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quinta-feira

Poeta, vá aos infernos! (póstumas homenagens)
















Eu detesto tua vida, mas para mim amanhã esta terá inestimável valor;
Especialmente, se deixares algum tesouro como herança...especialmente, por deixares de respirar comigo, em concomitância, o mesmo ar que se faz comburente para meu oculto fulgor;
Amanhã serás lembrado, quando sob uma lápide estiver devidamente com seus restos que se assemelham a ambulante dejeto, colocados;
Hoje, entretanto, meu caro amigo...serás implacavelmente criticado, ignorado ou detestado;
O por quê sequer eu mesmo sei, talvez por ser tão presente, quando eu seja somente sombra em teu pretérito ou pretensão em teu futuro, no qual...eu seria provavelmente, descartado;
Talvez seria por testemunhar tuas lutas, ainda que glórias para ti sejam um mero e vil sobreviver;
Talvez eu simplesmente lhe deteste por persistir em minha própria resignada leniência, quando talentos em mim haveria por descobrir ou distinto alguém eu pudesse ser;
Hei, no entanto, de preferir o conforto de qualquer canto...hei de preferir uma vida "normal", ao intento de um árduo caminho que seja evolução percorrer;
Vidraça seja meu amigo, colha os frutos de suas opiniões que contestam verdades em versos ou prosa, de uma realidade que também desprezo...embora, pouco me pego a pensar ou sobre esta, algo fazer;
Pedras, entretanto, sempre ostentarei nas mãos...pedras e desejos ocultos travestidos por falsa afeição, daquele que deseja em verdade somente lhe ver sucumbir, sufocar...falecer;
Esvanecer...tal qual a bruma que se faça no mar, tal qual poeira no ar, evapore-se e rume ao distante para sempre, prive-nos de seu existir por favor;
Deste lugar, onde toda forma distinta de vida deverá amargar troças sobre seu próprio existir, para seu próprio dissabor...
Tudo o que seja póstumo, há de ser valorizado...tudo o que não mais vive, há de ter seu valor.

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