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sábado

Soneto de aves passageiras.

Pássaro passageiro, passaste por mim assim sem breve pausa para admiração...
Passara assim apressado, sem que pudesse ao menos fazer a ti ligeira observação;
Pássaro, passageiro...não pude sequer lhe observar, fazer comentário lisonjeiro;
Não sei se era ave de rapina, ou se passava somente para fugir do inverno chegando sorrateiro;

Pássaro passageiro, pare por um instante...colibri no ar a pairar, águia veloz e feroz;
Garras afiadas, visão de alta acurácia...predadora impiedosa para sua presa, assim atroz;
Pássaro passou, somente a impressão deixou...que asas não tenho, que visão é limitada...
Que humano por demais para sequer lhe seguir em minha natureza, eu sou;

Passou, aquela ave somente com a solidão deste campo pouco florido me deixou;
Mas, se há flores...quiçá, tenha sido por sementes que aquele pássaro ligeiro passando, outrora semeou;
Se há flores, então há algo para que observar, se há singular flor...algo restou;

A ave agora é passado, escapou à minha visão ansiosa por lhe ver...mas, me deixou talvez esta flor;
Pássaro passageiro está sempre assim com pressa, terá suas razões...incompreensíveis para ser humano limitado que sou;
Pássaro que passou...uma flor em minha mão como expressão de saudade daquilo não pude ver por tamanha velocidade...em mim, restou.



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