Visitantes da página

domingo

Janelas, não se abram.






Tal qual ao fantasma que pelo nome, não chamei...tal qual ao demônio ou anjo, que não conjurei;
Em minha janela, naquela noite que detesto me lembrar, para ti uma fresta deixei;
Como viagem insana, como loucura anacrônica que fizeste em minha vida, sequer sobre minha idade hoje sei;
Sei que em teus delírios, delirei...tua mão nefasta que se parecia bendita, agarrei e tua causa sem fundamento, abracei;
Janelas não deverão ser abertas em noites frias, para quem esteja do lado de fora pedindo em sussurros para entrar;
Janelas, deveriam permanecer fechadas...bem como tua boca maldita, que contra a vida por qualquer infortúnio banal, se disponha a praguejar;
Janela que fechada não permanece, calafrio na pele em uma noite da qual não se esquece...anjo maldito, que seu mal por trás de figura angelical, intenção oculta e de benevolência, se traveste;
Fantasma ou anjo maldito, o que me trouxeste senão o que sutilmente roubaste e fazes. com que até mesmo, de meus mais doces sonhos, para os teus eu desperte?
Anjo do mal, ser ignóbil para o qual eu abri a janela, porta e portão;
Ser com o qual em noites me perdi, e me deixou mais velho para lembrar-me da juventude e tudo o que perdi com teus encantos de maldição;
Não me lembro ao certo que dia era...sobre anos que se passaram, não saberei precisar com exata precisão;
Roubaste de mim até mesmo o que não tinha, de volta à vida...a uma vida que desejo que fosse morte em realidade, para jamais sentir na condição de eterna vítima de tua maldição;
Levaste meu raro sorriso, de meus últimos suspiros de dias de juventude, roubaste a razão;
Me apresentas agora espelho...me apresentas como estou mais velho, tudo o que não tenho por em ti ter acreditado...me faz contemplar a face de um desanimado desespero;
Hoje, em dia de vazio no olhar e mente inerte...bloqueada por tua destruição avassaladora, lhe faço um último apelo:
Volta, batas em minha janela mais uma vez!
Hei de saber de quem se trata, ao menos desta vez, não esqueço jamais nossa viagem e tudo o que me fez;
Regresse, para enfim, levar o que restou que chamo por vida...termine em mim tua obra não concluída, faça em mim ao menos um esboço do sorriso levaste sorrateira, em minha tez;
Ou, voltes simplesmente para contemplar tudo o que destruiu, pois, se teu trabalho concluíste...volte ao menos para rir de todo este inferno que aos poucos, tira minha sanidade e lucidez.





Um comentário:

  1. "Fantasma ou anjo maldito, o que me trouxeste senão o que sutilmente roubaste e fazes. com que até mesmo, de meus mais doces sonhos, para os teus eu desperte?"

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.