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terça-feira

Que assim seja.

Sob a mesma ou sob diversa tenda, sobre rede que balance em doce embalo, sobre coisas que não se compreenda;
Na rua expostos, dispostos...embora desanimados ou ansiosos, soltos ao léu...
Uma vela na terra ou no céu que seja boa oração por nossa alma, para nós se acenda;
Que toda escuridão seja precursora para aprendizado quando à tona regresse para ver a luz...que seja leve, que tanto para causar perene dano, não pese tua cruz;
Que toda mente aflita não se desespere, para todo desespero haja um minuto...um lampejo para que pare, lampejo para cessar o errante caminhar, ou para que prossiga;
Que haja tempo, que este não seja tão breve e fugaz como o vento...que haja paz suficiente para que ao final de um dia, quando no horizonte descansa a esfera, a mente repouse e reflita; 
Que toda maldade caia por terra e venha a sucumbir ante à bondade que resista, que fagulha que se acenda seja para iluminar e jamais para queimar, por mais que a gente insista;
Que de toda estrela da qual o brilho se repare...um olhar opaco e soturno reacenda;
Que lágrimas de dor em mares de alegria se convertam...que a criança que dentro de cada um de nós habita, não amadureça e sobre sua capacidade de sorrir se esqueça, desaprenda;
Que tudo aquilo que seja humano e se chame por gente não cegue os olhos ou siga por caminhos obscuros...o ritual de conjuração, coisas que não devem ser ensinadas para que não se aprenda...
Que não por não viver somente a gente se arrependa, que tudo o que for carne e espírito seja único para ser especial...não tenha preço comercial e não se venda;
Que não haja mais aquilo que fira por motivo desconhecido, que não se entenda...que não haja mais contenda;
Que cesse todo conflito, que a desgraça onde mora o nada...habite, faça sua eterna morada...
Que a dor seja somente lição pela vida que continua, assimilada;
Que tudo o que pouco valha, seja ineficaz...
Irrelevante para causar dano ao ponto, de ser chamado por quase nada.




O limite era céu.

Saudades, de quando "droga" era somente um propulsor para no abstrato se perder, para o concreto transpor;
Saudades de quando tudo tinha hora marcada, de quando até mesmo desgraça respeitava a hora para sua chegada...saudades daquilo que criava, mas não matava;
A lágrima derramada vinha da alegria ou era expressão de dor do coração de quem fosse capaz de sentir e chorava, saudades da sinceridade que não mentia quando dizia que amava;
Saudades do frio agradável e aconchegante, com gosto de chocolate dos antigos invernos...saudades de climas que respeitavam estações...
Saudades de quando viver não se assemelhava a subsistir, perecendo na indiferença e frieza que se sinta neste inferno;
Limite era apenas curiosidade, pintada de azul, que cintilava no céu...
Limite era o cinza prenúncio de chuva, ambição era doce que não tinha preço que não fosse o risco de um beijo roubado, ou perigo com gosto de mel;
Saudades até mesmo de quando não se sabia sobre o que debaixo do véu se escondia...se era linda donzela, ou se era morte;
Saudades sobre coisas de adivinhação, sobre toda forma de superstição...saudades de quando acertos de previsões de futuro ou coisas do tempo, denotava simplesmente boa sorte;
Limite era céu, nós éramos simplesmente sinergia, que de nós se fazia,  sem sofrimento por involuntária privação em laços de vaidade...
Sem amor gosto de fel, que fosse falsa ilusão de liberdade!
O limite era apenas céu...não havia dos joelhos da hipocrisia, tanto dobrar na escuridão, em um ranger de dentes, suplicando por piedade.



domingo

Nós...o mito.






Pouco de pesadelo...misto de muito sonho, no qual imerso me encontro e agora vivo, me recuso a acordar;
Misto de pesadelo e inferno, passado infeliz subsistindo no subconsciente...
Pretérito imperfeito e preterido, do qual me recuso a recordar;
Se é que sentia, lágrimas ou sorrisos deveriam ser sinceros...
Jamais facas de dois gumes ou incógnitas em faces incógnitas a desfilar;
Paraíso é doce miragem no presente, amanhã seria incerto o suficiente e tolerante com toda sorte de ato inconsequente;
Coisas que nos façam por aí caminhar, coisas...que nos façam em nossos próprios passos se perder, não querendo mais se encontrar;
Pouco de pesadelo...paz em sono profundo, mente sem relutância ainda luta...corpo repousa e pode sem medo respirar:
Paz da qual já não me recordava, presente aprazível que recebo após tormenta e tubarões que esperassem pelo meu naufragar;
Entre tubarões não consinto com mais riscos, em covil de víboras não quero mais minha pele arriscar;
Veneno que de longe se lança...veneno tão próximo, peçonhas espécie de seringa a inocular...
Para fazer enlouquecer, mente se perder, vida por ímpeto existencial de ser humano, se arrepender;
Mentes enlouquecem, corpos feridos que caminham sob chuva de água e risos não se esquecem...
Corpos ostentando marcas, alma sem desejo por perdão de quem não preste;
Restaram retratos, sob escombros de nossa frágil morada...alguns queimados, outros despedaçados;
Restaram inteiros, simplesmente para mostrar que sequer como saudades, mas como mágoa que no peito faça doer...nossa memória é digna do ostracismo, ostenta méritos para se esquecer;
Restou alguém, restaram alguns...olhos que não mais se reconheçam, vidas que se separam rumando para a incerteza do amanhã de lugar nenhum;
Resta aquilo que uma vez mais é do chão, feito cacos ou valioso frasco sem o devido valor recolhido, resta aquele que segue agora sem medo de ser por um mundo maior acolhido...
Que pena...destino ingrato, ao qual dedico estranha forma de gratidão, simplesmente pelo fato de agora separados, um dia ter achado que havia lhe conhecido;
Esperança cheirando a cadáver putrefato...esperança para nós com gosto de velho pão amanhecido;
Estranha forma de vida...se realmente houve por ti escolha, creia que resta um quase arrependimento por tê-la escolhido.





sábado

Flores, por nossas memórias.




Flores feitas para enfeitar, servindo de adorno...alento para esta saudade que não lhe traz ao te buscar;
Flores feitas para colorir onde o vazio que se sinta, em paisagem de tristezas onde nada mais seja pleno para restar como esperança de que um dia regresse para ser inteiro...
Flores belas assim propositalmente feitas, flores inodoras...perfeita combinação para este lugar de onde se sinta somente das lembranças o cheiro;
Perdida agora entre memórias distantes, agora confusas...tal qual coisas que não mais façam sentido, coisas que não convirjam e sejam por demais difusas;
Olho marejado sem querem, sobre esta flor que de água não necessita, uma lágrima derrama quando chora...
Saudade no peito aperta, saudade faz rastejar quem sobre dois pés se firma, se afirma...saudades, por ti implora;
Flores azuis ou verdes, flores sem vida...
Flores que façam remeter àquele olhar que aqui procuro em lamúrias, na incômoda certeza de que não mais cintilam vívidos, nada mais são além de espectro que em minha doce e onírica ilusão, habitam;
Flor envolta com fita, tal qual presente celebrando esperança de vida onde nada mais se espera...
Flores onde tudo seja pretérito que devora minha alma, perturba minha calma nesta certeza de ausência que faça tudo que foi história de felicidade, sucumbir sob terra:
Sinal de respeito, chapéu retorna à cabeça...óculos ocultam semblante soturno;
Hora de encerrar minha busca, pois o vespertino há indica no céu onde se veja em ardor o majestoso poente, onde devo simplesmente encerrar minha insana busca...dar as costas e seguir em frente;
Um sinal de cruz, um sinal de respeito;
Habita onde um dia hei também de habitar, está onde somente meus sonhos ou saudades possam alcançar...
Jamais, é o tempo onde algo possa apagar linhas por nós escritas de meu peito;
Versos sem ti nada serão, mas versos façam jus a nós e façam perpetuar aquilo que a vida insista em matar;
Versos faço agora em delírios, meu estranho sorriso e tristes olhos a divagar....
Olhando para aquela porta, sem me lembrar da flor sem vida que lhe presenteei naquele dia...sem me importar, sobre a incerta hora de quem sabe, ainda que em um desatino completo lhe ver retornar.





sexta-feira

Rosas e ovelhas negras.

Afirma...mas, nada disso se confirma em olhares que traiam toda forma de afirmação;
Aceita o espinho, ferindo o orgulho da flor...preterida será a rosa de seu jardim, por este espinho que fira tua mão;
Boca profere aquilo que fere em tempo previsto, boca que não se cala...
Sentimento que diz saber sobre amar à distância, sentimento com jeito de ressentimento pelo perdão omitido, que nada valha...no fio da navalha, agora padece verdadeira arrogância;
Um dia desses, em recente passado que a mente faz adoecer e não passa...
Houve uma flor esperando por sua atenção, houve real afeição, cega até mesmo para tua conduta de previsível trapaça;
Afirma, mas teus olhos novamente lhe traem...velhos ouvidos, enlouquecidos por palavras desleais que da mente não saem;
Ouvidos já acostumados, resignados...adulto frio, torpor aliado e algoz...
Paradoxo, de um adulto destruído desde a tenra idade, simplesmente por contemplar consternado, seus sonhos queimados e celebração quando se calava sua voz;
Teve tua serventia, mas isso é passado, bem como toda sorte de trauma, como a ausência aparente agora de tua alma...pegue o que lhe resta, e parta como uma comportada vadia;
Um dia...há de entender, que todo prejuízo, que mesmo as rosas mais belas, em seu próprio jardim deverão padecer;
Inodoro, insípido...inócuo por demais para ser mordaz ou mortal...
Adulto, quiçá apenas parcial...segue teu caminho, aliviando o peso de tua cruz;
Sinta o ar que não respirava, por apenas ter de suportar subsistência enquanto fora útil...flertando com tua própria desgraça ao consumir aquele veneno tão letal;
Perdão, creio que o tempo seja o senhor de tudo, contudo...talvez tenham razão;
Sou monstro crescido, sou aquele que não se engana ou se reconquista com o velho discurso conhecido...
Sou monstro que não terão de conviver, porém sou monstro subproduto de vossa própria criação!
Lágrimas de nada valem, quando não seja verdadeiro algo que justifique...se há sentimento algum que resista, quando em vosso peito, não bata um coração;  
Logo, não insista, não olhe para trás...siga em oposta direção...
Servi enquanto tinha serventia, servi...
Restando nada além de cicatrizes de feridas em minha pele e aquela rosa morta, que agora, se assemelha ao vosso peculiar e estranho senso de compaixão;
Sob a chuva impiedosa o desespero e o sangue do primogênito caiu, sob a chuva este fugiu...
Chuva que com tristeza me fez uma vez mais deixar tudo para trás, chuva que caía e lhes trazia a incômoda e aprazível certeza, que a ovelha negra por um todo sempre desta vez, sumiu.



quinta-feira

Heranças e Aflições.


A chama que dantes brilhava, detrás dos olhos fazia refletir em toda íris esperança...era chama que por ilusão não se travestia, era chama boa aquecia e não feria, chama que não engana;
A chama brilhava, para além de horizontes onde olhos limitados não alcançavam me faziam convite...para um sarau de tranquilidade, me chamavam;
Coisas que iludem não deveriam chamar, mas tão simplesmente calar...
Todo apelo que não fosse real desejo, deveria aproveitar-se do ensejo de não desviar um caminho...não atrapalhar;
Se é incondicional, se é amor não se sabe...se é desamor, desapego, desilusão...
Somente após provar do fruto adocicado ou do veneno amaldiçoado, ciente estará da cota que lhe cabe;
Mundo que diz amar no anseio de alguém para simplesmente controlar, vidas que perdem o controle sem rumo...buscando algo, ainda que seja sangue novo para sugar;
Aquele fogo que no passado brilhou, por ti como oportunidade boa...tal qual a cauda de um cometa que levasse a um bom lugar onde o tempo não passasse, passou;
Aquele doce que um dia provou, ímpeto incontido de volúpia juvenil devorou...bebeu como vinho fino, a mais especial iguaria, como lavagem servida somente para saciar porcos, esgotou;
A chama agora que lhe aquece neste frio de inverno, queima sua pele, engana teus olhos...lhe faz perder os sentidos e soar sem sentido às voltas com distintos graus de inferno;
Não se sabe o que resta hoje, o que se serve...não se sabe se serve, não se sabe sobre a ebulição da água que aquece...
Coisas que não se esquece, ânimo que não arrefece;
No caos encontrei meu lugar e se parece com aprazível nonsense que se chame por lar...
Dentre os normais aprendi a me conformar, para o mesmo caminho pisado...ocultando em um ranger de dentes frustração, um lugar para sem questionar, simplesmente estar;
Bem vindo a esta utopia por qual fez sem querer, tão inconsequente opção...
Bem vindo ao seu novo mundo cinza e sem graça, sem inspiração quando não se escute mais dentro de um peito cansado, sequer as batidas de um despedaçado coração;
Engula teu orgulho com o cacos que lhe restam, saiba que pessoas são pessoas...e pessoas, geralmente não prestam...
Esqueça a esperança da chama, pois esta de ti se esqueceu...teu universo era quiçá tão somente seu ego, a gota d'água já pingou, alma já entregou e esqueceu-se de avisar ao corpo, que faleceu.



sexta-feira

Adeus.




Gostaria de não ir assim, desta forma embora...mas, sabe? Às vezes, é chegada a inesperada, porém sabida hora...
Gostaria de arrancar um sorriso a mais, dar algo de mim que não fosse lamúrias sobre novamente caminhar para trás...retrocessos insanos, não suporto mais;
Gostaria de ter algo a oferecer, contudo pouco me resta para meu parco jeito de subsistir...flertando com a loucura, buscando em desespero, vida no limiar...
Que me faça desejar o eterno adormecer;
Gostaria de merecer, fazer por onde...saber sobre o tesouro que o tal arco-íris esconde, gostaria de estar aqui e contraditório por natureza, queria estar muito longe;
Gostaria, queria...mas, querer é estranhamente confundido com toda forma de exacerbação humana do ego com poder;
Querer, simplesmente será por vezes desejar a serenidade do luar, sentindo na pele o castigo do açoite e do sal que com o sol, faz arder;
Cansado de lutar em favor de um mundo que em seu favor não luta, cansado de favorecer até mesmo com aquilo que não disponha, o "afável" filho de uma puta;
Um verdadeiro homem digno de ser chamado por rei fora no passado, coroado com a coroa dos tolos feita para ferir, coroa de espinhos...
Eu, somente um ignóbil bobo sou presenteado com a ausência quando mais necessito de presença...sou presenteado com o acaso somente como alento e fiel amigo em meu caminho;
Nascido manso, pela vida feito fera...fiz de minhas ilusões e desventuras, um pouco de realidade em deslizar de esferas ou bater nas mesmas velhas teclas;
Não hei de me importar, não mais...com o algoz e seus asseclas;
Não hei de querer coisas que simplesmente não são minhas, embora se pareçam vitais como o ar que a própria vida me nega;
Tudo novamente se parecendo com algo pior que nada, meu ímpeto de clímax existencial ao esquecer-me de mim noites adentro ou afora, fazendo de minha trajetória uma estúpida piada...
Hoje, me despeço...uma lágrima cai, talvez muitos deem por esta razão alguma risada;
Gratidão...não hei de sequer me importar com isso, fiz o melhor que podia e se não foi nada disso, melhor não se importar com coisas que jamais contigo tiveram compromisso...
Tudo começou como brincadeira, sério demais ao se tornar, fora se tornando extenuante, frustrante e cansativo;
Se tudo não passou de palhaçada, perdão...perdemos tempo juntos, não me procurem, pois sequer sobre brincar com letras ou capacidades para sentir me recordo;
Último grão a pingar na ampulheta das vaidades, despertar lá fora para um mundo de insanidades...subitamente, acordo!
Se disserem que um dia fui alguém que fez alguma diferença, seja para o bem ou para o mal...
Simplesmente com um olhar enigmático de um anônimo, com um sorriso estranho de mistério quase que lacônico, não concordo...no entanto, jamais discordo.




quinta-feira

Envolta.



Envolta, às voltas com velhas questões, revolta...envolta, invisível emaranhado que prenda àquilo que não mais regressa, não presta, não volta;
Revolta, mares e maresia...parestesia, paralisada inerte em seu casulo sem metamorfose prevista, paralisia;
Envolta por rosas que lhe abraçam e traiçoeiramente, lhe firam com espinhos...
Envolta, por histórias deixadas por concluir que nada, senão agora o acaso...determinam esta prisão em seu caminho;
Semblante sorridente, oculta lágrima que derrama por aqueles que lhe ocultam algum carinho;
Maquiagem bom disfarce, alívio somente temporário...estado de catarse...
Catarse, pegando-se paradoxalmente a pensar...
Se assim seria válido viver, se envolta e em eternas obrigações que lhe imponham sua maldita beleza, válido seja sorrir ansiando por alguma graça que fosse precursora para todo infecto ar;
Em volta tudo ignora, ou se lembra quando conveniente...em volta tudo parece nada, nada talvez fosse um pouco melhor que este algo putrefato e pernicioso, realmente;
Deveras, dentre flores e feras...presa em teias tecidas pelo passado, em céus descoloridos já não se vê mais a alternância entre as esferas;
Envolta, pretensão de um futuro onde se veja livre e verdadeiramente solta...tal qual ao prisioneiro que lamente no presente, o passado em autopiedade...
Tal qual o prisioneiro, que quase afeito aos grilhões, velho por demais já não sabe mais o que fazer com sua liberdade;
Envolta por rosas que a perfumam e espinhos que ninguém veja ou queira ver, que lhe machucam...
Sangue que não purifica ou algo justifica, agradável odor de flores que perfumam, mas não traduzem mais nada sobre sua essência...gritos intrínsecos de lacerante dor;
Envolta uma vez mais, em sonhos se liberta...hora de acordar, parar de sonhar...hora de realidade;
Hora de viver uma vez mais de oração que ouvidos surdos não escutam em meio a tanto barulho e egos conflitantes...
Hora de ser deusa ferida e esquecida, a caminhar pelo concreto frio da cidade;
Lugar sem um pingo de compaixão, que não se pareça com algo mais que falso ímpeto de premeditada caridade;
Lugar que te lembra de ser somente aquilo que lhe determinam...lugar que censura tudo o que seja expressão maior de humanidade.




Um brinde a "nós".

Fragmento...singular sedimento comum que, cansado de batalhas infundadas, à rocha, para integrar regressou;
Multidão que não ouviu, voz que se cansou...sonho sublime exacerbação de audácia do ignóbil que passou;
Coisas de pai para filho, passa o tempo...reciprocidade que faça remeter ao passado, rindo do infortúnio, fazendo tudo se consumar em segredos de velhos e quase íntimos amigos;
O sedimento preso na pedra espera, sob a pedra para ser sua sombra me sento afim de ponderar sobre algum sentido;
Sedimento transmutado, areia sem nobreza de cristal com fragilidade da argumentação do vidro;
Cacos sequer restam, laços que jamais se reatam talvez nunca foram "nós", para que em pluralidade fizessem sentido;
Sedimento à terra regressa, pela rocha anseia...pedaço tão ácido no chão sorrateiro para ferir, agora a ser varrido;
Valeu a pena ter sido, valeu a pena a estúpida batalha que se chamasse por jogo e no rosto, algum orgulho remanescente ferido;
Sinto, mas água sou e me liquefaço, estagnado faço ainda menos sentido;
Regressa à tua condição calado, sigo sem voz por bifurcações, no caminho das letras onde pouca coisa necessita fazer sentido...
Estrela de brilho intenso e temporário, estrela cadente...decadente, colecionável no bolso do paletó de um escriba ordinário...
Nos vemos novamente quando ao pó por definitivo regressarmos;
Nos vemos, quando o equinócio estiver desequilibrado, o eclipse solar se fizer claro....
Quando caos que consintam em existir, não sejam conflitantes necessariamente pelo suposto ego que se diga genial de notórios otários;
Nos vemos quando o sedimento em sua condição singular, porém pequena por demais agora for lembrado...
Me procure, não se demore...estarei esperando sem esperanças onde relógios se movam em sentido anti horário!



Qual era a dívida?



Pagastes o preço, porém quando precisastes sequer lhe pagaram um almoço;
Tua fome não era somente por comida, tua fome era por algo que lhe consome...faz sentir vazio de toda forma miserável de incompreendido existir...
Vontade, de sentar-se à mesa do acaso, tomar um drinque se fosse elixir e fizesse levitar ou sumir;
Não se semeia a intriga, para então pedir a um homem que nada mais tenha a perder, alguma paciência;
Não se pede por agilidade, quando toda sorte de infortúnio desanimador, lhe faça encontrar abrigo ou alguma paz na leniência;
Não se pede para que alguém tenha crença...
Se o futuro ao acaso parece pertencer, se pouco parece fazer diferença o teu viver ou quase morrer, se goza de boa saúde ou mera educação lhe pergunte se por acaso, padece na doença...
Pagastes uma vez mais, vida estranha que se parece morte de sangue que pinga lento somente para lembrar...
Que algo vital ou não lhe está sendo afanado, que em breve há de cessar teu agonizante respirar;
Quando a inspiração não bate à porta, quando oportunidades ou compaixão de ti se esquecem, é hora de simplesmente se levantar...
Rosto velho com uma nova ferida invisível aos olhos da hipocrisia talvez, lavar, teu velho caderno ou máquina de escrever...
Fazer acontecer, pois nada do abstrato jamais se materializou para que fosse real o suficiente para crer;
Não me peça para cair de joelhos e implorar, quando há anos já não se ouve propositalmente minhas súplicas por um pouco de ar, não me peça para do imaterial profano ou sagrado lembrar...
Quando de mim, ele faça questão de esquecer;
Pague somente aquilo que me deve e desapareça...lembre-se de meu nome com respeito e minha face, deixe por mim que eu sempre faço...
Faço fácil, a arte de cair e levantar, neste eterno e já aprazível padecer, meu pão de cada dia por alguém amaldiçoado...em meu vil existir, o acaso e minha luta há de prover.