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domingo

Muros inabaláveis.



Prazer, sou uma muralha...não tenho emoções ou qualquer sentimento;
Tudo o que pensava ter, todas ilusões de tão feliz realidade...se consomem na chama impiedosa de todo egoísmo ou sopram no vento da vaidade;
Prazer...sou aquele que perpassa, como um muro mal edificado...paradoxalmente a se mover;
Fui aquele que conheceu, quando estive em meus melhores dias e pude ser proteção...fui aquele que quase esmoreceu nos piores momentos;
Fui aquele que foi abrigo para ti em dias de frio, apesar de ser mera barreira gelada edificada para ser pouco eficaz contra ações do tempo;
Prazer, sou aquele que para ti entregou um coração...mas, que coração haveria de ter um ser tão sem vida e feito de cimento?
Fiel escudeiro, fiel companheiro...em noites de frio ou calor, uma espécie de pára-raios que tentava lhe acolher no âmago de um inexistente seio;
Hoje, como bom muro....burro e estúpido que sou, sempre insuficiente para ser sequer confiável ou eficiente, te vejo partir e se parece que é para sempre;
Para sempre...é tempo demais para se dizer, adeus...é doloroso demais até mesmo para uma muralha tão alta e bruta, para fazer doer;
Espero que encontre no futuro, não um muro...mas, um verdadeiro porto seguro;
Espero que encontre tudo aquilo que não pude ser, ainda que fosse por um breve movimento de lábios que suplicassem para que, em mim...pudesse confiar e ajudar a fortalecer;
Simbiose linda, única...entre um muro e uma guria que hoje se despedem, despedaçam e compelidos pelo destino seguem;
Muro despedaçado, qual o fundamento de seu incessante pranto que não há de secar sequer se exposto ao sol ou ao vento?
Estranho há de ser, pois muros assim, altos e majestosos de cimento...serão somente meros obstáculos a se remover, não terão sentimentos;
Muros...de pura massa, ferro, concreto e cimento...assim, tão inertes por sua natureza, contudo com altura e jeito ameaçador, violento;
Muro de cimento...quem saberá na verdade de sua fortaleza ou fragilidade, do que és constituído...quem saberá de seu sofrimento?
Deixar partir ou até mesmo, como idéia que permeia o absurdo por inanimado assim ser, seguir seu rumo...engolir seu orgulho, e mover-se, ainda que feito de cimento.


NUNCA MAIS ESTA MENINA LOURA, SE APOIARÁ SOBRE TI....Ó MURO, QUAL TEU PROPÓSITO AGORA, TÃO SOZINHO? QUAL A RAZÃO DE TEU...SOFRIMENTO?



Um comentário:

  1. Por que choras, muro? És burro....?
    Não, é somente um muro....músculos, altura.
    Não deveria ter sentimentos, não deveria ter coração ou demonstrar qualquer tipo de emoção.
    Mas....por onde deve andar, aquela que sobre mim se apoiava, e levou embora meu coração?

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