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quinta-feira

Um segundo, uma decisão.

Momentos onde nada sei, sei ainda menos acerca daquilo que pensava que sabia;
No mesmo abismo, no velho conhecido cadafalso...era meu corpo a cair,  era uma vez mais minha cabeça que queriam;
Velha cidade, repetição do mesmo acontecimento...velha cidade onde infiéis com suas bíblias de hipocrisia sob os braços, contra mim  praguejavam e pediam julgamento;
Mesma ilusão frágil tal qual castelos de areia, diante destes olhos incrédulos...como piada repetidamente contada, deveras sem graça, tudo se desfazendo;
Se transformação da matéria se fizesse possível, aprazível soaria para servir como solução;
Sublimar...em estado gasoso, até mesmo dentre os nobres gases que assim se digam em uma atmosfera sombria, haveria de me misturar;
Liquefação...liberte-me destas correntes de injustiça, liberta-me das mãos injustas que me conduzam à prisão...
Liberta-me...dos grilhões dos injustos, do desdém de dentes putrefatos e amarelos, que hão de sorrir contemplar-me deitado no descanso do exíguo espaço de um caixão;
Sublime em alma, ossos de metais e carne que não fosse predisposta à perecível condição...sobretudo, a calma que haveria de me conferir existência verdadeira humana;
Calma...agora que será somente destas vestes assaz deterioradas, cansadas...perene libertação;
Pouco se sabe o há adiante, muito se saberá por um dia sobre mim...clímax da intensidade do minuto derradeiro de existir...
Obscuridade, eterna agora a cerrar meus olhos...que outrora cerrava somente meus punhos em desgosto que há de causar frustração de todo intrínseco desejo;
Coisas são e apesar de mim, seja bom ou ruim serão...coisas, que já não mais após este derradeiro suspiro, não mais vejo;
Meros devaneios...vivo ainda permaneço, pressentindo morte pela mão dos ímpios, celebrando ou simplesmente ignorando aquilo que em vida, jamais fora digno de cortejo;
Não sei se sou grato aos céus, ao acaso...se em um desatino de fúria, contra este praguejo;
Solução seria algo que se ostentasse em um coldre invisível, carregada de solução em pequenas formas ogivais...mas, coldre, não passou de juvenil desejo;
Não sou aquilo que queria, não sei se queria, somente sei que somente serei a presença indesejável,  me apossando do alheio ensejo;
Coldre...desejo, na têmpora brincando com de falhas em roletas, solução eterna para uma vida insípida, há tempos sem tempero;
Não é o futuro que desejo...porém, apenas o futuro  que sem necessidade de antevisões, para mim através destes próprios óculos a ocultar olhos cansados de marejar neste doloroso vermelho...
Eu vejo! 




 

3 comentários:

  1. Então, simplesmente prenda a respiração...sinta a intensidade máxima de vida que seja segundo predecessor de morte...sinta, REDENÇÃO!
    Sinta o peso da arma, sinta o libertar final de tua alma...espere! Não há gatilho para se puxar. Que pena...nas mãos do injusto, a um fim doloroso e humilhação imposta, terá de se sujeitar.

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  2. Malfeitores, injustos! Lamento, por o fato ser um doloroso texto. Ajuda é necessária, ou era para simplesmente ser! Esquece da mão um dia estendida a você? Isso é revoltante.

    :(

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    Respostas
    1. Pelas mãos destes, tudo há de ser explicado, será feita a "justiça"...tudo que se fazia obscuro, da forma mais conveniente será explicado.
      Fogo que se fazia chama de vida, somente por aquecer ou iluminar demais...deverá ser apagado.
      Tudo deverá ter um preço...e com tua liberdade cerceada ou tua vida tão rara e barata, há de ser pago.
      Ingratidão...marca indelével do ser humano. Alguns, mais humanos que os outros, claro.

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