perdidas...
A outras vidas, que pertençam a um outro alguém, somos sim capazes e de nosso jeito estranho, também amamos;
À espera por palavras, sem necessariamente falando...desligamos um sentido que não faz sentido e por algo esquecido que peça por ser transcrito...
Para que seja válido e imperecível, digno de permanecer escrito nos manuscritos, por um dia a mais de vida ou uma chance concedida, dispersos, imersos em nossos "oceanos"...
Com um simples aceno em silêncio de gratidão, recolhemos os cacos do chão e simplesmente....caminhamos.




sábado

Teu cheiro de jasmim.



Um lamento...luzes silenciosas, quietas;
Flores por aí estão pedindo por água, vida está morrendo diante dos olhos de uma multidão inquieta...
Um minuto de silêncio, num segundo se encerra...folhas verdes em plena primavera, agora folhas que caem, folhas de melancolia amarelas;
Há pouco era alegria, era sorriso...era beleza que caminhava e irradiava sua luz, que agora se apaga para sempre...
Destino estranho que olhos tão vívidos e joviais cerra suavemente...de forma repentina sela tua sina, torna passado aquilo que se parecia com um presente;
Dos céus, forma divinal de vida que desfilava por entre a gente...aura de pureza, passos de leveza levados para longe...
Para onde tudo se encerra sob lágrimas, daquilo que se faz ausência inesperada, sem palavras que sirvam de alento para eternidades de um vazio deixado por esta tristeza;
Um lamento...um anjo sobe aos céus ainda virginal, em vestes brancas, deixa a marca de tua passagem tão breve por esta terra, espectro quase que tangível de tua beleza...
Sem tempo sequer para nos dizer um adeus, sem tempo para uma despedida que fosse dolorosa, que fosse um último abraço e olhos nos olhos para os teus...
Hoje, tua morada é junto a Deus...um minuto de silêncio, quanto tempo faz que se foi, mas ainda me lembro...
Daquele setembro, quando inocente, para trocar passos com o acaso por aí, saía...
Dizia sem palavras por vezes, volte logo minha filha...
Até hoje espero tua volta, até hoje não minto que a vida e suas maneiras me causam revolta...até hoje, depois daquele minuto, sinto tua falta!
As luzes se apagaram, as flores daquela primavera, há tempos murcharam...todavia, aquilo que é vida em algum lugar renasce, floresce no jardim do Éden onde os anjos te regam...
Dos primeiros passos que vi...à derradeira milha que recusei em ver, enquanto outros braços lhe carregavam, vozes que não entendem sobre saudades, por tua alma rezam;
Tua vida permanece viva onde quer que eu vá...ainda sinto teu aroma distinto de jasmim...
Teus olhos ainda refletem em meu semblante de aflição...ausente em terra de ti, plena onde quer que esteja de mim;
Por que dizem não haver distância entre mundos...
Por qual motivo, temos de permanecer vivos para ter de entender desígnios divinos ou malditos, enquanto suportamos aquilo que insistimos em chamar por vida, perdidos nos descaminhos do vil subsistir, por aqui?



Meu rico dinheirinho...




Cansado, deste vem e vai...mãos cheia de vazio, despensa sentindo frio, farto...desta chuva ilusão de fartura, nuvens carregadas de esperança que o vento leva, nada cai;
Senão minha cara no chão, sequer os papéis contados e devidamente separados...bastam para pagar o ar de má qualidade que respiro, o gás de um botijão...
Deveras, dinheiro na mão de pobre é avião...voa para longe, sem parada sequer de "escala" e segue a lamentação;
Após mais trinta dias de alegria...redigindo os papéis, documentos "fiéis", carimbando...lavando o teu chão..
O que resta é nostalgia daquilo que se espera desde o primeiro dia, o que resta é um cigarro ou um trago ao final de uma jornada ingrata de admoestação;
Esperando que algo mude, mas mudança é sempre motivo para aflição...
Vida de pobre sem face, sem identidade que não seja para revistas eventuais, provar que não seja um ladrão...é realmente, uma viagem na contramão;
Contratempo, sempre correndo atrás do lucro...alcançando sem querer o prejuízo, prendendo este por entre as mãos;
A cigana mentiu, o "bicheiro" da esquina me iludiu...não ganhei na loteria como alguém previa, como meu sonho queria...
Meu décimo terceiro, antes da celebração do nascimento do "Cordeiro", há tempos já sumiu!
Agradeça a Deus por estar vivo...quem disse isso, com certeza não sabe sobre viver, sobreviver, como eu vivo!
Dinheiro não compra saúde, não compra paz, não compra o amor de um coração...
No entanto, que mal teria se um pouco ao menos restasse, para comprar as roupas de grife que descarta e vesti-las...afinal, também necessito de algo para ser, em tempos de "ostentação"!
Um carro velho qualquer, uma dama de baixo custo, mas raro valor para servir de mulher...
Cansei do velho discurso que me peça para esperar, há tempos perdeu-se por aí também, a paciência com a leniência deste discurso decorado sobre "quando Deus quiser"!
Um abono...uma graça concedida! Deus do céu...a geladeira velha queimou, novamente lá se vai minha pequena quantia...
É, quem sabe o ciclo desta história seja rompido, quando achar uma saída que seja pela tangente, que seja pela porta dos fundos furtivo...
Ou altivo, pelos portões da frente, um dia.




sexta-feira

O número do "Batman", alguém tem?





Preciso de um número, de alguém que me sirva...pois, apesar de não parecer, sou gente...
Preciso de ajuda, ajuda que seja armada, preparada para pegar os facínoras que caminham nas sombras na hora exata...auxílio urgente!
Tentei discar, três dígitos...dedos e mãos trêmulas, um velho celular...
Informava a um robô impessoal que me atendia, dados requisitados com toda "cortesia"...típica, de quem pareça um favor estar a lhe prestar;
Não prestava atenção naquilo que eu dizia, mas escutava aquilo que convinha da voz que em desespero falava...na falta de "um crime consumado", um crime de desacato por telefone, bastava;
Bastardo, tentei um outro dígito de atendimento "rápido", alguém que como criminoso, também me tratava...
Relatos de injúria e ameaças...relato de um cidadão desarmado, fazendo explanação desnecessária a um senhor desalmado acerca do perigo que me rondava;
Quer saber? Desisti...entendi, que culpado sou até que uma prova concreta diga o contrário, nas mãos destes deuses da lei, mas ainda funcionários...
Quero saber agora do número que todos mandam procurar, quando realmente alguém em perigo iminente precisar, quero saber dos seres extraordinários!
Quero o número do "Batman", do "Capitão América"...ou, quem sabe, do "Vigilante Rodoviário", "Chapolin Colorado"?
Vida pede por socorro por aí...perigo, não escolhe lugar nem horário...
Vistas grossas para uns, revistas truculentas e indevidas para cidadãos ordinários...
Afinal, de alguma forma deve-se justificar o peso das armas que carregam...combater o peso na consciência quando "descarregam"...
Devem mostrar-se prontos...prontos, para recolher seu cadáver, sempre que necessário!
Alguém anda lhe ameaçando...por qual motivo? O que o senhor anda usando? Por qual finalidade...se ainda não há crime, está nos importunando?
Realmente, creio que estou enlouquecendo...ou então, a sociedade possui um novo parâmetro de idolatria para seres assim tão humanos!
Obrigado...aqui, vai minha contribuição novamente este mês, para que sempre estejam assim...em prontidão, quando ligamos.




Respeito, é bom!?



Respeita o momento, respeita pouco conhecimento de quem escreve sem assunto, sem compreensão sequer das palavras...
Respeita palhaço sem graça..."Patati" sem parceria, respeita um nome, um homem que próximo aos teus olhos, distante da aprovação de teus conceitos, passa;
Respeita o fogo que queima sem necessidade de fumaça, respeita os dizeres da placa que avisa sobre os perigos...esqueça, os dizeres de outra, real ou imaginária que peçam que você faça!
Recíproca...quem fira com indiferença, quem o faça com palavras que não se sustentam em argumentos frágeis, verdades de uma crença...
Procura por encrenca, coisas que a vida não avisa, mas ensina em cortes que separam, cortes de navalha...quando tua edificação tão frágil, despenca;
Respeita o desespero, despreza a pose de quem necessita apelar para tirar algum sossego...
Respeita a fé de quem acredita, despreza a fé de quem por cima de um muro de visão restrita...coisas sem sentido diga,
A palavra interpretada e a verdade apossada, professada que segrega...contra tua moral atenta, sobre um teto de vidro e evitando espelhos, atire pedras;
Respeita a inteligência do inteligente, os limites individuais e o tempo...coisa tão particular, daquilo que se chame único para ser gente...
Respeita a falta de cultura, contudo condena...censura, a falta de bom senso, senso de humor de sarcasmo de uma cara fechada qualquer... 
Querendo ter, desejando ser e poder...se parecer e aparecer, imponência de patética figura e sua suposta astúcia;
Respeita o velho ali da esquina, o japonês da feira, o português em sua padaria...respeita etnia, diversidade de pontos de vista e de cores, que colorem seu dia!
Não peça por aquilo que não tem, não impeça os passos rumo ao sucesso...no entanto, não deixe de avisar sobre as possibilidades de fracasso a alguém;
Respeita a autoridade que manda você calar a boca, te chame por nomes estranhos que não condizem com tua conduta...é apenas um boçal armado, de alma pequena e filho...
De uma pátria, que enaltece a crença, mas elege os déspotas hereges...estados desunidos querendo se parecer, quando a bola rola, por noventa minutos todo mundo se reconhece;
Portanto, "respeita quem manda, respeita quem obedece"...pois, neste chão estranho, tudo o que se parece com vida perece, padece...
Sonhar se parece proibido...toda tese falha se aplicada na prática, por algum desconhecido...
Logo, respeita a tua insignificância e os limites de seu município, de tua cidadania, antes que sem aparentes motivos...para celebração de canibais no coletivo, seja queimado vivo!



terça-feira

Um tiro no escuro.




Se tiver a arma na mão...o "cano" apontado, o alvo diante da visão...
Cuidado! O tiro pode sair pela culatra, não há alívio assim que não seja precipício, precipitação;
A malandragem persuadindo o incauto com seu discurso sobre solução...
Malandro, assim orgulhoso de sua índole, em gozo da liberdade...impondo-lhe grades invisíveis de uma dolorosa prisão;
Se tiver o cano apontado...certifique-se ao menos que o crime compensa, certifique-se de que seja certeiro e na cabeça...
Que não seja, somente ilusão de consumir o mapa da Europa sobre uma superfície qualquer, uma mesa;
Liberdade pede por amplitude, sobriedade...refuta mente ou visão estreita;
Liberdade...não necessita do flagelo por auto piedade, não aceita o peso dos grilhões, peso da consciência, morte que leva embora tudo o que fosse personalidade...
Tudo o que fosse distinto, ímpar, sua condição de mudar um mundo usando a sua individualidade;
O tiro pela culatra...a grana e os planos, os sonhos de outrora que diante de tua visão deturpada queimava...
O amor que mentia e você acreditava...a amizade que não passava de conveniência, sempre disposta a receber um pouco mais daquilo que você ofertava;
O vôo para o além, o libido, o cano apontado novamente...não se sabe se pertence a alguém...
Talvez ao diabo, talvez seja roubado...talvez, o cano apontado pronto para o disparo suicida, encerra tua vida com o valor de uma nota de cem;
Se tiver a arma, então...se possível, pare por um segundo e pense...
Desarme-se desta idéia, siga seu caminho com mais rosas e menos espinhos...simplesmente, por manter limpo o teu sangue inocente;
Cuidado! Com o ato impensado, inconsequente...
Pode ser um disparo que alivia por uma noite, pode ser a sentença que lhe aguarda...prisão, eternamente;
Portanto, se estiver com o cano apontado neste momento, entendo teu sofrimento...
Já estive em tua posição, já compus o "pelotão" de auto fuzilamento;
Creia...não vale a pena, seja feliz ainda que seja só por hoje...
E, que "só por hoje", possa valer por uma vida inteira, distante deste tormento.



Semeando o humano.





Semeando semente, que fosse gente no chão...somente para ver se algo de humano, ainda "dá" nesta terra...
Se fruto bom ainda há de vingar, sem necessidade de vinganças...se ainda resta esperança, de brotar algo que seja deveras amor em tempos de guerra;
Permeando os limites...rompendo com a razão, a lógica da insanidade...
Perpassando desapercebido por entre multidões, observando carreatas que semeiam gente que nada mais serão...sob luzes de sirenes silenciosas amarelas, pela cidade;
Espalhando a palavra, que não seja maledicência...que não seja indecência, mas tão somente a inocência de uma troça, um figura de linguagem...
No linguajar típico da "roça" chegando de sua longa viagem...vem a passos de calmaria, sem pressa, se aproxima a boa novidade;
Planta na terra aquilo que se espera...espera pra ver algo nascer, quando tudo se encerra...
De fato, o ser humano é estranho...ser bestial, estúpido intelectual, diplomado boçal...a pior das feras!
Uma dose de ódio deixei daquela lágrima, esperando que ali brotasse amor...
Uma dose de veneno, uma lástima...um lamento, tudo se alivia com um pouco mais de dor, um pouco mais de torpor;
Semeando no semi árido de um subsistir, coisas distintas daquilo que hoje lhe faça chorar...num futuro sempre incerto, uma esperança de voltar a sorrir;
Nem tudo se vai, nem tudo que chega pra ficar por além de uma estação é alívio...
Nem toda mão que se estende é mão de um amigo...é mão de um ladrão cheio de afeição por tua essência, lhe rouba e sai furtivo;
Nem tudo o que não entende...é necessariamente incompreensível, no chão então, deposito um pouco mais de gente...
Esperando futuro de prosperidade prometida por vozes que jamais assumem as promessas, se é que haja tempo para esperar...se é, que esperança ainda seja algo viável e possível;
A garantia que ninguém lhe garantiu, pela oração que entrega aos céus, aos mares à Iemanjá, aos rios...
Para que possa nascer um novo amanhã, neste lugar tão triste, onde num dia distante na linha do tempo...em páginas amareladas e levadas pelo vento, uma vida veio para ser verbo...
Brilhou exposta aos primeiros raios de um sol que jamais fora seu e sorriu!



domingo

Sem palavras...cem "patacas"?




Troco, minha idéia sem sentido...palavras que não fazem chuvas no semi-árido onde vivo, da condição de subsistência de semi-humano na qual persisto;
Troco por um trocado qualquer, por um cigarro...fogo que se acenda para matar, mas seja verdade...
Em troca desta falsidade...escarro disfarçado no discurso de fascínio dos facínoras facilmente fascinados, tudo que se pareça com palavras precisas desnecessárias da alheia piedade;
Troco minha idéia pela sua, afinal pensar sob minha pele anda custando caro por demais...troco por um belo sofisma que seja, minha aparente verdade transparente nua e crua;
Troco aquilo que não me pertence...coisas de meu convívio, ou de meu usufruto que não me compreendem...
Troco por um tapa no rosto, um dia que seja de derradeiro desgosto...pela falácia decorada daqueles que dizem que se arrependem;
Nada aprendem, troco minha pouca erudição...por firmeza em convicção, libido, ereção...
Coisas mais relevantes dentro do contexto de um vazio, com um pouco mais de vácuo que se possa acrescentar, plenas se parecerão;
Uma fala incompreendida que jamais seja capaz de arrancar um sorriso...pela velha capacidade de uma estocada precisa, onde palavras soam desnecessárias sufocadas por gemidos;
Passos pela calçada, percepção que pouco supera a da própria cegueira...por um passeio alheio a tudo, por seu jeito de ser uma pessoa tão "maneira"...
Comendo a borracha de tua lata tão valiosa paga à prestação, emprestada...fazendo barulho que faça cessar um pensamento e apagando o passado na poeira;
Troco este estúpido e intrépido jeito de assumir causas perdidas como se fora por prazer estranho ou insana brincadeira...
Deixando sumir, deixando de assumir, se omitir...tomando um banho de sais revigorantes, usando teus pertences e até mesmo minhas convicções pedantes que sequer a mim convencem...
Para persuadir um pato de borracha em tua banheira!
Troco minha trajetória de suposta luta e nenhuma notoriedade que se chame por glória...troco minha maldita história, por todo o conteúdo de tua geladeira...
Se não aceita...dou garantias, contudo garantias de quem somente se afirma com atos abnegados ou palavras, sempre soam duvidosas ou pouco valiosas o bastante, para sempre se assemelhar com besteiras;
Se não acredita em nada disso, tudo bem, ninguém há de se importar isso...
Afinal, algumas vidas sempre serão um pouco mais inúteis para que sejam percebidas, um pouco mais ligeiras em suas passagens tão passageiras...
Para que sejam dignas de serem vidas...para que deixem de ser insistentemente metades, buscando por gestos de caridade ou um "muito obrigado" de alguém mais, podendo se completar com a sensação sempre estranha de sentirem-se vidas satisfeitas.



É... você podia.



Definitivamente estou emudecido, estarrecido por estar assim mudado...
Flexão é algo mais interessante, quanto mais se flexionam verbos, para sepultar corpos sem um rosto no passado...
Aquilo que queria, que podia já não mais tem poder...aquilo que insinuava em sua graça, já não é mais engraçado;
Faz parte de um recente passado que agora, a consciência então ausente, repudia...
Faz parte do proibido aos olhos, faz parte de coisas libidinosas que se pareciam com provas a serem dadas somente a mim, de que eu existia...
De que um passo adiante, muros e vales adentro, que em nada se diferem, algo de novo descobria...contudo novamente, somente me perdia;
Estranha razão que repudia a lasciva, despudorada senhorita...estranho eu imerso agora em mim,  rejeita reflexo no espelho de expressões de desejo antigas;
Antes, anjos caídos de pecados... faces e corpos indistintos por aí a caminhar com pernas, em caça de aventura ou de alguns trocados...
Hoje, tão somente corpos juvenis perdidos, seres que nada em mim despertam, senão instintos compassivos;
Peça por algo a mais que eu já não possa oferecer, pois da nuvem onde me encontro somente me disponho a descer se for para lhe ofertar um ombro que seja amigo;
Me ofereça os mistérios de tua sedução em teu discreto riso...lhe devolvo sem querer um sorriso...dizendo sem a voz, já não mais me interessar em nada ganhar com perda de algum tempo e suor que resulta disso!
Troquei meus passos, troquei os percalços por algo que parece fazer sentido...
Troquei os sentidos, coisas banais em troca pela satisfação em plenitude dos bons motivos;
Vozes...ecos em minha mente que rejeitam repentinamente delírios outrora picantes, agora atrozes;
O louco agora tem alguma consciência, seu tempo se passou e foi ontem... paciência;
Siga em paz, por caminhos seguros onde esteja certa de que não mais, estarei em teu encalço, logo atrás;
Rumo aos infernos, ao paraíso ...ao cinza do céu de outros invernos, em busca de outros incautos sorrisos...
Se possui algo de novo a me apresentar, se pretende com velhos apelos me encantar...melhor rever tua postura e me fazer exposição de outros sublimes motivos...
Do contrário, aquele abraço... 
Não impeça meus passos de caminhar neste distinto patamar, longe dos perigos de seu abismo...
Tudo já passou e nada deixou, contudo como meu sobrenome ainda é tolerância e paciência...para tua voz de indecência, sou todo orelhas, fingindo ser ouvidos;
Confundiu meu passos...atrasou meu ponteiros, arruinou meu planos quase perfeitos...
Confusão de teus sentidos, olhar fleumático diante de teus intentos, juras de amores ao vento...pois é, minha estimada princesa, creio ter feito perder com algum estranho prazer, seu tempo...
Somente, pelo satisfação de vê-la sofrer, me contradizendo...fazendo aquilo que mais odeio dos demais...
O premeditado plano executado desde o pensamento.




quinta-feira

"Super", era você. (Who's your daddy?) ;)



Toda parte que se sinta assim vazia, necessita de uma metade...
Precisa de algo que chega para trazer algum sentido a mais, algo inesperado que venha, sem previsão de partida;
Todo homem que assim se diga...seja super, seja nada, seja meio menino ainda...necessita de um toque de mãos macias e despidas de pecado, sua "kryptonita";
Coisa preciosa, que não se vende por aqui...alguém que chega e pede por teu abraço, pede por sua proteção, para que nada se perca por aí;
Estrela que desde sua concepção, mais intensamente que todas as demais de qualquer constelação, brilha...
Coisas de meninos, que não esperam por uma menina...coisas de pai de primeira viagem, à espera ansiosa por uma novidade para chamar por filha;
Apenas um cara que não superava a si, algo esperava como se nada quisesse, apenas um cara que não esperava por uma dádiva de olhos coloridos assim;
Desafiava um mundo com suas letras intrépidas, desafiava a superfície com sua utopia...sem chegar a lugar algum, senão ao mesmo caminho de sempre que conduzia ao mesmo fim;
A metade meio cheia de um copo...bebida de fino valor esquecida sobre a mesa, às moscas servida...
Se completa, ainda que das distâncias que nos impuseram os muros implacáveis da ignorância, coisas de adultos sérios e sem graça por demais, gente que não teve infância...
Fala desnecessária que dissocia e desfaz a mais perfeita das magias...
Para teu suave ninar, menina minha, peço a um anjo por um acalanto, grato sou por aprender contigo...um outro sentido para vida!
Queria ser escritor, já sonhei em tempo pretérito sobre ser astronauta...quiçá um cantor...
Posso ter sonhado e assumido diversos papéis, por diversas vezes fracassado...porém, por um sorriso teu, sou novamente palhaço e alegra-me este novo papel, descoberta de ser deveras um ator;
Podemos pairar por aí sobre as nuvens, podemos juntos aprender a lidar com as melhores coisas que a vida nos traga e com a própria dor...contas a acertar, somente com o amor;
Meu anjo distante de meus braços e dentro de meu peito, carrego em uma foto nestes braços marcados...
A forma personificada de perfeição que jamais imaginara, a maior das obras de minha suposta arte tão falha, que jamais poderia ter feito.