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sexta-feira

Réquiem para ninguém.



Alguém, saberá o que seria alvorada sem prévio anoitecer?
Alguém...saberia dizer o que seria sobrevida, quando tudo o que se deseja na verdade é plenitude em viver?
Alguém...poderia me explicar o sentido em sempre ver seu sonho, ainda que lute, agonizar e diante de seus olhos morrer?
Sonhei um dia, como se sonha com a inocência que traz no peito uma criança solitária e vazia;
Sonhei um dia, mas tudo aquilo que fora por um segundo sequer pesadelo, em realidade por caprichos do destino, se convertia;
Sonhei em ver nascer, não em súplicas para morrer;
Sonhei em viver para de um singular, talvez um dia plural tal qual todos de minha espécie...vir então, a ser;
Mas, sei...que sonhar para mim sempre terá um preço, e este preço torna irascível meu ser;
Não quero mais sonhar com alegrias, quando desgraças repentinas e detestavelmente previsíveis, teimam em recorrer;
Não quero mais um filho...sim, não quero mais sequer uma forma de vida que seja pedaço meu, ver com olhos funestos e taciturnos, nascer;
Pois, sei...que tudo o que de mim seja concebido, por sua natureza é maldito;
Terá como destino inevitável agonizar e morrer;
Não quer mais sonhar, quero somente adormecer...como adormece aquele que não espera o Sol se levantar para mistérios da vida esclarecer;
Quero somente adormecer, sentir minhas pálpebras pesando...mas, pesando para valer;
Para em eternidade se transformar meu sono, para que jamais em meu subconsciente haja sonhos....
Para que então, por uma desgraçada realidade, jamais em lágrimas eu me pegue às voltas para me lamentar e me aborrecer;
Obrigado destino, obrigado Senhor....já tive o suficiente que um homem de minha idade possa ter, venha me buscar para junto de ti ou do diabo para sempre morar, por favor!




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