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terça-feira

O choro de Deus.




 

Na terra ou frio concreto ela cai, desliza ou irrita semente onde se planta;
Na terra...é suave sua canção de ninar, é rócio aprazível em céu cinza de ternura que encanta;
No céu, talvez não haja assim tanta alegria, talvez no peito de criador aperte o nó da amargura;
Contemplar de tão longe e tão perto os filhos seus, vendo com tristeza criação matar sem piedade, criatura;
Na terra rócio regando flor, chuva fina a acalentar...alento que seja água, condensa e precipita com despretensioso propósito de fazer esquecer a dor;
Torpor...lágrimas de alento advindas dos olhos oniscientes do Criador...
Desamor, pelo sagrado que bate no peito...profano agora tudo se faz, por mundanos desejos;
Teria sido em vão todo ensinamento, teriam sido milhares de anos...mera perda de tempo?
Do cordeiro o sangue derramado, promessa de redenção por lacerante dor e sofrimento;
Chuva que cai de um céu cinza...nos remete ao longínquo onírico, memórias sobre sobre coisas ou lugares onde jamais vivemos;
Chuva leve, esperança de que para lugar nenhum leve toda depreciante condição que se traduza em subsistir neste presente momento;
Chuva leve...leve, ainda que sem o vento;
Quantos anos não se passaram, quantas lágrimas pela criatura, o Criador ainda há de derramar?:
Quantos motivos procuramos para sorrir, às voltas com frivolidades que agradem nossas vaidades...
Quando o essencial, tudo que seja vital, nos fora dado tal qual a gratuidade do ar que poluímos, para se respirar;
Chuva calma, por vezes ácida...ácida por lágrimas divinas que mãos humanas insistam em contaminar;
Muitos hão de pedir...quando já deveria ser o bastante todo sacrifício feito, para que ainda se fizesse consternação com filhos ingratos, falsos profetas e ateus;
Bem abastados, de ti afastados, filhos bastardos...pobres plebeus;
O dia segue...bendita é a lágrima caída que devolve vida às custas do dissabor de um Criador clemente, que ainda compreenda e tolerante seja com erros tão meus;
Lágrimas em meu jardim, jardim de flores perfeitas...tal como coisas que o homem há de imitar...
Em seu vil intuito de subjugar, coisas inimitáveis por mãos invisíveis, incompreensíveis outrora, feitas;
Embora haja lamentos em terra agora molhada, a despeito de eterna insatisfação de filhos seus;
Lágrimas assim, seguem a cair...
São gotas divinas, pois chuva serena que traz vida...há de ser choro de Deus!





3 comentários:

  1. Apesar de o horror de tudo isso, ser digno de "festa" velório e caixão, apesar da sensação de que tudo esteja morto, enterrado...Deus, ainda derrama lágrimas e espera algo que não seja hipocrisia ou ingratidão, de sua própria criação.

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  2. Chora desesperado. Trovão e seus gritos de revolta, quem irá acordar que o homem destruiu exatamente TUDO.... DEUS chora em ver sua criação dessa forma, perdido e quase ninguém vê que o fim ja chegou o inferno é esse mundo........

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    Respostas
    1. Negação é o melhor subterfúgio...há de ser melhor abrigo que assumir culpas, sair na chuva.
      Há de ser (ter) chuva para quem peça e pereça, tempestades de horror para quem mereça.

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