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quinta-feira

A origem.



Acordei, que horas eram não sei... como se coisas sobre o tempo não me importasse...
Acordei ávido por vida, por viver sem compromisso... antes, que os raios de ignorância que ofuscam, para um dia comum me cegassem;
Banalidades aos brados, som irritante das mesmas desgraças... deja vu em volume perturbador no rádio;
Ser urbano, mas ser humano...homem da natureza, coração e olhos anseiam por um dia de paz, longe de tristeza...longe de enganos!
Longe da perfeição, porém mais perto do céu azul cintilante...perto dos olhos, dos sonhos, longe do alcance das mãos...
Longe da multidão, sou gado, marcado... com dias para sobreviver e preço de meu existir estipulado...
Precificado, fugir para não subsistir somente à margem de si, renunciar ao passo que lhe conduz à agradável ilusão que tua alma queria....
Viver refém do acaso, mas liberto de pessoas... viver sendo pleno, sem um plano específico...
Viver, ao menos por um dia para sentir- se componente tão pequeno e importante de um todo... paradoxo, para o tempo, embora por um dia!
Viver, embora não possa para todo um sempre ir embora, regresso às origens daquilo que lhe fez ser chamado por gente um dia!




quarta-feira

Nos muros da cidade...



Em um muro de lamentações, vi poesias em forma de pichação, eu juro...
Vi repressão ao poeta de rua, vi fascista fardado...vi futuro!
Encarcerado! Voz do liberto em contrassenso com sonhos de democracia propagados, amordaçado!
Vi mais cadeia gerando votos, vi menos escola perpetuando ignorância e fiéis seguidores, do afável tirano,  devotos!
Vi tudo isso ao vivo, me recuso porém,  ao rever lastimável repetição deste passado, em previsões de tenebroso futuro...sequer em fotos...
Braços de facínoras e déspotas armado...cidadão simples com medo, direito de ir e vir questionado, cerceado...
Mãos na cabeça, mãos contra o muro...morte que se venda, notas sujas de sangue venda os olhos da lei e gera uns trocados, pecados atrozes no escuro...
Braços do inocente, suave transgressor altruísta, da rua anônimo artista...
Audaz em sua inteligência, braços inofensivos...poeta, saltimbanco desarmado, pelo imundo sorridente, algemados...
Vi, monumentos suntuosos edificados, vi abusos e heresia que proferia a palavra sagrada modificada, vi...honrarias aos tarados!
Vi todo mundo estarrecido, olhares inertes, alienados e conformados...
Vi, com desgosto o humano pelo robótica ser trocado, até mesmo do sertão nada se ouve, pois até mesmo por lá...
A velha viola, deve estar em cacos!





segunda-feira

Sobretudo, amar.



Amar, talvez não seja esperar sempre surpresa agradável do afável desconhecido, diariamente como quem esteja ávido por jazidas de ouro...
Talvez, seja saber lidar com falhas, talvez também seja humano e a culpa seja do destino por estragar de seus sonhos, a perfeição do teu plano.
Amar é consentimento de dois, se for amor singular... não passa de vil pretensão, ledo engano;
Lamentação de um, tormento de dois... submissão por livre escolha, aprazível e paradoxal forma de prisão;
Amor perfeito, platônico... amor ilusão;
Amor que não passe de compassivo olhar, que saiba receber e nada tenha a ofertar...
Amor, seja como for... que seja bom e salutar este exercício diário de amar...
Eu sou meu... você é sua, amor há de ser coisa nossa, algo para ser sim, tesouro particular... distinto da empatia, da arte de ao próximo somente aceitar;
De outra maneira, amor não há de durar.



sexta-feira

Seguro, em minhas mãos...




Minha mente, para mim não se cansa de mentir... 
Doce, agradável ilusão... realidade temporária que nos fez por caminhos distintos seguir;
Raios de sol, teu sorriso ainda ali permanece fazendo meu dia brilhar... 
Anoitece, véu escuro uma vez mais sobre nós desce... contudo, desta vez, de mim não conseguem separar; 
Brincadeiras à luz do dia, róseo crepúsculo de nostalgia em meu peito a apertar;
Destino estranho, vida e seus desígnios desconhecidos com sua maneira abrupta de dissociar... apartar, temporariamente separar;
Maternidade perecendo em orfandade, contando dias em contagem regressiva para ver seu regresso em visita no céu.... 
Solta, vivendo como se saísse somente para sentir o sopro do vento como paliativo alento... solta ao relento, caminhando ao léu; 
Visão do paraíso,  em sonhos novamente juntos... não desperta mais a carne para deixar de viver a alegria disso; 
Viagem sem volta,  fim de minha viagem... fim da minha revolta... 
Projeção, espectro de saudade, onírica forma de proteção... Deus me concedeu sua vida de presente;
Jamais, solte novamente minha mão....








"Para sempre juntos, eternidade e nem um dia a mais"

Dedicado à história de Thaynara e Gabriel.
Começos que não admitem finais!

MARIA, MÃE DE NÓS.



Materialização de tua primeira aparição,  simples de coração...
Aos hereges como a mim, dos céus envolta em teu áureo véu,  desce em oração;
Revolta dos anjos, piedosa Maria...mãe imaculada e divina, me visita oculta por um véu...disfarce não oculta a alva luz e o rubor singulares de vossa face;
O pobre lhe reconhece, riqueza de ti se lembra quando o mundo imundo, dela se esquece;
Todo coração que lhe conhece, logo se aquece...o emudecido canta, tristeza se regozija em singela prece;
Doçura, eterna personificação etérea, paradoxo...àqueles que exortam vossos filhos à guerra, desce à terra...
Lágrimas do justo ou profano, palavras sabor de mel e braços acolhedores que desafiam princípios dos céus;
Não escolhe, acolhe ....não se omite, segue teus passos obscuros, escuridão esclarece e socorre!
Senhora de perpétuo socorro, sob uma ponte onde vida esquecida perece, no alto de um morro...
Anjos se enfurecem, porém a ti obedecem...não compreendem coisa de mãe, não sabem sobre compaixão por apenas cumprir missão, não sofrem ou envelhecem;
Filhos do criador que a carne desconhecem, eternos guardiões de justiça...altivos, sobre ser humano pouco sabem,  portanto  não pecam quando se esquecem...
Mostrai a luz...ao perdido, ferido, embora não escolhido conduz;
Tua luz guia, tua mão é alegria, mais que mero alento... tudo bondade transcende limites de compreensão e seduz;
Vinde em nosso auxilio, Maria auxiliadora...pois, pesada está a cruz...
Vinde em nosso socorro, em nome...e enquanto esperamos pelo retorno sabido,  porém incerto de vosso filho do ventre divino Jesus!
Demônios nos atormentam, carros nos conduzem à certeza do açoite, a fera paira livre em dias e em noites que perturbam humana calma...
Entre lágrimas de alegria e desespero, entrego lhe mais que mãos, entrego corpo e alma!







quarta-feira

Coisas por ai...




Você se esquece fácil das coisas,  contudo coisas que sejam pessoas jamais se esquecem de você...
Embora não pareça, aparências não mais enganam...embora permaneça amor incondicional que não faça por merecer;
Braços em tua carência, abraços fraternos de socorro...aconchegantes quando se fizeram conveniência;
Braços sempre abertos a lhe esperar, ainda que tarde a lhes notar...testando limites de humana paciência; 
As coisas por aí permanecem, de tua atenção porventura precisam...de tuas frias mãos esquecidas, de um afago também carecem;
Afinal, coisas são pessoas...e pessoas são muito além de coisas para teu alento, pedestal para teu sustento....
Coisas são para ti, reflexo quiçá daquilo que haja aí por dentro;
Coisas não se esquecem de ti, ainda lhe oferecem olhares mansos e piedosos...
Embora para isso, seja necessário esquecer a coisa que as machuque e lhe conceder algo mais que algum tempo;
Coisas que "coisam", façam ferir um coração daquele ou daquela que seja para ti abrigo,  fiel amigo...fuga segura quando exposto ao léu,  temeroso da escuridão do céu ao relento;
Coisas são simplesmente humanos que esquecem de si mesmos e sequer exigem de ti, ao lembrar se,  de algum agradecimento;
Esperam somente um gesto de mudança mudo...esperam somente que seja coração e não somente desespero, que pulse e perturbe sua paz por dentro...
Quem sabe mais adiante, quem sabe suas lágrimas não se lembrem ao menos de cair, quando coisa se deitar para sempre e seja somente saudade que lhe ensine a valorizar...
Embora seja necessário chorar a ausência da coisa que "coisava" por você a todo momento.





Paraísos à espera.




Guias dos desígnios desta luz que te conduz, qual a lógica que justifica o peso que pesa algo, que se possa chamar por sua cruz?
Fazer clarividência de toda obscuridade, caminha entre as feras pisando a serpente para alcançar a maçã que tanto lhe seduz...
Se tudo sempre foi questão de sobrevivência, pecado é discurso da eloquente fala de hipocrisia...da fala despida de interesses patentes que às massas, conduz;
No amor, na guerra...na dor, tudo vale e tudo há de valer;
Sobre a dor que no próximo doa, pouco se pergunta...porém, muito se cogita sobre as razões que faça doer; 
Falar sem saber, condenar sem conhecer;
Típica forma humana de desumano tirano, desesperado com pouco discernimento do qual se abra mão para abraçar a dúvida verossímil que se pareça plausível verdade...
Que justifique sua pouca utilidade, sua passividade...permissiva ou perniciosa arte de viver;
À superfície que seja trazido sem prévio pedido para primeiramente chorar, não sorrir...
Tudo que seja agradável e conveniente há de ser válido para não restar como arrependimento neste exíguo e fugaz espaço temporal chamado por existir;
Sorrir para não chorar, chorar para somente diante dos demais vergonha que deveria ocultar, fazer motivos para troça ao deixar sem querer, transparecer...
Transparência é o que se pede, mas transparência que seja conveniência;
Suportar vida que nada se parece com sonho sonhado no teu passado, coisas que desejasse em realidade, com olhos que não fossem de autopiedade, ver;
Paraíso ao alcance dos olhos e distante das mãos, paraíso que se evapora, se liquefaz e vai-se embora...
Vai-se, esvaindo...esvanecendo, sobre si mesmo esquecendo restando o olho que por si somente agora chora;
Paraíso prenúncio de inferno para tudo que seja proibido e nada se saiba,  simplesmente por ser humano e desejar sentir em intensidade algo que seja sublime...
Deixar para o demagogo a fala...poder da voz ao senhor da razão, de toda falácia abrir mão e cometer aquela aprazível transgressão, destino ou paredes testemunha de teu crime;
Deixar de ser medíocre ou somente resignar-se com dias contados, pingando lento como areia em ampulheta de desespero;
Pouco antes de testemunhar com desgosto, de teus próprios anseios o enterro;
Descer ou ascender na incerteza de espirais insanos, esquecer os planos;
Certa e incômoda esta quase certeza sobre o incerto, que virá após aparente hora marcada para morrer...
Certeza detestável de que lágrimas ainda sejam palavras que o coração ou a mente, jamais puderam dizer;
Amor que paradoxo que não nasceu, mas morreu...
Chance que não se deu...vida que se foi quando sobre seguir muito se soube e sobre si ainda nada se sabe e muito se esqueceu;
Oportunidade passou de passagem em trem passageiro, tudo virou poeira no tempo...mundo girou e não parou para embarque de quem não se encontrou, ou não se perdeu.






sexta-feira

Alta resolução!





Fazendo projeção, projetos de futuro em baixo nível, porém com alta resolução;
Conteúdo não importa, tempo para parar e pensar, ou sequer pensar sem parar...talvez seja muita pretensão;
No projeto do futuro passa o filme sobre como ser humano pouco importa, mas importante será ser um humano padrão...
Hologramas...realidade pouco virtuosa a confundir-se com o real, sonhos enlatados prontamente para consumo...tudo altamente impessoal;
Alta resolução...detalhes na tela real ou abstrata capturando mentes, desviando olhares, vendendo verdades...distraindo toda atenção;
Além daqui, no longínquo não tão distante...paradoxal, histórias para se contar às paredes sobre um passado que se faz presente vazio, exortação exacerbada de tudo o que seja banal;
Ainda hei de preferir o toque que não seja na eletrônica tela, ainda hei de preferir lápis, caneta hidrocor...tinta aquarela;
Hei de preferir histórias escritas por mãos ainda humanas escritas...
Preferir saber sobre um céu ou terra sonhados, perguntas que permaneçam sem respostas, coisas sobre amores pueris, devaneios tolos sobre coisas jamais vistas;
À toda forma de idiotização vendida com manuais de instrução intransigentes que conduzam, induza mentes caprichosamente adestradas, simplesmente;
Máquinas escrevam, digam algo do coração...façam história para no futuro se fazer emoção, digam algo sobre gente...
Quem sabe realmente estejamos ultrapassados, quem sabe sonhar ou questionar seja realmente coisa do passado...
Quem sabe, quem nada saiba realmente...seja o humano preocupado em ainda ser gente?!
Emoção desnecessária, empecilho para o progresso...enxugue sua lágrima, desfaça seu sorriso, disfarça dentre os demais tua cara...
Deixe livre o caminho para um temeroso futuro sobre o qual não compreenda o processo.
 




Carrossel insano.



Próximo de alguém, distante de mim...vida vivida em sonhos que se realizam no alheio jardim;
Grama mais verde,  sonhando em descansar meu cansaço em uma rede...sorte repousa adjacente, displicente fazendo troça de mim;
Fim de mais um dia, trazia somente sob os braços nada além de esperança sufocada, embebida e embriagada em desgosto do amargo trago que, para se esquecer consumia;
Vivendo à margem de mim, fazendo travessias que levam a lugar nenhum...vivendo com pena de si, cruzando mares bravios, com olhos marejados marcados pelo cansaço de mais um dia comum;
Carrossel insano, girando em torno do ego...preso em plena liberdade que conceda todo olhar cor de sangue, de quem há tempos se faça por ódio, completamente cego;
Carrossel insano...avanço é retrocesso travestido com requintes de crueldades de um infeliz destino, ledo engano;
Batendo asas imaginárias resistindo sobre pernas em um chão de onde não se ascenda;
O céu...amigo desconhecido, sobre mim somente chove e faz sentir o vazio deste cinza que completa e faz plenitude de meu vazio, abrir de olhos do qual se arrependa;
Chão duro, em uma condução buscando seu indesejado lugar...ciente de que seja somente mais um descartável número;
Chão de feras, sob o qual aquilo que é ignóbil forma de vida faz morada eterna...em nota curta que não se nota em um jornal esquecido, se encerra;
Próximo de alguém, distante de mim...se sonhar é suficiente para ser feliz, creio então que haja algo errado ou demasiadamente certo...
Quando somente sinto, que frustração e ódio me façam forte para subsistir e suportar, deste carrossel insano jamais sair...
Ciente, de que asas imaginárias, jamais me farão ver o sonhado céu de perto;
Somente lamente por esta estranha forma de sorte, apenas afirmo que golpes contínuos, intermitentes...a cada dia me fazem um pouco mais desumano, frio...porém, estranhamente  mais forte!






quarta-feira

Renascer.

Desamarre as amarras, desfaça maquiagem...desnuda tua cara;
Desarma tuas armas, "desama" quem lhe odeia...sufoque com silêncio a alheia e incômoda fala;
Perca-se, sem pensar no calor de um beijo...siga adiante, toque o abstrato de meus olhos tão distante, somente para dizer que é real aquilo que não vejo;
Encontre-se ou  faça alguém contigo perder a direção, viva intensamente a emoção...
Vida...sem morte Severina que lhe roube todo direito de iludir-se com boa ilusão, vida que seja nobre esquecida missão...salvar um  sofrido coração;
Viver por assim querer, tornar sobrevivência irrelevante opção...
Viver um dia ao menos para si, para o sim que urge em teu âmago por tornar-se realidade, somente por  sentir algo que seja plena satisfação; 
Sem dar satisfação...negligenciar a razão e abrir-se para o sensorial, sentir a inédita ou repetida, intensa emoção;
Ceder, conceder compaixão a quem lhe negara sem piedade no passado, uma mão...
Mundo é teu palco e oportunidades neste circo repetitivo ou itinerante de insanidades, renasce a cada dia, ao pisar o mesmo chão;
Sol no céu, olhos de criança em tua renovada visão...luz que não ofusca, luz que agora persegue contigo teus sonhos e lhe mostra direção;
Viver sem medo de errar...permanecer inerte enquanto tudo gira ou sofra mutação há tempos, já não se faz mais salutar opção;
O show é somente teu, ainda que alguém lhe roube uma boa cena...
Lembra-te que, inata de uma estrela nascida para brilhar, será sempre a condição!
Desfaça a carranca intransitiva, intransigente deste semblante...
Um tapa no rosto de toda voz que se apossa de suposta razão, vida se renova com células que renascem e lhe concedem nova chance.




segunda-feira

Era o plano.



O plano nascido dos sonhos...idéias tomando forma pedindo espaço para nascer;
Plano, que podia ser bom apesar de soar estranho...plano que sempre será dúvida até que se faça acontecer;
Viver ao sabor do acaso, remando contra correntes ou em favor de todo vento...viver sem saber por quê, livre ao léu, solto ao relento;
Sem compromissos assumidos, sem necessidade de afirmações ou datas em futuros tão incertos...prazos para que sejam cumpridos;
Saborear com desgosto o descaso alheio, porquanto tente trazer à tona teu sonho disforme, para que seja plano...plano a ser colorido, concluído;
Pode ser que dê certo em um mundo de incertezas, pode ser somente prenúncio de naufrágio em um mar imenso de perigos e belezas...
Pode ser alegria, porém estranho será viver sem sonho, ainda que jamais seja concreto...será decerto resignar-se com tristeza;
Era um plano, entretanto, estranho...plano a conduzir por caminhos tortuosos, parecendo não levar a lugar algum;
Plano, cego e inconsciente, segue sem alternância de rotas, sem novas propostas...sem pensar em amor singular, embora amar se restrinja ao amor que se resume somente a um;
Ao menos é um plano..,ainda que não compreenda, ainda que para novas oportunidades cegue os olhos e não aprenda...
É um plano que se assemelha com engano, pela vida escolhido...quando tu, não dispõe de nenhum outro caminho que não seja o mesmo, por ser sempre repetido;
Se valeu a pena...só se saberá se no crepúsculo de um existir, valeu a pena viver teu plano que era sonho...
Ou, ao menos ter sonhado algo diverso da realidade que não se tenha escolhido. 


 

sexta-feira

Contrassenso.





Contrassenso há de ser contrariar os fatos, ignorar os atos, fazer vistas grossas ao tempo...
Contrassenso é tentar encontrar-se sem jamais perder-se, é versar sobre chuva privando pele de sentir coisas que só sejam sentidas ou façam sentido, expostas ao vento;
Andar ao relento, ao sabor do acaso...dissabor por descaso, andar calçado ou descalço rumo aonde se ganhe ou perca algum tempo;
Contrassenso de conduta...descontrole de si, com vil intento de controlar o alheio pensamento;
Lançar-se ao mar temendo as intempéries do tempo, escrever o manifesto longe dos olhos de quem anseia por uma idéia que não seja mero passatempo;
Enaltecer, tal qual ao tolo as belezas de uma rosa, desconhecendo os perigos do espinho...
Caminhar camuflado onde não haja perigo, caminhar com medo de se molhar ou de andar sozinho;
Flertar com a morte, mas comprometer-se com vida...machucar-se com propósito que não seja outro, senão sentir a dor e saber sobre cicatriz que sejam marcas indeléveis da ferida;
Contrassenso...agressão verbal, linguajar vulgar de quem se espera verborragia distinta;
Argumento falta, paciência sob teste...balaço que falha em ferir e converte-se em festim, queimando egos e línguas;
O sábio tido por tolo, observa...o astuto, na exacerbação que confere toda altivez da pseudo sapiência...
Falha por desídia...teme iminente represália, envergonha-se ao pedir escondendo o semblante, por clemência;
Contrassenso não será falhar em percalços quase que premeditados, gozando da paz que se encontre na fuga que anseia por loucura e alheia ausência...
Contudo, será toda perfídia que revele o fétido odor da própria e oculta essência;
Contrassenso...a voz da indecência clamando aos brados por razão, quando razão por si somente se aloja no discurso e no caráter de quem a tenha, ou mereça por excelência;
Os pecados foram escritos na pedra e transcritos para o papel, logo...dos pecados tens ciência;
Contrassenso será pouco para definir o que seja abrigar-se sob um braço amigo que um dia lhe serviu...
E logo após, voltar-se contra este em ato de desatino, esquecendo-se que um dia, alguém por ti não  dormiu.





Um prêmio, por nós.





Um prêmio por você...prêmio, que seja vil metal que devolva paz à inocência em desesperança;
Um prêmio, por você...seja ouro, seja prata, seja pedra de raro valor, jóia rara que devolva sorriso a uma velha criança;
Jóias sem valor e sem alma que sejam papel, jóias que sejam metais precioso ou pedras assim, tal qual a ti, tão raras...
Jóia que seja presenteada a nós pelo destino para livrar do sofrimento um velho menino...coisa quase cara;
Jóia, que se assemelha ao inestimável valor de tua vida para mim;
Jóia que seja suor do sagrado inimitável que pulsa e nos põe prontos para a luta, jóia cor de carmim;
Vinde a nós, não somente a mim...todo tesouro que meus olhos jamais viram além de um arco-íris de enganos, há de estar guardado também para ti;
Espero por um prêmio, que não sejam promessas falsas, que não seja a premissa do afável algoz que faça sofrer, ao aceitar humana alma como por concessão de garantias...empenho;
Se fora injusto em algum momento em longínquo espaço de tempo, somente das virtudes que contigo aprendi...agora, como homem quase formado, me lembro;
Se são lágrimas que esconde por trás destas lentes escuras que ocultam teus olhos sofridos, serão dos meus por ti derramadas ao consentir com tua dor...
Estimado semeador, ser singular para que fosse muito mais herói que bandido, ser...mais que amigo;
Coisas que por mim não faço, coisas que não sei se sozinho...após sucessivos fracassos e vozes incômodas do destino a repetir que não consigo:
Quem sabe do amanhã, quem saberá das dores que ostentas em teus passos, tais quais aos meus errantes...ao enveredar por tortuosos e obscuros caminhos?
Quem diz amar aceita braços e se deixa carregar...quem sabe sobre amor não faz juras e sob a primeira tempestade, desabriga e faz caminhar sozinho;
Reitero...palavras de um pretenso, fracassado escritor, dedicadas a um certo alguém que chamo por amável homem velho...
Para mim um pouco espelho, pouco de bom e mau exemplo daquilo que sou e jamais nego;
Um prêmio, uma jóia por sua vida sem preço ainda espero...embora, possa parecer estúpida esta imagem de alguém que por ti agora, sorri e chora;
Embora, sobre coisas de teu gratificante existir, somente me esquecerei quando sob a terra emudecer e o destino me fizer para sempre cego.