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sexta-feira

A sina e a serpente.




Pulsação fraca, iluminação parca...palidez reinava além da tez, naquele dia;
Pulsação intensa, mais um trocado amassado daquilo que fora suado no bolso, e todo frio se dissipava e já não mais sentia;
Nos embalos da insanidade, na intensidade da sina com olhos de serpente que hipnotiza, inoculando seu veneno de maldade;
Piedade é o que se pede, mas uma dose a mais é o que se serve;
Se serve...que assim seja, que todo olhar neste tétrico e incerto lugar, para a fantasmagórica figura encarnada, uma vez mais por sua maldição...amaldiçoada, cegue;
Se serve, sirva mais um pouco, enquanto há um trocado amassado tal qual ao meu orgulho, em meu bolso;
Vergonha já não há neste combalido corpo e desfigurado rosto;
Desgosto...já não se sente, serve-se uma dose a mais do veneno da serpente e no corpo, todo líquido vital esquenta e quase faz cessar seu vital pulsar, contraditoriamente;
Caminhando pela rua errada, pelo caminho já conhecido como se fora filme de terror que já não assusta...que se repita incessantemente;
Das consequências já se sabe, mas também é sabido que todo dano causado será permanente;
Quem caminha na noite fria, perde assim pedindo por piedade, toda exígua riqueza advinda de seu exercício de pobreza;
Perde-se do corpo a alma, perde-se para dormir eternamente a calma...perde-se aos poucos diante dos olhos, o interesse pelo que se chame de vida e já não se distingue sequer para um pretenso poeta...
Horrível forma de desgraça, ou distinta forma de beleza;
Deixe a flor, deixe o amor para amanhã...deixe-me solitário com meus pensamentos, minha culpa...deixe a luz apagada;
Amanhã, quem sabe, penso sobre algo novamente...hoje, simplesmente quero me esquecer sobre mim e não pensar sobre mais nada;
Ontem era homem, hoje sou novamente aquele frágil menino que restou sozinho com seus sonhos se liquefazendo por entre os dedos, enquanto a vida me esquecia naquela calçada.




Um comentário:

  1. Grato vida, por nada...sou apenas aquele homem que agora novamente se vê por ti feito um indefeso menino. Até hoje pago por uma escolha errada, vitimado por ti...sentando na frieza desta calçada.

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