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segunda-feira

Maria do Céu. (conto)



Maria, menina espevitada nascida em cidade esquecida...Mariazinha, menina filha do chão quente, a fazer peripécias no alto de um cajueiro, Maria menina com cheiro de jasmim.
Era filha da terra, menina de olhos cor de mel. Era filha de gente assim singela...seu sonho, jamais foram estrelas, mas tão somente tocar no azul daquele infinito céu.
Verão após verão, Maria menina foi crescendo colhendo raras flores de primavera que ousavam brotar daquele chão.
Maria menina moça, displicente com encantos inocentes que remetiam de todo paraíso, ao desejado hipnotizar de seus olhos ou suas delicadas formas. Incauta filha da serpente.
Maria...quem diria? Aos dezessete anos, do alto daquele velho cajueiro avistou o céu.
Lá embaixo, havia um moço jovem e simples tal qual Maria...estava sem que esta ainda se fizesse atenta a lhe cortejar, rapaz de nome Cecéu.
Sobrevivência sofrida aos ponteiros há de um pouco resistir, mas vida intensa em felicidade tão simples assim, na velocidade de um cometa há de passar.
Era Maria menina do sertão, agora era Maria se fazendo esposa para Cecéu, naquela capelinha onde seus pecados inexistentes, costumava confessar.
Felizes para sempre, ranchinho para viver...o necessário para comer, o amanhã haveria de prover.
Certo dia, Maria sempre tão incauta...saiu para ver um velho amigo, sem Cecéu neste mesmo dia, avisar.
Queria simplesmente brincadeiras e aventuras, queria sair para aquele amigo tão saudoso reencontrar.
Cecéu, ao saber...enfurecido viu-lhe com poucas vestes próxima do cajueiro, enquanto homens sem que Maria se desse por conta estavam sua condição de moça casada a desrespeitar...
Cecéu enfurecido avançou, sua peixeira da bainha puxou...homens afugentou, e com olhos furiosos por um pecado que havia somente em si, a vida da pobre Maria tirou sem pensar.
Cecéu então chorou...ao saber que o tal amigo que Maria procurava, era o céu que conversava quando menina, tão imenso quanto o azul do mar.
Maria pagou por ser inocente, viu escurecer sua visão sem ao menos saber, o por quê de com o céu ser pecado a ser punido com a pena capital a se pagar.
Seus velhos pais inconformados, sabendo de seu gosto pelo azul...atiraram aquele corpo inocente após breves lamentações, no mar.
Seu corpo desceu ali para sempre, sua alma subiu aos céus e finalmente, encontrara a paz para com seu querido céu, poder sonhar sem por isso com sua vida pagar.
Cecéu...até hoje, está na prisão a penar. Não é a clausura que se faz para ele tortura...é consciência de que matara por ser egoísta e pecador, uma linda forma de vida que tinha nas mãos...
Simplesmente, porque ela permanecera criança que gostava de sonhar.
Descanse ou brinque Maria...continue no céu agora a viver, aquilo que a maldade humana na Terra, jamais saberá aceitar.

A MALDADE...ESTÁ NOS OLHOS DE QUEM A PUREZA, INSISTE EM DESEJAR.




4 comentários:

  1. A MALDADE...ESTÁ NOS OLHOS DE QUEM A PUREZA, INSISTE EM DESEJAR.
    Está no olhar profano, que a inocência imaculada, deseja profanar.

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    1. P.S: não pediu por menina assim desprovida de muita beleza nascer...não pediu, por beleza exuberante que se tornada em idade adulta, ter a morte como preço a pagar...como se viesse a merecer.

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  2. Não há palavras para demostrar o que sinto nesse momento, pobre menina pagou por sua inocência. Quem diria que poderia ser tão equivocadamente interpretada nesse momento?
    Agora, mora no céu que era o amigo por quem tinha tanto tinha estima, lágrimas caiam na terra, mas no céu sorriam! porque nele... chega alguém para em ti encontrar eterna morada, jovem querida..

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    1. Trágico, mas muito verossímil. Qualquer semelhança com alguma história real ou fictícia já contada...talvez, não seja mera coincidência.
      Há lugares onde a crueldade e o egoísmo, se fazem ainda mais prevalentes..

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