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domingo

Entre idéias e atos...devaneios e fatos.








Trancado, ainda que não esteja fechado...ar rarefeito, peito assim sufocado;
Fechado em ambiente pouco aberto, dormindo sono intranquilo que se pareça com perecer no inferno;
Noites assim, dias que se fazem inertes como o ar que se respira...tão infectado;
Assim, se faz típica a natureza de um dia inútil e parado;
Trancado em um quarto aberto, aberto para o nada entrar;
Esperando pela certeza daquilo que se detesta acreditar que seja sempre tão certo, de olhos fechados...porta entreaberta, mas sempre vigilante e esperto;
O perigo ronda, o perigo se oculta por trás de sorrisos aparentemente inocentes que estejam por perto;
O perigo, quiçá...resida em mim mesmo, o perigo por ter perdido de vez o juízo após, por anos, suportar ou sobreviver um psicológico inferno;
Corpo trêmulo, sono intranquilo...parece obsessão desnecessária pensar, mas obsessão não há de ser opção para que se deixe de pensar naquilo;
Levantar-se com musculatura enrijecida pela dor que perturba e se faz anestesia, corpo hirto;
Deitado...a pensar naquele ato, ato nefasto que ainda persiste na mente, embora não se consumara deveras em fato;
Se em fato tivesse se consumado, não estaria aqui a escrever...se fato fosse, não estaria eu talvez, aos poucos a enlouquecer;
Deitado, sentado...dormindo...no onírico ou em consciência, eis um cadáver que sem propósito caminha a padecer;
Até que um dia o ato impensado venha a se consumar, ou até que um dia tudo que é obscuro venha a se esclarecer...
Até um dia, que a pouca razão que ainda persista se perca, até o dia em que de fato, em monstro criado para ser pela sociedade repudiado, eu me converter...
Até lá, eu escrevo...até lá, por conveniências tão escusas quanto meu próprio existir, hei de aparecer.




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