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sexta-feira

Partindo, dois corações.


Era alvorada se fazendo no sertão, o trem surgia no horizonte junto ao Sol, no rádio tocava uma outra estação;
A estação...estático e estarrecido observava aquilo que se parecia com etérea visão, ilusão ou de raios incertos a raiar...mera confusão por difusão;
Era alvorada quando o Sol surgia naquela manhã aconchegante, gelada se fazia minha alma apesar daquele dia de verão;
Dias que iguais não mais vejo, com saudades parti para sempre rumo ao povoado centro de tanta solidão;
Jamais vira novamente minha alvorada, jamais ouvira novamente aquela canção;
No trem, carregava poucos pertences na bagagem...deixava para trás a quem pertencia meu coração;
Trem de saudades...trem que se fazia realidade, mas desejava que fosse apenas ilusão;
Mudando-se sem querer de minha terra sair, fazendo migração do corpo...quando a alma, permanecera naquela estação;
No rádio ainda deve ecoar a mesma canção, naquele lugar...quiçá ainda se faz minha última estadia ou se faz sentir a última lágrima que derramei, que fosse por alguma emoção;
Aqui nesta cidade, após tantos anos...jamais tivera notícias dela, no sertão deixei minha história e minha doce donzela, em busca de algum trocado que tornasse digna minha condição;
Deveria ter escolhido a alvorada, deveria não ter ouvido apitos daquele trem que se faziam chamada...
Chamada para a solidão...deste velho que escolheu um viver um sonho, e hoje agoniza no ostracismo da calçada com olhos marejados por lembranças do meu sertão;
Deixei por lá a vida que tinha, optei por aquela que somente sonhara até então;
Perdi para sempre minha vida por errada opção...naquele trem ao partir, deixei para sempre minha amada, minha terra e meu coração;
Toque rádio, toque novamente aquela canção...
Para que os olhos deste velho venham a cerrar-se para sempre, lembrando-se que um dia fora um jovem cheio de sonhos, alguém que amou e hoje, morre em paz na solidão.





quinta-feira

Desesperança.

Quando eu caminho para longe, peço distância para esquecer-me de mim e nada tem a ver contigo ou seu ego;
Quando fico em silêncio, não necessariamente me faço ausente de ti, indiferente;
Simplesmente, para não ferir a nenhum de nós, faço-me ausente dos sentidos...faço-me surdo e cego;
Quando o vozerio se faz efusivo ao ponto de perturbar uma já conturbada mente, é quando paira na aura do silêncio presente, o peso de um perigo iminente;
Quando me esqueço de ti, não esqueço-me de mim também necessariamente;
Pode ser meio de sobrevivência, um abrigo contra os mísseis direcionados a mim e das demasiadas demandas diárias, simplesmente;
Quando tento me esquecer do passado, em sonhos este se faz presente;
Quase obtenho sucesso ao apagar do consciente, aquilo que se faz presente e atormenta meu subconsciente;
Silêncio pode não ser afronta ou provação, mas sinal de respeito ou ato de mera precaução;
Presença que se faz demasiada, faz a gente desejar a solidão...a luz que ilumina por demais nossos olhos, pode nos fazer desejar eternamente, a total escuridão;
Ninguém importar-se com a situação de forma que transcenda sua própria pessoa, sua própria emoção;
Se em minhas palavras não se encontra sentindo algum nesta ocasião, quiçá seja verdadeiramente esta a minha ulterior intenção;
Ninguém está ou jamais estará realmente interessado, de forma desinteressada em te agradar, ou talvez....em sua existência, ou sua opinião.










Soluções sem problemas.


Ainda me lembro com marejados olhos do dia em que levaram minha razão;
Sobre ser racional pouco sabia em verdade até então;
Ébrio...me via ao contemplar no espelho, nada além de olhos vazios de solidão;
Um copo após o outro, o mesmo copo se enchendo e esvaziando como se fossem pequenos tragos paliativos para minha triste condição;
Pares vazios de olhares a divagar, habitando um corpo solitário que procurava amparo ou alguma aprovação;
Volúpia, voraz ansiedade por solução...sequer restava um copo pela metade para que se fizesse análise ou ponto para filosófica visão;
Buscando solução onde encontraria problemas, todavia problemas talvez procurasse para algo sentir que não fosse um incômodo vazio em existir;
Buscava equilíbrio em contradição, buscava um caminhar ao menos decente...bebendo mais do veneno que turva fazia minha visão;
Na obscuridade da embriaguez procurando por alguma sensatez...a mão inimiga que se pareça amiga encontra sua vez;
Linhas na mesa, linhas que se faziam novidade e se faziam promessa de êxtase máximo...embora, me causassem à princípio alguma aflição ou estranheza;
Sua vez...pensei com mente entorpecida e agi, com estúpida certeza;
Sua vez...pensei que seria somente por uma noite e não um inferno que principiava levando tudo o que fosse dignidade e amor próprio, tudo o que fora beleza;
Mais uma linha...levando o pouco de razão que restava e sem necessidade, na embriaguez procurava...encontrando o inferno que se consumia sobre a mesa;
Ainda me lembro, mas detesto me recordar...que criamos situações e consumimos venenos, que se parecem brinquedos com os quais jamais deveríamos brincar;
Ser racional, sóbrio e digno até então...perdeu-se durante longo tempo, recuperou em seu exílio um pouco de sua desconhecida razão;
Ser ébrio, que agora sabe o valor da sobriedade por escolher sofrer sozinho toda sorte de humilhação;
Para ti, raiou um novo sol...que não fosse para secar suas lágrimas ao amanhecer em lugar indevido com frascos vazios na mão;
Ser...sempre seremos seres em busca de recuperação de problemas que criamos para nossa própria evolução;
Ser que agora tem histórias para contar...e, apesar de não serem as mais belas, faz ao menos de sua vergonha, para os demais uma lição.



quarta-feira

Que perdure, ainda que temporário!

Acordar juntamente ao Sol, e se pôr no horizonte com horário marcado;
Levantar-se um dia a mais com um sorriso de satisfação estranha e no rosto, tão enigmático;
Rumar, para o rumo já conhecido percorrendo o caminho que já conheça seus passos, de tanto ser pisado;
Horário indevido de inspiração, expediente onde se faça a transgressão no repente de um raio;
Idéias que se tornam versos, versos que não escolhem hora ou para surgir...obedeçam à regras ou horários;
Aquilo que pede para nascer, não respeita seu escasso tempo para dormir ou seu estimado ofício... que das regras e redundância, já se faz cansado;
Aquilo que pede para nascer, porventura já se faz seu vício...se faz filho querido em versos nos braços de um pai tão inesperado;
Inspirado...pai inesperado, desespera-se por assim ser, não compreende seu próprio propósito, suas razões de no presente ser ou coisas sobre seu passado;
Idéias que suplicam para nascer...disformes formas de vida, quem em poesia peçam para, ainda que sem formas definidas, algum sentido vir para fazer;
Se penso a respeito sem o devido cuidado, uma frágil idéia ainda como embrião...em um ventre imaginário, sem querer eu mato;
Se penso em parar, penso que talvez seja cedo demais, nossas relações são rompidas e...em conflitos com algo superior a mim, me vejo às voltas e me atrapalho;
Romper relações com aquilo que se pareça ser destino, talvez seja o maior pecado...talvez, resida neste seu maior ato falho;
Vos digo somente por fim, que este talvez seja meu verdadeiro trabalho...
Ou seja este quiçá, apenas ilusão de perfeição vivida em forma de um estranho trabalho, embora tão aprazível e saberá o destino...temporário!




Desculpe senhor, terá de esperar.



Se tudo nesta vida é exercício...e de todo exercício corpo ou mente hão de se cansar;
Paciência também terá limites, paciência não deveria ser algo constantemente a se testar;
Sobre suas dívidas, prontamente senhor...cá estamos como bons credores, para imediatamente debitar;
Sobre as promessas de uma boa vida que fosse ao menos um velho carro ou um lar...perdão senhor, mas não possui créditos, terá de esperar!
Esperar, após tanto contribuir, após tanto trabalhar;
O coração não se cansa de bater em esperança, mas um dia até mesmo este há de cessar;
Promessas de boa vida, sonhos em um longínquo futuro por se concretizar;
Sonhos...onde sonhar pareça ser pecado, onde sonhos tenham preço e com sua saúde que se deteriora, deverá pagar;
De seus exíguos ganhos, abutres em prontidão sempre estarão para sua parte tomar;
Sobre sua prosperidade...há de se desviar o foco, hão de tergiversar;
Disseram-me uma vez que paciência seria necessária, mas há anos já me pego há esperar;
De esperança...cumpre-se o período de gestação de uma geração de crianças, e nada há por se realizar;
De esperança se viver, de má sorte...sempre se lamentar;
A esperança, em meio a hipocrisia de nosso insano dia-a-dia, realmente será a última a morrer ou agonizar;
Porque de esperanças somente, muitos vivem...e com esperanças, inesperadamente chegará nosso dia...
Quando a morte sem aviso, virá para seu ciclo fazer cumprir e  sua vida, ceifar;
Viva esperança, viva paciência...viva em outros corpos, pois hei de preferir a triste realidade;
Ao esperar...eternamente por aquilo que seja eterna sensação do quase, mas se faça ausência!




Mensurando loucura.





Parâmetros para seguir, estritamente estabelecidos e restritos;
Na multidão não se ouve nada além de barulhos que nada signifiquem, não se ouvirá declamação ou sequer de boa inspiração, em um ímpeto, um grito;
O senhor da razão assume seu lugar, há de definir por idéias prontas que não são de sua propriedade, o que seria insanidade;
Senhor por trás de uma cadeira de ócio, senhor...com olhos plácidos que ocultam todo ódio;
Mensurar graus de loucura, estabelecer miligramas de manutenção...jamais propor a cura;
Seria por, talvez, sobre sua própria condição absoluta titubear e sobre cura não há muito o que se saber;
Na mente se escondem mundos, mundos que fazem por si somente sua ímpar complexidade;
Nestes mundos nem sempre há muros...estes mundos, não necessariamente serão restritos como cidadãos adestrados da sociedade;
O senhor da razão, seja ele o sábio doutor...seja ele um boçal patrão, terá sua conduta, terá seu padrão;
Para a loucura não há solução, para outros talvez doses incertas de drogas que despersonalizam um cidadão;
Para alguns, será internação...todavia, permanece a indagação sobre quem seria suficientemente são para dizer quem os loucos serão;
Quem nunca soube sobre loucura, sobre perda ou estar no limiar dos sentidos sequer por um dia, de julgamentos não terá direitos...ou para medicar, saberá somente sobre teorias;
Loucura e sanidade caminham juntas na cidade, mas o indivíduo que sinta-se perdido e questione sua própria sanidade, não deveria procurar por alheia opinião ou piedade;
Louco será aquele talvez que senta-se em cadeira adjacente, loucura é se fazer cego para toda decadência que se veja, mas não se nota;
Toda forma de loucura que assim se disponha a ser analisada, não será somente loucura...será idiota.



terça-feira

Olhares de perfídia.

Dispara na cara como uma pistola carregada de mágoas, o despeito por nada ser...disparate;
Disparo como um raio e venço mais um dia, apesar de ter de contemplar sua face tão fria...inata maldade;
Não paro para pensar, pois sobre pensamento posso fazer em movimento...detestada habilidade;
Seus favores com juros altos a se pagar, seus carinhos que nada são além de imagem para aos demais impressionar...futilidade;
Tivera escolhas, escolhestes ser nada...embora, ainda que nada fosse, pudesse ser algo que não fora maldita encarnação de víbora carregada de autopiedade;
Sua imagem com os demais se confunde, jamais soubera algo sobre personalidade;
Seus olhos apesar de belos a princípio, são malditos...carregam consigo nebulosa intenção de ferir sem piedade;
Métodos escusos, vives como inseto ou ser noturno e sorrateiro que és, na obscuridade;
Jamais fora algo além de um projeto que não passara da metade, mas parece ter sido feita sob medida para servir ao mal...dissimular é sua arte;
És rainha sem trono, és sequer um cão que procurasse pelo dono...és fruto de toda iniquidade, és resultado de toda adição da frívola e perniciosa vaidade;
Não reconheço sua face, talvez jamais desejarei reconhecer em verdade;
Em verdade, apenas posso lhe afirmar minha cara...que com o diabo não tens parte que seja mera fração, mas és o diabo em sua totalidade.




Prejuízo à vista, prenúncio de triunfo.

A pedra estava novamente logo adiante, de forma premeditada ali colocada;
Ali estava a pedra, enquanto eu incauto, com coisas dos céus ou da natureza...alheio ao perigo, me encantava;
A pedra estava precisamente posta, se fazia propositalmente obstáculo para uma vez mais, tornar-me objeto de troça;
Do sorriso que se oculta por trás de faces ou de amigáveis olhares, nada se sabe;
Embora, de minha própria de recuperação após pequenas feridas...muito se sabe;
Muito se sabe, e muito há de se odiar;
Estou aqui para ser quem eu seja, não estou aqui para aos inimigos tão próximos...me fazer entretenimento para agradar;
Indiferentes estejam, mas sempre com aquele ar de fracasso que adoro em um dia seguinte, ao olhar...me deliciar;
Pedras poderão colocar, pragas hão de rogar ou maledicências hão de se propagar;
O que permanece é a essência da vítima do ódio, aquilo que está além de todo superficial olhar;
Há de permanecer lágrimas de dor e frustração, ainda que ocultas, por uma vez mais testemunhar...
A pedra eu remover ou chutar, sob a sombra majestosa de um sobrenome tão meu, você habitar;
Em sua intentona fracassar, e viver longos anos...para que veja uma vez mais, este cidadão do mundo que jamais fora o seu, sobre ti triunfar!


Sim, sou eu aqui novamente...IDIOTA! É melhor fazer mais que isso.



Fogo eterno, fogo fugaz.






 












Fogo se fez à noite para fazer luz ou calor, onde o vácuo já seja costumeiro e apraz;
Fogo se fez em um dia de Sol, fogo paliativo para tudo...por sua condição esclarecedora e quente, mas não assaz fugaz;
Fuga, para a vida que não se vê no frio que faz aqui dentro, fuga rumo à própria sorte;
Fuga...que não será eficaz, entretanto, para acrescentar algum tempo ou intensidade àquilo que se faça iminente...a morte;
Fiz o fogo acender, para iluminar ou para aquecer...fiz incandescente a lareira ou, o filamento;
Fiz algo acontecer, tão útil quanto o acender de um cigarro...que distrai enquanto se aguarda a desgraça inevitável com hora marcada, ou sabida para chegar a qualquer momento;
Tinha a opção do fogo para acender, idéias para iluminar ou caminho suave para percorrer...escolhi sofrimento;
Tinha algo que chamava de vida e agora não passa de sobrevivência vazia que se reflita no vazio de meu olhar...tinha discernimento;
Hoje, fogo se faz aqui dentro ou lá fora...fogo ainda posso fazer, mas toda fagulha que acenda será ineficaz;
Será idéia que não agrada, emoção que não traz excitação...será mera distração para quem deteste viver o presente, olhar para a frente ou caminhar para trás;
Fogo...se faça na terra, se faça no céu; faça vida ainda que breve acontecer, faça todo mal extirpar com a esfera que nasça no horizonte ao amanhecer;
Faça-se torpor a quem quiser, ou a quem merecer...faça-se chama a crepitar e estranhamente arder;
Para mim, faça-se breve...transforme aquilo que seja matéria ou memórias rapidamente em cinzas;
Faça-se para mim, fogo...última moradia para onde se destine quem se não se encontrou, mas se perdeu no existir...se tornara tão precocemente ranzinza;
Fogo que tanto por dentro me consumiu...agora, por fora me consuma e em minha pele se faça excruciante dor que em um último ato de desatino, se faça doer;
Faça-me partir...pois, minhas lágrimas não serão suficientes para lhe apagar, faça-me para sempre em seu calor, adormecer.

segunda-feira

Menina malvada.







A menina que inspira coisas belas em sua vida, não se encontra em qualquer esquina;
Na esquina se encontra a menina que se aspira....na esquina, se esconde a malvada que danifica a narina;
Porventura, não seja o que procura...mas, será o que te espera como ilusão de perfeição que esteja próxima ou com seus passos errantes, se aproxima;
Talvez...não seja sequer malvada, talvez sejam delírios que te prendam a esta obsessora menina;
Parece despretensiosa, alva como a pureza de cristais que caprichosamente se façam em linha e sua personalidade, arruínam;
Talvez seja a saída mais fácil, porém certamente a mais cara....pois, não seria barata a diversão com a ilusão de musa perfeita que se encontre logo na esquina;
Procurar um pouco mais talvez...procurar, deixar de se lembrar daquilo que ela te fez;
Procurar por ela, quando sofrer nas mãos de alguma outra menina ou da própria vida, outra vez;
No espelho sempre estará uma face de culpa...no peito, sempre um cravo doloroso de amargura;
Se é branco o ouro, poderá ser então chamado o comprador de tolo;
Se por acaso se pareça barata a solução, que sempre termine em lágrimas e frascos de veneno mortal vazios em suas mãos...será simplesmente um ultraje, para si mesmo traição;
Malvada é esta menina...que se venda, como a prostituta tentadora e igualmente destruidora de lares, com requintes de crueldade, logo ali na esquina;
Sequer uma lição posso lhe dar se acabo de consumir...sequer um sonho posso ter, se tudo que sinto é oculta vergonha e vontade de, em meio à multidão, sumir;
Talvez sequer seja malvada, talvez sequer seja tentadora forma de ninfa ou de provocante e jovial menina;
Talvez seja apenas minha mente assaz danificada em delírios ou devaneios, imagens que se façam anseios por esta senhorita tão avassaladora e formas estranhamente tentadoras, embora retilíneas;
Talvez eu devesse cessar minha busca e procurar por alguma ajuda...pois, acredito venha a se tratar apenas da maldita COCAÍNA.




Ponteiros, façam assim por mim.

Pensei antes de me deitar ou acordar, pensei assim de repente;
Pensei em um dia desses acordar, neste lugar os os ponteiros se movessem para a frente;
Para a frente, realmente...não nesta redundante forma de se repetir ou se encontrarem, que traíssem a idéia de evolução que se faça na mente;
Acordar em um futuro que difira deste estúpido presente, acordar ao menos um dia vendo a vida seguir adiante...vendo as coisas mudarem completamente;
Pensei sobre este lugar, mas este lugar sequer se fazia paisagem em minha mente;
Um lugar onde talvez eu compreendesse o que realmente fosse amar...que sobre este verbo tão surrado soubesse devidamente entender para versar;
Um lugar, onde a vida não fosse assim tão pálida, mas tivesse ainda alguma cor que não esperasse por minhas mãos cansadas para colorir;
Onde fizesse algum sentido com o Sol acordar, e novamente...espontaneamente para este, sorrir;
Pensei em desistir, pensei que soubesse sobre caminhar para frente ou amar realmente;
Ainda não me faço bom entendedor, ainda sei o que seria sofrer e dar-se assim por contente;
Sonhei com este lugar, um lugar que se parecia com este mundo horrível, mas fosse tão distinto...deveras aprazível;
Sonhei por uma noite, mas uma noite sonhada há de ser para quem já sente cansaço...sonho somente;
Sonhei com ponteiros que adiante avançassem, com meias revoluções que em realidade se concretizassem;
Acordei...uma vez mais vendo ponteiros parados, atrasados ou adiantados...
Tanto faz, quando na verdade sempre hão de se encontrar novamente e estarão sempre, como a vida em sua condição...errados;
Acordei, neste mesmo lugar onde não se faz distinção entre verão ou inverno, neste quarto que se assemelha ao meu próprio pedaço de inferno;
Passos saem uma vez mais desanimados a serem na mesma rua de sempre, com o desespero calado trocados;
Passos saem pelas ruas ostentando um nó na garganta...sufocado;
Queria que os ponteiros adiante se movessem, embora eu mesmo pareça como eles, estar sempre cansado;
Estar...sempre quebrado, ou adiantado e no momento errado;
Segue a vida...mas, parece seguir em sentido oposto, sentido contrário;
Segue o cidadão tão ordinário...que parece sempre seguir, contrariado.



domingo

Coma.





















Sentidos que já não são sentidos, cânulas e líquidos tocando o rubro que ainda circula...mantém vida, ao se fazer misturar;
Sentidos entorpecidos, coração que bate por estímulo...quando em verdade, deseja silenciar;
Mente ausente, sem sinais sensíveis de sinapse...limiar do viver, da tentativa de regresso à vida se faz desapercebida e interna intensidade;
Ápice...pulsa um quase imperceptível pulso que por vida clama, pela alma chama....embora, a chama de vida insista para que o destino venha ao seu parco iluminar, dissipar ao soprar;
Indução à condição dita necessária, manutenção daquilo que não se peça...operação desnecessária;
Se corações batem uníssonos em vida, ao libertar-se de um incômodo corpo...no além, onde jamais se esteja morto, neste mesmo ritmo hão de continuar;
Sedado, olhos fechados...tenta-se fazer abrir aquilo que para a eternidade deseja sucumbir e se cerrar;
Em coma se permanece, do coma não há respostas concretas sobre o que realmente se deseja ao avistar...a luz da eternidade, em seu brilho intenso e agradável que insista em lhe chamar;
Em coma a vida padece...melhor talvez seria deixar seu ciclo cumprir e talvez, se encerrar;
Quando verão se parece com infindável inverno, quando coexistência se assemelhe a infindável inferno...
Quiçá, melhor seria deixar a carne, para na eternidade viver em plenitude aquilo que de promessas em vida, não hão de passar;
Desligue os aparelhos...deixe todo músculo que insista em lutar descansar, o pulsar cessar e a carne, para sempre retesar;
Alento para aquilo que se pareça com despedida ou morte, será a certeza de que em algum lugar que não sejam somente em memórias haveremos de permanecer;
Será a certeza, que após o último exalar para a carne deixar...na eternidade, finalmente encontraremos paz e nosso merecido lugar sonhado em vida, para finalmente desfrutar;
Obrigado doutor, grato amigos...deixem aquilo que não deseja mais prosseguir ou permanecer a sofrer;
Dispam-se de todo egoísmo e deixem aquilo que ainda é fagulha de luz, para sempre escurecer.



Reinados...não se fazem, para palhaços.






Sob este teto estranho, embora tão comum feito de frio concreto;
Sobre este chão sinto-me como peça...que não fizesse falta neste insano jogo que não se joga em tabuleiro;
Quis desejar que as coisas diferentes fossem...jamais, entretanto, tentando impor minhas condições ou suplicando para que algo fosse do meu jeito;
O reinado já está estabelecido, a coroa já fora entregue àquela que fora desejada e do plano ideal de dois, como projeto em realidade para o mundo...concebido;
Sou nada, e nada sempre serei;
Doravante nada mais pretendo ser, não hei de esperar por nada que fosse ao menos indiferença para se sentir...deste reino, jamais desejara ser rei;
Por minha humilde condição e carência que se faça na mente e no coração, por piedade aos algozes supliquei;
Pelo chão que deveria se fazer lar, por diversas vezes perdão pedi por coisas que não fiz...perdão pedi até mesmo por nascer;
Neste chão onde caí, como sujeira indesejável sou recolhido quando se faça conveniência...e por consentimento com humilhação imposta, eu pequei;
Deste reino, não desejo ser rei...deste estranho regime absolutista onde a majestade se faça ausente, mas absoluta por sua inata condição desde o conceber, nada sei;
Quase certeza que deveria como o poeira pairar no vento, em estados que não fossem sólidos me fazer e sumir;
Quase certeza que a este lugar não pertenço, quase certeza que não sou daqui;
Acabou-se a alegria do palhaço que já se faz cansado de tanto ser humilhado...tudo deverá ter prazo para ser finito e sucumbir;
Até mesmo das piores desgraças sorri, porém hoje a maquiagem se desfaz e vejo um rosto...não de um palhaço, mas de alguém esperando recuperar a alegria que há tempos perdi;
Deste reino não faço parte, e agradeço por não pertencer aqui;
Que os bons ventos me levem...que sem o pesar tal qual a bruma que se faça no mar, eu saiba a direção por onde navegar e jamais retornar a este chão onde tanto sofri.

Esperando a outra metade desta face, para finalmente me sentir rei e por um dia ao menos, verdadeiramente sorrir.



sábado

Falar de amor, viver para amar.





Versar sobre amor, embora o que se sinta seja excruciante dor;
Falar de amor, sentir amor...quando tantos já assim o fizeram, quando já se parece assunto sem sentido, banalidade sem valor;
Amor teria de ser dor, pois a coroa fora feita de espinhos...não era coroa feita de flor;
O preço a pagar é a amargura, pois o que se receba em troca nem sempre será um gesto de ternura;
Viver amando será viver sofrendo, viver feliz sorrindo...ainda que a alma esteja sangrando e o coração ferido, doendo;
Versar sobre amor, dissertar sobre o que este em meu entendimento fosse;
Quando este já fora em vida vivido, quando o divino se fez carne e desapercebido como toda forma de amor há de ser...fora covardemente traído;
Amor somente terá valor quando se perde, pois obrigação já não será sentida por amar;
Mas, obrigação jamais fora...amar, é simplesmente se doar sem nada esperar;
O egoísta deseja a morte do amor, pois amor em demasia há de incomodar;
Melhor seria a frieza, melhor seria nada esperar;
Para que o ego tão inflado de arrogância e sentimentos pobres, desobrigados estivessem de ao menos com um sorriso retribuir ou com uma lágrima se emocionar;
Versar sobre amor já se faz retórica, bater em uma mesma tecla faz jovens ou velhos dedos cansar;
Melhor então desfrutar em segredo do verdadeiro amor que seja raro, sem que olhos alheios e superficiais possam enxergar;
Melhor então seria aproveitar e aceitar o amor enquanto ele exista, pois quando este morrer...o mundo juntamente deverá em seu egoísmo maldito, agonizar.

Ápice de sanidade.




Cúmulo daquilo que se acumula...cúmulo! É o que pensa o indigente indignado em um canto da cidade;
Idoso senhor esquecido, à margem...vendo toda forma e expressão de amor, se converter em mesquinha possessividade;
Vê agressão gratuita como forma de justiça injusta e covarde;
Vê o sonho, sonhado apenas por um, ter de ser vivido e sofrido por uma densa maioria no dia-a-dia...na realidade;
Vê a utopia e a fantasia, mistérios de outrora encantadores...tornarem-se explícita banalidade;
Ouve os gritos do adjacente sanatório por alguma piedade...de seres que perderam a razão e a calma, face a todo tipo de tirania e crueldade;
Vê o insano real sorrir, vê o insano que seja rótulo chorar;
Vê a flor de plástico ter valor...vê a rosa perfumada que nascia no campo, por desgosto murchar;
Enxerga a face enrubescida da verdade factual, esconder-se ou sendo propositalmente ocultada pelo sofisma que se faça ideal;
Enxerga as coisas, enquanto pessoas nada enxergam por estarem demasiadamente apressadas;
Vê atrocidades convertendo-se em coisas comuns, vê com desânimo toda prática de coisas erradas;
Olha para o lado, vê então o vertiginoso cume do edifício mais alto...pensa em um final digno para seu existir ignóbil, um final impactante e fantástico;
Drástico...idéia que venha a se concretizar em ato, vontade de gritar quando não se é ouvido, seria então visto ao cair do lugar mais alto;
Atinge então o ponto onde jamais estivera e lança seu último olhar de desgosto para aquilo que lá embaixo, o espera;
Pensa então em fechar os olhos e simplesmente jogar-se, mas algo faltava em seu plano...algo que sua morte dignificasse;
Seria então, expressão maior de sanidade, no clímax, após tocar-se do alto de um edifício, em um último gesto de autopiedade...
Jorrar esperma no rosto de uma insana e hipócrita sociedade;
E, que o líquido da vida, se faça suficientemente amargo para as gargantas malditas...se faça merecida retribuição e saciedade!
Agora...assim feito e deveras satisfeito, adeus ingrata construção fria chamada de cidade.


sexta-feira

Um museu de grandes novidades...

Vivendo em um atroz progresso, clamando pelo retrocesso, acreditando ser este o melhor processo;
Viver novamente um amargo regresso, na boca a mordaça para a mente que pense, no pescoço como ameaça uma faca;
Viver querendo democracia, esperando que políticos a façam por nós, não propagando idéias ou agindo na contramão do desgosto...
Por temer a contrariedade que se cause, simplesmente pelo incômodo de se criticar os fatos;
Eixos a serem encontrados, passos a serem dados que nos coloquem nos trilhos a serem ainda construídos para o almejado sucesso...em passos largos;
Fazer pouco, esperando que alguém o algo a mais, o faça;
Vivendo pagando um alto preço por omissão e por se distrair com entretenimento que não deveria ter graça...viver como o gado, ferido, adiante rumo ao abate como segue a cabisbaixa vaca;
Nossa piscina ainda está cheia de ratos...nossas idéias, jamais se perturbam com os fatos;
Beba de seu cálice de esquecimento, mais um trago de gosto amargo;
Viva no eterno sonho que nunca foi seu, naquilo que nunca idealizou, mas sempre sem muitos argumentos criticou;
Viva...somente para respirar e jamais para afirmar que de tudo isso, faz parte e um dia, realmente gostou ou em algo modificou;
Viva na omissão clamando por revolução, do jeito que o governo gosta...do jeito, que a alguém interessar, pague seus caros impostos...e jamais abra sua boca para reclamar;
Talvez, seja nada além do devido fardo a ostentar diário...talvez, seja o preço justo a pagar por ser otário;
Talvez seja para nós, nada além do justo e necessário!

Tributos.

Sobre a pequena parte, de nosso suado tesouro...o quinto;
Sobre o real valor ou coisas acerca da verdadeira dignidade, eu diminuo...eu minto;
Com tudo aquilo que apequene, que torne coisas magníficas como a suposta magnitude do existir, em algo menor e assaz impotente...consinto;
Sobretudo, não seremos nós a gozar de nossa própria riqueza que não se acumula e não se faça sinônimo de boa fortuna;
Fortuna que se faça para alguém, vida que se viva para os outros e se pareça com desperdício de horas...que te faça sentir ninguém;
Boa sorte terá a mão sagaz do corrupto, alheia às algemas da lei ou do auto flagelo...da admoestação por consciência pesada, profundo corte;
Boa sorte...é o que lhe desejam ao sair de casa para mais um dia do estúpido existir pelo qual não pediu, boa sorte ao sair para o mundo sendo pobre, pois do capricho impensado de alguém és fruto...
Fruto sem sementes de vida, que vida não gera...és fruto da vil matriarca que por ser inocente duramente lhe puniu, e parece ter esquecido ter sido a infeliz responsável que lhe pariu;
 Boa sorte...é o que se deseja por entre os dentes, sabendo que o que vem ao encontro do pobre em esquinas é droga, condução de gado ou bússola sem um norte;
Feliz será o dia, que vivendo de infeliz sorte...vier a libertar-se de toda forma de opressão;
Não haverá mais tributos a serem pagos, não haverá humilhação...apenas putrefação tranquila e pedaço de madeira que lhe sirva de berço, o caixão;
Feliz será o dia que encontrar-se verdadeiramente com a morte, e fizer desta maldita e fétida carne...sua real libertação!



Páginas de saudade...espera, por novidade.



Cheiro de coisas velhas que se retirem da gaveta, quando o que se peça...são coisas novas com cheiro de tinta de caneta;
Coisas amarelas, páginas tão belas...mas, ainda assim pouco relevantes para que soem como novidades velhas;
Páginas guardadas como memórias, páginas divulgadas como recicladas novidades;
Desejo se faz por novas cores ou palavras novas...mas cores somente serão mais do mesmo ao misturar-se, e palavras, não se inovam;
As mesmas coisas do passado denotam, para serem empregadas no presente...sobre coisas inéditas para dizer, se realocam;
Mais do mesmo é o que há para o momento, mais do mesmo...para se falar de forma distinta daquele mesmo velho sentimento;
Palavras ainda serão as mesmas, pouco se renovam como a vida diariamente ou como o conhecimento;
Palavras serão inevitavelmente repetidas no momento...as mesmas palavras que unem-se buscando fazer sentido, após tanto empregadas em forma de informação ou entretenimento;
Palavras repetidas, para descrição da singularidade de um evento;
Singular forma de se dizer que se ama, sem repetição de termos ou perda de originalidade;
Formas peculiares de narrar fatos sobre a cidade, redefinir com termos próprios o que seja saudade;
Cheiro de coisas velhas, páginas amarelas que ficaram na saudade;
Cedem espaço agora às coisas novas que desejam nascer, cedem espaço para a nova forma de poesia que insiste em agonizar, mas jamais morrer...cedam espaço, para a tão esperada forma de novidade, para quem sobre ela, algo tenha a dizer.