Visitantes da página

terça-feira

A voz que não se ouviu.







Uma dose a mais de alegria...ele queria o paraíso, mas paraíso era ponto de vista e não se via;
Um minuto a menos para pensar, seria sinônimo de um minuto a menos para sofrer e quiçá, em aprazível abstração de realidade, se pôr a pairar;
Pensou em não sofrer, jamais pensara em jovem assim morrer...queria apenas, bradar sobre algo que lhe sufocava na garganta e não encontrava as palavras ou coragem para dizer;
No peito o desatino que não desatava o nó, que não cessava em doer;
Na visão, nada além de semelhantes que tão alheios passavam...pareciam sequer sobre sua existência, por um segundo saber;
Coração e sentimentos era o que se pedia, era a oração que ao céus se fazia...
Contudo, em qualquer eletrônica forma de alienação, maravilhavam-se com sonhos em fotos e esqueciam sobre vida para se viver;
Cansado desta mesma cena que se fazia insana redundância contemplar, queria sentir novamente com um silencioso desespero no peito, aquela brisa que não vinha do mar;
Seu coração pulsava intensamente, parecia que seria prenúncio de redenção ou algo seria diferente...
Ledo engano, quando nada sua voz por definitivo foi sufocada em busca da brisa perseguida, e seu coração da intensidade...passou à completa inércia, enquanto seu rosto empalideceu;
De seus lábios não seu ouviram as palavras, parecia-se estranho desespero agradável de um fim para um mundo estúpido, mas que ao menos era seu;
Ele então morreu...no mesmo dia que aquela velha brisa não bateu...
No dia em que lembrou-se então de falar e amar ao mundo, e sobre amar a si mesmo, se esqueceu;
Nenhum som de lamentação, daquela multidão distraída se ouviu;
Nenhuma lágrima daquele inanimada calçada, onde intensamente viveu sobre ela sucumbiu...por
lamentação ou respeito que fosse, escorreu.


Um comentário:

  1. Simples...como deve ser assim morrer. Difícil...como é assim viver, e este texto assim, ter de escrever.

    ResponderExcluir