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quinta-feira

Elton para alguns...um distinto rei, para mim.





Em tuas palavras, tudo aquilo que um dia eu tencionei dizer, mas adoro de ti...ouvir;
Em tua melodia, magia...inebria, assombro em uma nota que faça alegria...
Remeta a doces reminiscências da memória de um longínquo dia, que traga até mesmo uma estranha e agradável melancolia;
Sobre teu existir...apenas, alguém grato à distância a lhe admirar e assistir, de teu nome neste momento lembrar e tais quais coisas que transcendem o que seja especial por um momento somente, como tua singular sonoridade, eternizar;
Alguém que emudece, quando ouve por vossa tão distinta voz, perfeito sentido em palavras tocantes que façam este tolo poeta em completa catarse, viajar;
Cante, fale por mim aquilo que não sou capaz de dizer ou toque onde não posso tocar;
Era momento de sorrir, com uma nota me fez uma lágrima não necessariamente de tristeza, por meu rosto discretamente deslizar;
Era momento de chorar...fez com uma canção tão sua, versos tão meus...capazes de me devolver um sorriso, sem se importar por versos assim de vossa genial autoria, emprestar;
Vossa majestade, assim o chamo...apesar de apenas por Elton, muitos por aí, seu primeiro nome chamar;
Querida figura que tanto estimo...cante, diga algo neste momento, pois já é chegada a hora de sob sua presença sonora que acalma...este jovem admirador, se calar.




THANKS FOR EXISTING, DEAR ELTON! CHEERS!

Execitando paciência





Sinto que ainda me resta alguma paciência, porém o pouco que me resta estou a ponto de perder;
Sinto que o muito que me resta se assemelha a quase nada...sinto, que quase já não há mais motivos para, por minha própria vida, ao desperdiçar...temer;
Paciência não deveria ser algo que sempre se exercita, paciência...tua hora há de chegar, mas tua face envelhece e tua saúde padece nesta sociedade maldita;
Sinto que não consinto mais o aquilo que vejo, que desejo parcialmente aquilo que desejava outrora...como a juventude há de ansiar pela lascívia e mistérios de um caloroso beijo;
Sinto perder o interesse, sinto que nada mais me interessa...sinto que faço papel de idiota, quando no papel faço minha arte que se parece aos demais ignóbil perda de tempo, coisa que não tem valor...não presta;
Interessante...quando se peça um minuto para ponderação, quando na verdade tudo o que se queira na verdade, seja barata e estúpida distração;
Interessante...como há de se clamar por inteligente uma população, que sequer compreenda vocábulos simples de sua própria língua, ou o real propósito de sua condição;
Não se deve ter piedade de quem tenha escolha e venha a optar por ser eternamente estúpido e recuse evolução;
Não se deve ser sequer agradável...com aqueles que desconheçam princípios básicos da empatia ou de boa educação;





Seu tempo passou.




O tempo passou, você parece que definitivamente...após tanto me degradar, se degradou;
Lixo sem qualidade, caro objeto e fruto de toda maldade...seu prazo de validade que se parecia de longa vida ou longa morte, se expirou;
Estou no mesmo lugar, o vil objeto de papel fruto de meu suor...com um sorriso estranho a fitar;
Você, já não é mais a mesma...e como uma dama de bordel, com seus encantos e sedução já cansei de me distrair e me encantar;
É sereia que canta com maldade, mas é sereia sem um mar...no entanto, no oceano de minhas próprias lágrimas de amargura, por diversas vezes tentou me afogar;
Febre que passou, doença que se curou...ou definitivamente matou;
Você é algo que ainda resta por aí para tentar, algo que ainda persiste...
Ainda que saiba que remotas serão suas chances contra o imbecil que por tanto tempo traiu e por ti, fez procurar;
Você é algo do passado, e tudo o que seja passado, posso afirmar com veemência que evidentemente já passou;
Você é filme que não mais interessa, algo que se assemelha ao que estraga toda forma de planos...assim como seu prazer tão fugaz, sua arma secreta...sua dose de engano;
Você costumava me chamar em um anoitecer, me conceder nefasto prazer e arrepender-me por estar vivo em um iminente amanhecer;
Vá, desgraçada...vá roubar ao diabo ou a quem lhe queira, para um adjetivo que não seja pejorativo, em um ato de insanidade lhe conceder;
Sua morada, faça onde seja pretérito...onde seja preterida e atenção alguma reste a "damas" malditas, que trazem a um mundo pleno de belezas...desnecessário torpor que se consuma em satânica tristeza;
Você costumava levar de mim, mas hoje, levo consigo um riso de escárnio quando me lembro de ti...
Você costumava ser uma idéia, e como uma idéia que se acende e acesa não deve permanecer...com a brasa deste cigarro que apago contra um muro qualquer, como a bruma do mar há de esvanecer.




terça-feira

Minha vida, minhas escolhas.




Dizem que está comigo, dizem que consigo;
Não sei ao certo o que estaria comigo, não sei ao certo...se este, seja apenas pretensão e ilusão conveniente que esteja contigo;
Falam sobre o que seria bom para mim, fazem planos...coisas boas, boas para terceiros, boas para pessoas;
Seria realmente meu desejo relevante, ou seria simplesmente saber sobre estes...motivação para troças quando vejam derrota em meu semblante?
Virão a falar novamente, com aquele ar jocoso que sobre este suposto segredo que se pareça conspiração de todos e, como se eu, um exponencial tolo...desconhecesse somente;
Falam sobre desejar por mim, mas desejo já é meu...falam sobre coisas que estariam comigo, com disfarce em um quase irônico sorriso, como se fora eu estúpido ou ateu;
Falam sobre meu fracasso ou meu sucesso...falam sobre tudo o que queiram que seja meu;
Peço por favor, silenciem, atenham-se a preocupar-se somente com o medíocre existir que seja tão seu;
Sobre meu próprios sonhos ou aspirações me faço ciente, acerca meus pecados...sou zeloso para que estes não sejam recorrentes;
Olhe para outro lado, olhe para o ser adjacente ainda que este seja delírio...ainda que seja espelho, que para ti tanta falta faz, espelho ausente;
O que está comigo é suficiente, bom e justo para até este momento, me manter ao menos, pensante e vivo;
O que está contigo...é intenção de dominação ou estúpido egoísmo que acredita em traição de mim mesmo;
O que está comigo, é certo apesar de abstrato...o que está contigo, se parece com nefasta conspiração para anular uma existência, ou simplesmente falácia coisas do bem, que exista intencionalmente para ocultar um pacto com o diabo!






segunda-feira

Entre o amor e o opressor.









Cansado de ser entusiasta que propaga aquilo que não sinta, até mesmo coisas sobre amor;
Cansado de ser algo que não seja...ser simplesmente alguém tão ignóbil, ainda que com alguma distinta beleza...em um mar de ignorantes, onde não seja notada sequer a mais fina e rara flor;
Assumo...gostaria eu, de ser por um dia ao menos, o armado opressor;
Nada haveria de se distinguir diante de meus olhos, tudo seria inimigo para ser eliminado e eu, seria uma espécie de satisfeito rolo compressor;
Aos olhos de uma mira atenta, licenciada para procurar por encrenca nada escapa...contra mim, nada poderia, todos temem, nada intenta;
Meus olhos amedrontam, minha presença afugenta...no coldre sempre ostentando com ameaça de morte, respeito, embora em forma de bravata tão asquerosa...nojenta;
No peito...não bateria um coração, mas bateria ou mataria por licenciado ser, aquilo que desarmado esteja, ainda que não representasse perigo ou estivesse completamente passivo, sem reação;
Para isso seria treinado...para combater a civilidade, máquina de matar pronta para combater a civilização;
Não preciso de flores, não preciso de vida...preciso de combate, falta de ação predispõe ao tédio...e isso, ainda mais me irrita;
O que olha senhor, o que olha senhora? Esqueceu quem eu sou....uma autoridade tão austera, arrogante e que para meros mortais como a ti, as regras dita?
Esqueceu quem eu sou....quem sou eu??? Nada além, talvez de uma alma aflita, nada hei de ser sem meus acessórios que respeito por medo impõem...não sou nada, sem a necessidade de uma contenda, uma desnecessária briga;
Retornando de meu delírio, recuperando um pouco de minha estúpida sanidade...recuperando o juízo...
Sou grato por assim ser, não ser juiz ou pseudo autoridade;
Sou grato por ter aprendido compaixão e empatia...por ter músculos fortes que se movam apenas quando haja necessidade;
Sou grato até mesmo pela farsa que sou em letras, pelos sentimentos que finjo sentir e por nada ser, além de alguém que viva em devaneios e nada seja sem estas tão preciosas letras;
Entusiasta de um sentimento que não conheço por completo, chamado de amor...não há necessidade sequer de olhar nos olhos do opressor;
Sem seus acessórios ele não existe...sequer é humano o suficiente que saiba o valor de uma vida, talvez até mesmo de respeito ou admirar as cores em uma flor.





domingo

Ser sucinto.








 
Sobre o poeta, diz-se que este deve expressar em pouco aquilo que se sinta, que deveria talvez ser breve...sucinto;
Mas, se sucinto for, não sinto quem estou sendo completamente leal com as verdades ou inverdades para se expressar, que trago comigo;
Um trago a mais, um minuto de vida a menos...com esta simplicidade, da cumplicidade de suicídio consentido, para mim mesmo ao ser breve...eu minto;
A verdade ou ilusão que vendo, não se vê no vermelho ou no repentino vazio que se faça em um cálice de bebida barata ou de fino vinho tinto;
Sinto, logo hei de transcrever, mas perdão eu peço senhor...não sou excelência em poesia para ser preciso e sucinto;
Não saberei dizer ou concluir idéias tão desconexas, resumindo ou reduzindo a uma linha que há de tornar tão subjetivo este algo, ao ponto de não fazer sentido;
Sou escriba, entusiasta das belezas, transcritor inato de melancolia e tristezas...inteligência que não seja emocional, não trago comigo;
Sou patético ou falho quando tento com ineficácia, ser sombra do ilustre poeta, pois sinto que somente há de ser relevante aquilo que seja dito breve como um raio, ou trago que na face cause alguma expressão de sublime satisfação, ou da amargura do absinto;
Não sei ser sucinto, mas ao menos, sinto que sobre palavras que a mim são precisamente pelos ventos do destino sussurradas, sou distinto...singular em minha estupidez e reitero, não minto;
Tradução de tudo que no abstrato ou ausência mental impera...não sou placa, para ser precisamente suficiente em uma mensagem que necessite necessariamente ser completa;
Não sou sombra do poeta...mas, talvez algo além de sombra ou singular o suficiente para ser alguém que sombra própria produza eu seja;
Não sou aquilo que por vezes desejo...contudo, com olhos alheios que em um mundo distante parecem pairar, sou simplesmente aquilo que vejo e em versos ou prosa...com o único compromisso de não trair a si mesmo, simplesmente, escrevo.




Domingos, o que serão?




Lá vem as horas, inevitável chamado trazem consigo, para que sonhos que se sonhem em dias de descanso, cessem para o mundo que parece já esperar lá fora;
Logo, pensamos em quê fazer nestes minutos, embora sejam na verdade poucas, ou muitas improdutivas horas que nos restam...
Horas que propositalmente se fazem acelerar em um detestável pingar, que deveria ser lento na ampulheta que persiste, ainda que imaginária diante dos olhos...como maldita ilusão que não vai embora;
Parece que o dia, na agonia de um domingo róseo em um céu de melancolia, chora;
Segundas parecem iminência de mesmice...
Repetição insana de rotina estúpida, como palavras de um texto decoradas e cansadas de serem repetidas, por quem já disse;
Finais de semana, por sua natureza tão livres, ou ilusão de liberdade que se viva intensamente por horas, para se esquecer em verdade...da prisão, que durante cinco ou seis dias, se vive;
Tudo é final em um domingo, em um domingo tudo se parece mais triste;
Como se todo prenúncio daquilo que já se cansa ou do que não presta, lhe apontasse o dedo como ultrajante bravata, em riste;
Domingo...dia solitário ou acompanhado para esperar por nada neste vazio, dia para em nada se pensar, ou ponderar sobre o que lhe resta;
Em uma existência tão breve, domingos se parecem cada vez mais curtos, como a breve pausa de tortura psicológica entre o açoite iminente que marca sem piedade e ao corpo fere e afeta;
Domingo...dia repleto de vazio, dia sem inspiração...dia no qual talvez não devesse sequer escrever, ou pedir inutilmente por algo que preencha a mente ou o coração;
Domingo se parece com nada, logo domingo se parece um pouco comigo;
Domingo, porém, se parece com aquele estranho nada que precede a iminente tormenta...a calma, para respirar como clemência que seja concedida antes do retorno do castigo.



"Não é que eu odeie segundas, eu detesto elas como o fim dos Domingos"


Temos dez, só falta você!



Temos dez, só falta mais um...para completar este circo onde se entretém palhaços, para distrair o pensamento, alienar e desviar os passos;
Temos dez, só um há de faltar para o time...a faca necessária para se enterrar em um crânio pensante, a cerveja espumante para quem assista e seja conivente com este crime;
Temos quase um time, para a prática de um esporte que valoriza pés habilidosos em um país que massacra mãos que trabalham;
Mãos guiadas por um prévio pensamento...pensamento que pressupõe treinamentos, anos de atenção dedicados a um estudo...algum ensinamento;
Vamos formar um time, exercitar nossa estupidez que chamamos por arte e temos, por estar em um lotado estádio, a ilusão;
Vamos formar um time, ainda que seja apenas com dez...um ode que se escreva com os...pés?
Vamos formar uma equipe, para mera distração...vamos protestar em dias de domingo, pois também só falta você para mudar os rumos desta nação;
Boicote jamais, pois o lema aqui é ostentação...deixar a bola parar de rolar? Jamais...aqui, é um país que se constitui de crack ou craques semialfabetizados que adoramos ver na televisão;
Temos dez, e não sei o motivo de faltar ou sobrar mais algum...pois, aqui, diferença não se vê ou se faz...e somas ou subtrações, jamais resultam em resultado algum;
Apito dado, chute inicial...vamos correr ou torcer rumo a mais um gol, vamos protestar em domingos, comprar idéias superfaturadas...tomar a cerveja para esquecer que sou um apenas, um brasileiro boçal.




Regresso da autopiedade





 

O retorno, a volta daquilo que não mais deveria ter ido;
Regresso, volta à realidade daquilo que desta, não deveria novamente ter partido;
Lucidez uma vez mais se fez torpor, consciência uma vez mais se faz estupidez;
Sentidos...uma vez mais traídos, por estranha e muda mente que como se tomada, muda...e faz de tudo insensatez;
Telefone não é amigo, ímpetos que residem no âmago de teu ser, agora tão inimigos...
Qualquer lugar para se abrigar será abrigo, qualquer palavra de um estranho que se pareça afável, será palavra de melhor amigo;
Influenciável, susceptível...novamente levado por aquela vibração conhecida e indesejada, tão horrível;
Do delírio e êxtase que permeiam a loucura, retorno à realidade de concreto e incômoda para se fazer ainda mais dura;
O céu é juiz implacável, olhares...serão de silenciosa condenação, ou condescendência com este ato uma vez mais, tão condenável;
No bolso, nada resta sequer para contar...da riqueza que ali havia já não há sequer dinheiro para voltar, nem mesmo uns trocados;
No rosto a vergonha de uma derrota que é tão particular...vontade de partir para sempre, mas não há para onde ir, a não ser, para o lar eterno dos caídos ou finados;
Então, levanta-se este corpo que há poucas horas era saudável e agora, está novamente sujo...rume de volta para casa, por coragem ou covardia, estático olhar de desespero que contempla qualquer muro;
Lembre-se de teu nome, lembre-se de quem seja...não permitir que o regresso daquilo que não deveria ter ido por um dia...para sempre, ponto final em seu existir seja;
Só por hoje...é frase feita tão válida mais uma vez, de volta pra casa que já não é seu lar, mas de volta para algum lugar onde encontre segurança e alguma condenação...
Um lugar, onde paredes e tetos somente sequem suas lágrimas e sejam testemunhas do real retorno de sua lucidez.



Só por hoje...amigos!

Desventuras de Ana.







Cansada de toda maquiagem que ocultava marcas do tempo e dissabores, preferiu um pacífico cobertor de plácidas e amarelas flores. Cansada de estar alheia à tudo sempre, cansada de sempre estar em decorrência de seu tratamento...sempre a ostentar aspecto de beleza distinta, mas sempre doente.
Ana preferiu deitar-se agora para dar um "off" no mundo...pois, já se fazia cansada da obrigatoriedade cruel de, ainda que em sua condição, ter de estar sempre ligada, estar sempre atarefada e não dispor de um segundo para si mesma...sequer, para lembrar-se sobre um real motivo que fosse sinônimo de vida e não sobrevivência cansada.
Lembranças de um tal Ataíde, chefe com síndrome de capitão, razão pela qual em sua doença havia recaído. 
Realidade agora é ataúde. Como o tão confortável berço que remete à toda infância, feito de madeira sob medida e tão consigo para ser chamado de eterno amigo.
Ana estava cansada, não tinha mais motivos para sorrir, cansada de ser secundária em todo plano. Cansada de ser zombada até mesmo em sua infância, por aquela estranha condição de pés no chão...seu maldito pé plano.
Desde a infância, criança vítima de zombarias cruéis...quando adolescente sonhava com seu príncipe, mas jamais vira em seus dedos, alguém que se interessasse, senão um vendedor, a colocar anéis.
Queriam que Ana fosse normal, queriam que ela não se importasse com tudo o que fosse besteira por demais, como ser sempre por outros de sua espécie, mas tão animais, como objeto usada...como se fora tudo isso, coisa banal.
Ana era simplesmente uma pessoa comum, que desejava ser normal...vítima de uma doença sorrateira que ninguém vê, sorrateira o suficiente para roubar para sempre um sorriso, para levar qualquer ilusão de viver em vida um paraíso. Doença preocupante chamada depressão, porém tão preocupante ao ponto de todos fingirem não ter nada com isso.
Fez o que fez. Ainda em seus trinta e cinco anos, se parecia mais velha pelo sofrimento aparente em seu rosto, sofrimento quase que sempre imposto...
Agora, estava onde talvez não quisesse ou quiçá, queria...não haveria mais noite, não existiria mais raios de sol que fariam nascer para à toda sorte de humilhação lhe submeter, em mais um dia.
Seria sereia, seria rainha...agora Ana é centro das atenções, falsas lágrimas ou lágrimas de sangue e remorso derramam sobre seu corpo, mas agora...Ana não se importa, pois para os demais, é apenas o que sempre quis em vida ser...indiferente, tal qual a este jovem corpo assassinado pela vida, apenas um corpo que repousa em paz, morto!




sábado

Ilusões e despedidas.




Se partidas fossem prenúncio ou esperança de retorno, no horizonte para sempre, não veria você naquela dia partir;
Se desespero não fosse imagem que se reflita nesta face aflita no espelho, não desejaria por todo sempre como o inesperado sem adeus que partiu, pelo mesmo tempo sumir;
Se desejar ou orar fosse eficaz, talvez...você ainda estivesse por aqui;
Se meus joelhos já não doessem por súplicas ou meus olhos não estivessem cansado de chorar...quem sabe, alguma pujança que fosse fagulha de esperança, levassem meus pés até a ti;
Pulmões padecem, lembranças aos poucos se esquecem;
Na lua, nada resplandece, o fogo não mais aquece...
Minha vida aos poucos, nesta casa onde sua imagem e suas digitais ainda permanecem,  perece;
Minha mente, tal qual  ao coiote que uiva, em uma também solitária colina, de tanta tristeza enlouquece;
Partidas que não são jogo, partidas que não são previstas e sobre as quais a escola da vida, de nos ensinar como lidar se esquece;
Pessoas que não deveriam marcar...e se marcam, ainda deveriam não somente como tristes memórias lacrimejantes daquilo que foi somente, restar;
Um dia, neste longínquo horizonte, meus olhos claros quase translúcidos e meu corpo já envelhecido e esquálido, ainda ostenta o desejo de ver o caminho inverso, alguém a retomar;
Um dia...ainda que este dia seja meu último...hei de persistir, hei de perdurar, para este momento responsável por esta excruciante dor que por dentro me consome, finalmente em fato, se consumar;
Por que me marcou tanto, se um dia planejava partir sem planos para retornar?
Por que planejou partir, se assim me marcou...pois, tudo aquilo que parte e intencionalmente parece um pedaço de nós levar...
Parece assim fazer, sem se importar com o castigo que nos imponha...com os olhos que deixam solitários em algum canto onde pássaros não mais cantam, a chorar.






Mão que afaga, mão de adaga.




 
Tínhamos tudo em mãos, tínhamos...quando o mundo se fazia ausente, a singular mão que afaga;
Tínhamos tudo sob controle...porém, tudo o que desde os primórdios desejara, fora justamente este detestável controle;
Tínhamos algo, mas este algo jamais se parecera ser suficiente...se fosse. em acordo com vossa vontade, seria amizade...
Do contrário, seria sofrimento solitário e de ti, eu me veria assim ausente;
Eu era verso dispensável em sua insensata estrofe, eu assim tão incauta...jamais realizara que não foras digna sequer, de algo que se peça que prove;
Centro, centrífuga...para todo egoísmo tão latente, há de existir uma fuga, ainda que tardia;
A idéia prevalente deveria ser seu plano, mas em teus desígnios, planos para mim não havia;
Inclusão...exclusão, tudo em acordo e precisamente girando conforme conveniência, tudo...haveria de ser, em conformidade com as aparências;
Por que, haveria de ser assim...por que, toda realidade tão aparentemente aprazível vivida, necessariamente deve se assemelhar a sonho ruim?
Acordar, enfim...agora, já não te reconheço, pois amizade jamais existiu sequer como futilidade que fosse meio, ainda que para um estúpido fim;
A mão que afaga, a mão que era eufemismo para a sutileza com a qual se inseria em meu âmago, uma traiçoeira adaga;
A mão que agora não mais vejo...tu passastes, és pretérito preterido pela realidade;
Siga adiante e que os bons ventos, não lhe acompanhem...siga, falsa amiga, rumo ao seu precipício de autopiedade.






Vento, não é meu elemento.



Por vezes, penso em assim passar e como a leve brisa, nada além de sensação que seja insuficiente para ser inebriante, em alguém deixar;
Por vezes, estou alheio e inerte, não me proponho a soprar por simplesmente me sentir sufocado, por simplesmente não haver vontade, sou completa ausência sufocante de ar;
Soprando ao vento, não necessariamente este vento, mas sou algo um pouco mais frágil e necessito de formas que se adaptem ao momento;
Sou aquele que perpassa desapercebido, sou aquele que se liquefaz...ainda que, não através de olhos tristes, quando é ferido;
Por muitos desconhecido, por quase ninguém querido...sou aquilo em que me faço presente, faço-me presente e logo faço parte daquilo;
Se disso faço parte, quase que necessariamente hei de vibrar na frequência de onde repouso;
Porém, posso ter força quando compelido...para romper, se necessário e raramente também surpreendo quando ouso;
De mim não se ouve, de mim pouco se sabe ou pouco se soube;
Poderia passar junto a ti, escorrendo perpendicular ou horizontalmente nesta aprazível chuva de inspirações que desenha como chuveiro...
Poderia, passar junto a ti...passar desapercebido, contudo passar e fluir por um dia inteiro;
Para quem pense que sou aquilo que sopra ou intenta a rumar, influenciar como a voz do momento...
Para aqueles que pensam enganosamente, que minhas convicções hão de mudar em conformidade com o vento;
Hei de afirmar com certa veemência que não perca em presunções errôneas seu tempo...hei de afirmar, que é na sabedoria da água, que encontro meu elemento.





Preciso precisar.




 
Gostaria de pedir por algo, senhor...que não sei ao certo precisar o que seja, sequer sei afirmar se preciso;
Preciso pedir, entretanto, por este algo...este algo estranho que de mim não faz parte, mas onde por instantes encontro abrigo;
Gostaria de não ligar, gostaria de não pedir...não precisa saber com precisão o que seja, simplesmente traga aquilo que preciso; 
Como subentende-se nas entrelinhas de uma estranha canção, com uma misteriosa letra, seja simplesmente obediente e legal comigo;
Seja ao menos atencioso, quando menos necessito de atenção...enquanto me disponho a pagar, seja ao menos um ideal de maldito amigo;
Preciso precisar daquilo que não necessito realmente, mas esta idéia, se faz maldita obsessão que não sai sequer por um segundo de minha mente;
Preciso sei lá...esquecer, me lembrar...talvez, esquecer de me lembrar e não me lembro nem mesmo, do por quê estou a te ligar;
Te liguei e estou a lhe encher, mas não és confessionário onde eu deveria estar a me confessar;
Melhor deixar pra lá, obrigado pelo breve minuto de atenção senhor...até a próxima vez que eu te ligar...
Até a próxima vez, quando eu achar, que eu preciso precisar!




 

Nipônico Orgulho.






 
Dedicar os melhores adjetivos sobre este curioso ser, que tanto representa sua raça, há de ser pleonasmo;
Melhor de perto ou longe observar seu curioso existir...melhor há de ser, se entreter com seu sábio e quase afônico jeito de ser, que parece ser inato;
Alguém nascido em berço de orgulho, vive pelo orgulho de identidade e tão homogêneo se parecer, em multidão onde há de se observar apenas seres de olhos puxados;
Ser ciente de que somos iguais, meros aprendizes sujeitos ao tempo...vulneráveis e mortais;
Ser capaz de ser diferente, ainda que todos, tanto insistam em se parecer...ser único para ser lembrado em memória e não desaparecer como nuvens que se movam para um local chamado jamais;
Sotaque diferente, sorriso tímido que oculta, por vezes, a genialidade de alguém involuntariamente tão curioso e engraçado;
Vitória não se comemora, pois não há competição...quando desde os primeiros passos, ser primaz, pioneiro, faz parte de sua cultura como uma comum condição;
Como se fora nada para ser celebrado, como se nada fosse vencer...a não ser, algo que traga consigo como mera obrigação;
Relevante há de ser toda sabedoria que antecede, sucesso há de ser, toda novidade que aos padrões atuais desafiam...um passo adiante de tudo o que se sucede;
Não me lembro ao certo, do nome daquele intrigante ser, que em meu passado se faz somente memória de ensinamentos relevantes para por mim, serem lembrados;
Não se importa com seu nome, importa-se muito menos com seu ego, porém também há de ser alguém que, vivendo por códigos peculiares de honra, deseja se sentir honrado;
Alguém que há de se importar com aquilo que seja possibilidade de coletiva evolução, ou palavra de sabedoria que surpreenda como algo certo que surja precisamente, no momento errado;
Não me lembro exatamente de quantos nipônicos em minha vida conheci, contudo, de todos que se passaram...
Do passado que com estes aprendi, para meu presente com sorriso em um doce recordar, coisas sobre a vida para construir uma melhor forma de existir e coexistência, comigo trago;
Se sentir saudades é coisa de minha gente e se sou assim tão latino para me apegar às coisas, simplesmente deixo para vocês tão distintos de mim, meu muito obrigado;
Realmente...foram seres e ainda serão, muito além de minha vil compreensão...observar e estar alheio, e contentar-se por, não necessariamente ser observado;
E, se me permitem uma jocosa e inocente brincadeira sobre como desejo vos definir, simplesmente hei de vos chamar neste planeta de seres tão animais, como um KAZUO HARU!




quinta-feira

Bauru: um coração, que espero por mim pulsar.




Ela é coração, mas sinto que por mim...não pulsa;
Sinto que ela é tão grande, esparsa e estática...vem antes de mim, e após mim, continua;
Diz-se que não possui limites, mas limites aqui encontrei em minhas aventuras ou desventuras, verdades desnudas...tão cruéis e cruas;
Verdades tão minhas...verdades que teus quatro cantos, compartilharam comigo, verdades que foram ora sorrisos, ora lágrimas minhas e tuas;
Verbo antes de mim, verbo após o infinitivo e tão finito que é meu breve existir;
Em ti resisto, em ti tento subsistir e meu espaço...para brilhar, creio que hei de encontrar em um raio de Sol, que somente para ti, se levante para iluminar;
Também, hei de querer neste dia, em uma fagulha que desejo emprestar ou sorrateiramente, roubar... brilhar, e sentido para este existir encontrar;
Ela é coração, vias e artérias para quem por ela passe, hospitaleira e peculiar em seu jeito de ser e estacionário de estar;
Um dia, entretanto, acredito que como uma mãe incauta, teu filho há de reconhecer, ainda que fora de teus limites...quando por segundos, ele vier a brilhar;
Não sei ao certo se sou estrela, não saberei se sou mero satélite pela luz alheia...por minutos, em um céu de asfalto a brilhar;
Asfalto tão seu...asfalto que posso com detalhes descrever nestas três décadas, de sobre ti caminhar;
Sobre ti...todavia, jamais acima em um grau comparativo;
Tu és eterna...eu, sou mero poeta ou escriba da vida, um mero ser vivo;
Vivo...para quem sabe, por ti ser um dia reconhecido;
Vivo, com o intuito tolo e inato dos poetas de por ti, jamais ser esquecido;
Ainda que poeira seja eu somente um dia, valeu a pena ter lhe conhecido


CRÉDITOS PELA FOTO: JORNAL DA CIDADE DE BAURU - MUITO OBRIGADO, AMIGOS!


Sobre amor.







Gostaria de falar algo mais, acrescentar talvez uma distinta vírgula ou um ponto que mudasse o sentido;
Mas, sentimento não se muda, apenas...há de se mudar a forma sobre o qual seja descrito;
Sobre amor pouco sei, quando acerca de mim mesmo pouco me importo, logo...não serei capaz de versar sobre algo pouco sabido, o suficiente para que seja  verso definitivo;
Se é infinito o amor, ou seja no infinitivo do verbo amar;
Seja sobre algo em si mesmo encontrar, ou sobre si mesmo abdicar para de alguém mais, se lembrar;
Se perdura somente pelo tempo de um breve e humano existir, que seja suficiente para ser o algo mais bonito;
Se for sublime, incondicional e ultrapassar limites metafísicos...que seja a mais perfeita sensação de sobriedade e paradoxal torpor, que se sinta somente no infinito;
Se for besteira tudo isso que digo...que seja esquecido, continuo a caminhar e com amor talvez sonhar, mas direi que não tenho nada com isso;
Afirmo com veemência aquilo que se faça, talvez...em meu próprio existir o maior vazio e maior carência;
Não peço por nada. sequer pela alheia paciência...quando descobrir finalmente que amor, estava em por trás de olhos que me observavam, porém não fui capaz de descobrir por falta de inteligência;
Vivo por assim viver, digo sobre amor...por assim dizer;
Escrevo não sei por quê...talvez, para que outros saibam o que seja, e jamais venham a sentir algo parecido com o que seja suportar meu próprio sobreviver;
Amor...que falta como sentimento para mim, presenteio em palavras que talvez não façam sentido...
Com olhos frios e indiferentes por ter escolhido o ódio para eternamente sofrer, como flores com a cor daquilo que pulsa em meu inútil coração, a você.