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quarta-feira

Fotossíntese.




Invejo o que vejo lá fora, ainda que sem autonomia...vive, é verde, e sabe aproveitar o astro-rei desde a matinal aurora;
Detesto minha rotina aqui dentro, cercado de vidros e concreto...cimento e um assento onde senta-se meu traseiro, como se esperasse da própria morte, o momento;
Lá fora, o rócio e até mesmo o espetáculo da tormenta, aqui dentro de mim...tudo é tormento e minha alma, na mesma frequência se atormenta;
Não sou aquilo que queria ser, não sei exatamente o por quê sequer de meu viver...não sei nem ao menos, quem sou;
Sou apenas alguém fazendo fotossíntese onde nem mesmo sombra se produza para que se faça projeção, sou restos e cacos estranhamente refeitos daquilo que de minha inocência restou;
Sonhos se tenho, não sei...inerte aqui estou criando raízes entre tudo o que alheio a mim está, quando o mundo deveria ser meu lugar;
Imóvel permaneço, não há evolução ou retrocesso...de tudo que seja vida escrevo e de viver, ao envelhecer neste esquecido lugar aos poucos, me esqueço;
Lindo é o verde, que se alimenta dos raios de Sol, que faz sombra para quem necessita de descanso e floresce para pulmões comuns fazer respirar, e o artista, se inspirar;
Horrível é viver assim, sem cor...criando raízes neste frio solo de concreto onde todo vazio que se sinta, parece não ter fim;
Queria ter um plano, ao menos um destino ou rota traçada que servisse como espelho para o futuro que pudesse ver acerca de mim;
Queria estar em qualquer lugar, fazendo qualquer coisa diversa...somente, não queria tal qual ao vegetal tão vital que admiro, estar assim. 





Um comentário:

  1. Pronto, é isso por hoje e talvez por longo tempo. Obrigado por toda a atenção, aos raros e caros amigos.

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