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quinta-feira

Novos ares, novos lares...novos mares.



Espero nada, além de ser abduzido,  por indígenas, indigentes...alienígenas;
Cansado da estupidez do prevalente que predomina...cansado da verdade do insolente que distorce fatos e multidões alienadas, domina;
Gente eloquente, gente humana em tempos onde se parecer humano, soa como coisa bonita...
Te espero "mãe gentil", mão acolhedora...na base, vinde à mim ó nave...
Queimando pele e quebrando ossos na neve, frieza e tristeza congelam além de lágrimas que do olhar, estado da alma denuncia;
Renúncia, solenidades e padrões,  valores de vida em cidades edificadas pelo déspota que condena a sobrevivência dos ladrões...
Vida vivida à margem pedem passagem, vida cansada de falsas promessas e hipocrisia duvida da sonoridade de palavras proferidas, perjúrio que há de denunciar célere descompasso, de resignados corações;
Abduzido...sem notoriedade, sem relevância,  ausência não será sentida sequer da voz, daquilo que jamais tivera deveras, alguma importância;
Sem fama que não seja alguma má reputação,  infame ser errante caminhando perdido por uma eternidade procurando por sua própria razão...
Se perde na efêmera intensidade da paixão, se encontra...em grave estado mental de deterioração;
Aguarda em terra, do céu,  dos mares algo que soe como boa e definitiva saída,  aguarda nada além de algum resquício de saúde para que haja restauração;
Entregou algo além de razão, trocou alma por perturbação...sem sentido sobrevive sem sonho, à deriva...
Na marginalidade, inerte a observar o rio que veja passando e seja vida, sem aparente motivação;
Aguarda cansado, prisioneiro de si mesmo com a clausura imposta conformado, por nada além de abdução!









quarta-feira

Semeando o amanhã.



Pediu à Deus, pediu aos teus, pediu às pessoas...
Pediu sem querer por adeus, perdeu tempo por ser ganho...trocou certezas por coisa à toa;
Na obscuridade do fechar de cortinas, cicatrizar de feridas abertas se recupera vida em estranha necessidade de, para isso, perder pessoas;
Palavras passam, atos em impulsos impensados, ferem e permanecem;
Tempo cura quase tudo, incluindo-se rancor...que nas curvas da vida também se perde, pois se foi carinho, se foi amor...
Facilmente não se esquece, novamente não mente, imensurável e abstrato...tão natural, não se mede!
"Brilha onde estiver"...seja ainda bom esboço de menina, seja já deveras crescida,  eterna incógnita que se faça mulher; 
esteja, onde estiver...brilhe mais intensa estrela que agora, nesta fantasmagórica figura que lhe segue lhe dando certeza de estar sozinha, lhe guia;
Avança sobre persistente muros de retrocesso, resiliente, experiente...experimente ser humana desafiando perigos de acender luz, perigos de vencer esquinas;
Avanço prelúdio para toda possibilidade de regresso, desafia com fúria, inimigo...próprio reflexo;
No futuro, parco iluminar de possibilidades esperam do presente, recuperar, reconsiderar,  renovar...
Futuro espera de todos nós,  algo distinto que do passado, hoje se faz razão para toda sorte de lamurias, restrições para aquilo que sempre esteja à tua espera para ser sucesso!
Opinião...será sempre humana por demais para que seja questão de convivência, conveniência e momento, tempo escorre por entre os dedos...
Vento convoca, tempo ludibria em ampulheta de ótica distorcida que faça o veloz, se parecer lento;
Hora é agora, vida é aqui dentro e lá fora...espera é sabedoria,mas espera é faca de dois gumes, também deixa à deriva coisa esquecida que deteriora;
Se diz amar, desarme-se, ame-se...se vale à pena, única opção é adiante!
Se não aceita mais atrasos, pense sem parar, pois vida há de pedir mais que inércia estúpida que nos predisponha a precipitar-se por suposta astúcia...
Vida cobra e machuca, voa na voracidade deste vento, vida pede movimento distinto daquele de antes...vida é imperativa, logo ande!
Se nada disso faz sentido uma vez mais, dane-se. 






quinta-feira

Então, era Natal...de onde eu via.



Hoje é o dia de fugir das pessoas e ir para a passarela...
Fugir de falsa afeição,  abraçar a boa solidão, colorir meu céu com aquarela;
Dias de lembrar-se de todos...serão dias esquecidos, riscados da folha, oportunidade que se atira pela janela...
O Cordeiro celebrado queima na brasa e derrama sangue novamente para ser assado...
Ser humano ainda é o mesmo, sadismo com requintes de toda hipocrisia, jamais é algo que agoniza no passado;
"À margem de mim, sem fazer travessias", sem travessuras ou sequer sorriso de tristeza ou alegria, sentado sobre a passarela assistindo somente para mim sorrir o sol no raiar deste dia...
Talvez não fosse para assim ser, contudo parece ser assim supeficial, tudo ao que sentidos deturpados do boçal sirva de alento...abraço de algoz não declarado também alivia;
Imersão em si, introspecção que faça prospecção de seus próprios tesouros, renova deveras a alma e faça recordar sobretudo,  sobre aquele que um dia;
Sem saber ao certo sobre o dia que nasceu, porém deixando a certeza que derramou sangue sagrado pelo imundo que seja o teu!
Nos trouxe lição por se aprender sobre ser humano, sobre amar sem condições,  sobre empatia...
Do alto da passarela, de meu próprio exílio busco um pouco de paz fugindo da falácia do ébrio,  da estupidez de toda verborragia;
Renova espírito,  reina em mim, Divino;
Faça sentido em mim, longe de toda insanidade e embriaguez que a própria palavra sagrada condenou um dia!
Era Natal, aqui sobre a passarela, sobre a pequenês de pessoas e de almas...
Era Natal no distante horizonte além dos meus olhos...em todos os lugares onde eu não via...
Era Natal, mas não um Natal da forma que porventura deveria ser...da forma, que o aniversariante queria.




Sentado, sem sentido.



Permaneço sentado, assistindo...
Esperando pela lógica que justifique o discurso do omisso, na espera pela repetição insana de alternâncias entre esferas...até que algo pareça fazer sentido;
Permaneço sentado, quase que conformado, com toda possibilidade que agonizou no passado e poderia ter sido;
Imagem que fosse reflexão para um eu melhor, miragem de amor quase verdadeiro que não levasse leveza de mim...deixando tudo pesar, vivesse apesar de mim, me deixando à deriva, na pior;
Permaneço sentado, impassível, cansado por demais para sequer estar irritado...
Leve desespero na liberdade, a qual me causa estranheza por não sei mais desfrutar;
Em clausura amordaçado,  flertando com loucura e afeito ao raptor, solidão ao menos é alguma certeza de companhia me convidando a brindar...
Sentado assistindo...quase tudo, muito de um nada que na perturbação, indaga ao próprio reflexo o motivo de estar assim sorrindo;
Sol no céu vai sumindo, róseo crepúsculo de nostalgia, remetendo àquilo que jamais tenha vivido...
Sentado, assistindo...vida acontecendo, pessoas vivendo, em aparências e aparições repentinas sorrindo;
Sem lua no céu para sonhar, sem nada relevante para que ao menoa pudesse resplandecer em imaginário luar...
Sigo, sem saber o que fazer, quando deveras, já deveria simplesmente pensamentos cessar...
Para por um momento, num dia desses onde calendários não dizem se seja segunda de dissabores ou tristezas de um domingo;
Cerrar as pálpebras e esperar por mais do mesmo, em aparente estado de profundo coma, que se parecesse somente com imersão profunda no onírico, ou mero falar com as paredes...quiçá, simplesmente estar dormindo;
Até que tudo que seja divergência, convirja...
Até, que a fé tão cega, ou aquela hora esperada onde todo ceticismo se dissipada chega inesperada, se traduz em alguma sabedoria que de si mesmo duvida!
Até, que algo faça sentido em um convite sem palavras de olhares que confiem nas coisas por mim, até que cicatrize a derradeira ferida...até, que meu princípio não se pareça com prelúdio de triste fim;
Até que eu possa de mim gostar, à tona regressar, respirar a pureza do ar...
Caminhar à toa, sem tanto me preocupar, não mais parar...e da vida, não mais voltar a duvidar!






quarta-feira

ANIMAL!


Se é pra ser, que assim seja...
Cansado da caridade da mão que deseja me afogar em afago...
Cansado da falácia ordinária que em desgosto escuto da boca que me beija;
Senta à espera, à espreita...fera ferida, ao Marco Zero de sua ruína devolvida, observa na esperança que ninguém lhe veja;
Onde ninguém lhe queira,  onde ninguém esteja...aproveita aprovação sob vigilância de olhares que lhe condenam,  filho pródigo preterido, ao açoite vexatório que recolhe, se sujeita;
Torpor bloqueia, mas não impede que olhos quase que inertes pairando, aparentemente divagando em devaneios...fixos em uma idéia distante por se concretizar estejam;
Assaz cansado de subserviência, desidia consigo,  daquele tipo que esgota toda sorte de infortunio que traga de tua alma, remove de teu semblante traços de paciência. ..
Assegura tua prole, assegura tua existência...perpetua tua espécie,  tatua com marca dd selvageria quem de tua figura ria, se necessário com marcas indeléveis de violência!
Sem fugir "à própria", mas em fuga de alheia luta...esgota argumentação, esgota algo além de palavras...clava à disposição para prevalência de tua figura;
Força e algum resquício de cacos do que seja, remedos e arremedo do passado daquilo que fostes...
Algo há de servir, quando olhos vendados da senhora da balança tão cega, não enxerga a iniquidade do fraco e de sua astúcia;
Para questões tão dialéticas propostas, no escuro do fim de um túnel de incertezas se acende um tocha de fogo impiedoso, crepitante que faça enxergar quando nenhuma luz lhe indica saída;
Segurança em tua escolha...vá, não olhe para trás, demanda do destino se faz em brado em teus ouvidos, anseia por decisão de forma implacável, imperativa!
Ser animal, lição que não se aprende na escola, mas após tanto se contentar com sobras e esmola...ensina, contradizendo teorias de todo pecado, a própria vida;
Ser animal...escolha muito mais por outros, que por mim feita...perfeita, para libertar de grilhões e finalmente respirar ares daquilo que fosse alguma liberdade, ainda em condição adversa...coisa vital rarefeita!

 



terça-feira

Devolva-me, ou liberta-me.



Rosa tu foras, espinho deixara para ferir em minhas mãos...
Sangue, rubro pulsante...pulsa me concedendo certeza de que sangro e sou humano, sangue me dá razão;
Em tua cavalgada, partiu sem se importar com o que partia...silêncio que precedia irromper de aurora e do pranto no alvorecer após fria madrugada;
Nossa história escrita a giz, no chão de frio concreto onde chuva subitamente chega sem prévio aviso e apaga...
Nosso amor, tão sólido edificado sobre certezas de areia movediça, palavras mordazes e mãos ora acolhedoras, ora adaga;
No horizonte, silhueta sinistra de solidão, em minha direção...inesperada chega com velocidade de furacão, devasta, arrasa;
Rosa tu foras, contudo escolhestes partir...
Solitária em tua cavalgada, displicente e impassível decidistes por si somente um destino de dois, dividir;
Arrancou de minha face um último sorriso, sem avisar que levaria consigo para sempre minha capacidade de sorrir...
Espero todos os dias aqui sentado, em pleno verão sentindo raios de sol tão gelado...tua imagem no longínquo novamente discernir;
Espero calado, longe de opiniões daqueles que nada saibam sobre mim, mas creiam em soluções mágicas que não sejam no trago de um elixir...
Espero longe das vozes, em extenuante rotina de sofrer, ouvidos cansados estão de ouvir!
Espero perto da esperança, já cansada de sua missão diária de subsistir;
Regressa, ou faça esquecer...se fosse para assim partir, por que em meu caminho como espectro maldito um dia, fostes aparecer?
Já cansado de sangrar, humano por demais já resignado, estou convicto de ser...
Faça sinais, mande um recado...volta ou sufoca de vez o resquício de juízo que insista em te lembrar, para que então na certeza de estar sozinho...
Ao menos, eu me sinta livre para ser feliz ao enlouquecer!






Agente, passivo.



Sujeito...cansado desse giro insano, mãos alheias fazendo revolução, revelações de desgosto em seu mundo;
Sujeito, de predicados tão prejudicado...sujeito raso, superfície por demais para ser levado a sério por olhares de doutores da hipocrisia, tão profundos;
Agente, mas com jeito de gente singular suficiente para que seja passivo...mãos atadas, pisoteado por massas alienadas que se digam oniscientes;
Troca passos pelas ruas, toca sem rosto por um dia quiçá tua alma...troca sem querer, algum resquicio de alegria por desgraça tão sua!
Diga-me algo sobre alguma novidade que seja boa perspectiva...algo de concreto que soa como vida em plenitude após longos anos vividos no abstrato, me diga...
Diga-me algo, do contrário tua voz silencia...deixa-me aqui às voltas com minhas próprias questões tão incógnitas para ti, sinta-se à vontade e como louco, me rotula, me medica!
Maldita mão que futuro indesejado, entretanto que sequer para mim mesmo sei decidir, me indica...
Futuro de incertezas, com certeza de dissabor por ser assim tão pouco participativo em minha história...remanesco à margem de mim mesmo, tal qual rocha que a cada dia ainda mais solidifica;
Solidão acompanhada é o que fica, companhia desnecessária...mente perturbada, medicada, abre mão de suas convicções e pra tudo isso, ou nada disso há algum tempo já não liga;
Do direito de escolha, por uma eternidade abdica, escolhe viver em sua utopia ilusão de por um dia ser dono de um pedaço que possa chamar por seu mundo que fosse pleno, inteiro;
Desculpe se sonhei errado, perdão pela ignorância, por ser assim ignorado...esqueci-me que sou vil ser andante e assaz errante...
Esqueci-me sobre fatos desgradáveis, sobre que neste mundo onde brada a voz para que tenha alguma razão...liberdade e respeito, ainda se compra com algum título ou dinheiro!
Me diga, me medica...me esqueça, na fumaça minha esperança se consome ou novamente se acende...
Meu destino não pertence aos guias assim tão carnais, minha melhor desculpa serve como paliativo que minha própria dor atenua...sou só mais um cara, mas não somente um rosto qualquer que pouco aprende e muito mais, por tudo que por si mesmo não faz....se arrepende.





segunda-feira

Essências...rosas e avelãs



Cheiro de rosas perfumando lúgubre tristeza, reminiscências companheiras trazem do coração à mente...lembranças de tua distinta beleza;
Espectro de saudade à espera, de olhos vermelhos insones,  por uma nova manhã;
Essência essencial daquilo que parecia banal, agora tanto falta faz...jardim de saudades sentindo falta de avelãs...
Lágrima teimosa pela face a deslizar, maldita saudade... sonhando acordado, com teu olhar;
Olhos castanhos, cheiro de avelã...no galho canta o canário...
Seu canto livre, em liberdade triste que me faz sentir falta de estar preso em teus braços,  beijar rua face corada de maçã...
Daria tudo para te ter aqui, mas nada tenho para dar...sequer uma boa previsão de destino para contigo ou, com alguém,  trocar;
Juntos tínhamos tudo, talvez muito...hoje restam somente sonhos para se lamentar por sonhar, para mim...
Sequer uma visão para me iludir com anjos ou querubins;
Pele de seda, regressa e sacia minha sede...
Te espero sozinho ao relento, enquanto coração bate apertado e balança em saudade nesta rede...tempo passa lento;
Canário cantor se foi, essência perturbadora permanece...me fazendo recordar algo além  de rosas e avelãs....
Volta, pela noite ou pela manhã , minha vida somente se completa com a sua...face de maçã;
Contigo foi se alegria, meu quase nada que somente contigo era mais que muito...
Contigo, consigo enxergar além do alcance dos olhos, uma sua previsão de dia comum ao seu lado...Boa visão de futuro, tudo o que é incerto, se faz certeza contigo, tal qual o amanhã;
Regressa, pois sinto que não mais resisto,  sinto que pouco tempo me resta...face serena de carmim, rubor na face...rubro maçã;
Emoção de ontem faz chorar agora...lágrimas de hoje que não secam no irromper de uma aurora triste da incerteza do amanhã...
Chora, até mesmo por nós o destino, que nos deixou em algum lugar esquecidos colhendo poeira vida afora, em desatino ao ouvir aquela sua preferida do Luan....
Em nosso velho rádio,  suplica por nosso amor aquela velha canção, fazendo ferir o coração.







Amor verdadeiro à espera.



Desarrama as amarras de amagura de teu semblante, desata nós...
Desfigura a carranca das faces, ignora o pesar do passar de ciclos, das fases...suporta teus próprios passos, certos ou errados a sós;
Desarma armadilhas, desfaz tudo aquilo que impeça de ti um sorriso que se fazia esboço em teu rosto como antes;
Desama quem não lhe merece, abandona fogo que lhe queima e não aquece, simplesmente se esquece...
Que coisas pequenas, pequenas serão para que sejam relevantes;
Destino te espera e lhe concede alguma certeza de que o Sol aguarda para iluminar em um longínquo horizonte, cansado de esperar por algo que emana de humana natureza...
Sol espera teu sorriso, não teu sofrimento...astro, rei moribundo em agonia conteplando com raios de pesar ausência de sorrisos, subsistir soturno com tristeza;
Ânsia por um amanhã melhor semeando no solo infértil de um presente a desesperança...
Anseios por beleza e sabedoria, em contraste com desamor de si que se reflita em face aflita...conflito no espelho, ignorância e intolerância subjugando a nobreza de toda pujança;
Nasce velho para o mundo em um desanimado despertar, em um breve segundo...a criança de outrora;
Perdeu a chance, passa oportunidade diante dos olhos...passa o ônibus da vida, da qual se abdica pela crença infundada de que tenha se perdido a hora...
Tarde demais, resignação que não faz mover adiante, não gira as pás...somente concede alguma paz por inerte permanecer, simplesmente sem olhar para trás;
Espera nada além daquilo que se ponha e se ascenda, se acenda no céu, mas não se note...espera por tudo que seja prelúdio para aquilo que sabidamente em breve futuro se arrependa;
Adiante é o convite da vida, cicatriz é proposta...prova de tua vitória, sopra no vento, gira nos ponteiros o tempo que cicatriza tua ferida...
Desamarra as amarras, se for singular aquilo que seja válido para permanecer...esqueça-se de nós;
Siga sozinho com algum sorriso, pois mancha cinza no céu azul é ótica deturpada antessala de desatino...
Deixe ser, deixe estar...deixem dizer, deixa teu ouvido propositalmente emudecer...
Siga sem se preocupar, sem hesitar...pois pessoas falam e sempre irão falar;
Porquanto alguém aguarda no espelho d'água, um abraço verdadeiro em um dia desses...quando deveras, aprenda algo sobre amar!






terça-feira

Eu parti, você foi embora.






Quem pisou mundo afora fui eu , naquele dia onde razão emudecia, insanidade prevalecia e olhares familiares se estranhavam, contudo, foi você quem foi embora;
Uma vida preservada, quiçá duas ou três...conjuração involuntária de vários sem querem, ceifeiro impiedoso que das formas de vida inocente, alma leva para o desconhecido, temido...mundo além dos olhos, mundo imaterial, afora;
Olhos taciturnos, estáticos, estarrecidos observam tua partida...olhar que ficou, olhar que partiu, por ti chora;
Conjuração maldita de entidades, palavras mordazes desmedidas...maldade em doses precisas para semear desgraças em solo fértil, onde rosa enlutada faz morada...desabrocha!
Demônios, aquilo que jamais foi carne, de vidas que se desentendem, debocham;
Praga...escuridão que se pareça afeita à luz que de minha essência emana...
Fere tudo o que seja irracional e se aproxima, há de fazer mal para mim mesmo...e para tudo que se faça próximo, seja vida racional e quase humana;
Maldade, que de mim não emana, mas me acompanha...hasteia uma vez mais tua maldita bandeira de vitória invisível, em meu efêmero existir faz campanha;
Se oculta, se infiltra...livre estou de ti, porquanto sob sagrado solo onde se eleva uma tenda, nada se entenda...
Onde luz há de brilhar mais forte, e tua nefasta presença repreenda!
Nebulosa noite, nebuloso dia...uma turbulência a mais neste conturbado vôo da vida, pele e pêlos, arrepia;
Majestoso Sol, luz suave do luar que sem ferir a pele, irradia...
Brilha em consonância com a minha, livra-me desta presença que incauto, quiçá evoquei em brados tão equivocados no passado, em um incerto dia...
Livrai-me de todo mal, fazei de meu suplício alguma miragem de redenção...pois, vida para mim se assemelha à vil vadia;
Ferido por demais e ausente de alma, caminha este corpo onde persiste em bater um coração.








No-ya




Verdade tão minha para que fosse tua, verdade que caminha desapercebida...
Forma de vida esquecida, gastando sola de velhos sapatos ou pés descalços sob a luz da lua;
Verdade...ora nua, ora veracidade por demais sem propósito a incomodar a vista tua;
Nua e crua, crueldade...vestes de trapos, maltrapilho fazendo rastros que ninguém siga no escuro da cidade;
Vaga lume, acende a chama que aquece o corpo do frio, chama tão breve que descreve de minha mente toda forma de vazio;
Sentado em uma calçada, abaixo da ponte do fétido rio...formas de vida assim já não importam ou se importam, saciando sede com pedra que se acende tão breve quanto pavio;
Pavimento...sinto dos olhares e do cimento toda forma de intenso frio, não há de ser relevante, porém, pois vivo à margem e não tenho horas para partir ou ancorar o navio...
Não sou você, você não sou eu...mundos paralelos que não deveriam se cruzar, semáforos que impedem tua passagem fazendo com algum desgosto na face meu frenesi ter de contemplar;
Não tenho endereço, pouco sei sobre algo por se chamar de lar...
Chama novamente se acende, mudo de planeta, mudo de rumo, sem saber ao certo o longínquo ponto que esta noite irá me levar;
Acordar...em meio à multidão, ser somente mais um para se ignorar;
Forma de vida desprezível, filho outrora prodígio agora, comparando-se à latrina onde se deposita toda forma de tóxico lixo;
Nóia, como me chamam...tenho nome, entretanto, mas sequer deste consigo me lembrar...
Na mesma água de batismo do bem abastado, um dia desses no passado, também um pároco se dispôs a me batizar;
Divisor de águas, coisas que um ser humano suporta sem se sujar...
Perdão, assumo que fui fraco, porém agora sou livre...embora, em teu conceito não passe de ignóbil forma de vida vulgar;
Guarde para ti teus conceitos, pois com estes também não hei de me incomodar...hoje estou diante de seus olhos em luzes vermelhas...
Em poucos minutos, sou forma de vida distante de onde seu luxuoso carro, teus caros sapatos deverão rumar;
Você tem lugar com hora marcada para ir, eu tenho qualquer lugar para ficar...
Tens um pequeno lugarejo pra chamar de casa, eu...talvez tenha uma cidade inteira que me detesta, para chamar por lar!







domingo

Paixão, sempre de passagem. (até a próxima viagem...)



Paixão repentina, de súbito me vejo às voltas contigo...em tua órbita a girar;
Paixão inevitável, daquela que aquece, de tudo se esquece...com prazo curto e previsto para acabar;
Não consigo evitar essa paixão, enlouquece minha mente, entorpece meus sentidos...
Girando em tua órbita, sem entretanto jamais possuir ouro suficiente, para um anel lhe presentear;
Paixão...assim, não me canso de lhe respirar;
Paixão avassaladora, paixão arrasadora...em segundos me inspira, em desatino lhe aspiro, paixão deveria ir-se embora após aquilo que fosse carne, saciar;
Não sacia, vicia...em tua órbita cada vez mais desnorteado, perco rumos, perco minha bússola, não penso por um segundo que não passa de viúva negra tecendo teias para me matar;
Menina dos meus olhos, paixão repentina...menina reflexo em minha retina, fazendo distorcer minha visão ao dilatar minha pupila...
Paixão matadora, arrebatadora, tal qual ao beijo da morena à beira-mar que ficou no passado e jamais se esquece...
Paixão, que no passado deveria permanecer como boa ou triste lembrança, mas ao presente retorna e de ti jamais se esquece!
Mãos ao alto em súplicas, joelhos no chão em oração...paixão assim não é para qualquer um, ou talvez seja...
Paixão assim é boca maldita que lhe beija e pára coração;
Sopra com o vento, voa para longe...voa para onde tudo talvez lhe encontre, mas de meus olhos finalmente se esconde;
Um breve momento, fração de segundos...sinapse, descoordenado uma vez mais está o pensamento;
Penso em te esquecer, meu corpo por ti anseia;
Penso...mas, minha pouca razão já se faz questionável, quando toda ponderação assim desnorteada, limites da loucura permeia;
Foi-se embora, levou de mim um pouco além de algo que já não tinha para deixar saudades...
Procuro ainda por ti, um dia desses, pois levastes também contigo tudo o que fora por um dia possibilidade de escolha, aliada à sanidade!
Paixão que vai-se embora, realidade retorna sem piedade...
Paixão antessala de hospício, paixão para quem queira saber sobre enlouquecer em verdade.




sábado

Previsíveis novidades...






Sob céu de ferro, sob céu nebuloso...
Agita-se tudo o que seja molécula, calmaria em contraste com semblante estranhamente nervoso;
Além de cercas de ferro moram incertezas, no céu de luar sangrento, algo de nefasto tenta refutar o pensamento...céu calmo e perigoso;
Céu de brigadeiro, saída hesitante...respiração ofegante, céu de brigadeiro traiçoeiro, faz regressar metade, aquilo que saiu inteiro;
Inimaginável, repúdio...paradoxo para concomitante fatal atração;
Pulsa estranho no peito um aflito, ar rarefeito...frenesi, agora fora de si, saúde e toda forma de sanidade em xeque...
Prenúncio de proximidade da mesma maldição!
Era mesmo ferro, era azul que cintilava e ocultava chumbo que rumo à cabeça estava predestinado;
Era miragem de paraíso se convertendo em repentino inferno, era alto verão...horas se passavam e nada se via...vida se perdia em noite de inverno;
Ossos doíam, cabeça perturbada...há minutos tudo parecia fazer sentido;
Sentado agora não se contabilizava prejuízo, não se contavam minutos que eram horas que já se passavam...não merecia isso;
Olhos parados a divagar...diversão rapidamente se acaba, sofrimento é o que resta além do pouco de algum nada que já lhe pertencia, para lhe consolar...
Sofrimento é adaga sorrateira, punhalada traseira e impiedosa que faça sangrar;
Céu de brigadeiro, fez voltar tão metade aquele que sentia-se confiante, sentia-se de alguma maneira inteiro...
Saudades daquilo que há pouco existia, lamentações uma vez mais ao fitar o teto em uma casa vazia;
Olhos parados, corpo surrado, por exageros de nefasto prazer castigado...
Olhos em movimento, não cessa a respiração, mas pára tudo o que seja pensamento;
Futuro agora, uma vez mais feito de velhas promessas, presente é novamente dissabor servido por aquele que lhe detesta;
Um dia há de existir algum explicação, um dia desses quem sabe, algo em tudo isso faça algum sentido...
Se acaso não fizer, também tanto faz...sigo adiante, não obstante crer já ter sido ludibriado o bastante;
Finjo, uma vez mais não ter nada com isso.







Dito, pelo "Dito". (O livro, jamais escrito)






Como bom brasileiro  sou, pouco afeito às coisas por demais eruditas que tanto qualificam, embora sagaz por natureza...
Não recuso filosofia, coisas aprendidas como aprendi, coisa coloquial dita de forma lúdica, simples explanação...coisas pelos verdadeiros sábios dita, ainda que em ausência de plena clareza!
Maldita mente minha, não recordava que quando em aparente boa.ilusão me achava, aos poucos me perdia...excremento, até o que restava e com duas estacas, sem fazer fogo eu batia!
Sagacidade que haveria se entrepor ao ímpeto irracional, haveria também de evitar que algo viesse a lhe surpreender pela retaguarda...
Preserva intacta, tua integridade retal;
Inimigo fidagal da iniquidade, se não procura por problemas, não busca pelo primeiro pedaço de pau!
Afinal...em dias atuais, tudo é ligado às redes do bem que vem com sirenes acesas para o teu mal...
Nada escapa ao olhar das lentes, tão oculto, tão fatal;
Força extraordinária, danos extraordinários...evite feridas fazendo o que digo, refutando meu meu exemplo em atos passados...
Plástico ou papel onde se escreva, não é dinheiro...se não tem, não compra;
Se suportei o peso do mundo em minhas costas e agora me alivio em um pouco de embriaguez sem me perder, meu caro...não há de ser assunto seu, não há de ser da tua conta!
Histórias de golpes que derrubam, golpes que me causaram feridas...
Golpes, dos quais me arrependo, mas conto em contos gloriosos de meu passado de desventuras, para que alguém além de mim possa se abster de consequências, das infundadas intrigas!
Espero que algo de bom de nossa breve conversa tenha registrado, que nada tenha sido à toa...pois, reitero que para a inteligência que nada aprende, para se fazer um animal só há de lhe faltar a folha...
Histórias de um homem simples, que em sua simplicidade, sabia que vida era coisa perigosa, porém mais perigoso haveria de ser vida desperdiçada à toa;
Homem de "famia" rapaz, homem de respeito...meus vícios e virtudes não ofendiam a alheia moral, ou transgrediam as leis daquilo que pelo homem foi estabelecido, mas por Deus foi Dito...digo e feito!
Longe da perfeição é o lugar onde mais se possa ensinar acerca do que seja ser quase perfeito...afinal, quem jamais se molhou com a chuva, não discursa com propriedade sobre aquilo que sequer conheça direto!
Feixes, cardumes de peixes filhos bastardos, sigam sem me notar...minha origem desconhecem, saibam que somente verão coisas sobre a "vorta" que o mundo dá!
Isso, e muito mais...dito, pelo Dito, agora em algum registro que lembranças tragicomédia de sabedoria de vida advinda da roça, nos traz...
Somente sei que seu nome, eternizado em "memoriais", em descanso perene e pacífico, como há de se cansar e descansar em seu "cantinho quieto" o guerreiro combalido, jaz na memória...
Está distante do rol de fama da escrita, registros escritos por suas mãos, não contam sua história;
Restam pessoas, entretanto...e o que há de ser melhor que várias pessoas testemunhas de tua gloriosa errante trajetória?
Coisas simples, na.simplicidade que deveria ser a ótica mais plausível para o que se chame por subsistir, para superação, lição que ensina o destino de forma tão empírica!
O que há de ser melhor que memórias de livros vivos, que tão rápido passaram pelas páginas corridas de nossas vidas?
Dito...por ti, agora se faz registro...
Livro de vida agora livre da carne, livro de páginas assaz interessantes, porém jamais escrito!
De tua passagem, algum eterno registro, que se faça remeter quando aludido, que faça restrições taxativas, objeção pontual como outrora, aos iludidos!



HOJE É AQUI SUA MORADA..ATÉ UM DIA, MEU QUERIDO INSPIRADOR...VELHO CAMARADA!



* Dedicado à memória de Benedito Aparecido Gonçalves, meu avô...fonte de inspiração!

É o que tudo indica...







Tudo indica que o teto cai, solidez se liquefaz e alianças possuem frágeis alicerces em solo de areia movediça;
Tudo indica...que tudo que vai não retorna, tudo que se veja é prejuízo na reforma...tudo se vê, mas mente se distrai com mentiras e facilmente se conforma;
Tudo indica que ignorância perpetua o poder, democracia repressora é paradoxo proposital que faça o boçal se entreter...
Tudo indica, que o líquido e certo era ledo engano, mera ilusão de que a frágil embarcação à deriva sem um mapa ou sem um plano...há tempos, estava a se perder;
Tudo indica que uma idéia se apaga quando um cigarro se acende, quando uma nota se atira disfarçadamente...
Indica, que privação de liberdade do flagelo que se cria, é forma de justiça cega e imparcial...ninguém se importa ou se arrepende;
Nada adiante, retrocesso com cara de miragem daqueles que creiam caminhar para frente, braços dados que pouco se entendem...
Línguas diversas, identidades perdidas que sequer no espelho a própria face, ou eco da própria fala sem sentido compreendem;
Tudo indica que mediocracia com fascismo flerta, tudo indica que prevalece a astúcia de quem articula, a fala eloquente da pérfida mente que um rebanho facilmente arrebatado lidera;
O osso não se entrega, porém o osso roído pelo gado transportado, diariamente humilhado, para seu ofício...será conduzido;
Em fevereiro tem carnaval...dignidade se torna pretérito, vocábulo que se desconheça quando tudo pareça ser normal;
Fogo de palha, caras sofridas, desde o berço pintadas...
Nariz de palhaço de joelhos no concreto, asfalto...gratidão por perecer e crença cega que seja por merecer, em meio ao suor e sangue de um canavial;
Mãos que não se encontram, mas se elevam aos céus comandadas pela fala em ato de resignação por tudo que não haja...
Tudo indica que assim permaneça, tudo se esqueça e sentado em uma poltrona de miséria, ao sorrir se espere confiante por milagres, sem que nada se faça.