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sábado

Carta ao verdadeiro poeta.






Nobre poeta de rua, vos remeto humildemente esta carta;
Poeta assim nascido, por condição inata...distinto de mim, que assim fui feito pela vida e necessitei flertar inclusive com aquilo que mata;
Sua essência é pura, sua alma é por si somente inspirada;
Sua mente é campo fértil, onde quaisquer sementes hão de se converter em belas flores ou frutos, se ali como idéias, semeadas;
Sentimentos na ponta de um lápis ou uma caneta, batidas no coração descompassadas;
Palavras esparsas que encontrarão por si somente seu destino, palavras por ti eternizadas;
Tributos hei de pagar a ti, nobre poeta...pois, és da criação tal qual o pintor;
A caneta se faz seu pincel e o papel será sua tela;
Para sua imaginação não haverá limites, para sua criatividade...aquilo que alcance seus olhos para o papel recebem convite;
Da compreensão humana ou da exata ciência, será sempre incógnita para ser compreendido com seu singelo e sutil requinte;
Parece estar sempre ausente, se parece tão preciso ao tecer com perfeição aquilo que até mesmo o sagaz boêmio gostaria de descrever com sua distinção;
Remeto-lhe com carinho a presente, como forma de agradecimento...da forma que lhe for conveniente;
Pedindo-lhe somente para continuar a existir, pois sua existência coexiste contemporânea com a poesia que entregas...como tesouro que a quem precise destine, despretensiosamente;
Peço-lhe que aquilo que descarte como rascunho, ceda-me como presente...para que assim eu possa contaminar-me com um pouco de sua aura, e tentar soar original à sombra de sua personalidade tão reluzente;
És estrela, sou satélite natural...iluminai-me, ó distinto poeta, ainda que seja com a fagulha de luz que, desapercebido, descartas no lixo...pois, com qualidade, ostenta contigo inato compromisso;
Não desejo roubar tua luz, quero somente fazer parte do show...provar um pouco dos holofotes que alheios a mim estão, e viver intensamente por um segundo que seja...
Ainda, que iluminado, por vosso ofuscante brilho.






Um comentário:

  1. "És estrela, sou satélite natural...iluminai-me, ó distinto poeta, ainda que seja com a fagulha de luz que, desapercebido, descartas no lixo...pois, com qualidade, ostenta contigo inato compromisso..."
    Sem mais.

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