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quarta-feira

O rei do "Real".

Fui rei, embora sem saber...rei de um lugar chamado por real, rei de um parque de insanidades onde vidas visitam para se esquecer;
Sobre realeza, tão esquecido...longe de tudo e despido de maquiagens que não fossem duras e detestáveis verdades, este parque estava alheio...ninguém neste "vilarejo" haveria de saber;
Sobre ser rei, sobre minha coroa...na cabeça posta, por um idiota em catarse para se esquecer de uma vida vivida à toa...
Ninguém sabia, ninguém jamais saberia...era somente mais uma vida cheia de feridas, uma vida perdida naquela via sem saída, onde sonhos se convertiam em reais pesadelos;
Rei do parque real, reinados noturnos...soberano a caminhar sobre trilhos de enganos, sentindo frio de olhares outrora amigos, sentindo o pesar de se sentir a pior pessoa do mundo;
Reinava sobre o real, sobre a loucura que perdurasse por horas ou por poucos minutos, reinava também sem saber sobre santos...acima de todos, alguém dizia estar minha figura, sobretudo!
Quantas honrarias para se ostentar por um dia...honrarias demasiadas para se carregar sem muito orgulhos, por toda uma vida;
Rei do real, rei dos cantos onde se ouvia uivos de amargura, onde vidas padeciam e piava a triste coruja...
Testemunha...lá estava o rei com sua coroa de espinhos dos tolos...
Lá estava a caminhar sem saber sobre sua majestade...caminhando a pé por caminhos pecaminosos, descendo ladeiras, subindo morros;
O inferno não há de temer quem por ele já, voluntariamente ou pouco compelidos pelos que jamais assumam, se enveredou;
Feridas assim não cicatrizam...feridas assim deveriam ser passado que não fosse recorrente, tristeza a ser lembrada em palavras sórdidas...passado regressou!
Que rei sou eu, que rei eu sou...mero arremedo de ser humano em frangalhos, ser que se supera a cada dia a recolher seus próprios cacos...
Ser que simplesmente gosta de versar ou desconversar sobre vida, contudo detesta recordar coisas que remetam sobre seu "reinado";
Rei...pretenso escritor que sobre todas as coisas gostaria de, com alguma distinção notória escrever, mas rei eternamente preso ao nefasto passado;
Nosso crime não compensou, maldito será o tapete vermelho que se estenda para troça deste ignóbil escriba que não passe por um palhaço;
Rei do real, rei de santos dos céus...divindades testemunhas, ou que auxiliem miseráveis tais quais a mim eternamente estigmatizados...o que eu faço? 



3 comentários:

  1. Ok, minha culpa já me basta, minha consciência é implacável juiz...havia necessidade de espalhar meus pecados aos quatro ventos de maneira tão cruel e infeliz?
    Ciente estou sobre o preço...ciente, estou do que fiz. Vida segue, apesar de tudo o que diz!

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  2. A palavra depois de proferida... em prol de ferir, em prol de ferida, não há mas volta não há mas saida, ja dizia um sábio, que nossa vida séria como um cristal na mão de pessoas, ao atingir a sua nobreza, cacos de cristais não se junta, não se conserta ....
    Só resta lamentações ao atos.

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    1. Deveras, há cacos e "cordões" mais próximos, que se rompem para sempre...ainda que seja, enfim, deixa pra lá.

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