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quarta-feira

Ilhas, miragens e milhas.



Sossega meus olhos, suave forma de brisa que sopra somente em pedaço de paraíso insular...
Seja mero devaneio ao imaginar, mas seja lar...seja "Vila" de "Remédios", seja "Abrolhos"...
Seja abrigo... definitivo descanso, ou abrir de olhos!
Distância segura do inimigo, canto de sereia encantadora que me tira da paz da areia, em miragem eu afogo!
Arquipélago solitário, arquipélagos de ilusão...façam de mim ilha que ninguém se procura, mas bela se perca...
Faz-me componente, distante das costas ou do olhar de cobiça, inveja de humana visão;
Faça me sombra de companhia, sombra de boa solidão;
Paraíso particular, partícula envolta por águas plácidas...distante da costa, distinto colírio para humana visão;
Rios, córregos de lágrimas salgadas que escorrem...liquefacao!
Moléculas componentes de corpo, corpo que perpassa desapercebido dentre os normais na multidão...
Longe das.manchetes dos jornais, jornais que forram e protegem do frio, forma DE vida esquecida no chão...
Frio que vem dos olhos, frio que sopra impiedoso longe da límpida areia que não vejo, frio que solidifica coração;
Na Ilha eu creio, embora distante de onde alcançam as mãos...
Não se cansam as pernas movidas por sonhos tão verdadeiros que tragam sentido à vida, sentido distinto fe sentar-se consumindo a propria fe em fumaça de ilusão;
Sossega meus olhos, miragem tão minha...particular partícula insular, onde Sol há de raiar somente para aquecer um satisfeito ermitão...
Cura ferida daquele que em ti acredita, sem jamais, no entanto, cegar os olhos para dispor de um segundo para alheia aflição;
Inóspita hospedeira, esperança abstrata, hospitaleira;
Distante de tudo agora, sossega meus olhos, sacia minha sede com sal...ilha, paraíso tão meu, reencontro com eu, livra-me de humana indiferença, livra-me de meu próprio mal;
Descansa,  mistura-se comigo em mistura homogênea...quando for chegada a hora de nosso encontro;
Sufoca o monstro em teu subserviente mar...
Seja suave, seja por um dia ou uma eternidade, seja verdade...
Seja visão de perfeição que distrai e desperta o humano, renova o sangue do profano, seja engano ao dissimular;
Seja assim, suave delírio para mim...diante de meus olhos, para meu descanso em teu regaço, para ninar em teu embalo, como berço acolhedor se disponha;
Seja quiçá, minha derradeira estadia, seja noite...seja dia, seja talvez Fernando de Noronha!
Seja assim, seja Açores...contudo, seja somente para mim, algo além do alcance da visão incapaz de enxergar meio ou fim, seja algo além de "Porto" que se diga "Seguro"...
Aos teus encantos me rendo, morada eterna aqui...vida começa e se encerra, eu juro.



segunda-feira

Anúncios no céu.



Pirotecnia, chumbo...cinza, é cor que predomina e anuncia iminência de apocalipse no céu, desenhos tão prenúncio de vindoura tempestade;
Calmaria, calamidade...gotas que não serão alimento, mas castigam a relva sem um pingo que seja de piedade;
Caminhando contra o vento, sentindo sobre os ombros estranho pesar de melancolia...sentir que chuva agora é tormenta, levando em fúria coisas que com ela trazia;
Pirotecnia, luz repentia que muito assusta, por segundos de um lampejo que seja, ilumina;
Nos mares balançam embarcações, em terra...joelhos se dobram, rezas, aflições!
Misericórdia por miseráveis que caminham trôpegos sobre pernas cansadas, miseráveis subprodutos sujeitos ao frio da calçada;
No céu, Sol não saiu para reinar, para um desejo de boa sorte...abrem-se cortinas do cinza, cavaleiros implacáveis cortejando a própria morte;
No chão tudo se espera, tudo se abala, tudo treme...
Fagulha que se faça, esperança não acende , mas apaga planos com incêndio...fogo que fira, oxigênio sopra feroz no vento, comburente!
A fé faz caminhar, faz indagações indesejáveis sobre verdades inquestionáveis...inabaláveis, quando suavidade, toda forma de paz se faça prevalente;
É chegada a hora, relva castigada, terra de faz avalanche...dos morros desce, desliza levando vida que desapercebida, vai-se com ela embora;
Chuva é o que se esperava...tempestade era o que não se previa...
Coisas como verdades previsíveis que se rejeita, desce em forma de retribuição...castigo que em terra não se aceita, não se adivinha;
Intempéries, perturbação, muito se acredita saber sobre misteriosas pancadas impiedosas, implacáveis...quiçá do além advindas;
Anúncios no céu...tormenta, torrencial sem deixar espaço no asfalto, para desenhos esperançosos de Sol que se espera como alento, Sol que seja salvação;
Anúncios assim não serão sempre vistos, imprevistos tão previsíveis fazendo do humano cinismo troça...
Faz lembrar, que carne perecível e mortal, ainda seja a sua condição;
Rezem agora aos céus, retumbantes sons trazendo na pele calafrios, frio na espinha ao cegar os olhos com repentino clarão...
Feche os olhos em atitude que denota temor, feche os olhos procurando abrigar-se agora na escuridão;
Aceita o açoite, aceita o chumbo do céu, aceita agora raio sobre sua cabeça, sob seus pés...incertezas, aceita trovão!
Dobrem-se joelhos, joelhos de arrogância somente sujeitos à tormenta...
Lembrando ao auto-proclamado onisciente, que deuses ainda não caminham sobre este pecaminoso chão!





Flores de meu jardim.

 



Angústia das flores, jardim dos horrores...
No céu cintilavam estrelas, mas era em terra aquilo que se sentia sem fazer sentido...lacerantes dores;
Sonhos queimavam, paixões passageiras enganavam confundindo-se com verdadeiros amores;
Estarrecido, estático ao fitar com olhos distantes, o desgosto naquela noite...onde estrelas brilhavam no céu, lua parecia vestir um negro véu e naquele jardim, vida perdia as cores; 
O pio da coruja fazendo arrepiar, o espectro daquilo que se fazia projeção proposital desenhando-se em forma abstrata de saudade, a torturar...
Olhos opacos, olhos incógnita a ocultar segredos e medos, como se escondia naquela noite de inverno, o triste luar;
Daquela imagem somente delírios...divagando, mente enlouquecida em mais um trago a lhe procurar;
Suave brisa, tão leve que nada levava e chegava a pesar...ar rarefeito, arfando dentro do peito por nós que insistiam em dolorosamente desatar;
Desatino, nenhum mensageiro do vento que viesse em ato de desagravo, por neste vento te levar;
Angústia das flores, jardim outrora colorido por rosas perfumadas com tua essência...
Somente eu e um céu de estrelas, somente um pio solitário, um olhar soturno...um uivo distante, réquiem noturno, parecendo consentir com esta lamúria por tua ausência;
Silêncio impera, vazio em meu âmago a me consumir em forma de saudades feito voraz, ávida fera;
Sentado sem sono, estrelas a cintilar...jardim a agonizar e eu, feito um cão sem dono esperando por ela...
Aquela que partiu, incauta talvez...sem avisar ou saber, que partia metade de mim e consigo levava meio coração que sentado espera em esperança de regresso, no próximo alvorecer;
Angústia das flores...lágrimas que secaram, ninho de lembranças e dissabores...
Leva-me com o vento, faça o tempo voltar desobedecendo a  toda lógica que não obedece este sentimento;
Faça-me, liquefaça-me, desfaça-me...ou traga-me de volta a brisa mensageira que passe, ainda que breve, ligeira...
Dando-me alguma certeza de que não seja somente eu em delírios, com um espinho de rosa encravado no peito e nas mãos...sangrando e enlouquecendo.








quinta-feira

Poesias e academias.

Enfrento dor com esforço, ferro com a certeza de vitória que traga o fulgor, fusão por fogo ...
Sou elemento, de ferro me.alimento...se pesa é porque pedi, se pesa é porque desafio se desenha, desdenha de minha força quando às voltas com meu jogo me vejo...
Sou elemento, de ferro me alimento...ferro que me fere , me faz crescer, sofrer...ferro em séries insanas, cargas impossíveis se faz desejo;
Síncope, perda de sentidos que faça sentido, aos poucos...loucos por moléculas se agitando, sangue correndo...
Músculos, contração...simetria, crescimento!
Puxa, empurra...força, animal liberto cala a razão, espírito focado cala por minutos de tensão, tesão...hora de dedicação de meu exíguo tempo, em meu sagrado, profano templo;
Fábrica de perfeição, fábrica daquilo que sentidos desejam, olhos perseguem, distraem a visão...
Visão superficial do pseudo intelectual, sentenciando à morte nosso estilo de vida, nosso esporte e religião...
Coisas sublimes, coisas que o ébrio na boemia jamais haveria e entender...
Coisas sobre suor e sangue, coisa sobre ser homem ou mulher à toda prova...coisa sobre superação e nosso tão prazeroso sofrer, por assim escolher!
No espelho me vejo aquilo que no futuro desejo...
No mesmo espelho odeio reflexo onde ainda me vejo rato...
Sonho de muitos é ser quem somos, prazer...nosso sonho há de ser ainda mais sublime, pois sonhos teus para nós é fato!
Leão caminha nas ruas, solto em selva de pedras...leão rumo à academia;
Dor se cura com uma dose a mais de dor...
Dor é remédio para a ferida...da alma, de sua mente sofrida que segredos oculta, dores do corpo que nada que não seja mais peso, alivia;
Habitat natural do guerreiro que subsiste ante à toda sorte de adversidade, onde os fracos não têm vez, onde vida extasia!
Bem vindo ao nosso mundo...aqui, realidade deve prevalecer para que seja real tua fantasia!






Morros de paixão.



Se era brincadeira, se esqueceram de me avisar...olhos cativantes, perfume inebriante...
Pobre menina em sua inocência, essência de dama que em minha noite, aparecia para me assombrar;
Figura com pouca lisura, menina dos meus olhos, mel que se degusta com gosto de virginais flores no paladar!
Figura distinta...ternura, encantos de menina moça em seu jeito displicente de caminhar...caminhando sobre pedras, caminha sobre águas, sereia do meu mar;
Resplandecente em meu luar, nos morros onde vidas se perdem...naquela noite fria, fizeste fogo em aura nupcial, primeira vez...
Aventura de marinheiro de primeira viagem sem medo de se afogar!
Se apaixonar, tua silhueta agora é saudade...tua ausência eterna marca tatuada em minha pele, em minha alma, há de ficar;
Se era brincadeira, destino que lhe trouxe e de mim te levou...deveria ter me avisado, me prevenido...ou simplesmente, ter me ensinado a brincar;
Para que não restasse agora sozinho, sem teu sorriso...
Sem tua mão, espectro de saudades em carícias, a me consolar;
Me amou por um dia, ilusão de eternidade, longe dos meus olhos partiu, foi-se embora...
Lábios em esboço de sorriso, movimento involuntário...olhar marejado de saudade e alegria que deixara, sem querer chora;
Monte de ilusão, amontoado de gente que aqui vive...distinta figura de olhar inconfundível, encontrei na multidão...
Foi-se embora sem se despedir, foi-se parecendo que viera somente para me iludir, ferir sem querer um inocente coração;
Te fiz mulher sem saber, dei-lhe algo que jamais sonhara ter...
Entregaste teu tesouro, deixaste nada além de baú vazio...no peito, um coração sem sentido, em cacos a bater;
Musa do morro, por alguns dias onde coisas anacrônicas ocorram, vivi na intensidade do pirilampo que agora sem luz...
É nada além de vagalume vagabundo, que cessou sua procura, quase que cedendo à loucura...sem se preocupar em nada por iluminar de novo;
Pouco a pouco...perde vida, pede ar pra respirar, se perde em espaços exíguos deste emaranhado de gente...
Mais um vadio sem propósito, olhares divagando em mudo pedido por socorro!
Sinto que pouco a pouco, há pouca vida que seja areia cruel pingando nesta ampulheta de incertezas...no morro, eu morro aos poucos;
Deixo agora um pouco de mim, aquela rosa que lhe dei, confesso que roubei...
Deixo aquela marca na areia de amor que não se apaga, deixo a impressão de nossa aliança eterna, na areia onde te amei;
Afogo minhas mágoas neste mar...desça às profundidades onde deve estar, ascenda minha alma à lua...onde agora, deve morar!




Faces pálidas, voz passiva.



Há voz de perigo, há voz que não fala, se cala no momento indevido...
Há silêncio para ser dividido, silêncio...paira no ar lúgubre atmosfera que pesa sobre um, sobre mais...
Sobretudo, sobre vidas que se esquecem quando sem querer no silêncio, vão ficando pra trás...
Tecendo teses, tecendo teias...refém de própria armadilha, vocifera sobre razão em emoção que afirma sentir, sem entretanto, sentir sangue correndo nas veias;
Verdades sobre si, verdades ditas com os olhos, consentidas com todo senso de auto piedade...verdades sobre si que se pareçam afirmativas de um ébrio, ansiando por sobriedade...
Refutando qualidades, enaltecendo defeitos...exercícios de perfeição, arestas a serem aparadas;
Não se transforma, embora renovem-se as células...nada ocorre enquanto você não corre, não anda, simplesmente pára!
Não és aquilo que exultava de teu passado, contudo também não se assemelha com presente...és um dedo em mãos que guiaram teu destino, por ti fizeram escolhas infelizmente...
És agora, subproduto, subtotal...nada por somar, muito por subtrair para que se encontre a metade de si, perdida por aí, sua metade tão assimétrica, tão saudosa...tão ideal;
Procurar nos demais o que perdeu...
Procurar pela oportunidade que passou, pelos perigos que não experimentou, pelas coisas que não se conforma...mas, quase resignado esteja, ciente de que não viveu;
Procurar num olhar vívido de mundo um mundo moribundo, da opacidade que dentro de si, sufocou a criança...fagulha de vida que se apagou, morreu;
Aflição que não se veja no semblante, porém seja notório o reflexo nos olhos, de coisa que perturba o coração,
Rouba a alma sem tocar sua essência, lhe devolve paz que não deseja...sorrateira ação desapercebida do vil ladrão;
Viver assim é complicado, sobreviver a tudo isso sem nada dizer, há de soar ainda mais condescendente, estúpido, mesquinho...
Recusa a mão que lhe afaga, aceita a mão adaga...a mão que lhe fira, em detrimento daquela que sem ter, ainda lhe ofereça algo parecido com carinho;
Há silêncios que é vivido sozinho, silêncio não dividido...além de compreensão de empatia que nos deixa às voltas com questões, solitários no caminho...
Estrada de miragens agradáveis no oásis de ilusões onde me perdi sozinho, calado...distante dos outros, distante do meu lado;
Estar cheio da vida, quando realidade deveria ser estar cheio de vida...
Vidas conformadas, vidas passivas, vozes ativas...almas aflitas!

 

quarta-feira

Há gente, agentes...

Há gente que soma, gente apaixonante que de ti não sai...
Há gente que se vai, deixa saudades quando sai...
Há gente que subtrai, some deixando lamentações de quem fica para trás...
Gente que leva o que você não tenha, gente que torna leve o fardo que traz!
Há gente, soma e sai....
Há gente que não se satisfaz, sempre querendo um pouco mais...
Cuidado, há gente por aí...gente por demais!
Cuidado com o que divide, cuidado com aquilo que cativa, cultiva, agride...
Mau costume se apossa, espaço com amor no peito disputado, em vil pretensão divide!
Há gente, agentes que por ti determinam, mãos...que vidas levam, mãos que vidas acolhem, vidas exterminam;
Mãos mal acostumadas, mãos que ocultam intenção com desagradável surpresa que pela retaguarda, por vezes surpreende...
Mãos, cheias de intenções ocultas, em punhos cerrados de guerra ou escondendo ternura...para trás!
Há pessoas passando, pessoas presente que poderiam muito bem ser somente passado...
Pessoas a indicar rumos certos, para futuros em ruínas, pessoas previsão de algo errado;
Há gente por aí, pessoas que passam, pessoas de colorações diversas...pessoas que se digam normais...
Cuidado, reitero...há pessoas que se parecem muito mais com animais!





No memory for tomorrow...



Trading this left for some rights, rights leave me at least, some choices;
Reflections of my past gone, lingers beside me those disturbing voices;
Falling asleep again, odds against myself, making hell out of my piece of heaven...
Chasing my tail, making my way with steps that lead me back once more...predictable destiny, old Seven Eleven;
From high noon, to cold moon...smoking my patience, turning myself into ashes;
Reality's a disturbed point of view, hard to see through the lenses of these blindness glasses;
Unholy wars inside of me, nothing left to give, nothing to expect, nowhere left to lead...
Roses in my garden are dead, thorns in my hands remind me I'm alive...but, that's just when I hurt myself and bleed;
Razor blade, cigarette lit...another drink, no reason to lose, no need to seek for a warmer place to live...
Falling from that same old cliff, place where I use to flirt with death, but clothes of self -pity no longer fit;
It's cold inside...inside out, falling again just to feel something, even if this something might be pain, maybe it's just floor...
Perhaps, another door, another light to guide...another shadow to deceive;
Trading this fate for dead roses, as life seem to leave me no other sound, but silence...no other feeling, but  sorrow;
No air left for me to breathe, as I surrender make sure to make some room for this prey...
Prayers, down on my knees...begging for new seeds I could borrow;
Keep it up, keep it down...down on your luck, 'till you turn yourself to dust and there's finally some time to rest, no sun to shine for me as far as closed eyes I'll keep for a day beyond tomorrow;
Get loose, then...let that luggage full of nothing inside go for once...things I won't miss, promisses I won't keep when everything turns to nothing...
Lose yourself to lie in the dust for eternity, just a decent end and a fine cover for certain someone who decided to be no more than something;
Dreaming the best of my dreams about things for so long, gone...dreaming, living worst of my reality somewhere, I struggle all alone!





terça-feira

Suor sagrado, profano...censurado!


Falta decoro, falta decência que não faz falta, falta fogo...
Falta pudor, não falta fulgor...não falta fumaça onde haja expressão maior em comunhão de corpos, chama que se chame por amor....
Sou animal, sou nesta hora exposição despudorada de toda libido...
Homem, mulher, metáfora, me chame por qualquer apelo, apelido!
Perversão compartilhando espaço com razão, que cede...
Com este segredo sem palavras consente...permissão que não seja real para ato que se chame por pecado, tão natural assim, fornicação...a natureza, desde o berço nos concede!
Gestual, carnal, lascívia que se sacia somente quando raios de Sol inconvenientes, atormentam, não aumentam o fogo que se sucede...
Um se consumindo em desejos, dois fazendo realidade em toques sutis, estopim outrora segredo...
Descoberta de amor, descoberta de algum prazer,  alguma dor....
Coisas que a dois ou mais, pouco se preocupe, simplesmente se deixe levar a se permita sentir sem medo...
Ascenda ao céu, dispa-se de teu véu...afoga-me em teu mal...
Mata-me...porquanto perdura esta noite, antes que seja por demasiado cedo!
Descoberta da Vênus que seja ti, do escravo que seja eu...descobertas sobre plurais que se façam coisa única....
Festa, em céus e terras que so movam, lençóis que em urros se removam...coisas das quais nos libertamos nesta condição de humanos, deixamos pra lá o medo...
Cientes, displicentes...inconsequentes em ardor, sórdido fulgor resplandescente, indecente!




Passeios, de veraneio.




Copo meio cheio...metade incômoda que faltava, plenitude...algo mais que fazia falta;
Na mente, um plano...cansado com aquilo que seja viver nos conformes...
Cansado de percorrer o mesmo caminho, rumo ao estúpido ofício, chamava-me a atenção, saltava aos olhos mistérios que pedissem por ser desvendados, segredos daquele cofre!
A dois...ou menos passos do paraíso, perder tempo assim dentre os demais com um plano perfeito...
Sonhos impossíveis com iate, mulheres e casa de veraneio...subsistir tão desperdício, para não se pensar em algo por ser feito a este respeito!
Mentor que premedita, tão intelectual...mentor de plano infalível, salto para a utopia...
Ao senhor mentor, caberia mais que o quinto do ouro, que a um quinteto com explosivos...quinteto de facínoras tão disposto, cabia!
Pneus furados, sem plano alternativo premeditado...improviso, ligação grampeada...ultraje! Pelas costas assim, apunhalado!
Sem tempo para descobrir segredos, sequer aqueles que ocultassem o final de um arco íris, sem tempo para nada...salve-se quem puder, tem alemão de tocaia!
Sonho interrompido pelo silêncio da proximidade de maldita barcaça...
Sonhos com minha cara metade, minha musa tão idealizada...
Agora, tudo o que resta de minha própria, pronta para pegar o "táxi " da vergonha, só resta meia cara amassada!
Dois passos do paraíso...poucas milhas a percorrer rumo ao presídio...
Com algum tempo agora, após alguma massagem recebida por musas brutas e fardadas...
Às voltas com minhas questões me perdia, vendia minha liberdade à preço barato, embora liberdade tão chata e vigiada;
Estava tão certo e seguro naquele dia, sobre fazer o errado...tínhamos o plano na mão, tínhamos o golpe perfeito para um milhão, sonhada casa de veraneio...
De certa forma não errei, meio realizado, espaço meio apertado neste temporário carro-cativeiro;
Conseguimos...prata nos pulsos e um breve, inesquecível passeio...
Quem disse que falhamos em nosso plano por completo, quem disse que ao menos, parcialmente não deu certo?
Quem disse, que não conseguimos um bom passeio, de veraneio?
Errar, meu caro...por vezes se parece com acertar em cheio!





TCHAMMMMMM!!!!! rsrsrsrsrsr
 

Aqui, não é brincadeira!



Aqui...não é brincadeira, mas contigo se brinca...
Sangue jovem, sangue velho se consome, com sangue se sacia a velha volúpia vampírica;
Lugar onde muito se fala, pouco se pensa...lugar onde pensamento ousado se parece com pecado, um minuto de reflexão se parece com síndrome de ausência, leniêcia!
Deveras, país de vagabundos assim não pode, ultraje seria parar por algo nobre que fosse...embora, durasse apenas um segundo...
Um ato será apenas um ato, um ato precedido de alguma ponderação, tem poder de mudar rumos, mudar o curso, mudar tudo!
Mas, aqui não é brincadeira! Pensa é besteira...estigmatizado ser andante e pensante, ignóbil e desprezível por ser assim distinto dos medíocres, ser vagabundo!
Pessoas normais, pessoas animais e suas peçonhas...
Oculta face de benevolência dos iguais, que não se preocupam em ocultar suas vergonhas;
Queriam que eu fosse certo, me ensinaram desde tenra idade o jeitinho à brasileira...
Em contrassenso estranho, se esqueceram de me avisar que aqui se brinca, mas ao mesmo tempo...aqui, não é brincadeira!
Hasteia com mãos trêmulas nossa bandeira, ordem para alguém que mal nos queira...
Progresso, embora signifique atroz retrocesso a quem não siga pelo curso que segue alienada a massa...abaixo, na ladeira!
Massa marcada, massa obediente, desde cedo preventivamente vacinada...massa, que gosta de se entreter, mas não sabe com o quê brincar...
Massa guiada por mãos diversas que se divertem, dizendo que aqui...com tu se brinca, mas aqui, não é brincadeira!
Eu? Nada disse...desconsidere, tudo ou nada disso há de ser altamente questionável, pois polêmica também é uma de nossas proeminentes características, coisa desta gente faceira...
Lembre-se que pode em feriados descansar, saiba a hora certa de "gozar"...lembrando sempre que aqui, se trabalha, muito ajuda quem pensa, se afasta e não atrapalha...
Pois, aqui, não é brincadeira...válida será a verdade do mais amável e influente canalha!
O velho e superficial pensamento, premissa prevalente é o que prevalece...nada aqui de ti há de se lembrar, senão quando morte e a hipocrisia, de tu não se esquece. 


segunda-feira

Só um pouquinho de atenção...




Pessoas, podem me invadir, façam veredas em minhas entranhas, esqueçam sobre dias ou noites de palavras mordazes, coisas estranhas...
Invadam, como já fizeram um dia...penetrando no âmago, vá, sem medo de ferir, invadir;
Vão...para sempre, memórias de dias conflitantes, memórias de dias que falamos línguas distintas, dias de coisas ditas por entre os dentes...
Vá...dia, sou eu, clamando novamente por um minuto de atenção, querendo aquela mesma velha migalha já por outro solicitada de seu roído, amanhecido pão;
Uma mão, um braço já pedido por outro pobre rapaz, um ser assim bipolar polivalente...ser petulante, mostrando ao que veio, tentando provar a si mesmo sobre o que seja capaz!
Abro portas, arregaço as mangas e coisas mais para tudo aquilo que por meio de mim, seja transcrito, escrito, expressão para impressionar em passagem tão fugaz;
Façam avalanche, faço que não me importo...de alegria transbordo, mas displicente por assim ser...somente pareço com nada me importar;
Vá...dia, sou eu, pedindo para que tudo que perece e no passado permanece porque merece, não persista em regressar...
Entretanto, peço tanto, quase em súplicas...genuflexão, encontro de mãos, reza boa para que tu, bom amigo ou amiga com cara de boa novidade, em minha vida ingressem e sejam sempre verdade...
Sejam bem vindos, para sempre e talvez um dia a mais que seja, ficar;
Fixa, tatua em minha pele tua impressão...de longe talvez me observas, sou animal ferido, mas não sou bicho...
Fixo, como bandeira que hasteia, faço vez em quando meu nome tremular em vosso coração;
Um cara carente, cara sem rumo, pouco abastado de recursos que não seja alguma empatia, sentimentos...como o cara carente de outrora;
Cara de poucos sorrisos, cara que se esconde, pouco aparece, pois acredita que a idéia seja o que prevalece quando a carne perece...um cara que oculta o rosto sem lentes escuras, quando chora;
Vá...dia, sou eu, pedindo que fique definitivamente para trás, dizeres sem prévia ponderação, ímpetos incontidos, do ego a exacerbação...nada dizem, soam como da estupidez, melhor forma de expressão...
E palavras estúpidas, assim como soaram, sempre serão!
Bem-vindos, façam de mim ponte para alguma válida travessia, façam de mim parco iluminar de luz que a algum lugar seguro guia;
Façam, pois já me faço por demais cansado por tanto assim fazer, incessante pensar que não me deixa descansar, inspiração que me perturba por além de somente um dia...
Façam por mim hoje, estejam comigo no presente...para que juntos, possamos ser história agradável por ser contada no futuro...nossa redenção, um minuto de vossa atenção...ainda que tardia!









Lá fora, faz tempo bom.

Aqui dentro, calor por demais, ar viciado, raro...sufoca e não satisafaz;
Lá fora tempo bom, frio acolhedor que me remete ao lar que não conheci...certamente, me faz esquecer sobre o chão errado onde nasci...
Frio...que acolhe, muitos se recolhem, caminhar consigo mesmo na solidão por vezes é bom...
Frio daquele tipo que descolore a miscelânea de cores em meu olhar, fazendo do cinza que corteja e se confunde com o gélido azul, se fazendo prevalente tom;
Lá fora faz tempo bom, bons ventos sopram e se parecem com cura para todos os males, caminhando ao léu, cabelos e corpo tocados pela brisa tão fria, sozinho ao relento;
Penso por um momento, se por acaso seria melancolia meu elixir, santo remédio que me faça regressar nos trilhos da nostalgia, viagem por espirais que me façam perder no tempo...
Perda de tempo, entretanto, será passar deixar o presente tal qual papel em branco, somente se lamentando...
Futuro não é a questão, momento se faz agora, e agora lá fora faz tempo bom!
Bom para se lembrar, bom para se esquecer...bom para em nada pensar, desafiar ou se apaixonar pelo frio, sentir pêlos arrepiar, se abrigar, desaparecer;
Nuvem que se desfaz, tudo que seja molécula a se esvanecer, desatando nós, solidifica no frio um coração...se liquefazendo, tudo aquilo que lá dentro, se parecia com ilusão;
Lá fora faz tempo bom, não quero calor incômodo de inferno...mas, servirá todo frio eterno de inverno;
À frieza, há tempos já me faço afeito...lá fora, tempo bom, tempo para curar feridas, esquecer da vida...
Tempo bom para desatar nós, fazer novamente singular...eu, na primeira da conjugação e somente tempo, clima bom para ser somente sujeito inexistente, ruim para rima...a curar minha própria ferida;
Fui, não sei se regresso...procure por mim em lugares onde tudo se perca, pergunte sobre mim, voando por aí sem asas, quiçá aos pássaros...
Olhos cor de gelo, olhos perdidos que se encontram quando faz tempo bom assim, olhares a divagar, devaneios;
Me sinto agora mais meio, me sinto mais inteiro...me sinto melhor que lá dentro, onde nada sequer sentia, naquele calor que algo além de minha paciência derretia...que não fosse pena, por seu eu mesmo!
Sou homem, lobo de mim mesmo...amo o toque gelado da neve, que o frio me conduza, me seduza, faça tudo que seja pesado leve...
Simplesmente, que o frio, para longe daqui...me leve!





Carta aos nobres.




Menino sonhador, sonhava em sua choupana, fazendo verso, prosa...fazendo troça de tudo, irreverente ser, anti-herói em sua palhoça;
Palhaço, escravo por demais para sequer sonhar em aguardar por mudanças de estação, estado de inanição em sua alma ávida por alimento que fosse inspiração...
Menino, pobre demais para aguardar como boa visita, para que fosse bem visto ao sentar-se junto aos demais em casas grandes, na ante-sala;
Impúbere escriba, poeta talvez....esboço de bom projeto de nada, conformado com o tudo que fosse a infeliz condição de sua senzala;
Passista, jamais será mestre-sala...desfilava destilando palavras, ora venenos mortais, ora com suavidade ácida que emudecia do altivo, a fala;
Menino sonhador, em sua choupana, em seu céu de teto de estrelas...em sua casa de taipa;
Esquecido pela patota somente por soar verdadeiro...verdades às vezes, são dolorosas para o orgulho da hipocrisia, como há de doer no rosto o estalo sonoro de um tapa!
Menino, em sua intenção de falar sobre coisas que jamais havia contemplado, mas fazia transcrição verossímil até mesmo acerca de coisas que jamais houvera sentido...
Parecia, entretanto, sempre soar sentido...mar, cabia em suas mãos talvez, não sabia dimensionar ao certo, precisar com acurácia aquilo que somente por uma tela de ilusões, tenha visto
Do céu enxergava somente o azul, pois cinza por demais já era seu próprio existir...ao final de um horizonte que esconde incertezas, somente interessava o tesouro de um arco-íris colorido!
Não fosse ouro o tal tesouro, mas fosse um velho pergaminho...escrita valiosa que lhe fizesse digno, quiçá...de figurar, dentre o rol dos supostos, autoproclamados escolhidos;
Na garrafa que trazia o mar...no papel, papiro...um novo suspiro, novo sussuro do destino nos ouvidos do pobre menino...
Dizia coisas sobre boa previsão de destino, dizia que certas coisas não pertencem a quem delas se apodera, mas sim a quem por mérito incompreensível, as dividades tivessem escolhido;
No berço do pobre, no berço do rico...da condição não se fazia distinção, via-se somente aquilo que pulsava por trás de ossos, por trás de olhos que se digam espelhos enganosos de um coração...
Da senzala jamais saiu, mas viveu seu dia de mestre-sala...passista, permanece agora como memória, se foi para sempre o menino...
Pois, a foice recolhe em tempo incerto, não sabido...o audaz tão pobre que incomoda, a voz que fala e todos parecem contar os minutos que selam seu destino;
Resta agora como indelével mancha incômoda na história, se havia vazio e sempre há por ser preenchido...por qual motivo, haveria a suposta sapiência da nobreza, de se incomodar?
Quando certeza já se faz acerca de grandeza reservada, bem como a cadeira com seu nome guardada...seu devido, indivisível lugar!
Quando sobrevivência e ar rarefeito...tempo escasso é o que resta ao pobre miserável para agradar aos sentidos, soar diariamente diferente...sem se repetir, ser molambo, mas ser sobretudo, perfeito!





domingo

Máscaras e Sedução.



Não sei ao certo, se minha máscara, oculta minha intenção;
Minha máscara é quase face, minha face de ti se esconde...minha máscara deixa livre olhares que buscam somente seu coração;
Minha máscara, tua sedução...em tua ausência estive me drogando, introjetando no rubro vital das veias delírio de tua onírica aparição;
Não me lembro bem daquele baile, daquelas fantasias...lembro-me somente daquela noite, overdose de delírios, de tua lascívia em beijos misteriosos que me consumiam;
Mistério, como mistério há de ser por sua natureza a própria paixão...
De súbito arrebata, judia, maltrata...chama que consome, ponto de ebulição...
Evapora, sublima, condensa, chuva de prazer, pura sedução!
Máscara, quase face...face, que na mira de teus olhares de cigana...
Perturbadora visão de malícia dissimulada que ao coração diz verdades, enquanto à mente engana;
Máscara, de ti me esconde...tudo neste lugar agora vazio, tudo que resplandece nesta triste esfera fria que pouco ilumina, à embriaguez de nossas memórias corresponde;
Me diga aonde vai...sem necessariamente me dizer por onde;
Minha visão, alça de mira que te persegue, essência que emana de virginal forma de flor que meu faro reconhece e persegue...
Não sei, ainda decerto...se tudo isto soa estupidamente errado, tampouco me preocupo se paixão assim arrebatadora, há de soar como algo certo;
Ser humano, ser engano...deixar-se trair propositalmente pelo olhar, deixar-se com coisas simples que façam apelo aos sentidos, inebriar...
Ser humano, vestindo máscaras e faces que libertem sonhos, sonhos que não restrinjam...
Mas, tornam possível a um plebeu como eu, com uma musa nada impassível assim...com o toque de mãos e lábios se apaixonar;
Sua presença ainda é mistério, sua essência me diz sem palavras onde deve estar;
Se ali estarei, não sei...somente lhe digo que eis aqui um mascarado, vil escravo, mendigo...
Pensando se consigo, pensando se contigo novamente, sob este teto de estrelas, longe dos olhos de todos...uma vez mais com teu olhar de mensagens telegrafadas que seduz...
Nos meus, tudo se traduzindo na tranquilidade de um lugar, para se perder e se encontrar...quiçá, me perder e para sempre, se esta for a condição de teu jogo proposto, para por uma eternidade...
Poder te amar!



Viver para ver, lembrar...para se esquecer!





Na poeira impiedosa que há de cobrir memórias, perdi algo em mim mesmo;
Procurando pelo que não precisava, juventudes procurando boas aventuras, histórias a esmo;
Pede agora esmola, faz daquilo que ainda deveria ser, infeliz lembrança que se traduz em olhar perdido, envelhecido, embebido em próprio pranto, chora...
Perdendo um pouco mais de pouca fé, perdendo talvez um pouco de si mesmo;
Na poeira, vento assopra, leva o que não deveria levar embora...saudades, aos poucos dentro de ti desenha retrato no peito daquilo que era parte de ti, partiu algo para ser lembrança que doa, voz ausente que ecoa...
Espectro de presença intocável, há tempos foi-se embora;
Se a procura por algo não satisfaz, se há vida que sejam amores para se viver, coisas que passaram deveriam ser somente boas recordações que ficassem no passado, para trás;
Coisas que a busca não encontra, pessoas que o pranto arrependido, de volta não traz;
Coisas que são para ser vividas enquanto há vida, ciente de que amanhã serão coisas perdidas no espaço infinito do jamais;
Adeus sem voz, partiu...levando pedaço, deixando partes, refazer os cacos...agora tanto faz!
Se fosse para durar, talvez vida também fosse para ser eterna, talvez não tivesse de ver diante de olhos inconformados...
Flores de um jardim que cultivei, virando saudades ao partirem sem dizer que iriam me deixar;
Foi bom amar, melhor ainda será seguir,  ser capaz de se esquecer sem deixar de se lembrar...
Foi bom amar, foi bom viver;
Ver que ainda há caminhos desconhecidos para se descobrir, saber que em buscas por passados vividos, não há mais tempo por se perder...
Permaneces eternamente jovem em meu plano perfeito da imaginação, permaneço envelhecendo, cinza...mas, ainda com algum sorriso sem graça...
Buscando justificar o pulsar de um coração, porquanto o ceifeiro de mim se esquece a por aqui, não passa.


sexta-feira

DESTINO DESATINO...



Voz embarga no peito, chorar sozinho em companhia assim não adianta...
Ausência de alma não me perturba a calma, ausência de lágrimas, traduzindo-se em sorriso sem graça que a ninguém encanta...
Marcas, passado de segredos que confesso ao concreto, ao gesso...testemunhas de que sou humano e sozinho padeço...
Pedaços de mim por aí deixados em ruas esquecidas, memórias de ternura...
Histórias de romances que me chamavam em manhã de sol, pra serem vividas...
Olhos marejados, afogando-se desapercebidos por trás de lentes escurecidas...
Mesma sensação fazendo sentido, mesma solidão fazendo par em dança de tristezas comigo...
Mesmo olhar no espelho, apenas linhas a mais que contam sobre aventuras que me fizeram mais maduro, envelhecido...
Mesma dor de vazio que remete à toda ausência de imaginário amor em meu peito, batendo apertado, deixado deitado...
Cabisbaixo, em meu canto emudecido, esquecido...
Talvez por flertar desde cedo com melancolia, talvez tristeza sempre fora na solidão, minha mais agradável e dolorosa companhia...
Se era isso que merecia não estou certo, somente sei que parece ser o que eu queria...
Perece, sofre no peito em coração com frieza de inverno eterno, que dor não sara, ferida não cura...
Sem compaixão, sem saber sobre paixão, vazio que não se preenche assim, nesta eterna falta de algo, carência por ternura...
Coração no peito de um jovem homem, estarrecido com tempo que passa...
Dor que em meu âmago se aninhou, tempo implacavel que por mim passou...
Faz morada em cada pedaço de futuro repetição de passado, morada em cada pedaço desta vazia casa...
Do nada que de mim, de nós restou...
Repartição, evidências que há de negar um coração dividido em sua amargura...
Porém,  parece não apagar as lembranças, me prender entre paredes nos passado, me fazendo permanecer vivo em retrato, de criança quase inocente e pura!




Seu lugar...e onde deve estar.


Quando pouco ou nada se saiba sobre sobrevivência;
Quando voz indignada de mente perturbada, peça por expressão da voz de inconsequência;
Arrefeça os ânimos, peça a si mesmo por um minuto ao menos...abstenha-se calado, paciência....
Exercita ouvidos, cerra boca irracional que prolifera palavras ácidas, ferindo sem alvo certo...fazendo pesar consciência;
Quando se desconhece detalhes...como há de se fazer afirmativas, acerca dos pormenores com veemência ?
Por menores que sejam os assuntos, por maiores que sejam os egos conflitantes neste exíguo espaço de mundo...
Pare tudo, pára por um segundo...pois, voz imperativa de sabedoria lhe convida a parar;
Se alheio a tudo está, vive em cima do muro...à margem de tudo, ao menos, saiba onde se posicionar;
A razão é de quem com ela esteja, sequer sobre razão ou motivações, o próprio fato em si desconheça;
Razão permanece com quem por ela não peça, vida de seguir seu rumo não impeça...
Razão temporária de quem melhor saiba mentir, razão que se prega, pregando peça;
Razão não é chapéu que se compre com papel de número mais alto, se conquista em verborragia aos brados, simplesmente para se ostentar na cabeça...em bravatas de franzir a testa!
Racional loucura do plebeu incauto, irracional razão que há de disputar, se apoderar o poderoso déspota;
Se não vale a pena se lembrar, se esqueça....
Se não vale a pena a luz que se acenda, se for prenúncio para incêndio iminente que a todos queima...
Não principie argumentação, simplesmente siga questionando, ponderando tua própria emoção e sabiamente, emudeça; 
Razão riscando fósforos em lugares perigosos, razão arriscando a cabeça simplesmente, para que alguém com voz de ignorância eloquente, enlouqueça!





A voz da vez!



É a voz da vez, aquele que fará, dirá...sapiência encarnada, por realizar tudo aquilo que jamais você fez;
Vejo, no entanto, vidraça se abalar, cortinas que ocultam tua face...concordando com tuas pernas ao estremecer...
Escuto vento soprar, assobio que lhe faça facilmente se abalar, ressabiado ao emudecer;
Será mesmo vitrine, será somente vitrô, no alto de um arranha-céu, com pretensão de tocar...ascendeu ao céu...
Bom esboço de poesia moderna, boa verborragia que remeta a tudo que fora original...vintage, retrô;
Trilhando teu caminho, andando sozinho, se arriscando à margem da linha...quando emoção, está na caminhada sobre os trilhos de um metrô;
Fora da linha, fora da pauta...
Não se incomode em ser a voz da vez, quando um algo mais em teu semblante de insegurança, traga a certeza sobre um algo a menos que tanto lhe faça falta;
O seguro, em passos errantes caminha, titubeia longe dos olhos alheios, levanta e segue...de próprio infortúnio exulta...
Se exalta o pretenso, sem eira nem beira, à margem de si mesmo...sem fazer a travessia...
Como disse Fernando, em "Pessoa" um dia, poeta na poeira estarrecido fica tenso em seu mundo de fantasia;
Exala perfume de tudo o que seja artificial...
Não cheira à transmutação feita por fogo...cheira a plástico, um bom quase, um quase...que, quase faz sentido ou soa verdadeiro para que seja real, longe do "ideal";
Balança no alto do edifício, voz da vez...subsistir assim deve ser difícil, porém lidamos com escolhas e esta, parece ter sido a sina resultante da escolha que fez;
Se não soar bonita sua poesia, tente outra vez...se tua vida se parece assim tão vazia, pinte o sete com lápis de distintas cores;
Versa! Sobre a mesma coisa já dita, de forma distinta, em vil pretensão de soar preciso em tua transcrição de suposta emoção...
Sobre sentir, consentir com outras vidas, outras dores;
Universo, ora frente, ora verso...nem sempre um verso, vida que não seja a própria, sob ótica de lente magnífica que dimensiona teu ego...modifica;
Solidifica, estática vidraça sem vida agora permanece, em sua condição se recolhe...no passado de alguém, não fica;
Entretenha-se com teu caso, teu caos não é assunto meu...será talvez cinzas em meu cigarro;
Teu verso mais lindo, tua verborragia nonsense traz sempre um sorriso de bom escárnio;
Vá viver deveras no mundo das letras, onde tua certeza não se incomoda em soar sempre como questão dialética...
Que neste encontre talvez, suposta voz da vez...forma de vida muito preciosa para si especialmente, planeta inóspito recheado de espelhos...prezado poeta!