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terça-feira

Das coisas que nada sei.








Das belezas reais ou surreais das quais falo em versos quebrados...quase nada, hei de verdadeiramente saber;
Das tristezas que quase como um apelo por misericórdia, com precisão quase narro...muitas infelizmente em realidade estou a viver;
De coisas belas eu gostaria de viver;
Sobre coisas tristes, gostaria que tudo fora pretensão...preferia ainda talvez, acerca destas nada tecer;
Vida há de ser beleza, belo há de ser tudo o que não seja humano...no entanto, seja simples em seu ciclo de viver;
Vida há de ser cores, vida...não deveria se tratar de dissabores;
Homem há de ser lobo, humano há de ser eficiente e preciso ceifeiro;
Humana arte de roubar vida de tudo que ousa florescer e querer nada além de paz, a paz...necessária para se viver por um dia inteiro;
Vida é tudo que é selvagem, vida não há de se contentar com adestramento e regras de prisão em um celeiro;
De belezas gostaria de viver, mas utopia é tudo que tenho para se escrever;
Horrores são coisas que vivo, e a razão pela qual simplesmente sonho e diante de triste sorte, escolho diariamente encontrar motivos para não morrer;
Na vida acredito...das belezas que sonho, um dia não hão de se tratar de miragem e finalmente acontecer;
Enquanto isso vivo...
Nessa insana arte de fazer sorrir, entristecer ou entreter...sendo a minha única razão para acreditar e assim, sobreviver.




segunda-feira

Acertando contas.






Fiz contas sobre tudo aquilo que parecia dever, mas tudo parece ser difícil de se quantificar;
Fiz contas e nestas me perdi, pois dívidas sempre pareceram além daquilo que meus bolsos ou meus esforços pudessem pagar;
Fiz de conta que não me importava, fiquei então devedor eterno para conhecidos e desconhecidos...tentando seus olhares evitar;
Fiz em minha própria resiliência abrigo, fiz de minha arte de sobreviver desde o berço e sempre dever...motivo fútil para continuar;
Fiz contas sobre quanto ainda tenho a viver, mas contas serão imprecisas para aquilo que seja imprevisível e que o tempo, com seus caprichos poderá vir a ceifar;
Conte-me uma mentira que me sirva de alento para continuar a viver, conte-me que fora covardia daquele que decidira sua própria sina traçar;
Conte comigo para qualquer coisa, mas se sinto estar em dívida comigo e com o mundo...como poderei ter algum préstimo para lhe ajudar?
Jamais soube o que fosse ficar em azul, mas conheço desde cedo o vermelho...o rubor na face por de nada dispor, o rubor que parece rebaixar minha condição e se faz reflexo no espelho;
Continuo a fazer contas sobre tudo o que pareço dever;
Sinto muito, caro credor...assim como não pedi por certos serviços que, com desagradável surpresa, me são constantemente cobrados...
Não me recordo de ter pedido para, na condição de um miserável, nascer e assim permanecer;
Ainda...que lute dia após dia sem sucesso, mas com uma fagulha de esperança que renasça diariamente em um avanço, com gosto amargo de previsível retrocesso;
Com a frustração de um anônimo ao anoitecer, que faça no limbo minha história permanecer ao tentar em paz adormecer;
Com um estranho e incômodo ranger...de dentes, por insano deja vú de estranho regresso e ilusão de sucesso que me faça enlouquecer.




O que será do amanhã?


 











 



 
Coisas tão certas em um mundo com um destino tão incerto...repentinamente, convertem-se em areia que escorre por entre os dedos, ou poeira ao vento;
Lançado sobre um mundo sem prévio requerimento, lançada a sua sorte...mas, o senhor de tudo, deveria ser somente reflexo do espelho ou o próprio tempo;
Pessoas agindo errado...contudo, sobre o certo e direções a seguir, querendo lhe indicar a todo momento;
Covardia que se fez durante toda uma vida...pretensa sabedoria, que agora sabe resolver a vida alheia ou sobre coisas que não são seu próprio sentimento;
Coisas incertas, tal qual o minuto seguinte será incerto;
Nasci em um dia, não me recordo, entretanto, se fui ao menos indagado se queria nascer, decerto;
Vento que sopra, vida que passa...vidas que não serão nada além de sobreviver por se esquecer de seu coração, porém escutar o conselho de todo esperto;
Mãos se encontram e se despedem, passos se encontram e quando hão de se perder...juntos ou separados se perdem;
Vozes que dizem, vozes que insistem em ditar o ritmo que seu coração deve bater ou a direção para que todos, seguem...cessem!
Se faz hora do casulo se romper...é chegado o momento da tão esperada borboleta, voar para onde deseja permanecer;
Se fazer hora de, por si mesmo, descobrir aquilo que muitos sequer sabem...mas, dizem como se fossem sábios, somente assim considerados por si mesmos;
O coração bate e dá a direção...o ser nasce não ao acaso com um discernimento que, por vezes, será norteado pela voz advinda deste coração;
Percam a voz, deixem nascer vidas que alegria somente querem e alegria...que seja para nascer neste mundo de tantos dissabores, felicidade que juntos trarão;
Quando dois são suficientes para fazer acontecer, toda voz alheia há de emudecer...deixem-nos amar em paz, pois a vida consiste justamente das incertezas de acertar ou errar...
E vida, é para se viver...não somente para se sobreviver para eternamente aos demais escutar, e a voz que clama em seu âmago por ser ouvida, eternamente silenciar;
O silêncio será choro...o choro, será um amanhã de amarguras para se lamentar.









domingo

Melancolia, faça-me melodia.







Gostaria de ser músico...escrever quiçá uma estrofe que se fizesse canção, um dia;
Gostaria de ser melodia, pois vivo e morre intensamente na curta duração de um refrão...de perfeita harmonia;
Gostaria de ser feliz melodia, pois já me faço cansado de ser apenas melancolia;
Escrevo versos sem sentido, escrevo sobre sentimentos...embora destes pouco saiba, ou não me faça claro o suficiente para ser um dia, esta melodia;
Vivo e morro em um segundo, escrevo simplesmente sobre coisas difusas e desinteressantes, coisas sobre o mundo;
Escrevo, como há de escrever o nobre ou ignóbil vagabundo;
Música é inspiração, no entanto, musicalidade não há em meu sangue para que fossem lembrados meus versos quebrados...ainda que fosse em um bar qualquer, em um canto do mundo;
Um canto que não há em mim, sobre cantar ou tocar nada sei...simplesmente, tento tocar com palavras aquilo que acredito ser humano e assaz profundo;
Vivo de música, todavia sobre música nada sei;
Vivo de melancolia que se ouça ecoar em meus ouvidos ou no rádio como melodia;
Porém, vivo em minha clausura sozinho, sonhando em ser lembrado como poeta em uma canção...ainda, que fosse por um dia;
Vivo na clausura com aquela maldita e estranha liberdade...quando em verdade, sequer sei trocar passos, ainda que fosse com a própria tristeza, para fazer algum sentido nesta cinza cidade;
Gostaria de viver na duração de uma música....assim como ela me conduz, me seduz e pérolas de meu pranto e dores tão minhas...sem querer, produz;
Leve-me canção...leve-me para onde não brilha mais a luz, pois meus olhos já não suportam emoções ou o esquecimento, que se faz doer no ferido coração de um pseudo poeta que nada produz;
Leve-me melodia, faça cessar minha melancolia em sua curta duração...e que perdure este cessar por além de um dia;
Pois, hei de acordar novamente para a vida esperando a música...
Hei de chorar novamente, por ser música personificada, mas em um tempo chamado jamais, fazer parte desta melodia!




Muros inabaláveis.



Prazer, sou uma muralha...não tenho emoções ou qualquer sentimento;
Tudo o que pensava ter, todas ilusões de tão feliz realidade...se consomem na chama impiedosa de todo egoísmo ou sopram no vento da vaidade;
Prazer...sou aquele que perpassa, como um muro mal edificado...paradoxalmente a se mover;
Fui aquele que conheceu, quando estive em meus melhores dias e pude ser proteção...fui aquele que quase esmoreceu nos piores momentos;
Fui aquele que foi abrigo para ti em dias de frio, apesar de ser mera barreira gelada edificada para ser pouco eficaz contra ações do tempo;
Prazer, sou aquele que para ti entregou um coração...mas, que coração haveria de ter um ser tão sem vida e feito de cimento?
Fiel escudeiro, fiel companheiro...em noites de frio ou calor, uma espécie de pára-raios que tentava lhe acolher no âmago de um inexistente seio;
Hoje, como bom muro....burro e estúpido que sou, sempre insuficiente para ser sequer confiável ou eficiente, te vejo partir e se parece que é para sempre;
Para sempre...é tempo demais para se dizer, adeus...é doloroso demais até mesmo para uma muralha tão alta e bruta, para fazer doer;
Espero que encontre no futuro, não um muro...mas, um verdadeiro porto seguro;
Espero que encontre tudo aquilo que não pude ser, ainda que fosse por um breve movimento de lábios que suplicassem para que, em mim...pudesse confiar e ajudar a fortalecer;
Simbiose linda, única...entre um muro e uma guria que hoje se despedem, despedaçam e compelidos pelo destino seguem;
Muro despedaçado, qual o fundamento de seu incessante pranto que não há de secar sequer se exposto ao sol ou ao vento?
Estranho há de ser, pois muros assim, altos e majestosos de cimento...serão somente meros obstáculos a se remover, não terão sentimentos;
Muros...de pura massa, ferro, concreto e cimento...assim, tão inertes por sua natureza, contudo com altura e jeito ameaçador, violento;
Muro de cimento...quem saberá na verdade de sua fortaleza ou fragilidade, do que és constituído...quem saberá de seu sofrimento?
Deixar partir ou até mesmo, como idéia que permeia o absurdo por inanimado assim ser, seguir seu rumo...engolir seu orgulho, e mover-se, ainda que feito de cimento.


NUNCA MAIS ESTA MENINA LOURA, SE APOIARÁ SOBRE TI....Ó MURO, QUAL TEU PROPÓSITO AGORA, TÃO SOZINHO? QUAL A RAZÃO DE TEU...SOFRIMENTO?



Cinza, cor de estranha alegria.

Imagem de alguma felicidade, é imagem que se pinta em minha mente, assim tão de repente;
Imagem de alguma alegria é como cortejo fúnebre, que segue sem lamentações rumo ao esquecimento, ou ao eternamente;
Sem uivo de lamentações, sem sirenes de condolências ou lágrimas que se derramem falsamente;
Imagem de tudo aquilo que talvez fosse bom, seria contemplar aquilo que se fosse por trás de lentes escuras, para sempre;
Mas, aquilo que se pensa não necessariamente, se vai...aquilo que te mata, se eliminado não for, do lugar onde esteja jamais sai;
Por idéias que não fossem premissa para atos, não se limpa aquilo que é sujo e não há livramento para seus vergonhosos pecados;
Por palavras não ditas, minutos ou anos em silêncio a pensar com pensamentos silenciados;
Não se faz nada além de penúria em sobrevivência, nada se fará a não ser exercício inútil da própria paciência;
Com que lhe mata, complacência...com aquilo que lhe faça mal, paciência;
Até quando, talvez...o limite que não transcenda ao de uma existência carnal perdurar;
Até quando, nada ocorrer e simplesmente dias sejam redundância dos mesmos acontecimentos que se possa ante narrar;
Porém paro...por alguns minutos e me disponho a ponderar;
Se por anos penso assim, se por anos deixe tudo nas mãos do acaso por se realizar;
Talvez seja eu então neste dia, nesta cena que se pinta...eu o protagonista inesperado em uma caixa de madeira barata, para sempre a me deitar.



sábado

Contrastes temporais.




Hoje ultrapasse um homem velho...como velho. um dia hei de estar;
Ultrapassei por seus lentos passos, passei por este livro personificado, por assim passar;
Percebi em seus olhos um sorriso...como se estivesse, em mim, seu próprio passado a fitar;
Percebi em seus olhar mudo leve angústia...como se fora mensagem telegrafada a mim, de que tudo iria passar;
Hoje, não sou tão novo...mas, ainda ultrapasso o homem velho, que amanhã talvez por aqui não há de estar;
Amanhã...serei o homem velho, talvez a sorrir de tudo isso que hoje me causa angústia, lacerante dor no peito e me faz chorar;
Um jovem há de passar por mim, pois hei de ser nada além de um amontoado de letras e histórias, lentamente a caminhar;
Talvez para alguns eu seja história, para o atento olhar;
Para outros...simplesmente, um empecilho no caminho para transpor, um nada como pareço hoje ser para sequer se observar;
Não há de mudar muita coisa, somente coisas que o tempo há de me ensinar;
Não hei de o mundo mudar, pois palavras jamais mudaram algo, muito embora...se por um momento pude algo agregar, hei de ser feliz no momento de meu eterno repousar;
Hoje sou a verdadeiro ou pseudo voz da vanguarda, amanhã...pela sabedoria que a vida traz, hei de silenciar;
Algo ensinarei a quem quiser aprender, minha boca ou mãos irão escrever somente a quem se interessar;
Se hoje, perco meu tempo em letras...tentando em idéias desconexas fazer sentido, para ao mundo versar e encantar...
Talvez, seja apenas um ímpeto ainda juvenil...talvez, seja apenas parte do que sou agora, que pouco se preocupa se amanhã sequer serei verbo para estar;
Um homem ainda jovem, que ultrapassa o velho senhor...
E, com a poeira do horizonte, vê ostentando um sorriso de carinho...ele lentamente, como se fosse eu no amanhã, se dissipar.






Queimando sem aquecer.








Fogo brando, misto de ódio advindo de toda forma de ultraje e maldita sede por vingança, que queima dentro meu ser;
Fogo feroz...que queima dentro de meu olhar triste, mas minha alma gelada não faz aquecer;
Queime fogo cruel...histórias, avance sem piedade até mesmo sobre doce memórias;
Queime, pois teu propósito é queimar...é fazer tudo aquilo que acende ou apaga, em cinzas se consumar;
Fogo...queime somente o necessário, sobretudo aquilo que não seja digno de se lembrar;
Seja fulgor impiedoso em seu crepitar, seja quente o suficiente para toda forma de malignidade que sobreviva...sufocar;
Fogo, brando ou terrível que somente em um ou dois corpos...esteja a perturbar;
Queime de uma vez por todas, cumpra seu ciclo até que não haja, sequer um brilho remanescente em um relance inocente de um olhar;
Coração não é necessário, em um mundo onde aprendemos desde cedo o que seja indiferença ou simplesmente, o que é ser impiedosos para ferir...machucar;
Fogo fugaz, que destrói em estranho paradoxo, a própria fagulha que és parte de ti e ainda brilhava em meu olhar;
Queime...consuma, toda forma de mentira, toda forma de falsa afeição que persista aqui dentro, ou lá fora neste mundo, a caminhar;
Fogo não terá piedade, fogo não tem sentimento;
Parece ser tal qual ao próprio ser humano que queima sem escrúpulos, e lamenta-se de forma hipócrita por aquilo que resta e seja tão cinzento;
Fogo...aqueça em noites de frio, entretanto, aquela que necessita de amor que não posso agora oferecer, mas está em meu pensamento;
Queime a mim, destrua de uma vez por todas este velho homem jovem...cansado de dar com o rosto no asfalto ou da própria vida, em seu frio cimento;
Fogo brando em meu olhar...seja o suficiente para em nada, em forma de morte que caminha me converter e de uma vez por todas, me anular;
Fogo brando de todo amar...seja suficiente para ser força divina, que possa...daquela que agora chora por me lembrar...
Faça com que ela esqueça, faça abrigo que a aqueça....ou faça-se simplesmente fogo em sua natureza, que a nós dois por nossos pecados mortais, venha para definitivamente matar.






Se for besteira...que morram as flores!


















Formas e apelos, coisas que desfilem por aí...não hão de interessar, não estou mais nem aí;
Procurei pelo mundo por anos, perdido entre a escória que despersonaliza o vil ser humano;
Procurei durante tempos, aquilo que insistia em trazer a mim o vento...embora, sob for de brisa, suave e como minha própria percepção dos fatos, tão lento;
Formas e apelos, coisas mundanas e assumo, maleficamente belas;
Persistam em seu desfilar, persistam em atentar contra aquilo que o divino trouxe para ficar...hão de ser preteridas todas, por algo que nasceu para ser eternizado em poemas ou em telas;
Procurei seu jeito no abraço de qualquer peito, procurei carinho no abraço de alguma gentil menina;
Procurei a dor que trago no peito por nossa separação...com um trago de barato Whisky, ou até mesmo a loucura que faz permear uma dose de cocaína;
Não há abraço assim em outros braços...não há beijos assim em outras bocas;
Não há de existir nem mesmo, prazer de droga qualquer que me traga até mesmo aquele desgosto tão aprazível de, quando com seu jeito de menina mimada, punha minha mente a quase ficar louca;
Formas e apelos...desfilam sua beleza, mas não terão a cor distinta e o cheiro de seus cabelos;
Formas...podem se parecem com escultura, mas já encontro-me velho por demais para me seduzir com externas formas de atraentes figuras;
Dentro de ti há algo, e já faço-me ciente de que não há mais necessidade por procura;
De ofensas ou intervenções alheias, gostaria de permanecer alheio;
Mas...o que fazer quando terceiros têm a força de destruir e fazer em pedaços nossa saúde, e tudo aquilo de mais lindo que temos dentro do peito?
Descobri que formas hão de passar, que coisas de usar irão tentar...mas, já sou homem barbado, homem feito;
Hei de assumir que para sempre, ainda que o tempo nos separe até mesmo as lápides em nosso eterno descansar...HEI DE AMAR SOMENTE VOCÊ...
E PARA ESTA TÃO GOSTOSA DOENÇA DE AMAR, NÃO HÁ JEITO!



ENTREGUEI MEU CORAÇÃO E MINHA ALMA PARA SEMPRE A VOCÊ....FAÇA, O QUE QUISER COM ELES :'(





sexta-feira

Em suas mãos, para sempre...meu coração.

Pensei um dia, em verdadeiramente querer abrir meu coração sem sangrar;
Pensei um dia...em deveras, amar e encontrar libertação sem ferir e sem machucar;
Amizade seria a base de tudo...embora, talvez devesse eu desconfiar até da amizade...
Em um mundo onde impera o ódio, que insista em tudo o que seja amizade, detestar;
Amizade que nasce para ser precursora do futuro amar;
Egoísmo incauto e estúpido...que destrói o amor e novamente divide caminhos de quem juntos estavam a caminhar.
Pensei em um dia meu coração, definitivamente entregar...para não mais sofrer, para dor não mais sentir e não mais, me decepcionar;
Contudo, quantas vezes meu coração bobo já não entreguei...quantas vozes estranhas insisti em ouvir e fui traído pela surdez do meu próprio vital pulsar?
Sigo adiante, sigo somente com a razão de um tolo que acreditou em um horizonte diferente, estar a avistar;
Sigo adiante...com lágrimas de ódio que me fazem mover, criando aos poucos dentro de mim um monstro, que um dia, hei de detestar;
Amizade é para durar...amor, não deveria ser obcecado ao ponto de atrair abutres que o impeçam de nascer, para que uma vez mais...me impeçam de saber o que fosse amar, sem me pegar solitário a chorar;
Minha amiga...pensei com sentidos entorpecidos uma vez mais, pensamos estar no rumo certo por trilhar;
Pensamos estar livres de todo mal, quando de fato...fomos vítimas do mal que hoje de nós sorri...
Enquanto, estamos em quartos distantes, sozinhos com um travesseiro para abraçar;
Pensei ser homem, mas definitivamente penso em os pontos, entregar;
Leve consigo meu coração e minha alma, deixe neste corpo somente o vazio que tanto desejo que se faça imperar;
Leve consigo tudo o que de melhor lhe ofereci, apesar de parecer pouco suficiente de mim...por onde, você vier a caminhar;
Foi por ti que como poeta, nasci...é por nós e por um destino tão cruel e cretino, que estou por trás destas teclas em prantos, dizendo-lhe um até mais...com cara de nunca mais regressar;
Te vi diferente, te vi brilhar...brilha no céu ou na terra, pois seu sorriso...em dias mais difíceis de meu existir, foram a razão de eu persistir em respirar.






Serenidade no sonho, serenidade no olhar.

Em sonhos de lascívia, via sua inocente figura de serenidade juvenil a me assombrar;
Jamais, entretanto, imaginara...que em realidade um dia fosse com você me encontrar;
Serenidade que se fazia tormenta...torpor tão aprazível em sonhos proibidos a sonhar;
Mas, aquilo que fosse serenidade, não deveria causar tormento...deveria pela natureza de sua plácida face e do azul de seu olhar, acalmar;
Menina serena, olhos da cor do céu...olhos que remetessem às profundezas do mar;
Embora não fosse sereia, em paisagem de areia punha-se com seu canto e seus encantos...para este jovem que nada tinha de marinheiro, mas somente de tolo...
Seduzir, e talvez para a calma que fosse morte ou fosse sorte, chamar;
Serenidade no sonho, serenidade curiosamente descobria-se diante de meu olhar;
Menina inocente no lugar errado no plano imaginário...menina inocente, no lugar certo até mesmo em dias de desespero de meu despertar;
Serenidade que soubesse a hora exata para ser tormenta, que fizesse aprazível o ato de atormentar;
Serenidade que trouxesse com o azul de olhos puros a calma então perdida...serenidade, que aos nervos arrefecem, a mente enlouquece ou ao inquieto coração, venha para abrandar;
Serenidade no sonho, serena forma de realidade a se concretizar;
Não era miragem na areia, não se fazia sereia perigosa com seus caprichos em um perigoso mar;
Era menina verdadeira, era então personificação e real...era plena pessoa, inteira!
Serenidade dos sonhos, não seria mais necessário contigo sonhar...serenidade já há aqui em chão firme e de consistência inabalável;
Serenidade se fazia ainda criança, naquela varanda de tristes lembranças...incondicionalmente a me esperar;
Ainda que, minha frágil mente ou caráter, sua imagem indevidamente posta insista em perturbar;
Serenidade....és belo e único este tom de azul, que entre o céu e o mar, audaciosamente distinto se desenha na íris do teu sereno olhar!

 







quinta-feira

Desejos e fatos.







Quem dera! Como todo dia que se repete meticulosamente para uma nova chance nos dar, eu não tivera de com ele, me reinventar;
Quem dera! De meus próprios e pobres versos eu soubesse fazer música, para que estes fossem suficientes, embora sem conteúdo...para na voz da multidão, eternizar;
Quem dera não fosse escritor de textos, mas de romances memoráveis em livros que todos desejassem comprar;
Quem dera fosse, mas o destino quis que assim fosse minha história para diariamente, a tudo que seja espelho superar;
Quem dera, mas aquilo que não seja seu...não se deve desejar;
Será mero fruto de estúpido orgulho, será mesquinha e involuntária maneira do alheio sucesso invejar;
Quem dera fosse, mas com o que disponho e o destino me ceda, coloco-me a contento...hei de me regozijar;
Quem dera quem cantasse, dispusesse de cerebral arte de, a cada dia, coisas distintas ser capaz de criar;
Quem dera fosse sempre bom aquilo que se ouça hoje em dia, para na mente alheia permanecer e não sucumbir ao filtro...que besteiras em linha de montagem produzidas, venha a refutar;
Quem dera....mas, já deu;
Sou quase feliz com aquilo que tenho, ainda que sinto ter algo além de minha própria e diária arte para dar;
Quem sabe, haja algo por mim esperando antes de meu definitivo pôr-do-sol...antes que eu desista quase que para sempre, de minha singela forma de arte de fazer escrita e publicar;
Será o mesmo dia em que meu coração, desistir de bater...será o mesmo dia que minha respiração cessar;
Será neste dia que hei de ser para sempre quase, e como um nada para sempre, minha condição aceitar em eternizar.







Aquilo que fica.









Aquilo que fica, nem sempre deveria permanecer, mas sempre será o que resta;
Aquilo que fica pode ser mais do que tenhas a merecer, ou poderá ser tudo o que não presta;
Aquilo que fica...não se move, não edifica;
Aquele momento onde o sujeito pára pra pensar e a vida siga seu curso natural e prossiga;
Logo adiante, um lugar distante...esperando por aquilo que esteja estático e inerte como um inanimado móvel, esperando por uma eternidade ou por um instante;
Parei para ponderar sobre tudo o que ocorra a despeito ou a respeito de mim;
Esqueci-me de lembrar que aquilo que não se move não verá o próximo horizonte...esqueci-me de lembrar, que aquilo que fica, por vezes decreta seu próprio fim;
Reticências no existir...irá o destino conceder permissão, irá o acaso ou oportunidades simplesmente com nossa inércia consentir?
Aquilo que fica...por vezes ali para o resto de uma vida inútil permanece, mas como estátua jamais se solidifica;
Não será memória para posteridade, não será pleno para seu próprio ego aquele que ouse viver pela alheia ou auto-piedade;
Aquilo que fica, ficará quiçá por uma eternidade a esperar;
Esperar algo que não se sabe ao certo o que seja, esperando algo que jamais saberá se ocorrerá;
Na poeira se perde, no esquecimento fica e de escrever sua própria trajetória, abdica;
Aquilo que fica, ainda que seja boa memória ou breve pausa para o sábio que seu próprio ser retifica;
Deverá ser precisamente cronometrado, precisamente ponderado...pois, memórias deverão se converter em passado e o ser rapidamente se modifica;
Aquilo que permanece parado, vira história a ser esquecida, vira desperdício daquilo que poderia ser ímpar fagulha de vida;
Aquilo que permanece parado, pela própria ação do tempo, converter-se-há em algo cansado, cansativo e naturalmente, pela condição de tudo o que não tenha raízes, esgotado;
Aquilo que parado permanece, se por opção...perece e sequer é digno de qualquer pena ou prece;
Aquilo que fica é resultado daquilo que contra ti conspira...ainda que seja espelho o algoz, ainda que seja o próprio ar infeccioso que se respira.











quarta-feira

Par ou ímpar.

Par...a saciedade de suas existenciais necessidades há de em alguém se encontrar;
Ímpar...seja único, seja distinto, mas jamais transponha barreiras ou tenha a originalidade com a qual eu não consinto;
Par...todos em busca de algo como se assumíssemos ser ambulantes metades;
Ímpar...todos caminhando querendo um raio de sol para si, querendo ser parâmetro e pagar o preço...até que joelhos se dobrem suplicando por piedade;
Par...crescei para alguém encontrar, crescer para aos anseios sociais ceder, crescer para simplesmente se multiplicar;
Ímpar...ser alguém que aceita carregar a cruz, alguém que por si mesmo, uma nobre ou estúpida causa ou pelos demais, na solidão esteja disposto a ficar:
Par...até que a morte os separe, mas se nascemos singulares...por que culpar a morte por supostamente nos separar?
Ímpar...ser o afável transgressor, caminhar um passo adiante enquanto a multidão desista ao sintoma da primeira dor;
Par ou ímpar, seja como for...seja metade procurando felicidade ao encontrar alguém para ser um, ou seja completo perecendo por não se afeiçoar a qualquer coisa que lhe imponham, ainda que o resultado por instantes seja sentir-se frustrado como se fora nenhum;
Ímpar ou par...ser único, mas talvez amor também desejar, ser singular mas, por livre escolha, desejar ainda que por tempo determinado pelo destino...viver para receber e se doar;
Dialéticas do existir, arte de coexistência e subsistir;
Ser ímpar por todo um sempre, mas ser par por algo que valha para sempre...não necessariamente metade, mas a mão de plenitude que se estenda a quem por prazer se acolha e na necessidade, se ampare e sustente;
Par ou ímpar...no cotidiano onde tantos se procuram e outros para sempre se perdem, em um lugar onde ser feliz simplesmente...será o bastante, para as maledicências ou maldições que a ti perseguem.

 


O encantador de pássaros.








Eu cá a escutar, ele alheio a tudo lá fora;
Na liberdade de um cativeiro de carinho...canta seu passarinho;
Na liberdade agora deste quarto em ruínas, minha alma chora;
Eu aqui a pensar e talvez, sequer ele saiba agora;
Que fora inspiração para uma poesia, que fora ensinamento de incondicional ceder por uma vida...que é referência, para o homem que eu tento ser para alguém, agora;
Cante pássaro, pois com seu cantar...estas mãos benevolentes que lhe acolheram  hão de se alegrar;
Cante passarinho, pois em seu cativeiro de carinho...por este alguém que nada sabe sobre estas letras, fora acolhido com a mais pura forma deste incondicional carinho;
Eu aqui sentado...a digitar entre sorrisos e lágrimas, sem querer a derramar;
Por nossas memórias tão distantes, que se desenham como um tão agradável ontem...em minha mente a se pintar;
Siga encantador de pássaros, pois sua missão é devolver vida ou, em sofrimento...indicar o caminho a seguir, quando nada mais a se fazer, há;
Siga sereno senhor, enquanto persisto neste estúpido e estranho versar...quando em um abraço poderia tudo isso lhe explicar;
Mas, como seres tão rústicos em vida, como nós, saberiam sequer sobre abraçar...
Como, saberíamos nós...assim tão homens e duros onde, tudo seja superfície...
Sobre externar, acerca de sentimentos saber e quiçá...
Dizer coisas, que somente mulheres haveriam de assimilar?
Hei de preferir assim, digitar sobre ti enquanto mais uma pequena forma de vida...cria para amar;
Hei de preferir não tocar, pois toques hão de ferir...e não me vejo disposto, ou estou deveras cansado para ver sua face onde já se faz a marca do tempo, mudar;
Siga com alegria, enquanto eu saio...talvez ocultando uma lágrima de agradecimento por assim te admirar;
Siga...não enfrente contendas por causas que não valham a pena, pois tua essência é pura e não fora feito para ferir ou brigar;
Seja, aquilo que fora pelas divindades designado para ser meu querido pai.;
Agora é chegada minha agora, agora é chegado o momento deste quase velho menino que de sua morada para sempre sai;
Seja aquilo, herói na memória e, para dar um tempero humano nesta história...um pouco de bandido;
Saio, mas levo tua imagem e tua presença para onde for comigo;
Saio...e hei de desejar somente, ser algo parecido com tudo aquilo de melhor...que me orgulho em ter aprendido contigo;
Pai, obrigado por existir...obrigado por me deixar existir, obrigado por me conduzir quando menino e hoje, ser meu grande e velho amigo.