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quinta-feira

Por dentro eu não mudo...




Mudando caras, sem mudar almas...muda o olhar, a perspectiva...permanece a velha aura;
Essência preservada, rosto empalidecido, ou pupilas dilatadas....
Nada dizem do que sou, senão algo sobre um momento de exageros sensoriais de minha estrada;
Cara lavada, essência imutável, alguma sobriedade recuperada...
Sobriedade, entretanto, há de cansar...até uma próxima mudança no semblante, até um reencontro no mesmo ou distinto lugar;
Minha cara...este meu rosto, minha cara...no entanto, ainda que sem querer, você novamente há de estranhar;
Por trás de palidez fantasmagórica, por trás de olhares de julgamento, afirmativas tão cruéis e categóricas;
Lembre se...trata-se somente da mesma face a se esconder por detrás de alguma máscara ou maquiagem, sua condição melancólica;
Sou o velho olhar, pouco ou muito alterado que já conhece, sou aquele que passa o tempo lá fora...e alheio a tudo isso, não cresce;
Olhos, verdes de alegria e alguma esperança...cinzas, por natureza, mudam conforme a cor da luz que ilumina minha tristeza...
Olhar, embora quase opaco jamais para ti se escurece..
Sou aquele velho rapaz, aquela criança, presa em minha própria prisão edificada pelo destino que utilizou minha própria mão...aquele velho ser outrora afável, que aqui dentro padece;
Aquele que faz, e muitos se esquecem, aquele que por um minuto se perde...e, tão logo, por este crime capital nada merece;
Para pessoas como eu nada há de ter razão, não cumprimos metas...
Não nos importamos em aparar arestas ou quantias de lucros ou prejuízos, aquilo que nos cabe do espólio daquilo que resta;
Para pessoas como nós não há solução, tudo se parece com pecado sem perdão...
Seguir adiante sem hesitação, é o que nos basta, é via a peregrinar sem luxos de escolhas em bifurcação;
Perguntas ou respostas não importam, problemas, embora por nós mesmos causados, é aquilo que adiante nos derruba por momentos...
Nos traz algumas lágrimas, mas forças fazem renovar e adiante, nos levam.





Faltou a palavra.



Penso que pensar será ato livre, que liberte da prisão de olhar vazio, perdido no concreto do teto, em conflito...
Penso que livre pensar, é ter liberdade para em verso ou prosa, falar sobre mares de rosas ou ousar em letras sobre o quão esteja aflito;
A palavra que falta, a palavra que não tenho em meu pobre vocabulário, nada diz sobre a aparente sensação de não fazer falta...sobre ser um alguém tão ignóbil e ordinário;
Valor não terão versos, não terá caráter ou gestos...valor terá dinheiro, porcos ávidos na lama se sujando, regressando orgulhosos a vossos chiqueiros;
Valor não terão cabeças que sejam vidas, mas tua cabeça poderá estar a prêmio pelo que esteja pensando...
Cuidado onde pisa, pois pensar em liberdade é proibido...cuidado até mesmo com o monitor, pois este anda lhe monitorando;
A palavra ainda falta, quando tenha-se plena convicção de que nada tenha além da utilidade de um fantoche por sua nobreza de coração...
A palavra ainda não ocorre, para expressar com precisão o desgosto que flerta com um quase ódio, quando ausência de riquezas quantificáveis, retiram-lhe a coroa de pretenso rei...
Coroando-lhe com uma feita sob medida para tolos iludidos, tão ignóbil pela pobreza que seja tua eterna maldição;
O inimigo de ontem, hoje lhe abraça...afinal abraços e sentimentos também serão conveniência quando seja aprovado um alto valor que uma peça de plástico de uso intransferível, passa;
O amigo de ontem, hoje sobre ti faz troça...fora útil forma de ser assim tão despojada...
Espremeram-lhe até o último caldo cascas de laranjas secas, nada mais natural que o ato desapercebido ou premeditado...que a descarta!
Regresso...olhando para o teto ainda em conflito;
Penso em falar de amor, mas perdão...com este olhar perdido no teto, recordando sobre tudo que perdi por altruísmo imbecil e desmedido...
Olhares divagando, coração que alheio a estação, dia após dia vai congelando...
Siga ignorando, enquanto neste dia ignorado e resignado eu sigo...queria eu versar sobre coisas belas, mas devo ou não um pedido de perdão ao afirmar...que hoje, simplesmente não consigo.




Um pouco de normal, no caos.



Um pouco de caos, não soa ruim, não cai nada mal;
Um pouco do normal também não há de ser assim tão detestável como rotinas, tão repugnante quanto coisa banal;
Sem caos não há conflito, sem conflito tudo há de ser por demais normal...
Sem vibrações estáveis e retilíneas, entretanto, não há paz suficiente para transcrever a inspiração subsequente ao desequilíbrio, desarranjo que lhe imponha o caos;
Sou caos...sou fogo, fulgor flamejante por dentro, a consumir-se em meu próprio pensamento;
Sou no ato de inspirar...uma breve pausa que arrefece ânimos, corpo que perece não mais transparece alma sofrendo;
Sou agora quase normal, ar outrora pesado para se respirar, agora se faz leveza...ira, cegueira que permeava limites para ódio, agora em abrir de olhos enxerga beleza;
Tênue fibra quase a se romper, batimentos quase fazendo cessar, mente que se apraz com letras a se enganar, quase a enlouquecer...
Quase, mas quase jamais será fato para se lembrar, se lamentar...algo para celebrar, porém tão somente para se esquecer;
Minutos de coisas intensas, minuto onde pouco se pensa senão sobre si mesmo...sobre solução que seria, saltando se possível a fase da agonia...morrer;
Minuto de ponderação...recuperam-se sentidos, lembra-se de algo que ainda faça sentido para que haja uma outra opção...
Lápis, caneta...teclado ao alcance das mãos...papel em branco, esperando sobre um caos tão particular, como se ouvidos tivesse a lhe dar, ansioso para escutar;
Um pouco de caos, e caos não há de ser nada além de expressão máxima sobre ser humano...pois, aquilo que humano seja, não sobrevive sem emoção, ainda que seja infundada confusão:
Sangue ferve, sangue esfria...normal no caos, mente alivia;
Papel, cumprindo seu papel de depositário fiel...onde coisas a quem ninguém a voz que emudece conta, porém do caos não se esquece...deposita.





 

Meu encontro com um anjo.






Não me lembro ao certo, onde se deu nosso encontro...se deu para te encontrar, foi em um  sonho que se assemelhava a um conto;
Sem asas, senti levitar...sem chão fiquei quando no céu, subitamente me via esperando por tua figura angelical de perfeição, para lhe namorar;
À terra não poderia descer...Terra, profano lugar que coisas assim tão divinas, toda graça há de roubar, asas iriam lhe cortar...humana, iriam lhe tornar;
Sonhei acordado, acordado a lhe imaginar...seriam louros teus cabelos? Seriam negros contrastando com pele alva, sob ombros em atitude displicente, inocente...a se espalhar;
Degraus imaginários, surreal escada para o céu se ouvia, mas não passava somente de uma canção, ledo engano de minha vil pretensão;
Precisei dormir, para alma libertar...precisei libertar por poucas horas tudo o que fosse carne...
Para que a lascívia silenciasse e deixasse falar somente os desejos puros, remanescentes de tenra idade quando ainda despido de pecados...em meu coração costumavam imperar;
Era um lago que via, imagem angelical vindo em meu encontro...me reconhecia, de minha presença ali já sabia sem necessitar de visão...
Visão...ofuscada por seu brilho, ser magnífico em corpo imaculado feminino, curvas perfeitas e delicadeza...escultura esculpida pela divindade suprema, à mão;
Beleza intocada, intocável...vim até aqui para lhe admirar, perdão se com tua visão quase sem vestes neste lugar sagrado, inevitavelmente me vejo a lhe desejar...
Um toque de dedo nos lábios...toque delicado que meus pensamentos sem voz,  fora suficiente par silenciar;
Toque gélido de teus lábios...um breve beijo de carinho, recuperei vida e um pouco de alma...trouxe-me de volta aonde por mérito pertenço, porém sem deixar de por amor, me restaurar a calma;
Sonhando com um anjo...em um estranho ímpeto tão herege, profano do humano ato de sonhar...
De tua imagem não me recordo, luzes por demais sagradas que iluminam, olhos pecaminosos sempre hão de ofuscar;
Grato, por fazer parte de minha linda brincadeira onírica, por restaurar com amor incondicional minha vida...grato, por meus lábios imundos tocar;
Com anjos não se brinca, humanos caminham sobre terra, devoram-se uns aos outros....pedem por paz, desejando guerra...
Humano é tudo o que seja controvérsia...obrigado, meu sonhado anjo, por ter um dia na vida me visitado;
Ter-me feito compreender que sou filho desta terra, que nesta tenho muito a aprender, muito por evoluir...
Muito antes de assim, em minha audácia típica de sonhar novamente, sobre permanecer  para sempre ao teu lado.




quarta-feira

Amar, tecendo teias.




Amor ruim é este jeito de amar assim...
Cada beijo que acenda um desejo, é o mesmo beijo que se pareça com prenúncio do fim;
Amar assim...amor que a vaidade deseja que não fosse meio amor somente, para ter um fim...
Me lembro de seu jeito, desamor de mim a pulsar carente em meu peito;
Aconchego, encontrei em teu leito a contemplar estrelas no céu...céu que brilhava para dois, não somente para mim;
Me entrego, conto os passos para sentir me prender em teus laços, me perder em teus abraços...bater em teu coração, me sujeito ao teu compasso...
Compaixão, parece ser o que sinta por mim, amor metade, amor que se sacia somente com embriaguez de paixão e tem hora marcada para ter um fim;
Acordo em cama vazia, da noite passada não gostaria de me recordar...acordo ausente de ti neste ninho de tristezas, com lembranças que me façam detestar este acordar;
Deixe-me dormir, deixe-me sonhar...sei que volta, contudo também sei que um dia desses talvez parta para nunca mais voltar;
Sem adeus dizer, sem bilhete deixar...típico jeito de me fazer teu escravo, me envolver em sua teia, tipicamente amável viúva negra que insisto em esperar...a me devorar;
Contudo, se acaso sequer como alimento que preencha teu aparente vazio, para ti posso servir...
Por favor regressa, volte uma vez mais ainda que seja a derradeira, para me soltar desta teia, me fazer chorar e para sempre, de minha vida sumir;
Prefiro uma boa memória, pois amar assim, é muito ruim...
Prefiro que seja história, pois não há como alimentar o momento...se isto se pareça com um jogo que, para jogar, somente um esteja disposto, esteja afim;
Liberta-me deste amor, ou prenda-me...prenda-se para sempre em mim...
Sacia tua fome com minha alma, minha carne...ou rume para onde os ventos te levem, para muito longe de meus caminhos, de meu portão...das rosas que plantei para ti em meu jardim. 







Pão, em todas as mesas...

Mesmo que não haja alimento em minha mesa...mesmo, que sequer haja mesa, peço pizza;
Mesmo que haja ignorância e cinismo sentado, observando com sorriso lacônico de soslaio, a gente não liga;
Mesmo que haja najas, víboras...alimento aos pobres, o verdadeiro Deus há de prover, pois da pureza do incauto inconsequente, ele não duvida...
Mesmo que não haja nada mais, nada mais que valha para que em favor ou contra, tu ajas...
Há de existir alguma luz que indique melhor saída;
Na mesa há certeza de hipocrisia, em meu interior um estranho vazio sobre tudo aquilo que acreditei um dia;
Mas, questões fisiológicas são assaz imperativas...senhorita, por favor mande assar e seja breve na entrega...
Pernas de fraqueza já titubeiam...fome, não obedece ponteiro ou caprichos e tem pressa!
De fome, pessoa também se faz aflita...
Na mesa, há certeza de tentativas de pressão psicológica, provocação estúpida, agora inócua...visão de desagradáveis a ser esquecida;
Que bom, que ao menos para os malfeitores esquecidos há plástico que pague por comida...
Que bom que para os facínoras como nós, nesta noite não há mesa...mas, há sobremesa e pizza!
Ainda que haja complicação, e complicado sempre foi por assim ter de ser...simples, a gente sorri e descomplica;
Desmistificar, sorriso tolo quando há desgraças por demais para não se lembrar, falta o papel...mas, terá o plástico para pagar...
Ainda que tudo se perca, ainda resta algo...e este algo vale a pena para, por aqui, ainda restar;
Ainda que nada mais reste, tudo seja decepção e ruínas...há boa conversa, e pizza sem uma mesa de hipocrisia para celebrar!
Se é, que haja motivos para algo nesta insana realidade que vivo e compartilho, que seja digno para celebrar...
Impossível não esquecer, impossível fingir que nada houve e uma vez mais ignorar;
Há mesa para vocês, para mim há mês e com coisas muito além de papel, pecados paguei e dias ainda restam para penar...
Restam, para fazer falta e faltar!
Há este quase nada que me resta para usufruir e compartilhar...essa noite tem pizza, amanhã...
O Deus dos desamparados, há de providenciar;
Sobre viver assim, sobre assim sofrer...quando tudo poderia diferente ser...
Somente digo e repito...viver à margem, sentir...ainda que seja a mais  cruel forma de fazer doer, fará lágrima cair...
Fará, sobretudo, poesia resistir e nascer!








terça-feira

Cofres e segredos: Fábula, pintada a dedo.

Azul pintado em teu olhar, em teu pescoço um crucifixo...teu patuá, com charme de um colar;
Branco de nuvens ao confundir-se, quase fundir-se com o rosa de um crepúsculo nostálgico de melancolia;
Melancolia fostes por alguns dias, porém és assim...
Pintada forma inanimada assim tão vívida, arte em expressão máxima de pueril alegria;
Tua imagem, quase perturba por instantes ao fitar...
Tua imagem assim quase viva, remete às fábulas, como se algo tivesse a dizer, testemunha muda daquilo que não possa falar;
Segredos e metal, em ti serão guardados...metal pode sair, pois vida, de metal há de necessitar;
Porém, segredos...ainda que de voz por um dia, como se por passe de mágica dispusesse...
Saberias, que segredos são coisas de amigos para eternamente se preservar;
Posso soar louco, posso sequer saber em meus devaneios de pouca sobriedade, com propriedade sobre o que me pego a descrever, sobre o sujeito para predicados de meu versar;
Pintada assim para fazer sorrir, sorrisos inevitavelmente consegue do mais carrancudo, arrancar...
Pintada, com inscrições de carinho...vazia de metal, porém cheia de segredos e histórias pra contar;
História de uma garota da varanda...menina cheia de mistérios e sorrisos, que em arte insiste tudo em transformar;
História trazida até um ninho de angústias, imagem tão infantil que conosco...se dispôs a sofrer e depois de nós, quiçá permanecerá para histórias sobre nós contar;
Objeto inanimado...feio é o substantivo escolhido, atribuído quase que como termo pejorativo para lhe designar...
Porquinha rosa pintada, cofrinho de metais e segredos, testemunha de sorrisos e lágrimas em seu enigmático silenciar;
Se um dia, sonhos não necessitassem gritar para dentre a crueldade da realidade dos normais...para subsistir e respirar...
Convida-nos, ainda que seja em teus sonhos...para em um dia qualquer que seja, coisas que se ocultam por trás desta íris colorida, coisas sobre seu mundo de fantasia nos contar!



AK-47






Disparo, de minha alça de mira calibrada, nenhuma forma de vida por meus próprios pecados...será poupada;
Disparo e firo, não me importo comigo...projétil que se projeto ao desconhecido, somente para ver algo além de um mero orgulho ferido;
Do rubro de meus olhos em fúria, ouço clamor de todo ato atroz justificável que me chame...quero ver alguém pagar por meu infortúnio, ego destruído ávido por alheio sangue;
Disparo...não interponha-se entre mim e o alvo, saia de minha frente...
Último aviso, ou também terás de um alto preço pagar...ainda, que precificar pecado a ser pago por alguém que desconheço, me traga estranho prazer de ser um Deus que se lembre de ferir...
Quando em noites de desespero, este Deus não se lembre de me ouvir;
Não queria ferir, talvez não quisesse me ferir...meu intuito primordial, jamais fora machucar;
Disparo sem aparente motivo, na loucura não há razão alguma...de qualquer juízo me faço neste instante nú, das vestes de piedade me vejo despido;
Se nada há a ser feito, nada por ser dito...
Nenhuma nova idéia indesejável para que se interponha em meu trajeto de loucura e glória, logo...deixe-me consumar meu ato sozinho;
Se nada há por ser dito, nada há por ser feito, deixe que um projétil feito para ferir, acerte somente o alvo desejado...eliminando um problema de seu caminho;
Afasta-te, tenho imensa afeição por ti, porém cegueira toma meus olhos e ódio norteia a rota de meu premeditado destino...não se faça empecilho, não saia ferido...
Pois, projétil enfurecido, em fulgor se lança feroz...para queimar por dentro e destruir, arrancar o sorriso ordinário em boca maldita de seu algoz;
Ato atroz...nesta hora sou somente eu, sou fuzil e balaço, nesta hora não existe nada que remete a nós...
Que não sejam a ser desatados, alvos a serem assassinados...
Todos merecem morrer...alguns, com requintes de crueldade a perecer em gritos afônicos;
Para que, de vosso desespero, ninguém ouça o grito desesperado que seja prenúncio do silenciar eterno de tua voz. 







Ausências consentidas.

Quem és tu? Segunda do singular, tão plural para que meus sentidos enganem e meu olhar creia que veja;
Algum pronome, substantivo...somente olhares ou maledicências em julgamentos mudos, piedade desde o princípio desta boca que me beija;
És para mim personificação complexa, incógnita...raios difusos, coisa convexa, complicação neste teu proposital jeito de ser, comigo desconversa;
És horror, és alguma manifestação de estranha afeição que pressuponha algum amor...
És fogo frio, és inverno em olhares e atos, embora lá fora seja época de calor;
Perdão, se me apraz ser louco, pois na loucura me encontrei quando de pessoas tão normais e perfeitas como ti, busquei por segurança...mas, encontrei cruel desdém e desamor;
Não muda com as estações, emudece até mesmo diante de sórdidas provocações...
Estranhos teus atos, de fato...estranho tuas ações;
Solidão nada me traz senão inspiração, solidão não me chama por nomes simples ou, por aquele nome composto, que tanto me traz desgosto e apreensão;
Paredes sempre foram boas ouvintes para minha voz em devaneios, com elas aprendi muito...voz trêmula em titubeios, testemunhas inertes, quiçá estarrecidas por meus indevidos anseios;
Fiz meu dever de casa na medida do possível, quando momento se fez ensejo, quando estupidez não se fez desejo, quase que aprendi por completa a lição...
Se algo faltou, se algo não lhe agradou...peço perdão;
Para mim, coisas jamais deveriam ter sido, questiono até mesmo minha pouca fé, diante do constante o açoite que me imponha o impiedoso destino;
Quem tu és, quem és tu, era a questão...contudo, vejo-me a versar sobre mim mesmo, falar coisas sobre dissabor, devaneios...solidão;
Vida não é ficção, não terá sentido ou necessariamente final feliz...vida, sequer se captura em velhos filmes que não revelam, aquilo que se oculta no coração;
Perdão, personificação de quase perfeição...sou translúcido demais em meus defeitos, do berço já se observavam sinais de que estaria distante de ser alguém perfeito....
Minha missão, com esta somente tenho algum compromisso, entretanto, falho ao ponderar em uma mente que para si mesmo mente...já não parece mais pensar direito;
Fiz diferente, sou diferente...permanece incógnita, fiz o que jamais teria feito;
Em ares pesados assim, palavra sufoca e nada diz, verdade tergiversa e obedece ao silêncio muito deixa por subentender por também nada dizer...
Creio que entre nós, tudo será subjetivo quando seja verdade ou entendimento, e silêncio eterno será prevalente, sábia prevalência que deve prevalecer!



segunda-feira

Figuras, que não se repetem.






Bom é ser figura, figura de imagem ou figura de linguagem que pouco se disponha a se repetir;

Se em linhas deve fazer algum sentido o que chamo por vida, hei de querer algo além de mero subsistir;

Contras as marés nadar...com perigos conhecidos e desconhecidos seguir e, com ousadia típica dos loucos, sem prévio refletir ou ponderar, se dispor a flertar;

Contradição, morrer diariamente com moléculas, renascer com esperança do cinza do céu ou azul que traga o sol...renovação;

Bom é ser figura, mas se possível...figura ímpar, a qual valha mais que um vil vintém, tenha valor inestimável para ser digno de em teu álbum amarelado de memórias raras, figurar;

Bom é ser, se não for...bom será persistir, perdurar até o derradeiro segundo para tentar;

Se horizonte é além dos olhos, pernas ou asas que não sejam de cera...façam-me adiante caminhar ou levitar;

Leve, leveza...figura singular em um ar tão pesado de pesares, a pairar;

Figura de coisas do submundo em cartas de cartomantes que pressuponham boa sorte...figura, de um anjo imaculado...perigo!

Aviso de quase iminente infortúnio, com riscos de sobreviver...algo a se temer mais que a própria morte;

Leve como o papel, de papel quiçá constituída...figura de carne, no papel registrando seus lampejos de poeta, fixando palavras como pérolas oriundas de abertas feridas;

Lágrimas são transparentes, apesar de quase sempre pouco notadas ou esquecidas...contudo, lágrimas são produtivas...

Será expressão maior sobre ser humano sobre chão de concreto alheio a tudo que seja sonho, lágrimas precursoras para inspiração que se pinte da utopia em telas coloridas;

Sou figura, quase que inanimada...em meu semblante soturno ou impassível, pouco se nota sobre vívida forma ambulante, em meu circo de horrores itinerante, aura que se diga iluminada;

Do presente, nada sei...o passado era imperfeito e sujeito à poeira do tempo deixei;

Do presente me faço o necessário somente quando necessário for...quase que sem transpor o muro do que seja meramente ordinário;

Sobre um futuro, faço fagulha de esperança em intenso trabalho...para que então, esteja em meu devido lugar guardado...

Sob sua cama, em seu baú de preciosidades...ou, quiçá, em uma prateleira quase esquecida em um armário.