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sábado

P.S: Sempre, te espero.

Vidas se encontram e se perdem em estações, vidas nascidas talvez para permanecer juntas...perdidas em descuido, do segundo uma fração...
Vidas que se desencontram para sempre em um dia...rádios e atenções fora de sintonia, partindo em concomitância um único coração;
Vidas vendidas, vidas compradas...sonhos destruídos, rostos abatidos partindo para onde não se saiba;
Vidas arrependidas, vidas com saudade a enxugar lágrimas...em estações, portos, ou aeroportos, vidas para sempre separadas;
Esperança se faz miragem esperando milagre de regresso, esperança é nada além de paliativo para quem de um nunca mais, esteja sempre quase certo;
Esperança espectro, projeção difusa da imagem que todos os dias se via, mas não se lembrava...vidas em bifurcações inesperadas, separadas...
Saudades, sentimento estranho quando somente sentido em ausência...quando em presença, olhos distraídos pareciam se esquecer da suposta pessoa amada;
Paciência em quase certeza...tudo agora se faz quase, tão incerto quanto trens que partam repartindo trilhos ao sofrimento;
Tão incerto quanto a via de mão única ou rumos ignorados se convertendo agora em excruciante sensação de culpa, eterno tormento; 
Sentado naquele banco, envelhecendo a esperar...anacrônico, tempo passa...mas, gostaria que pudesse dos ponteiros impiedosos, fazer naquele momento regressar;
Para que dissesse ao menos um adeus, para que evitasse pisar na condução sem coração que fez para sempre lembrança daquele sorriso teu...
Para que ao menos, pudesse por um instante ter sido um pouco mais você e pouco menos eu...sem ter de estar sentado aqui neste banco,
Fingindo ler um jornal buscando distração com páginas que se pareçam em branco;
Esqueci-me de lembrar de ti, perdão por ter sido tão falho e humano...espero algo que seja notícia, que seja contrariedade para resignação...
Espero que retorne, embora sem me perdoar neste ímpeto uma vez mais egoísta, para que ao menos por alguma derradeira felicidade, por um segundo tudo novamente me esqueça...
Somente para sentir em um último instante destes velhos olhos, uma lágrima cair, um pulsar justificável de um culpado coração;
Embora, teu olhar daquela criança que partiu e de mim jamais como a culpa saiu, não mais me reconheça...
Ainda, que nunca conceda-me teu perdão...para que finalmente este velho egoísta repouse, onde repousam os esquecidos para que a terra me consuma, e tudo sobre meu falho existir se esqueça;
Vou para onde os ventos não fazem mais diferença, vou após um abraço teu, para onde o véu da morte finalmente em paz, me aqueça.

 

 P.S: Sempre...te espero.
 


3 comentários:

  1. P.S: Onde que que esteja, onde meus pés ou olhares não te vejam ou possam te buscar...permaneço aqui inerte remoendo minha culpa, esperando o dia quase incerto de teu improvável...regressar!

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  2. Não tenho palavras para expressar a emoção que passa em seus textos, mesmo assim eu me atrevo em dizer algumas coisas....
    Quando alguém se vai de uma forma que não era para ser, ela retorna mesmo que seja para avisar que não há rancor algum, que pode ter tido ocasiões ruins porém o melhor fala mas forte então morada eterna esse alguém sempre terá....
    :') s2

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