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sábado

Versos de mistério


Estou aqui sentado a fazer versos, onde distintos se fazem iguais... Embora, sob tetos de terra diversos; pudera eu estar em lugar distinto, quisera eu não estar em devaneios porquanto dúvidas me consomem tão disperso; deserto, tudo o que era foco, sujeita-se à lente de um insano caleidoscópio; jovem ou velho, rico ou pobre agora tanto faz; sob tetos de terra tão semelhantes por baixo...Sob lápides, tão desiguais, descansam restos daquilo tudo que um dia algo foi e hoje se faz nada mais; dias a mais ou a menos, lugar plácido ou tétrico...sereno anacrônico, onde tempo tanto faz; lugar assaz lúgubre e indevidamente temido, lugar onde não se ouve murmúrios do metafísico, que não se parecem com sorrisos; cá estou, onde nada mais se construa ou se destrua, onde vida já não mais é vida para ser algo tão sério; como se faz puro este ar, como se faz ímpar este ensaio de contemplar com olhos vivos, onde pela eternidade seria meu doce recanto, meu lar; sequer palavras farão sentido, sequer um som será ouvido neste lugar onde conjugar futuro, se faz intrigante mistério; como é aconchegante esta pedra sobre a qual repouso, como são gentis meus amigos invisíveis, a versar comigo neste vazio, cemitério.....


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